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domingo, março 10, 2019

O horror da elite poderosa e amoral no filme "Society"


Tente misturar referências cinematográfica como “Veludo Azul” com “Eles Vivem” e “Invasores de Corpos”, para depois se apropriar das obras de Salvador Dali, Goya e Bosch como se elas estivessem vivas e em movimento. O resultado estranho e bizarro será o filme cult de terror “Society” (1989): no subterrâneo da ensolarada vida em tons pastéis de mansões e ricaços de Beverly Hills, suspeita-se que se esconda algum tipo de lodo subterrâneo libidinoso e surreal de festas privadas, orgias e estranhos rituais. A suspeita e a paranoia farão os protagonistas suspeitarem de algo satânico, para descobrirem que é algo ainda maior e incompreensível, numa das sequências finais mais estranhas da história do cinema, podendo ser colocada ao lado de finais com viradas narrativas como Cidadão Kane e O Sexto Sentido. Mas também “Society” cria a perfeita metáfora de uma classe dominante rica, poderosa e amoral.
“Somos uma grande família feliz... Exceto por um pequeno incesto e psicose.”
(linha de diálogo do filme “Society”)

domingo, janeiro 13, 2019

A conspiranoia pop gnóstica em "Under The Silver Lake"

A cultura pop nada mais representaria do que o abismo geracional entre jovens e adultos? Por trás de cada gesto de revolta seja grunge, punk ou gótico estaria um adulto vigilante através de mensagens criptografadas em músicas? As vertiginosas alusões de “conspiranoia” pop em “Under The Silver Lake” (2018), de David Robert Mitchell (“Corrente do Mal”), conferem uma nova abordagem do tema da paranoia no cinema. Um jovem desocupado tenta investigar o mistério do desaparecimento de sua vizinha para mergulhar no submundo das subcelebridades aspirantes a atores e atrizes em Hollywood e na subcultura de HQs e fanzines que tentam construir uma Teoria Unificada das conspirações. O fio da meada pode levar o espectador a conspirações ao melhor estilo Hitchcock e David Lynch. Mas o fio pode estar desplugado da tomada! Filme sugerido pelo nosso leitor David Góes.

terça-feira, janeiro 01, 2019

"Black Mirror: Bandersnatch": a realidade se aproxima dos códigos de um videogame

A quinta temporada de “Black Mirror” (2011-) não saiu em 2018. Isso porque o episódio especial “Bandersnatch”, lançado no apagar das luzes do ano, atrasou toda a produção pelo “enorme tempo de criação”, disse o criador Charlie Brooker. Não é para menos: “Bandersnatch”, um híbrido de filme longa-metragem e game interativo, é uma verdadeira síntese do “zeitgeist” gnóstico por trás das descrições da série de como a tecnologia é cada vez mais envolvente e invasiva. Em 1984, Um jovem aspirante a programador profissional de games começa a questionar a realidade ao seu redor na medida em que a ansiedade e paranoia envolvem a elaboração dos códigos – assim como ele escreve a narrativa do game de computador, também a sua realidade cada vez mais se assemelha a um jogo interativo. Mas controlado por quem?

sexta-feira, junho 22, 2018

Em "Rebirth" a liquefação das seitas no marketing e nas empresas


A produção Netflix “Rebirth” (2016) é mais uma dentro da recente onda de filmes sobre seitas ou cultos. Aos fazer constantes alusões a clássicos como “Vidas Jogo”, “Clube da Luta” e à série “Black Mirror”, o filme em alguns momentos torna-se previsível. Mas a grande virtude de “Rebirth” é mostrar como na atualidade as seitas estão se “liquefazendo” – deixam de serem exclusivas a grupos sectários místicos ou religiosos para se tornarem ferramentas motivacionais nas empresas, marketing e estratégia de vendas. Técnicas de manipulação como “breaking sessions”, “temor e intimidação”, “controle do tempo”, “love bombing” etc. integram-se ao cotidiano de empresas e marketing de rede. Enquanto assistimos na TV notícias sobre líderes malucos que levam grupos ao suicídio, sem sabermos podemos estar trabalhando agora mesmo em uma seita.  

