
domingo, outubro 21, 2012

Wilson Roberto Vieira Ferreira
Centrada
na estória de uma menina que foi assassinada e observa sua famÃlia e seu
assassino do “céu” (não propriamente, mas de um limbo entre a terra e o céu), a
adaptação do romance “Lovely Bones” de Alice Sebold esquece a inteligência e a
intrincada estória do livro e confina a experiência do sagrado na célebre
fantasia-clichê hollywoodiana da “quebra-da-ordem-e- retorno-a-ordem”: quem
transgride a Ordem deve ser punido! Assim é “Um Olhar do ParaÃso” (Lovely Bones, 2009)
Como
já abordamos em postagens anteriores (veja links abaixo), a chamada experiência
do Sagrado tal qual compreendida pelo mainstream
midiático da atualidade consiste numa espécie de teologia secularizada: uma
experiência que seria originada na percepção ou descoberta intuitiva súbita que
o indivÃduo teria de uma conexão com uma “ordem maior”, com uma totalidade
cósmica ou divina.
DescontÃnuo
e marcado para morrer, para o homem a Verdade não estaria na experiência individual, mas na
liquidação de qualquer perspectiva particular em nome de uma Totalidade (“Somos
todos Um”, o totalitário slogan New Age).
Nessa
perspectiva, esse Sagrado enquanto teologia secularizada, teria duas “funções”:
adaptar de forma violenta o indivÃduo à s totalidades sociais (ordem
corporativa, polÃtica, moral etc.) e trazer racionalização e conforto à dor e
sofrimento individuais decorrentes dessa adaptação forçada (mostrar ao
indivÃduo que ele é insignificante diante dos desÃgnios maiores do Cosmos).
Como
no filme Juventude
Transviada (Rebel Without
a Cause, 1955) onde o personagem de James Dean (Jim Stark) olha
para as estrelas do Planetário e diz que vem sempre para lá para, ao contemplar
a imensidão do universo, perceber como seus problemas são insignificantes.
Da
mesma forma, Um Olhar do
ParaÃso confina a
experiência do sagrado a sucessivas experiências de punições dos personagens
por transgressões da Ordem. E o filme segue essa fantasia-clichê de forma
surpreendentemente rÃgida e esquemática no melhor estilo dos filmes que
envolvem adolescentes nos gêneros terror ou thriller. Se não, vejamos.