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quinta-feira, junho 04, 2026

'Backrooms - Um Não-Lugar': espaços liminares e o labirinto existencial do século XXI



Um labirinto infinito de paredes amarelas, carpetes úmidos e o zumbido incessante de luzes fluorescentes. O horror de “Backrooms – Um Não-Lugar” (Backrooms, 2026), novo thriller psicológico da A24 dirigido pelo jovem youtuber Kane Parsons, não nasce de monstros clássicos, mas sim da própria arquitetura do século XXI. Ao adaptar o fenômeno das creepypastas de espaços liminares para o cinema, o longa funciona como um sintoma do nosso zeitgeist: uma tradução gélida e perturbadora do conceito de "não-lugar" de Marc Augé, mostrando que o verdadeiro terror da hipermodernidade não é ficar preso em uma dimensão paralela, mas perceber que o mundo real já se transformou em um eterno vazio existencial. O filme transforma o isolamento, a padronização e o vazio da arquitetura hipermoderna em um labirinto de horror existencial e absoluto.

segunda-feira, junho 01, 2026

O Mercado Afetivo do Luxo: entre o Amor Líquido e o Machismo Zumbi



O que acontece quando o capitalismo de plataforma, a mercantilização absoluta do afeto e o reacionarismo estético se encontram no mesmo endereço icônico da extrema-direita, Balneário Camboriú? O release enviado para a imprensa sobre a "MP Party 2026" — festa exclusiva do site de relacionamentos MeuPatrocínio, com ingressos masculinos de até R$ 19.999 e localização secreta — funciona como uma perfeita bomba semiótica e sintoma psicossocial do nosso tempo. Sob o verniz do "luxo" e das máscaras venezianas, o evento materializa o ápice do "Amor Líquido" de Zygmunt Bauman e a sobrevida do "Machismo Zumbi" dentro do ecossistema urbano e político mais caro ao bolsonarismo.

sexta-feira, abril 24, 2026

O descompasso entre o psiquismo arcaico e a realidade sempre mutante em 'Sol Ardente'



Entre o sol implacável da Grécia e a privatização invisível da água pela corporação Goldblue, o filme “Sol Ardente” (2015, disponível na Prime Video) dá corpo a uma tese perturbadora do psiquiatra radical Wilhelm Reich: a de que, enquanto a infraestrutura econômica e técnica avança para controles absolutos, o imaginário social regride ao preconceito arcaico. Ao acompanhar o isolamento de um imigrante em meio a uma crise hídrica e ao assédio policial, a diretora libanesa Joyce A. Nashawati revela como a xenofobia atua como uma "bomba semiótica" e válvula de escape para um colapso sistêmico que a sociedade moderna, ancorada em valores reacionários, ainda é incapaz de decifrar ou enfrentar.

Clipando #09: o som poderoso do próprio nome, histórias da Matemática e o Dia do Livro


Da potência do nome próprio na construção de vínculos à resistência do livro impresso na era das telas, a nona edição do Clipando – O Clipping Comentado da Educação (editado e apresentado por esse humilde blogueiro) mergulha em temas essenciais para a prática docente contemporânea. O programa apresenta uma curadoria que vai além da informação, trazendo estratégias para engajar alunos na matemática através de crônicas e reflexões sobre como transformar a sala de aula em um espaço de real comunicação. Confira a edição completa, disponível em vídeo e podcast, e acesse as referências para inspirar seu planejamento. Explore nosso guia de referências — com links e minutagem — para facilitar o seu acesso aos temas que estão moldando a educação hoje.

terça-feira, abril 14, 2026

Clipando #08: Inteligência Artificial, Letramento Midiático e Identidade



Da integração da inteligência artificial à desconstrução de estereótipos sobre os povos originários, a oitava edição do "Clipando" (clipping comentado da educação produzido para o Sinpro Santos por esse humilde blogueiro) consolida-se como um recurso estratégico para o aperfeiçoamento da prática pedagógica. O programa, que parte da filosofia de formação do professor do Sinpro Santos, oferece nesta edição uma curadoria que conecta temas urgentes, como o uso de jornais em sala de aula e guias práticos sobre IA, a referências clássicas da sociologia brasileira. O objetivo é proporcionar aos docentes uma ampliação de repertório que estimule novas dinâmicas educacionais e insights para os desafios do ensino atual.

