sexta-feira, outubro 23, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Se a literatura e o cinema clássicos usaram o monstro marinho como
símbolo de um castigo divino (como no mito bíblico de Jonas e a baleia) ou de
uma rebelião cósmica contra um criador opressor (como em “Moby Dick”, de Herman
Melville), o século XXI reescreve essa jornada nas profundezas sob uma ótica
estritamente psicológica. É o que propõe o visceral thriller de sobrevivência “Dentro
da Baleia” (Whalefall, 2026), dirigido por Brian Duffield: na trama, o estômago
de um imenso cachalote deixa de ser um abismo externo para se transformar no
cadinho definitivo de acerto de contas com o luto, o trauma geracional e os
fantasmas da relação entre pai e filho.
sexta-feira, outubro 16, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Vendido pelo
marketing como um thriller catastrófico sobre os excessos da indústria do
petróleo, “Digger” (2026) pega o público de surpresa ao explodir sua própria
premissa logo no primeiro ato. Através de um recurso de “bait-and-switch” que
expõe as entranhas do cinema e do teatro, o diretor Alejandro González Iñárritu
transforma o mais novo sucesso de bilheteria em uma ácida farsa metalinguística
sobre o "antropoceno". A provocação central não aponta o dedo apenas
para os figurões da política ou da energia, mas para uma plateia acomodada que
converteu o iminente colapso do planeta em mero entretenimento consumível. Fazer rir sem culpa, porque transformou a crise climática num produto cult de entretenimento.
Por
que não paramos de perfurar?
A resposta é simples. Porque você não quer que eu pare!
No fundo, você quer que eu continue insistindo e produzindo. De onde? De onde?
Você quer dirigir com gasolina barata e deixar os faróis e o ar-condicionado
ligados.
Você quer passagens baratas para Maiorca para torrar seu traseiro branco na sua
rede.
Comer um hambúrguer enorme, receber lanches em casa,
Carregar o celular para passar horas no TikTok e no YouTube.
Você quer ter energia para fazer perguntas.
Inteligência artificial para corrigir os desastres que ela mesma provocou.
Você quer liberdade. Liberdade para se entregar ao conforto de uma vida
insustentável.
(Digger
Rockwell)
“Drill, baby,
drill”, “Perfure, baby, perfure!”, exortou o então presidente recém-eleito
Donald Trump para os convidados na sua festa de posse em Washington. Para jogar
na cara do presidente derrotado Biden e toda a intelligentsia do Partido
Democrata que culpa os combustíveis fósseis pelas mudanças climáticas, toda a
sua indiferença pela questão do aquecimento global.
Por isso a
figura caricata e histriônica de Trump virou a própria encarnação do
negacionismo climático, o “meu malvado favorito” responsável por cada enchente,
cada tornado, cada tempestade, secas e outros aspectos das mudanças climáticas
do chamado “antropoceno”.
A busca por
vilões e culpados é a própria essência da mídia corporativa: simplifica a
realidade e tranquiliza o distinto público por identificar rapidamente os
culpados. É o sedativo diário para reduzir a angústia diante de um mundo tão
louco.
Alejandro Gonzaléz
Iñarritu (Birdman, Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades) sabe disso,
e por isso concebeu a “comédia de proporções catastróficas”, Digger
(2026), cuja premissa crua é apresentada nos trailers: “Tom Cruise é Digger
Rockwell, bilionário do petróleo arrogante que ignora especialistas e acaba
provocando o deslocamento de uma placa de gelo colossal na Groenlândia,
ameaçando inundar a Europa”.
Rapidamente o
filme Digger estabeleceu-se como um dos artefatos cinematográficos mais
polarizadores e ambiciosos do ano. O filme utiliza uma audaciosa manobra
estrutural — um "bait-and-switch" narrativo — para subverter as
expectativas do público logo em seu primeiro ato.
"Bait-and-switch":
é um recurso de roteiro em que o público é levado a acreditar que uma história,
um gênero, um personagem ou um desfecho será de um jeito (a isca), mas de
repente é entregue algo totalmente diferente (a troca), subvertendo
expectativas.
Pela premissa
crua entregue no marketing do filme, tudo leva a crer que estaremos diante de
mais um vilão negacionista da indústria do petróleo, cujo dinheiro, poder e
indiferença colocará o planeta sob risco de extinção.
Digger
Rockwell é um Elon Musk + petro-oligarca texano que explora petróleo no Ártico,
amigo pessoal de um presidente histriônico (John Goodman) cercado de generais
doidos para começar uma guerra nuclear, invadir a Groelândia e ferrar com os
russos e chineses. Isso nos parece muito familiar... já vimos isso em algum
lugar...
