segunda-feira, julho 31, 2017

Cinco motivos que explicam porque educação é o melhor negócio de todos os tempos


O mundo das altas finanças está de olho no ensino superior brasileiro: empresas de private equity, banco de investimentos e fundos de investimentos nacionais e estrangeiros estão por trás dos grandes grupos da oligopolização do setor. Para justificar a tendência consultores, analistas, conselheiros e gestores falam em “inserção do ensino superior no mundo global”, “internacionalização do ensino superior”, “cooperações vencer-vencer” etc. Como sempre, a verdade está em outra cena: descobriram que a educação é o melhor negócio (legal) de todos os tempos. Diferente de muitos outros negócios, a sua mão de obra (a resiliência dos professores), sua “clientela” (alunos que tendem a esquecer) e o seu insumo (a liquefação do conhecimento em informação) são bem peculiares. O que tornam as possíveis resistências, críticas ou até mesmo ativismos fáceis de serem geridos. Vamos listar cinco peculiaridades que tornam a educação um negócio imperdível: a folha de parreira da titulação, a Síndrome da Vida de Inseto, a amnésia discente, ausência de espírito de corpo e o fetiche da “uberização” tecnológica da educação. 

sábado, julho 29, 2017

Sexo e a nova sensibilidade da maldade em "Corrente do Mal"


Outrora símbolo da indústria automobilística dos EUA e agora abandonada e repleta de desempregados, Detroit tornou-se nesse século cenário de uma série de filmes que transitam entre o gótico, o terror e o mistério. “Corrente do Mal” (“It Follows”, 2014) é mais um filme que tem a cidade como cenário: fantasmas de pessoas mortas assombram não necessariamente pessoas da cidade, mas adolescentes do subúrbio que fazem sexo – podem ser “contaminados” pelo Mal transmissível sexualmente. Uma espécie de maldição no qual a vítima passa a ser perseguida por entidades assassinas. E a única forma de se livrar do Mal é fazendo sexo com outra pessoa para que a corrente continue. O diretor David Mitchell leva ao paroxismo a nova representação do Mal iniciada no cinema com a disseminação dos zumbis: o Mal não mais determinado ou centrado numa monstruosidade, mas agora indeterminado, mutante e que se dissemina de forma viral, exponencial e catastrófica. Há uma ironia em eleger Detroit como cenário dessa nova ontologia do Mal – os fatores socioeconômicos que levaram a decadência da cidade são os mesmos que fizeram emergir essa nova sensibilidade da maldade. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

quinta-feira, julho 27, 2017

Série "América": é preciso pressa para ver o que está desaparecendo


Em novembro de 1989 ia ao ar pela extinta Rede Manchete a série brasileira “América”, dirigida por João Moreira Salles em parceria com o filósofo e roteirista Nelson Brissac Peixoto. Narrada pelo ator José Wilker, a série foi o resultado de uma viagem de quatro meses percorrendo 20 mil quilômetros através dos EUA – a primeira civilização na qual a História e a memória foram substituídos pelo movimento, velocidade e aceleração para o futuro que, paradoxalmente, virou um simulacro somente acessado através telas. Sem passado, Hollywood preencheu a ausência da memória da nação por uma sedutora mitologia que depois irradiou para o mundo. Composto por cinco episódios (“Movimento”, “Mitologia”, “Blues”, “Velocidade” e “Tela”), a série narra não só os impactos dessa cultura no cotidiano, na guerra, na política e na religião, mas também como criou o mal estar da alienação e estranhamento por meio do “olhar do exilado” dos três personagens principais da nossa época: o Viajante, o Detetive e o Estrangeiro.