terça-feira, janeiro 30, 2018

Em "Um Ponto Zero" a paranoia é a falha na matrix da realidade


Cisão esquizofrênica? Falha da racionalidade? Em geral o cinema figura a paranoia dentro dessas representações. Mas é no filme “Um Ponto Zero” (“One Point 0” aka “Paranoia 1.0”, 2004) que a paranoia evolui de simples transtorno mental para uma percepção especial: se em “Matrix” o déjà-vu era uma falha na realidade codificada, em “Um Ponto Zero” essa falha chama-se “paranoia” -  aproximando-se do insight do pensador gnóstico Valentim, lá no distante século II DC. A paranoia não só como uma “falha na racionalidade”, mas como a percepção da falha na própria sintaxe que estrutura a realidade. Um solitário programador de computador começa a receber misteriosas caixas vazias que o farão mergulhar em um universo cercado de câmeras de vigilância em um edifício residencial em ruínas, nano tecnologia, redes de computadores, e-mails infectados, um estranho vírus bio-cibernético, obscuros interesses corporativos e um estranho experimento em Neuromarketing.

segunda-feira, novembro 06, 2017

O sonambulismo gnóstico-noir em "Sleepwalker"



Uma mulher traumatizada pela morte do seu marido convive com sérios distúrbios do sono: sonambulismo, insônia e pesadelos. Sob tratamento em uma clínica especializada, finalmente consegue um sono reparador. Porém, algo de assustador começa a acontecer: a cada despertar, é como se acordasse em uma realidade alternativa com um novo sobrenome e pessoas conhecidas que não se lembram dela. “Sleepwalker” (2017) é um curioso filme que transita entre a estética “noir” (ninguém é o que aparenta ser), uma estranha atmosfera retro atemporal e a narrativa gnóstica sobre uma protagonista que parece navegar por diversas realidades em busca de memórias perdidas e crescente paranoia. O sonambulismo é o elo que em “Sleepwalker” une o “noir” com o gnóstico: estar desperto em um sonho é um evento marcado por uma forte carga simbólica de alguém que tenta acordar e encontrar a verdade. Filme sugerido pelo nosso antenado leitor Felipe Resende.

quarta-feira, novembro 01, 2017

As 10 revelações gnósticas na série "Philip K. Dick's Electric Dreams"


Philip K. Dick escreveu seus contos sob a sombra do macarthismo da Guerra Fria onde a lealdade e confiança eram as principais armas contra a traição e delação de um sistema totalitário. Mas para ele, esse sistema não era apenas político, mas cósmico – obra de um Deus demente, um Demiurgo Criador que nos aprisiona por meio da ilusão moral (culpa) e ontológica (o princípio de realidade). A nova série da rede britânica Channel 4 “Philip K. Dick’s Electric Dreams” (2017-) adapta esses contos de ficção científica que conduziram o escritor até a violenta epifania mística em 1974, na qual teve visões, sonhos e revelações místico-religiosas que o levaram ao gnosticismo cristão. Os 10 contos que compõem a primeira temporada da série apresentam não só a atmosfera do anticomunismo da Guerra Fria do momento em que foram escritos. Mas didaticamente nos mostra os 10 grandes princípios da Revelação Gnóstica que orientaram toda a obra do escritor. Por isso Philip K. Dick tornou-se visionário: cada vez mais a realidade atual se assemelha a um conto dele.

sexta-feira, outubro 06, 2017

A alma está entre a luz e a matéria em "Anti Matter"


O que nos torna humanos? Personalidade? Memória? A existência da Alma? “Anti Matter” (2016) é mais um filme de ficção científica que busca essa especificidade humana, ao lado de uma tradição que vai da série de TV clássica Jornada nas Estrelas (o episódio “Mirror, Mirror” de 1967), passando pelo drama dos replicantes mais humanistas do que os humanos em “Blade Runner” (1982) até chegarmos ao gnóstico "Cidade das Sombras" (Dark City, 1998) no qual aliens tentam encontrar a alma humana. Poderá um dia a Ciência, através da mecânica quântica, encontrar a alma em algum ponto entre a matéria e a luz numa dobra do contínuo tempo-espaço? Esse é o tema de “Anti Matter”, uma narrativa minimalista, cerebral e com baixíssimo orçamento sobre jovens doutorandos em Química, Física e Computação se deparam com um estranho efeito colateral em um experimento com eletrólitos para baterias: a existência da alma. Mais uma sugestão do nosso ativista leitor Felipe Resende.

terça-feira, setembro 19, 2017

Mídia contamina fronteira entre sanidade e loucura em "O Sinal"