Mas a linha
de diálogo que abre esse texto revela a essência desse “bait-and-switch"
que Iñarritu joga para o público. Diante de um parlamento europeu hostil,
culpando-o pela catástrofe climática europeia provocada por ele. Digger
dispara: no fundo ninguém quer que a indústria do petróleo pare de perfurar.
Para manter um estilo de vida insustentável - a sociedade de consumo com seus
carros, ar-condicionado e muita energia para sustentar um estilo de vida em
torno de gadgets eletrônicos.
Iñarritu não
pretende entregar uma comédia previsível na qual nos divertimos com um vilão
caricatural e a nossa risada se transforma numa racionalização da boa
consciência - afinal, rimos porque sabemos sobre as causas das mudanças
climáticas. Não somos negacionistas!
Não, Digger
entrega uma audaciosa virada metalinguística, a quebra da quarta parede e a
farsa logo na primeira meia hora do filme.
Iñárritu não
está só satirizando bilionários. Ele está satirizando a nós, que transformamos
o colapso climático em conteúdo de entretenimento.
O Filme
O filme
começa como um thriller ecológico de alta tensão: Tom Cruise interpreta Digger
Rockwell, um magnata do petróleo cuja exploração predatória na Groenlândia
desencadeia o rompimento de uma plataforma de gelo colossal, ameaçando o mundo
com inundações catastróficas.
O gigantesco
bloco de gelo de milhares de quilômetros se desloca para a Europa, projetando
cenários catastróficos como tisunamis, enchentes e destruição econômica.
Vivendo
isolado em uma imensa mansão, Digger está mais precopao com a saúde do seu gato
do que com as dezenas de e-mails não abertos e ligações telefônicas não
atendidas que tentam alertá-lo. Até receber a visita do desesperado Ganesh (Riz
Ahmed), diretor ambiental da petrolífera de Digger, com as notícias alarmantes.
Digger tem muitos
pontos em comum com Não Olhe Para Cima, que satiriza a mesma realidade.
A grande diferença é que Digger possui um lado mais dramático, fazendo uso da
metalinguagem para tecer um poderoso comentário sobre como a humanidade é capaz
de processar tragédias.
No entanto,
após cerca de trinta minutos, o cenário se desfaz literalmente: uma árvore cai
de forma artificial, operários de palco entram em cena com miniaturas e
projeções, e revela-se que tudo não passa de uma peça de teatro futurista
intitulada Fossil Fools, encenada em um mundo pós-apocalíptico. Cruise
não é o bilionário, mas Curtis Markson, um ator veterano lutando para ensaiar o
papel.
A
desconstrução do bode expiatório – Alerta de
Spoilers
Temos uma
sátira dentro da sátira. O twist estrutural, revelado com 30 minutos: tudo que
assistimos até então foi um ensaio de uma peça em que o personagem-título do
filme também é, metalinguisticamente, um personagem dentro do próprio filme.
O Digger que
conhecemos, assim como os outros personagens que entraram e saíram de cena no
primeiro ato, são parte do elenco de uma grande peça que remonta o
passo-a-passo que culminou no colapso da sociedade como a conhecemos.
O filme
constrói uma narrativa que desconstrói convenções do cinema para criar uma
espécie de peça teatral gigantesca, que mistura ficção, documentário, cinema e
metalinguagem.
Na prática, estamos
num futuro distópico assistindo a uma peça teatral chamada "Fossil Fools" sobre o nosso presente. É uma
fábula de futuro pregresso. Nesse futuro uma montagem teatral está encenando o
passado, que é o nosso agora, como revisionismo. A arte está tentando entender
como deixamos o mundo colapsar, e ao fazer isso, ela mesma distorce, suaviza e
glamouriza.
Digger reflete um
mundo onde a própria catástrofe climática e o colapso civilizacional foram
digeridos como entretenimento de massa, feeds de notícias polarizados e
"conteúdo".
A peça Fossil
Fools dentro da história é um produto cultural voltado para uma sociedade
que consome sua própria destruição como espetáculo cult.
Com esse plot
twist metalinguístico, o filme desconstrói a obsessão midiática contemporânea
por encontrar "bodes expiatórios" individuais para crises globais. Ao
revelar que o bilionário é apenas um papel representado por um ator em uma
farsa aplaudida por uma plateia de privilegiados, o filme aponta o dedo para a
cumplicidade coletiva do sistema de consumo tardio, onde todos participam e
aplaudem a máquina que os consome.
No fim, o
propósito metalinguístico de Digger não é ser esperto. É nos encurralar.
Iñárritu usa a metalinguagem não para dizer “olha como o cinema é artificial”,
mas para dizer “olha como vocês precisam que tudo seja artificial para aguentar
a realidade”.
É por isso
que ele incomoda. Ele não quer que você saia do cinema pensando “bilionários
são maus”. Ele quer que você saia pensando “eu acabei de me divertir vendo o
mundo acabar, e paguei IMAX por isso”.