Curta da Semana: "Tango" - uma curiosa experiência sobre tempo e memória


Premiado com Oscar de melhor animação em 1983, o curta metragem polonês “Tango” (1981) é uma curiosa experiência de percepção, tempo e memória por meio de efeitos de edição com a incipiente tecnologia digital da época: em um quarto acompanhamos ações em “loop” de personagens que aos poucos vão entrando em cena, até que 36 pequenos contos paralelos (uma mulher troca de roupa, um homem tenta trocar uma lâmpada, um ladrão rouba um pacote etc.) preenchem o pequeno espaço em um plano ininterrupto de oito minutos. “Tango” foi uma profética experimentação: antecipou as principais características atuais das nossas relações com o ciberespaço – simultaneidade, instantaneidade e ubiquidade. Mas principalmente o destino das telas (da TV aos smartphones) no futuro: de janelas que deveria estar abertas para o mundo real se transformaram em simulacro que esvazia a permanência e a memória.

terça-feira, julho 25, 2017

Luta simbólica da esquerda é vulnerável contra retórica da guerra híbrida midiática


O escritor e dirigente sindical Roberto Ponciano no seu artigo “Cultura, Violência e Direito à Insurreição” observa uma “docilidade cultural” que parece tomar as manifestações no Brasil e alerta: “Nesse ritmo de paz e amor em que estamos, embalados pelos showmícios de Caetano, ao menos nos tornaremos escravos mais alegres do mundo”. O editor do blog “O Cafezinho”, Miguel do Rosário, aponta que essa opinião revela “a inapetência da esquerda em fazer luta simbólica”, luta que corresponderia ao próprio campo da Comunicação”. Porém, essa “luta simbólica” confronta a chamada “Guerra Híbrida” cuja principal estratégia é a dessimbolização ou retórica da destruição. Diante disso, a criação de simbolismos de “luta e resistência” mais parece uma prescrição alopática de cura pelos opostos: se a mídia desinforma, vamos informar. Se a mídia dessimboliza, vamos então criar símbolos. Por que não a metodologia, por assim dizer, homeopática: a cura pelos semelhantes? Responder à simulação e mentira com ações diretas dentro do campo da comunicação também com simulações e mentiras, direcionadas ao próprio campo de dessimbolização da mídia corporativa. Táticas de “pegadinhas” e “trolagens” já existem – Cuture Jamming e Media Prank, por exemplo.

sábado, julho 22, 2017

Com Neuralink, Elon Musk quer privatizar a mente humana com interface bio-eletrônica


Quem assistiu ao filme “Matrix” deve lembrar de como o protagonista Neo (Keanu Reeves) aprendia lutas marciais pelo simples download de programas em sua mente. Pois essa realidade sci-fi está próxima, pelo menos para o bilionário tecnológico sul-africano Elon Musk. Depois de anunciar o envio de colonos a Marte com sua empresa SpaceX, agora através da sua nova empresa, a Neuralink, o empresário pretende fazer um “upgrade” na mente humana: criar a interface bio-eletrônica definitiva entre mente e a “nuvem” de inteligência artificial, criando o que chama de “telepatia consensual”. Por que? Para Musk, as máquinas nos ameaçarão no futuro, tornando a humanidade irrelevante. Por isso, devemos impulsionar nossas habilidades cognitivas, nos livrando da linguagem (signos, palavras, símbolos etc.) ao nos conectar diretamente nas “nuvens de bites”. Musk fez esse anúncio na “World Government Summit” desse ano em Dubai, para atentos “Global Players”. Para quê essa chicana pseudocientífica? Depois de querer privatizar Marte, agora Musk pretende privatizar a mente e a linguagem, atraindo a atenção de gigantes como Facebook, já interessada na Neuralink.

quinta-feira, julho 20, 2017

"Perfeitos Desconhecidos": negociamos com a verdade através dos celulares e smartphones


Celulares e smartphones se transformaram em verdadeiras caixas-pretas das nossas vidas – registros de ligações, mensagens, nossos segredos e pecados mais íntimos estão nesses dispositivos. Passamos cada vez mais tempo fazendo dupla tela nas mais diversas situações. Se a vida social funciona dentro do triângulo público/privado/segredos, qual o impacto desses dispositivos na vida conjugal e pessoal? Esse é o tema da comédia dramática italiana “Perfeitos Desconhecidos” (Perfetti Sconosciuti, 2016). Sete amigos reúnem-se para um jantar quando alguém na mesa sugere uma nova versão do velho “Jogo da Verdade”. Só que agora, com os smartphones de todos colocados no centro da mesa – todos terão que compartilhar com os presentes as mensagens e ligações recebidas naquela noite. Mais que confusões e mal entendidos, o filme aborda como a função da mentira é, muitas vezes, mais do que iludir: é negociar com a verdade. Filme sugerido pelo nosso leitor Eduardo G.