Desde “A Noite dos Mortos Vivos” (1968), filmes sobre pragas zumbis e contaminações virais se consolidaram como um subgênero do terror com uma característica recorrente: o foco narrativo sempre está nos sobreviventes ou cientistas que tentam salvar o mundo através da racionalidade ou da coragem. “O Sinal” (The Signal, 2007) subverte esse cânone do terror: o que aconteceria se um filme se concentrasse no ponto de vista dos zumbis? Como eles veem a si mesmos? Para eles quais seriam as fronteiras entre normalidade e loucura? O resultado é um filme sem heróis: apenas pessoas normais que não possuem a menor consciência de que foram contaminados por um misterioso sinal transmitido pela TV e dispositivos de áudio como CD players e de comunicação como telefones e rádios. “O Sinal” apaga a fronteira entre a normalidade e a loucura. Mas não espere zumbis canibais se arrastando pelas ruas – apenas pessoas aparentemente normais e até com intenções altruístas. Mas de repente podem matar impiedosamente aqueles que supostamente estejam no caminho da sua felicidade. Outro filme sugerido pelo nosso implacável leitor Felipe Resende.

sábado, maio 27, 2017

Alguém manipula nossas identidades no filme "Los Parecidos"


Imagine um diretor fascinado pelos filmes e séries sci-fi e de terror B dos anos 1950 como “Além da Imaginação” que produz um filme com mix da atmosfera dos filmes noir e do hotel Overloock de “O Iluminado”. O resultado é um filme estranho, fora da curva dos atuais thrillers de horror. É o filme “Los Parecidos” do diretor mexicano Isaac Ezban que vem conquistando prêmios no circuito internacional de festivais do fantástico e do horror. Em uma noite de forte tempestade, em 1968 no México, um grupo fica preso em uma pequena e remota estação rodoviária, à espera de um ônibus que nunca chega. Estranhas notícias pelo rádio dão conta que aquele temporal não é comum: o que cai do céu junto com a chuva provoca estranhas mudanças comportamentais, e suspeita-se de um fenômeno global. O filme utiliza elementos do fantástico para discutir um tema muito sério: se a nossa identidade é o resultado do jogo da percepção (o olhar de um para o outro), como isso pode ser moldado por influências externas? Mídia? Uma inteligência alienígena? Ou apenas o resultado da paranoia mútua?

segunda-feira, maio 15, 2017

Tentar lembrar pode ser uma armadilha em "Remainder"


A memória é o que nos torna quem somos. Mas, se as memórias são resultantes das nossas percepções mais subjetivas (cor, cheiro, sons etc.) podem ser interpretações e não gravações da realidade. Por isso, podem se tornar armadilhas, quanto mais imergimos nelas. Desde o filme “Amnésia” (2000) de Christopher Nolan esse perigo é tematizado mais seriamente pelo cinema, até chegarmos a “Remainder” (2015): após um acidente traumático, um jovem perde a memória e tenta montar o quebra-cabeças das lembranças que restaram com um método extremo: com o dinheiro da milionária indenização o protagonista monta gigantescos estúdios com atores contratados para obsessivamente encenar seus cacos de memória. Mas o que deveria ser uma progressiva conexão com a realidade, começa a se tornar um vício compulsivo. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

quinta-feira, março 16, 2017

"Radio Free Albemuth" politiza o Gnosticismo e vai além da ficção científica


Em um passado alternativo em 1985, Mark Chapman matou Mick Jagger ao invés de John Lennon e os EUA vivem sob o domínio de um Estado totalitário. Um grupo subversivo planeja incitar a revolução por meio de hits musicais com mensagens subliminares.  E o líder, produtor da gravadora, é inspirado por epifanias místicas enviadas pela VALIS (“Vasto Sistema Vivo de Inteligência Alienígena”) por meio de um satélite que secretamente orbita o planeta. Esse é o filme “Radio Free Albemuth” (2010), a melhor adaptação cinematográfica já feita de um livro do escritor gnóstico Philip K. Dick. Uma produção que conseguiu ir além dos cânones da ficção-científica (que sempre orientaram as adaptações hollywoodianas de K. Dick – robôs, aliens e planetas distantes), traduzindo para a tela as especulações filosóficas que sempre inspiraram o escritor: Gnosticismo, Cabala, Hermetismo e Budismo. Mas, principalmente, como K. Dick,  através da sua obra, conseguiu politizar o Gnosticismo através do tema da paranoia.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Abelhas, ocultismo e TV em "Wax or The Discovery of Television Among The Bees"