Ficha Técnica
Título: Digger
Diretor: Alejandro G. Iñarritu
Roteiro: Alejandro G. Iñarritu, Alexander Dinelaris,
Nicolás Giacobone
sexta-feira, outubro 09, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Quando o
filósofo alemão Theodor Adorno concluiu, na década de 1950, após pesquisa
empírica nos EUA, que o fascismo era uma tendência latente na própria sociedade
americana, poucos imaginaram o quão profético seria seu alerta. Sete décadas
após a publicação do clássico estudo "A Personalidade Autoritária", o suspense
político “O Aniversário” (Anniversary, 2025), do diretor polonês Jan Komasa,
transforma o veredito de Adorno em ficção assustadora: a história de como uma
democracia sólida pode ser corroída por dentro não por um golpe de Estado, mas
pelo ressentimento e pelo autoritarismo adormecido no cidadão comum. Em
“Aniversário” acompanhamos o crescimento de uma família, a mudança na dinâmica
de poder e a sua desintegração à medida que um movimento autoritário se espalha
pela sociedade.
Entre os anos
1944 e 1947, Theodor Adorno e sua equipe (Nevitt Sanford, Else Frenkel-Brunswik
e Daniel Levinson) fizeram uma pesquisa empírica nos EUA, envolvendo
questionários, testes clínicos e entrevistas.
Sob o impacto
da Segunda Guerra Mundial, Adorno queria saber se numa democracia burguesa como
a norte-americana seria possível a ascensão de um regimeme político totalitário
fascista. Como foi na Alemanha nazista.
O estudo,
publicado em 1950 sob o título "A Personalidade Autoritária", levou Adorno
descobriu que sim! Concluiu que o fascismo não era um fenômeno exclusivo da Alemanha
ou decorrente apenas de uma crise econômica pontual, mas sim uma tendência
estrutural da modernidade.
A pesquisa
revelou que uma fatia significativa da população possuía traços de
personalidade profundamente autoritários (o tipo "potencialmente
fascista"). Essas pessoas não se declaravam abertamente fascistas, mas
apresentavam uma estrutura de caráter suscetível à demagogia autoritária.
A
"Síndrome Autoritária" e a célebre Escala F (de Fascismo) foi
desenvolvida para medir essa predisposição sem fazer perguntas políticas
diretas. Adorno identificou características marcantes no indivíduo autoritário:
Submissão autoritária: Respeito acrítico e obediência cega às figuras de
autoridade do seu in-group; Agressão autoritária: Hostilidade e desejo
de punir qualquer pessoa que violasse normas convencionais ou pertencesse a
grupos minoritários (out-groups) etc. – sobre isso clique aqui.
O filme O Aniversário
(Anniversary, 2025), dirigido pelo polonês Jan Komasa (Suicide Room,
Corpus Christi), funciona como uma assustadora construção cinematográfica
do exato cenário que Theodor Adorno e sua equipe temiam. A obra ilustra como
uma democracia burguesa sólida como a dos Estados Unidos pode ser corroída por
dentro.
Não por meio
de um golpe militar clássico, mas pela ativação orgânica da "personalidade
autoritária" latente em cidadãos comuns por meio de um movimento populista
de massa.
Komasa
enxerga os Estados Unidos com mais clareza do que a maioria dos cineastas
americanos, tendo crescido em um país que foi ocupado pela Alemanha nazista e
pela antiga URSS, e tendo dirigido outros filmes sobre a vida sob regimes
autoritários, incluindo o híbrido documentário-drama Warsaw 44.
A princípio,
o título do filme parece se referir apenas a um evento familiar que abre a
história: o 25º aniversário de casamento de Ellen (Diane Lane), uma professora
de ciência política com ideias progressistas que leciona na Universidade de
Georgetown; e seu marido Paul (Kyle Chandler), um chef que se tornou dono de
restaurante em Washington, D.C., um ponto de encontro para as figuras
influentes da cidade e lucrativo o suficiente para financiar a educação de
elite dos quatro filhos do casal, três dos quais já saíram de casa.
Mas o filme
se constrói em torno de vários encontros que ocorrem ao longo de cinco anos,
culminando no 30º aniversário do casal. Acompanhamos o crescimento da família,
a mudança na dinâmica de poder e a sua desintegração à medida que um movimento
autoritário se espalha pela sociedade.
Adorno
concluiu que o fascismo não era uma anomalia distante, mas uma potencialidade
inerente à modernidade.
Em O Aniversário,
o autoritarismo não se instaura pelas margens extremas ou por invasores de
fardas negras, mas pelo mercado editorial, pelas conversas de jantar e pelo
conforto das soluções fáceis. A democracia americana colapsa rapidamente porque
a ideologia encontra terreno fértil nas frustrações e desejos da população,
ilustrando o veredito de Adorno: a democracia formal de um país cai se a
estrutura psíquica do seu povo for predisposta ao autoritarismo.