terça-feira, julho 18, 2017

O Brasil sob a sombra das maiorias silenciosas


Em questão de horas, de uma vez só, os direitos mínimos dos trabalhadores e seu maior líder trabalhista, Lula, foram condenados – simultaneamente, no Senado e na Vara Federal de Curitiba. Diante desse timing e precisão, jornalistas e intelectuais começam a expressar a perplexidade: cadê o povão? O Congresso não foi cercado e nem as praças ocupadas com massas sem arredar os pés. Massas manipuladas pela Globo? Índole apática do brasileiro? Por que as lutas monumentais e resistência em trincheiras até agora não ocorreram, limitando-se a algumas “batalhas de Itararé”? Talvez seja o momento de revisitar um dos textos políticos mais provocativos: “À Sombra das Maiorias Silenciosas” de Jean Baudrillard. Lá na França um gol de Rocheteau pelas eliminatórias da Copa do Mundo foi mais importante do que a extradição de um ativista político; como aqui Lula e seu pequeno exército de advogados solitários, sem o apoio das ruas, segue para a condenação em segunda instância. Para Baudrillard , não é uma questão de engano ou mistificação – há uma astúcia das massas que o Poder mais teme: não a “revolução”, mas seu silêncio e a indiferença. Um hiperconformismo no qual a política se afunda.

domingo, julho 16, 2017

O místico e o mágico acertam contas com o Ocidente em "Nem o Céu Nem a Terra"


Em posto avançado militar francês em um lugar remoto, montanhoso e desolado na fronteira entre Afeganistão e Paquistão, soldados esperam a chegada de um comboio da OTAN para retirá-los de lá e leva-los para suas famílias. Repentinamente, no meio das noite solitárias e frias, soldados começam a desaparecer de seus bunkers de observação. Tudo que têm como suspeitos é uma aldeia de criadores de ovelhas e soldados talibãs, que também começam a ser vítimas dos misteriosos desaparecimentos.  Essa é a coprodução franco-belga “Nem o Céu Nem a Terra”(Ni Le Ciel Ni La Terre, 2015), uma fábula do Realismo Fantástico no qual é descrito o fracasso de toda racionalidade e da tecnologia militar de vigilância e informação diante de um inimigo invisível e incompreensível para a lógica Ocidental: o místico e o mágico que o avanço da Razão Ocidental julgou ter eliminado através do “desencantamento do mundo”. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende. 

sexta-feira, julho 14, 2017

A condenação de Lula e a midiática "crítica nem-nem"


Após a sentença de condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, a TV mostrou imagens de comemorações em frente à Vara de Curitiba por manifestantes em suas indefectíveis camisas amarelas da CBF. Ao mesmo tempo, tomadas da Avenida Paulista com mais manifestantes, agora de camisetas vermelhas, faixas e punhos erguidos em protesto contra a condenação de Lula. Ato contínuo, a grande mídia expõe os rostos dos magistrados que julgarão o recurso à condenação e uma canastríssima entrevista (com signos cenograficamente saturados) do presidente do TRF-4 que poderá finalmente impedir a candidatura presidencial do líder petista. Qual a relação entre esse ensaio de volta da polarização “coxinhas X mortadelas” e o jogo midiático de sedução/chantagem com magistrados? O velho semiólogo Roland Barthes responderia: a mitologia da “crítica nem-nem”. Ou simplesmente “ninismo” -  mecanismo retórico de dupla exclusão na qual se reduz a realidade a uma polaridade simples, equilibrando um com o outro, de modo a rejeitar os dois. “Nem” um, “nem” o outro - apenas o “bom-senso”, mito burguês na qual se baseia o moderno liberalismo: a Justiça como mecanismo de pesagem que foge de qualquer embate ideológico.

quarta-feira, julho 12, 2017

O que nos conta o sismógrafo gramatical da TV Globo?