sexta-feira, abril 10, 2026

Influenciadores, colunistas e exorcismos: o triunfo da precarização sobre a notícia


Vinte e seis anos após o alerta de Ciro Marcondes Filho sobre a divisão entre o jornalista que 'trabalha em pé' e o que 'trabalha sentado', o campo jornalístico parece ter sucumbido a uma mutação ontológica sob a cortina de fumaça das redes sociais. Entre a contratação de influenciadores para a Copa do Mundo, a priorização de colunistas em vez de repórteres para as eleições e a espetacularização do trash digital de petistas sendo exorcizados em busca de engajamento, o que emerge é um cenário onde a precarização do trabalho e o império do infotenimento tornaram-se faces indissociáveis no Jornalismo. Ao trocar a apuração de campo pela gestão do afeto, o jornalismo corporativo e independente arrisca abandonar sua função de mediador factual para se transformar em um ringue de narrativas movido pela economia da atenção.

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

'The Plague': por que o presente se tornou tão tóxico? Freud talvez explique


Por que o presente se tornou tão tóxico? Em busca de respostas para os sintomas colaterais das redes sociais, o cinema recente tem promovido uma verdadeira autópsia do início do século XXI. No visceral “The Plague” (2025), o diretor Charlie Polinger utiliza o cenário de um acampamento de polo aquático em 2003 não como um refúgio nostálgico, mas como um laboratório freudiano. Ao transformar o bullying adolescente em um terror atmosférico, o filme revela que o "cancelamento" e o ostracismo digital não são subprodutos da tecnologia, mas heranças de uma mecânica primitiva de grupo que as Big Techs apenas aprenderam a monetizar. “The Plague” serve como um espelho sombrio: o problema nunca foi apenas a ferramenta digital, mas o que sempre fomos capazes de fazer uns com os outros quando o grupo exige um bode expiatório.

sexta-feira, outubro 17, 2025

O hotel como um microcosmo kafkiano e gnóstico em 'Mr. K'

 


Desde o Bates Motel do vilão Norman bates no filme "Psicose" de Hitchcock, os hotéis renderam uma longa filmografia do terror ao drama e humor negro – lugares misteriosos, decadentes, habitado por fantasmas, assassinos, golpistas etc. Isso porque os hotéis parecem espaços inerentemente estranhos: um lugar que podemos chamar de lar por um tempo limitado. Mas, mesmo assim, compartilhamos nossa experiência com pessoas que nunca conheceremos. “Mr. K” (2024, disponível na Apple TV), produção europeia dirigida por Talluah Hazekamp Schwab, dá continuidade a esse imaginário com uma interessante combinação entre referências literárias a Kafka e a antiga mitologia gnóstica. A jornada labiríntica e surreal de seu protagonista, um mágico aprisionado em um hotel bizarro e inescapável, serve como uma poderosa alegoria gnóstica. Através de sua atmosfera kafkiana e de seus temas de aprisionamento, busca por conhecimento e a natureza ilusória da realidade, o filme espelha os princípios fundamentais do Gnosticismo.

quinta-feira, setembro 25, 2025

'A Longa Marcha - Caminhe ou Morra': a adaptação do profético livro de Stephen King


Toda as manhãs acordamos com os contos motivacionais dos telejornais sobre pessoas que venceram com foco e resiliência. Porém, ainda vivemos em tempos nos quais essas pílulas de otimismo resolvem. Imagine em um futuro distópico em que uma América em depressão econômica precise de algo mais do que pérolas motivacionais na TV. Mas de uma competição em que os perdedores, que por algum motivo abandonam a prova, sejam literalmente punidos com um tiro mortal. Para levantar o moral da Nação e elevar o Produto Interno Bruto. Esse é o futuro imaginado por Stephen King, e adaptado por Francis Lawrence (“Jogos Mortais”), em “A Longa Marcha – Caminhe ou Morra” (The Long Walk, 2025). Um grupo de adolescentes participa de um concurso anual transmitido ao vivo, no qual eles devem caminhar em uma velocidade constante ou levar um tiro mortal por soldados que acompanham os competidores. O timing da adaptação ao cinema da primeira obra de Stephen King é perfeito: os EUA estão à beira de uma distopia muito próxima da ficção do mestre do terror.