O Filme
A trama
começa como um drama familiar tenso durante a comemoração de 25 anos de
casamento da professora universitária Ellen e do dono de restaurante Paul.
A dinâmica
sofre um abalo severo quando o filho do casal, Josh (Dylan O'Brien), um
escritor em busca de sucesso (e ressentido, cujo primeiro livro foi rejeitado
pelas editoras), traz sua nova namorada, Liz (Phoebe Dynevor). Ellen a
reconhece imediatamente: anos antes, ela havia sido fundamental para a expulsão
de Liz da universidade após a jovem apresentar uma tese acadêmica de
inclinações violentamente antidemocráticas.
Liz, com suas
convicções políticas de extrema direita, se sentiu rejeitada e humilhada por
sua professora. Mas que agora está prestes a se tornar uma estrela da mídia
conservadora. O primeiro livro de Liz, "The Change: A New Social
Compact" — um livro-manifesto tão grosso quanto uma caixa de sapatos —
está prestes a ser publicado.
Liz e Josh
possuem a disposição psíquica principal da Escala F de Adorno: o ressentimento
e o sabor autoritário da vingança. Josh se sente um fracassado diante da sua
mãe, uma intelectual pública que é convocada pelo chefe de seu departamento
para aparecer em um programa de notícias nacional. E Liz nutre um projeto
secreto de se infiltrar na família da sua algoz, e implodi-la – e levar o país
junto.
Liz é mais
falsa que as lágrimas de um desses televangelistas, mas nem todos na festa
percebem isso porque ela domina o olhar compassivo e o tom afável.
Um exemplo
disso é Paul, que insiste que todos que participam de uma reunião familiar
deixem suas opiniões políticas pessoais na porta. Inicialmente, não temos ideia
da posição de Paul sobre os assuntos do momento. Ele também é progressista,
embora menos expressivo que Ellen, ou um conservador que ama sua esposa mais do
que detesta suas posições políticas? Também não temos certeza sobre a filha
caçula, Birdie (McKenna Grace), uma cientista promissora que parece focada nos
mecanismos da infecção viral e cuja formação política ainda está em
desenvolvimento.
Não há
dúvidas quanto às outras irmãs. Anna (Madeline Brewer) é uma lésbica cômica,
movida por política de esquerda e solidariedade feminista. Cynthia (Zoey
Deutch) é advogada e trabalha em casos ambientais com seu namorado Rob (Daryl
McCormick)
Com o passar
dos anos e sob a fachada do convívio familiar, o rancor intelectual dá lugar a
um pesadelo sociopolítico. Josh e Liz finalmente publicam o grosso manifesto
chamado The Change ("A Mudança"), que prega um recomeço
radical além das estruturas políticas tradicionais e rapidamente se torna um
fenômeno cultural avassalador.
Apoiado por
uma megacorporação chamada Cumberland Company, o movimento ganha proporções
imensas e evolui para um regime totalitário e um Estado policial.
A família
Taylor é inteiramente esfacelada pelas engrenagens desse novo mundo. Pensadores
e jornalistas fogem ou são expurgados, e Ellen é demitida da Universidade e
cancelada nas redes após ser flagrada rasgando a bandeira do movimento. Uma das
filhas, Anna, entra para a resistência e vira alvo do governo, enquanto a
caçula, Birdie, articula um plano bioterrorista contra a corporação por trás do
governo totalitário.
Aniversário e Escala F –
Alerta de Spoilers à frente
A relação
entre a película e os achados da Escala F de Adorno é profunda e mapeia as
estruturas psicológicas do autoritarismo:
Por exemplo,
através de suas pesquisas, Adorno mediu a necessidade que indivíduos inseguros
têm de se submeter acriticamente a líderes ou movimentos fortes. Na trama, Josh
personifica esse homem comum suscetível. Frustrado e ressentido profissionalmente
e buscando desesperadamente uma identidade para aplacar suas falhas pessoais,
ele abraça cegamente as ideias extremistas da esposa. Ele é a materialização de
como a demagogia fascista prospera ao se aproveitar da carência de propósito
individual.
Uma das
principais marcas do indivíduo autoritário para a equipe de Adorno era a
aversão ao intelectualismo. A trajetória de Ellen é simbólica. Ela é
perseguida, gravada clandestinamente e expurgada do debate público justamente
por ser a voz do pensamento crítico que, anos antes, havia identificado o germe
autoritário em Liz. Quando o movimento “The Change” toma o poder, os primeiros
a serem esmagados ou forçados a fugir do país são acadêmicos, jornalistas e
artistas.