Em 2015 o escritor Pablo Villaça ironizou a proliferação do adjunto adverbial de concessão no bordão “Apesar da crise” repetido pela grande mídia como uma deliberada tática de repetição para criar uma crise autorrealizável e desestabilizar o governo Dilma. Na época, depois de décadas de “jornalismo adversativo”(“porém”, “mas” etc.) a mídia dava uma guinada gramatical para os advérbios. Agora, no momento em que o desinterino Temer virou “chefe de quadrilha” depois de ser incensado como uma espécie de novo Winston Churchill da ponte para o futuro, a mídia corporativa dá outra guinada gramatical: retorna ao velho jornalismo das conjunções adversativas: “há crise política, MAS a economia dá sinais de recuperação”, rezam os articulistas da Globo, tentando divorciar a política da economia. Essas guinadas gramaticais não são meras mudanças de estilo na máquina retórica de destruição da Globo. Sua engrenagem é um verdadeiro sismógrafo que repercute o movimento das placas tectônicas da política e economia, movimentos preocupantes para a Globo na luta para a manutenção do seu monopólio. E principalmente o porquê, de repente, a Globo querer jogar o desinterino Temer ao mar.

terça-feira, julho 11, 2017

Curta da Semana: "Correntes" - o silêncio é o som mais alto que se pode ouvir


O curta brasileiro “Correntes”(2016), de Alessandro Vecchi, retoma a força das imagens, a própria natureza do cinema – todo o poder das alegorias e metáforas, dispensando linhas de diálogo e a narrativa realista. A incomunicabilidade de um casal cercado de fotos de um passado de filhos e momentos felizes. Mas que agora tudo se acabou em um tenso silêncio no qual a TV e o smartphone são as únicas válvulas de escape. O curta guarda duas ironias: o silêncio é o som mais alto que se pode ouvir em uma relação – tudo é comunicação, mesmo o silêncio. Porém uma forma de comunicação catatônica e neurótica, a incomunicabilidade. E a segunda ironia: como as tecnologias chamadas “de comunicação”, ajudam a reforçar a incomunicabilidade. Principalmente o fenômeno da “dupla tela” dos smartphones no qual enquanto a mente ocupa o ciberespaço o corpo mantem-se inerte no espaço presencial.

segunda-feira, julho 10, 2017

Adolescência é um drama existencial e universal em "Ponto Zero"


“Ponto Zero” (2016), do diretor gaúcho José Pedro Goulart, é um ponto fora do movimento pendular do drama da adolescência no cinema, quase sempre figurado entre a exaltação e a melancolia solipsista platônica. “Ponto Zero” vai muito mais além dos tradicionais pontos de vista psicologizante  ou sociológico sobre a juventude. Goulart almeja um olhar mais universal e existencial. Por isso, optou por uma narrativa com escassas linhas de diálogo, apostando na força das imagens repletas metáforas e lirismo. Ênio, um jovem em um lar marcado por um pai ausente e violento e uma mãe que tenta manter as aparências da instituição familiar. A descoberta da sexualidade e do próprio corpo são sinais que a infância acabou. Porém, o mundo adulto para o qual se encaminha é inautêntico. Em meio ao estranhamento e alienação, como um Estrangeiro em sua própria casa, Ênio busca uma terceira via. E paradoxalmente será em uma jornada, numa noite chuvosa pelo submundo de “inferninhos” e prostitutas em ruas de Porto Alegre, que o protagonista encontrará a verdade espiritual e existencial do seu drama.Filme sugerido pela nossa leitora Suzana Moraes. 

sábado, julho 08, 2017

Filme "O Círculo" reforça a "Hipótese Fox Mulder"


Ao lado da torta de maçã e da bandeira estrelada dos EUA, não há nada mais norte-americano do que a imagem do ator Tom Hanks. Pois agora, no filme “O Círculo” (The Circle, 2017) ele é um vilão, o CEO de uma poderosa empresa de tecnologia de informação que emula o Google e o Facebook com sombrios projetos de vigilância e invasão da privacidade global. O que significa um filme estrelado pelo patriótico Tom Hanks denunciando a ameaça de uma dominação orwelliana pelo maior produto norte-americano, a tecnologia da informação desenvolvida pelo Vale do Silício? “O Círculo” transpõe para a ficção toda a agenda crítica relacionada a ameaça da espionagem e vigilância global através das comunicações eletrônicas e do “big data” extraído das redes sociais digitais. Será que a repercussão hollywoodiana das denúncias sobre os supostos planos de dominação global do Vale do Silício confirmaria a hipótese conspiratória do agente especial Fox Mulder da série “Arquivo X”? Seria “O Círculo” uma tentativa de tornar a crítica uma ficção? Assim como os filmes “Margin Call” e “A Grande Aposta” ficcionalizaram os motivos da explosão da bolha financeira de 2008?