quinta-feira, julho 17, 2025

Turismo e os dejetos humanos e da civilização no documentário 'Desastre Total: Cruzeiro do Cocô'

 


A indústria do turismo promete para seus clientes experiências renovadoras, alegria, aventura e diversão. Para fugirem de suas rotinas cinzentas. Mas às vezes descobrimos, da pior maneira possível, que não importa o quão distante nós vamos. Carregamos conosco as mazelas da civilização. É o que nos revela o documentário Netflix “Desastre Total: Cruzeiro do Cocô” (Trainwreck: Poop Cruise, 2025): em 2013 um navio de cruzeiro (com mais de 4 mil pessoas e treze andares) ficou sem energia após um incêndio na casa das máquinas. À deriva no Golfo do México, estarrecidos, passageiros e tripulantes viram excrementos humanos tomando corredores e escorrendo paredes abaixo: sem energia, simplesmente o sistema de esgotos deixou de funcionar. De repente, o navio de cruzeiro virou o microcosmo de tudo aquilo do qual queremos fugir viajando: dos excrementos, sejam humanos ou sociais – lixo, pobreza ou, simplesmente, o outro. Até a mídia descobrir e tudo virar um show de horrores sensacionalistas e uma catástrofe de relações públicas.

quarta-feira, maio 28, 2025

Inteligência Artificial é o 'zeitgeist' da Sociedade do Cansaço


Nesse momento acompanhamos um grande esforço promocional para mostrar que a Inteligência Artificial é de fato... inteligente. Um esforço sofisticado, porque mobiliza também supostos críticos, como o filósofo Yuval Harari, que acha que por conta própria os algoritmos poderão achar que o ser humano é redundante e decidir dominar o muno. Nesse esforço tenta-se rebaixar a noção de “inteligência”: o exercício diário de tratar máquinas ou aplicativos como formas de inteligência reais. Por isso, Karl Marx tornou-se tão atual - o trabalho morto (os algoritmos) domina o trabalho vivo (o saber-fazer). O modus operandi do Capitalismo desde Revolução Industrial – tirar do trabalhador o controle e capacidade criativa para incorporá-lo nas máquinas e ferramentas. Do tear mecânico até a Inteligência Artificial que se transforma num zeitgeist-fetiche que oculta a luta de classes. O que sobraria ao trabalhador expropriado do seu conhecimento acumulado é transformar o próprio eu como marca para se diferenciar no mercado. Resultando na “Sociedade do Cansaço” (Byung-Chul Han): encenar a si mesmo cansa!

sábado, maio 17, 2025

Cinderela na cultura coaching vira um conto de horror em 'The Ugly Stepsister'


O filme “The Ugly Stepsister” (Den Stygge Stesøsteren, 2025), da diretora norueguesa Emilie Blichfeldt, é mais uma releitura de contos de fada da cinematografia recente. Ela pega o conto clássico dos irmãos Grimm, “Cinderela”, e inverte o foco: acompanhamos a história não mais do ponto de vista da heroína, mas da ótica da meia-irmã feia que a todo custo quer ser a escolhida do príncipe. Qual o preço da beleza? É quando o conto “Cinderela” se encontra com o horror corporal cronenbergiano. E também quando descobrimos que Cinderela, desde o início com os irmãos Grimm, foi uma história de horror. Até ser embelezada pela Disney. Mas os irmãos Grimm ainda buscavam ensinar para o leitor uma “moral da história”. Ao contrário da versão de Emilie Blichfeldt: vira um conto de advertência sobre zeitgeist atual da hegemonia das tecnologias do Eu da cultura coaching – gerir a si mesmo como marca para ter o maior impacto num mercado competitivo.

quarta-feira, abril 09, 2025

"Pesquisismo" revela que a opinião pública não existe. Governo Lula deve entender isso


