Em 1898, H.G. Wells lançou o cânone da literatura de invasão com o livro “A Guerra dos Mundos”. Ele era ateu e com inspiração socialista e o livro uma alegoria do colonialismo europeu. Certamente não gostaria das várias adaptações de gerações de cineastas, seja com inspirações religiosas ou como peça de propaganda geopolítica dos EUA. Principalmente essa “Guerra dos Mundos”, lançada esse ano pela Prime Video. Dessa vez o alienígena é uma Inteligência Artificial interestelar faminta por dados e que vê na Terra um prato cheio de terabits, repleto de data centers. E mais: descobre no Estado Profundo um aliado involuntário – o governo só pensa em controlar a privacidade das pessoas com sua obsessão regulamentadora. E as Big Techs, vítimas isentas. Do começo ao fim, um merchandising da Amazon, Apple, Google, Tesla, entre outros. Detalhe: quem salvará o mundo será um drone de entregas da Amazon... O filme é um exemplo de como a produção audiovisual reflete o zeitgeist do momento no qual, a cada dia, surgem mais histórias sobre a IA ameaçando a humanidade – a tal de “singularidade” da qual tanto falam os engenheiros computacionais do Vale do Silício.