quarta-feira, julho 05, 2017

Série brasileira "3%" é o "Black Mirror" do Brasil atual


Enquanto a crítica especializada estrangeira é só elogios à série brasileira “3%” (2016-), no Brasil a crítica torce o nariz. Complexo de vira-latas? Mais do que isso. A aposta da Netflix em uma produção sci-fi em língua portuguesa reafirma o interesse estratégico da plataforma de streaming no mercado brasileiro, ameaçando o mainstream da Globo e do negócio da TV aberta. Mas há algo além: enquanto a crítica brasileira tenta enquadrar a série no cânone das distopias “teens” como “Jogos Vorazes” e “Divergente”, “3%” fez mais do que isso, confundindo a todos – ao invés das tradicionais distopias hollywoodianas, a série apresenta uma desconcertante “hipo-utopia”: um espelho sombrio do Brasil atual apontado para o futuro. Uma alegoria política na qual a meritocracia transforma-se em religião, única esperança em um País transformado em um deserto rochoso com centros urbanos dominados pela desigualdade, miséria e violência. E um processo seletivo criado pela elite é a miragem de ascensão social na direção de uma terra supostamente utópica e longe do deserto brasileiro, na qual apenas 3% chegarão.

segunda-feira, julho 03, 2017

O Jornalismo é um cadáver "investigativo" que nos sorri


Lá pelos anos 1990, Oliviero Toscani lançou o livro “A Publicidade é um Cadáver que Nos Sorri” sobre a inutilidade social da Publicidade que não mais vendia produtos, mas estilos de vida mentirosos. Propunha um modelo de Publicidade com função social, assim como o Jornalismo. Porém, o Jornalismo virou corporativo e transformou-se no próprio espelho da Publicidade - assim como grifes, marcas e logos promovem produtos, o próprio Jornalismo passou a promover a si próprio por meio da grife do “investigativo”. Por isso, foi sintomático o 12o. Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado na Universidade Anhembi Morumbi/SP, promover o procurador-geral Rodrigo Janot como estrela máxima e os “bastidores das delações da JBS e Lava Jato” como o “case” principal de um suposto jornalismo investigativo que terceirizou a atividade jornalística. Para a Abraji, jornalismo investigativo é “checar informações” de vazamentos que sempre selecionam seus jornalistas “investigativos” favoritos. Enquanto isso, Martin Baron (editor retratado no filme “Spotlight”) deu o verniz investigativo necessário para jornalistas que confundem investigação com checagem de vazamentos.

sábado, julho 01, 2017

Bombas semióticas brasileiras (2013-2016): por que aquilo deu nisso?



Em série de 51 postagens ao longo do período 2013 (iniciado nas chamadas “Jornadas de Junho” das manifestações de rua) até o impeachment em 2016, este “Cinegnose” fez uma espécie de crônica das bombas semióticas disparadas pela grande mídia – uma complexa guerrilha semiótica que mobilizou todo o arsenal retórico, linguístico e semiológico divididos em quatro etapas bem distintas: primeiro, caos, manifestações, inadimplência e ataque dos tomates inflacionários que levavam o País ao abismo; depois, fortalecimento da base etnográfica do neoconservadorismo (“simples descolados”, “coxinhas 2.0”, “novos tradicionalistas”, “gourmetização” etc.; em seguida, o investimento semiótico em minisséries globais para a teledramaturgia legitimar a agenda política de oposição; para finalmente exortar a radicalização e polarização cujos resultados acompanhamos até hoje. Acompanhar a evolução das bombas semióticas é uma humilde contribuição para tentar responder: por que aquilo deu nisso? O gigante que parece ter adormecido e as panelas terem parado de bater mesmo com a surrealista crise política atual.

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