Adorno
defendia que a educação emancipatória era o antídoto do autoritarismo; no
filme, vemos a erradicação metódica dessa barreira.
O Aniversário ilustra
também a Agressão Autoritária e a Punição do "Out-Group" quando
a sanidade pública desmorona: vizinhos denunciam vizinhos, drones patrulham os
bairros e agentes governamentais do censo ameaçam os cidadãos. O desfecho ultraviolento,
em que a polícia usa força letal para intervir e fuzilar os próprios filhos do
casal para expurgar a "subversão", retrata exatamente o desejo
totalitário de eliminar fisicamente as minorias e os opositores.
A obra
funciona essencialmente como uma versão roteirizada do livro A Personalidade
Autoritária. O filme reitera o aviso de Adorno: a ascensão de um regime de
controle absoluto em solo americano é sempre possível, bastando que líderes
mal-intencionados ofereçam ordem, poder e falsas soluções para as fraturas
psicológicas dos seus próprios cidadãos.
quinta-feira, setembro 24, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Ao
transformar a célebre lição de suspense de Alfred Hitchcock em uma parábola
metalinguística sobre a jogabilidade, o novo “Resident Evil” (2026), dirigido
por Zach Cregger, revoluciona as adaptações de videogames no cinema. Em vez de
emular a ação estilizada dos filmes dos anos 2000 ou apostar em um “fan service”
engessado numa adaptação, o longa coloca o público na incômoda posição de saber exatamente o
perigo bioterrorista que ameaça Raccoon City, enquanto o ingênuo entregador
Adams (Austin Abrams) avança às cegas — funcionando como um jogador novato
lançado em um “survival horror” sem ao menos ter lido o tutorial.
sexta-feira, setembro 18, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Ao abrir “A
Odisseia” (2026) não pelo texto homérico, mas pelo claustrofóbico ardil do
Cavalo de Tróia, Christopher Nolan expõe de imediato a espinha dorsal de sua
adaptação: o triunfo da astúcia sobre o destino. Ao converter os deuses gregos
em projeções clínicas e neuroses de Odisseu, o diretor mergulha o mito no zeitgeist
terapêutico do século XXI, trocando o fatalismo da Tragédia clássica pela autogestão
emocional. Contudo, essa tentativa de "psicologizar" o épico produz
uma ironia fulminante: longe de apenas modernizar a narrativa, o filme confirma
involuntariamente a célebre tese freudomarxista de Theodor Adorno e Max
Horkheimer em “A Dialética do Esclarecimento”. Ao subjugar a fé, a honra e o
instinto ao cálculo utilitário e à pura gestão de crise, o Odisseu de Nolan
reafirma o mito como o berço da razão instrumental — revelando que o sujeito
contemporâneo continua, como há milênios, domesticando a própria natureza para
servir à fria engrenagem da sobrevivência.
terça-feira, setembro 08, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
O eterno
sofredor dos desenhos animados cansou de ser esmagado por bigornas e rochas,
eletrocutado e feito de palhaço: ele decidiu processar o sistema. Salvo de um
polêmico engavetamento motivado por deduções fiscais corporativas — uma ironia
digna da própria trama —, o aguardado filme híbrido de animação e live-action “Coyote
vs. Acme” (2026) chega aos cinemas para subverter uma tradição. Inspirado em um
artigo da The New Yorker de 1990, o longa choca as gags anárquicas dos Looney
Tunes com a sobriedade dos dramas de tribunal, transformando décadas da
clássica "irresponsabilidade feliz" da Warner em um conto moral de
resistência contra abusos corporativos. Em vez do mero cinismo animado, o
azarado Willy Coiote renasce agora com a nobreza de um herói de Frank Capra.
sexta-feira, setembro 04, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Substituindo
a "dinossauro mania" dos anos 90, os unicórnios se consolidaram no
século XXI não apenas como símbolos de bilionárias startups financeiras, mas
como representações de uma positividade tóxica que mascara o hipercapitalismo
predatório. Essa transição cultural é o alvo da bizarra comédia de terror "Buddy" (2026), do diretor Casper Kelly. Ao transformar a nostalgia dos antigos e
eufóricos programas infantis de TV em um pesadelo surreal e labiríntico, o
longa utiliza seu autoritário mascote laranja para expor a barbárie, a
padronização e o controle ocultos sob a fachada colorida do mundo corporativo
contemporâneo.
sexta-feira, agosto 28, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
A morte do
ator Tim Curry nesta terça-feira, aos 80 anos, reacende o debate sobre o legado
inigualável do filme “The Rocky Horror Picture Show” (1975) e de seu mais
icônico — e estigmatizante — personagem: o alienígena pansexual Frank-N-Furter.