Nesse momento acompanhamos a publicação frenética de números e gráficos de pesquisas de opinião, diligentemente repercutidas pelo jornalismo corporativo: o derretimento da popularidade de Lula é o prato servido principal. Mas também quer municiar a oposição com simulações de cenários eleitorais com nomes de outsiders como. p.ex., Gustavo Lima. É o “pesquisismo”. Sob o álibi metodológico científico da “pesquisa de opinião pública”. PsyOp clássica de guerra híbrida: transformar em números e gráficos não opiniões, mas PERCEPÇÕES. É o paroxismo de um alerta feito pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu há 58 anos: a opinião pública não existe! O que existe é a fabricação de um artefato que impõe a ilusão de de que existe algo que seria uma coisa assim como a média das opiniões ou a opinião média. Dissimula sistema de forças e tensão política. Se o Governo aceitasse essa natureza viciada do pesquisismo, mudaria sua estratégia: da Comunicação-propaganda para a Comunicação-acontecimento.

sábado, abril 05, 2025

Vídeo de Felipe Neto prova que o hábito do cachimbo entorta a boca do jornalismo corporativo

 

Ele já foi influenciador-militante nos tempos do jornalismo de guerra, dizendo que a Dilma Rousseff tinha “escarrado na Nação”. Depois se arrependeu e disse que era um “babaca”, que precisava “estudar”. E estudou. Leu o livro “1984” de George Orwell. E nessa semana divulgou um vídeo em que se lançava pré-candidato à presidência porque gostaria de ser o “Grande Irmão” do Brasil... A grande mídia acreditou e deu como notícia séria... assim como, há pouco tempo, acreditou na candidatura do milionário cantor sertanejo Gustavo Lima. Mas tudo não passou de uma ação de marketing de Felipe Neto para promover o audiobook do livro que ele orgulhosamente diz ter lido. Involuntariamente, Felipe Neto criou uma “media prank” (pegadinha) em que o jornalismo corporativo experimentou do próprio veneno. Ou melhor, revela a boca torta de tanto fumar o cachimbo de querer sangrar Lula com pesquisas. Foi tentador para o jornalismo corporativo: um outsider com bons serviços prestados querendo aloprar o cenário pré-eleitoral... só que não!

sábado, março 15, 2025

Pânico como valor no Capitalismo de Catástrofe e como mídia descobriu que Gleisi é mulher


Os leitores mais velhos devem lembrar dos ícones do sensacionalismo na TV: O Homem do Sapato Branco, Gil Gomes, programas O Povo na TV e Aqui e Agora etc. Essa linguagem sensacionalista ficou para trás, em uma época de outro capitalismo. Hoje, o rentismo e o Capitalismo de Catástrofe (capaz de imaginar o fim do mundo como oportunidade de comoditização) impõem uma mudança nesse clássico gênero midiático. É a ascensão do PÂNICO CAPITALISMO: o pânico elevado a valor cultural através do qual a sociedade e tendências políticas e econômicas são percebidas – Pânico Moral, Pânico Racial, Pânico Climático, Pânico Inflacionário, Pânico da Segurança Pública, Pânico Econômico etc. Com uma mais-valia ideológica: inverter relações de causa e efeito para ocultar a precarização generalizada imposta pela cartilha do Capitalismo de Catástrofe. Enquanto isso, jornalistas corporativos descobrem, surpresos, que Gleisi Hoffmann é mulher. Tudo porque Lula cai em mais uma armadilha semiótica da extrema-direita.

quarta-feira, fevereiro 26, 2025

Aforismos e pensatas do humilde blogueiro no Departamento Médico (2): memecoins, PirâMilei e hipernormalização


Mais algumas pensatas e aforismos enquanto esse humilde blogueiro recupera-se da cirurgia, enquanto prepara corpo e mente para as sessões de fisioterapia. Nessa segunda edição, Milei e escândalo da memecoin e como Adam Smith e Karl Marx estão cada vez mais atuais; dois flagrantes de hipernormalização midiática para blindar Tarcisão - 2026, O Moderado: policiais militares nada fazem com flagrante de injúrias raciais nos bastidores do Palmeiras, no campeonato paulista, e a incrível história ignorada do policial civil CEO de fintech do PCC. Na Era Pós-Biden, programa Fantástico está abandonando a Woke Explotation para fazer “jornalismo Snapchat”. 