O primeiro filme feito para a Internet que estava apenas começando e produzido numa inédita ilha de edição não-linear. No longínquo ano de 1991 o diretor David Blair produziu “Wax or The Discovery of Television Among The Bees” um estranho filme  para cinéfilos corajosos o suficiente para se aventurar em bizarrices hipertextuais sobre abelhas da Mesopotâmia, ocultismo esotérico, histórias da Bíblia, Guerra do Iraque e simuladores de voo militar da NASA. Esse filme independente é um documento histórico da motivação tecnognóstica e esotérica que sempre esteve por trás do desenvolvimento da ciência computacional, ciberespaço e cibercultura. Em tom de documentário, Blair conta a história do neto de um entusiasta de uma sociedade dedicada à comunicação com os mortos, engenheiro de software na base de mísseis de Los Alamos, EUA, que cria uma conexão mística com abelhas (através da “BeeTV”). Para depois ser transportando para uma dimensão mística (o ciberespaço?) na qual verá a Guerra do Iraque sob o ponto de vista do carma e reencarnação... e receberá uma importante missão.

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

"Medo e Delírio em Las Vegas" faz acerto de contas com a utopia psicodélica


"Medo e Delírio em Las Vegas” (Fear and Loathing in Las Vegas, 1998) foi o início do acerto de contas do diretor Terry Gilliam com a sua geração (a utopia psicodélica de que as drogas abririam as portas da percepção nos libertando de realidades opressivas), encerrado com o filme “Contraponto” (Tinderland) em 2006. O filme baseou-se no livro homônimo  de Hunter Thompson, o marco do chamado “Jornalismo Gonzo” no qual a ficção seria mais poderosa do qualquer tipo de reportagem objetiva. Mas parece que toda uma geração esqueceu do alerta do escritor maldito Charles Bukowski: atualmente a realidade supera qualquer imaginação literária. Como centro espiritual de uma cultura planetária, Las Vegas incorporou (através da tecnologia) todos os delírios lisérgicos, não mais para libertar, mas agora para fazer as pessoas consumirem e perder dinheiro em mesas de jogos. Mais tarde, toda a indústria do entretenimento colocaria em prática a distopia de Las Vegas. Os heróis lisérgicos dos anos 1960-70 acabaram se transformando em nostálgicos freaks, impotentes diante dos delírios de LSD emulados pelas casas noturnas e raves.

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Realidade é esquecimento consensual no filme "Os Esquecidos"


Desculpe, caro leitor, o trocadilho involuntário mas o filme “Os Esquecidos” (The Forgotten, 2004) acabou sendo esquecido pela crítica e público. E com razão! Foi um filme que explorou elementos clássicos do gnosticismo pop hollywoodiano. Mas naquele momento, a safra de filmes gnósticos revelava filmes muito mais memoráveis como as sequências de “Matrix”, “A Passagem”, “Vanilla Sky” ou “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. O filme conta com um argumento poderoso (a mãe que lembra do filho morto em um acidente, mas todos ao redor insistem em dizer que a criança jamais existiu), mas o roteiro é inverossímil sem conseguir definir o tom narrativo – alguma coisa entre sci fi, mistério e thriller policial. Apesar disso, “Os Esquecidos” é uma filme didático: mostra como os temas do esquecimento, paranoia e conspirações são articulados dentro de uma narrativa gnóstica. Ecoando filmes clássicos como “Dark City” e “Amnésia” de Christopher Nolan, mostra que a chamada “realidade” pode ser o produto de um esquecimento consensual.