Mais do que uma reverência ao talento clássico do astro britânico, a despedida
convida a uma revisitação da obra que instituiu a interatividade do "cinema
acontecimento". Quase meio século depois, o clássico cult serve de lente
para explicar a crise do sistema de estúdios da Nova Hollywood e,
principalmente, para contrastar a anarquia sexual e amoral daquela época com a
atual e rígida taxonomia das políticas de identidade e gênero do movimento
Woke.
quinta-feira, agosto 27, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Se os
clássicos filmes de terror slasher dos anos 1980 usavam assassinos mascarados
para punir o despertar sexual adolescente e impor uma moralidade conservadora,
o longa Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte (2026) decide virar essa
lâmina contra o próprio gênero. Vencedor da Queer Palm no Festival de Cannes, o
metalinguístico e nostálgico filme de Jane Schoenbrun subverte as regras de
Hollywood: a matança deixa de ser um castigo puritano para se transformar em um
delírio catártico indispensável para a quebra da repressão e a verdadeira
libertação dos traumas, da identidade queer e do próprio Desejo.
sexta-feira, agosto 21, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Em “O Fim da
Rua” (The End of Oak Street, 2026), o diretor David Robert Mitchell arranca um
pacato subúrbio de 1982 do tempo e o arremessa direto para uma selva
pré-histórica: um subúrbio de classe média despertando no meio de um Jurassic
Park. Mas troca o otimismo técnico do cinema de Steven Spielberg por um retrato
implacável das angústias do século XXI. O longa usa a fúria dos dinossauros e a
estética oitentista nostálgica não apenas como diversão, mas para dar corpo à “permacrise”
— o estado de alerta constante e a sensação de colapso contínuo que assombram a
sociedade contemporânea. Ao fundir a estrutura de “chase movie”, o resgate do
casamento em meio à catástrofe e a fantasia do "reset" temporal,
Mitchell entrega uma alegoria sombria sobre uma era que tenta desesperadamente
se isolar do apocalipse doméstico enquanto busca no passado as saídas que não
consegue mais enxergar no futuro.
sábado, agosto 15, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Um spin-off
de “The Big Bang Theory”, focado no dono da loja de quadrinhos que viaja pelo
multiverso com seus amigos pode parecer apenas entretenimento descompromissado,
mas “Stuart Não Consegue Salvar o Universo” (2026) entrega uma radiografia da
crise cultural contemporânea. Ao transformar a narrativa em um feed de
referências e nostalgia reciclada, a nova atração da HBO Max encarna com
precisão a "cultura mashup" denunciada pelo cientista computacional
Jaron Lanier em seu clássico manifesto “Você Não É um Aplicativo” – a cultura
digital não está gerando inovação, mas nos aprisionando em uma reciclagem
infinita. Na era do mashup, onde o passado é fatiado e reagrupado
continuamente, a série surge como a metáfora audiovisual perfeita de uma
sociedade que trocou a criação genuína pela ilusão de novidade constante.
sexta-feira, agosto 14, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Ao migrar da criação de conteúdo no YouTube para o cinema de
gênero, Curry Barker trouxe na bagagem algo raro nas produções tradicionais: a
fluência nativa da linguagem digital. Em “Obsessão” (Obsession,2025), o
cineasta dobra a própria gramática audiovisual das redes para construir um alt-horror
visceral - um espelho cirúrgico das neuroses sociológicas e afetivas da Geração
Z. O que começa com o tom inocente de uma comédia romântica sobre a dor do amor
não correspondido desmorona rapidamente em um horror claustrofóbico quando o
protagonista recorre a um atalho sobrenatural para "programar" o
afeto de sua amiga de infância. Em “Obsessão”, a maldição mística é mero
pretexto: o verdadeiro horror reside na incapacidade de lidar com a
imprevisibilidade do outro e na tentativa desesperada de transformar
relacionamentos humanos em algoritmos previsíveis. Como num aplicativo de
relacionamentos.
sábado, julho 25, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Consagrado
como uma das raras refilmagens a superar o clássico original de 1956, “Os
Invasores de Corpos” (The Invasion of the Body Snatchers, 1978) transformou o
pânico alienígena em um retrato cortante da sociedade americana do final dos
anos 1970. Ao trocar a paranoia anticomunista da Guerra Fria pela gentrificação
e pelo individualismo de San Francisco, o diretor Philip Kaufman aliou o pavor
tátil do áudio de Ben Burtt a uma poderosa metáfora política: a substituição de
humanos pelo "povo-vagem" conformista e sem afeto nada mais era do
que o anúncio da ascensão dos yuppies e do novo conservadorismo que dominariam
as décadas seguintes.