terça-feira, janeiro 07, 2025

'Ainda Estou Aqui' e a cordial luta de classes brasileira


Estamos acostumados (eu diria “treinados”) a considerar um filme apenas pelo seu conteúdo, ignorando a linguagem, o contexto e as relações sociais e de classe que envolvem a fabricação do produto cultural. É a necessidade de termos o olhar materialista histórico, coisa fora da moda na atualidade. Mas é essencial para entendermos o filme “Ainda Estou Aqui” (2024), que guarda paradoxos e ironias que revelam como a cordialidade marca a luta de classes brasileira: de um lado, um cineasta herdeiro de um banqueiro fiador e beneficiário do golpe militar de 1964; e do outro, a Globo – golpista de primeira hora em 1964 e num momento em que, através da plataforma Globoplay, co-produtora do filme, tenta ir além da TV aberta, de olho no mercado internacional. O campo progressista celebra o filme. Por supostamente proporcionar a oportunidade de contar a história da ditadura. Mas porque uma Sony Pictures e outras distribuidoras internacionais se interessaram pelo filme e não por outros sobre o mesmo tema? A resposta está no contexto da luta de classes e da linguagem internacional-popular esperada pelas distribuidoras.

terça-feira, novembro 26, 2024

Aranha como objeto fóbico do medo e ansiedade coletiva europeia no filme 'Infestação'


Num curto espaço de tempo no cinema francês, tubarões e zumbis turbinados por drogas invadiram Paris. Agora é a vez de enormes e venenosas aranhas vindas do Oriente Médio, no filme “Infestação” (Vermine, 2023). Isso sem falar de filmes como “Colapso” (2019) e “Nocturama” (2016). Um conjunto populacional popular da periferia de Paris é colocado em quarentena quando é infestado por aranhas que crescem exponencialmente (em número e tamanho). Em sua maioria imigrantes, os moradores estão condenados a morrer junto com a infestação de aracnídeos. Desde a onda de atentados islâmicos que varreram a Europa, o continente precisa criar o objeto fóbico para expiar a ansiedade e medo coletivos. Ainda mais agora, com a ameaça da escalada da guerra nuclear da OTAN contra a Rússia.

terça-feira, abril 23, 2024

'Guerra Civil' alinha-se a agenda do Grande Reset Global e manda democracia às favas



Há uma urgência da destruição no cinema americano: aliens, terroristas, asteroides, zumbis etc. Mas “Guerra Civil” (Civil War, 2024), ironicamente dirigido por um britânico, Alex Garland, foi diabolicamente inteligente: dessa vez o espetáculo não é ver edifícios icônicos de Washington DC indo pelos ares. O que principalmente está indo pelos ares é a própria ideia da democracia burguesa. Mais do que isso, o que está em questão em “Guerra Civil” é o próprio fim da ilusão que perpetrou o mito da democracia americana. “Guerra Civil” é uma distopia política que faz todo o sentido Hollywood irradiar para todo o planeta. Porque reforça a mitologia da polarização política como motivo para a crise da democracia – o álibi para justificar a escalada da extrema-direita por todo o mundo no contexto do chamado Grande Reset Global do Capitalismo. 

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

Bolsonaro-Tamagotchi NÃO pode ser preso! Deve ser esquecido


Bolsonaro NÃO pode ser preso! Calma! Esse humilde blogueiro não trocou de lado. Hoje a grande mídia faz a pergunta para os indefectíveis especialistas: “Bolsonaro pode ser preso?” Ela já está calculando a mais-valia semiótica que ganhará com a prisão. Como parte de uma Operação Psicológica de guerra híbrida da inteligência das Forças Armadas: todas as etapas do projeto manchuriano Bolsonaro (iniciado em 2014) podem ser encontradas no “Manual de Campanha de Operações Psicológicas” do Estado-Maior do Exército, de 1999. Tal como aquele bichinho virtual, o Tamagotchi, que precisava ser alimentado, a Op Psi Bolsonaro precisa ser alimentada midiaticamente, através da hipernormalização do jornalismo corporativo. Tamagotchi morria quando era esquecido. Esse é o único antídoto contra esse golpe militar híbrido. Mas como esquecer (isto é, pular fora de uma agenda criada pelo próprio inimigo) se a própria mídia progressista está sendo alegremente conduzida para esse desfecho?

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