terça-feira, janeiro 17, 2017

Algo engraçado aconteceu a caminho da Lua


Se no passado falar que o homem jamais pousou na Lua era coisa de velhos e iletrados incapazes de acompanhar a marcha do Progresso, hoje acabou se transformando em um verdadeiro subgênero audiovisual com filmes, documentários e minisséries para TV e cinema. Dessas dezenas de produções, uma se destaca: A Funny Thing Happened on the Way to the Moon (Algo Engraçado Aconteceu a Caminho da Lua, 2001) do jornalista investigativo Bart Sibrel – ele até chegou a levar um soco de Buzz Aldrin ao tentar fazê-lo jurar sobre a Bíblia que havia caminhado na Lua. O documentário foge dos temas clichês - anomalias nas fotos da Nasa e o “hoax” do diretor Stanley Kubrick envolvido na conspiração. Sibrel destaca o contexto da corrida espacial nos anos 1960, a flagrante vantagem tecnológica da URSS sobre os EUA naquele momento e algumas questões: como, depois de uma década de fracassos envolvendo explosões, incêndios e astronautas carbonizados na plataforma de lançamento, de repente a NASA empreende uma ousada e bilionária missão que, de cara, consegue colocar homens caminhando na Lua? Por que acreditamos? Só porque vimos na TV? Mas, e se tudo foi encenado sem a TV saber? Siebrel supostamente comprova a farsa com imagens de um vídeo da Nasa não editado no qual vemos astronautas da Apollo 11 simulando, na órbita da Terra, estarem a meio caminho da Lua enquanto ouvem a transmissão da direção da filmagem.

sexta-feira, dezembro 02, 2016

"Abandone a esperança aquele que por aqui entrar", diz o filme "Évolution"


Um menino chamado Nicolas vive em uma pequena comunidade à beira do mar onde só existem mulheres adultas, todas estranhamente inexpressivas, que cuidam de seus filhos, todos masculinos e da mesma faixa etária. Ele desenha em seu caderno esboços de experiências que jamais poderia ter vivido naquela comunidade. Junto com essas memórias, cresce a suspeita de que todas aquelas mães escondem um terrível segredo: a obsolescência sacrificial dos jovens. É o filme “Évolution” (2015, co-produção França, Bélgica, Espanha), uma produção europeia que reúne os cinco elementos básicos de uma narrativa gnóstica: estranhamento, esquecimento, paranoia e conspiração de um sistema que não ama aquelas crianças. Lembrando o famoso aviso na entrada do Inferno da "Divina Comédia" de Dante Alighieri: “Abandone toda a esperança aquele que por aqui entrar”.

quarta-feira, novembro 09, 2016

O drama sobrenatural de uma perda inexplicável em "Absentia"


A cada ano milhares de pessoas simplesmente desaparecem no mundo sem deixar pistas. Misture esse dado estatístico real à influência do horror fantástico de H.P. Lovecraft com a simbologia arquetípica dos túneis. O diretor independente Mike Flanagan fez isso e resultou no filme “Absentia” (2011), um “terror silencioso” que pode causar estranheza aos espectadores incautos acostumados ao “gore” da violência e sangue. Como a dor psicológica da perda inexplicável evolui para o medo do sobrenatural, em uma narrativa que mistura dramas familiares e conjugais  com o sobrenatural que jaz em um túnel para pedestres no final da rua de um subúrbio de Los Angeles. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

quinta-feira, outubro 13, 2016

Leitor do Cinegnose desconstrói nota informativa do Bank of America sobre a Matrix


Como explicar a adesão de profissionais dos mercados financeiros à hipótese de que vivemos em uma grande simulação computacional – a Matrix? Em postagem anterior o “Cinegnose” discutia quatro hipóteses que explicam o porquê de um anúncio sobre a probabilidade de vivermos em uma Matrix contida em nota informativa para clientes emitida pelo Bank of America Merrill Lynch no mês passado. Nosso leitor Wilson Cardoso sugeriu uma quinta hipótese bem interessante: mecanismo psíquico de projeção à nossa submissão ao capital financeiro.

quarta-feira, outubro 05, 2016

Deus é um homem que enlouqueceu em "On The Silver Globe"


Astronautas chegam a um planeta parecido com a Terra com a missão de povoá-lo e recriar a humanidade a partir do zero. Mas ao invés de se tornarem livres, repetem, numa versão caricata e sombria, as mesmas mazelas que deixaram na Terra: a religião, guerras santas, hierarquias, violência e o hedonismo das drogas alucinógenas. Muitos críticos consideram o filme polonês “On The Silver Globe" ("Na srebrnym globie"1988) um “Star Wars com LSD”. Censurado pelo regime comunista polonês em 1977, o diretor Andrej Zulawski conseguiu finalizá-lo em 1988, mesmo com a filmagem incompleta. Para solucionar o problema, o diretor transformou o filme em um “found footage”. Por isso, as duas horas e meia do filme são para espectadores curiosos e corajosos: Zulawski faz um mergulho caótico e lisérgico no psiquismo de astronautas que tinham tudo para serem livres. Mas apenas contaminaram aquele planeta com a “peste” que trazemos em cada um de nós.

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