sábado, julho 18, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Ao
trocar a melancolia do envelhecimento pela tirania dos algoritmos, “Toy Story 5”
(2026) tenta atualizar o fôlego da franquia mais valiosa da Pixar, mas acaba
tropeçando no próprio moralismo. Em uma Hollywood cronicamente incapaz de
encarar crises sistêmicas sem reduzi-las a dilemas individuais, a nova aventura
de Jessie e Buzz Lightyear contra a ameaça hipnótica das telas reduz o
sequestro da atenção infantil a uma mera questão de "más companhias"
e falta de limites parentais. Ao ignorar a arquitetura viciante dos gadgets para
focar em uma caçada moralista por escolhas conscientes, a animação relega ao
segundo plano o seu debate mais visceral: a atrofia do "faz de conta"
diante do hiper-realismo digital — um diagnóstico sombrio que transforma o
filme, ironicamente, no sintoma perfeito da industrialização e domesticação da
infância outrora denunciadas pelo filósofo Walter Benjamin, especialmente em textos como "Brinquedos e Jogos" e "História Cultural dos Brinquedos".
sexta-feira, julho 17, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
O que
acontece quando a utopia do "casamento perfeito" se choca com a
exaustão existencial da geração Millennial? A resposta está em “O Convite” (The
Invite, 2026), comédia dramática que transforma um jantar entre vizinhos em um
campo de batalha conjugal. Adaptando o longa espanhol Sentimental (2020), a
diretora Olivia Wilde e os roteiristas Rashida Jones e Will McCormack colocam
em xeque o modelo do "casamento tudo-ou-nada" conceituado pelo
psicólogo Eli Finkel. Entre o vocabulário terapêutico e o ressentimento
silencioso, o filme contrapõe o puritanismo norte-americano ao apetite desinibido
da personagem de Penélope Cruz. O resultado é uma radiografia precisa do
mal-estar contemporâneo. No entanto, por trás de sua fachada desconstruída e
provocativa, a produção acaba cedendo a antigos clichês hollywoodianos: permite
a transgressão temporária apenas para restaurar a ordem e salvar a tradicional
instituição da família.
sábado, julho 11, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Em meio
ao clima vintage da Guerra Fria 2.0 e à acirrada disputa espacial entre Estados
Unidos e China, a ficção científica recente deixou de ser mero entretenimento
para se tornar uma poderosa engrenagem de opinião pública — uma estratégia para
tornar a exploração cósmica um sonho amigável, justificável e lucrativo para o
capitalismo financeiro. O filme “Devoradores de Estrelas” (Project
Hail Mary, 2026) condensa esse zeitgeist de forma cirúrgica. Estrelada por Ryan
Gosling, a obra equilibra-se entre duas forças simbólicas fascinantes: a secularização
dos antigos sacrifícios ao Deus Sol, traduzida em uma missão científica suicida
para salvar a Terra, e a "esportividade" tipicamente hollywoodiana,
que neutraliza o pavor do isolamento cósmico e o choque do contato alienígena
em um bromance leve e bem-humorado. No fim, o abismo existencial é domesticado
e transformado em uma arena de soluções engenhosas, onde até a extinção
planetária pode ser enfrentada com uma boa ironia.
domingo, julho 05, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Em “Omni
Loop” (2024), o diretor Bernardo Britto chuta o balde da lógica realista e
exige que o espectador se transforme em um cinéfilo aventureiro, guiado
puramente por metáforas, sentimentos e altos conceitos científicos. O longa
desafia o público a aceitar premissas intencionalmente absurdas — uma cientista
com um buraco negro crescendo no peito, um pesquisador que encolhe até o nível
subatômico e um frasco misterioso de pílulas capaz de voltar cinco dias no
tempo. A produção usa esse pacote de excentricidades como pano de fundo para
construir um drama existencialista avassalador , muito além de uma história sobre um protagonista preso em um loop temporal. Ao cruzar a mecânica da imortalidade
quântica com a melancolia literária de Kurt Vonnegut em “Matadouro Cinco” e os
paradoxos temporais de “Em Algum Lugar do Passado”, “Omni Loop” transforma a
ficção científica em uma poderosa e densa metáfora sobre a nossa incapacidade
crônica de lidar com o luto e de deixar o tempo correr.
quinta-feira, junho 25, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Ao
fundir a tradição centenária dos chase movies com ETs empáticos, conspirações
governamentais e o maravilhamento infantil, “Dia D” (Disclosure Day, 2026)
chega às telas como o "puro suco" da filmografia de Steven Spielberg.
No entanto, o que pretendia ser uma catarse humanista capaz de paralisar uma
Terceira Guerra Mundial acaba colidindo de frente com o cinismo do público
contemporâneo. Em uma era de infodemia e desconfiança digital, a ingênua
premissa liberal do filme — de que o amor universal na televisão pode desarmar
tanques — reduz crises geopolíticas estruturais a meros problemas de falta de
empatia humana. Mais do que uma solução real para os nossos tempos, o novo
longa do diretor opera como o diagnóstico perfeito de Carl G. Jung sobre o mito
moderno dos discos voadores: uma busca religiosa secularizada por salvação nos
céus que, hoje, acabou empurrada para o território da pura nostalgia ideológica.
quinta-feira, junho 04, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Um labirinto infinito de paredes amarelas, carpetes úmidos e o
zumbido incessante de luzes fluorescentes. O horror de “Backrooms – Um Não-Lugar”
(Backrooms, 2026), novo thriller psicológico da A24 dirigido pelo jovem youtuber
Kane Parsons, não nasce de monstros clássicos, mas sim da própria arquitetura
do século XXI. Ao adaptar o fenômeno das creepypastas de espaços liminares para
o cinema, o longa funciona como um sintoma do nosso zeitgeist: uma tradução
gélida e perturbadora do conceito de "não-lugar" de Marc Augé,
mostrando que o verdadeiro terror da hipermodernidade não é ficar preso em uma
dimensão paralela, mas perceber que o mundo real já se transformou em um eterno
vazio existencial. O filme transforma o isolamento, a padronização e o vazio da
arquitetura hipermoderna em um labirinto de horror existencial e absoluto.
sábado, maio 30, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Por que
choramos por um amontoado de engrenagens em Marte enquanto normalizamos a
desumanização na Terra? Por trás do verniz emocionante e da trilha sonora
grandiloquente de Boa Noite, Oppy (2022, disponível na Prime Video), o
documentário da NASA esconde um profundo sintoma social de uma civilização
fetichista. Longe de ser apenas uma celebração da engenhosidade humana, a
comoção global pela "morte" do rover Opportunity revela um duplo
curto-circuito ideológico: a transformação de máquinas em seres sencientes
enquanto as relações humanas são coisificadas, somada a um delírio escatológico
que gasta bilhões caçando micróbios em um deserto planetário morto enquanto
abandona o próprio Éden terrestre ao colapso climático.
Cinegnose participa do programa Poros da Comunicação na FAPCOM
Este humilde blogueiro participou da edição de número seis do programa “Poros da Comunicação” no canal do YouTube TV FAPCOM, cujo tema foi “Tecnologia e o Sagrado: um novo obscurantismo?
Esse humilde blogueiro participou da 9a. Fatecnologia na Faculdade de Tecnologia de São Caetano do Sul (SP) em 11/05 onde discutiu os seguintes temas: cinema gnóstico; Gnosticismo nas ciências e nos jogos digitais; As mito-narrativas gnósticas e as transformações da Jornada do Herói nas HQs e no Cinema; As semióticas das narrativas como ferramentas de produção de roteiros.
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Coleção Curtas da Semana
Lista semanalmente atualizada com curtas que celebram o Gnóstico, o Estranho e o Surreal
Após cinco temporadas, a premiada série televisiva de dramas, crimes e thriller “Breaking Bad” (2008-2013) ingressou na lista de filmes d...
Bem Vindo
"Cinema Secreto: Cinegnose" é um Blog dedicado à divulgação e discussões sobre pesquisas e insights em torno das relações entre Gnosticismo, Sincromisticismo, Semiótica e Psicanálise com Cinema e cultura pop.
A lista atualizada dos filmes gnósticos do Blog
No Oitavo Aniversário o Cinegnose atualiza lista com 101 filmes: CosmoGnósticos, PsicoGnósticos, TecnoGnósticos, AstroGnósticos e CronoGnósticos.
Esse humilde blogueiro participou do Hangout Gnóstico da Sociedade Gnóstica Internacional de Curitiba (PR) em 03/03 desse ano onde pude descrever a trajetória do blog "Cinema Secreto: Cinegnose" e a sua contribuição no campo da pesquisa das conexões entre Cinema e Gnosticismo.
Mestre em Comunição Contemporânea (Análises em Imagem e Som) pela Universidade Anhembi Morumbi.Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA/USP. Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi nas áreas de Estudos da Semiótica e Comunicação Visual. Pesquisador e escritor, autor de verbetes no "Dicionário de Comunicação" pela editora Paulus, organizado pelo Prof. Dr. Ciro Marcondes Filho e dos livros "O Caos Semiótico" e "Cinegnose" pela Editora Livrus.
Neste trabalho analiso a produção cinematográfica norte-americana (1995 a 2005) onde é marcante a recorrência de elementos temáticos inspirados nas narrativas míticas do Gnosticismo.>>> Leia mais>>>
"O Caos Semiótico"
Composto por seis capítulos, o livro é estruturado em duas partes distintas: a primeira parte a “Psicanálise da Comunicação” e, a segunda, “Da Semiótica ao Pós-Moderno >>>>> Leia mais>>>