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domingo, agosto 25, 2019

Quando multiversos e mecânica quântica se tornam mortais em "Tangent Room"

Presos em uma sala nos subterrâneos de um complexo de observatórios no Deserto do Atacama, Chile, quatro brilhantes cientistas correm contra o tempo para impedir um colapso cósmico do universo. Eles devem trabalhar juntos e resolverem uma sequência de números e equações envolvendo Cosmologia, mecânica quântica e eletromagnetismo, antes que seja tarde demais. Esse é o filme sueco “Tangent Room” (2917), um thriller científico envolvendo as mais recentes teorias cosmológicas, como o Big Bang, Teoria das Cordas e Universo Inflacionário. Mas o que aqueles cientistas não sabem é que experimentarão na prática os efeitos dos mundos em colisão na Teoria dos Multiversos: cada um deles experimentará os mesmos efeitos quânticos de uma partícula no mundo subatômico – telestransportes, bilocação e sobreposições, revelando que a Física moderna cada vez mais se aproxima da milenar cosmologia gnóstica. Filme sugerido pelo nosso vigilante leitor Felipe Resende.

sábado, agosto 24, 2019

Capitalismo e Comunismo prisioneiros em um loop temporal em "Excursion"


A lista de filmes que exploram paradoxos da viagem no tempo é extensa e até parece que todas as possibilidades já foram exploradas. Mas as conexões entre as causas e efeito de fatos políticos históricos associados a paradoxos temporais é um campo ainda pouco abordado. Séries como “The Man in the High Castle”, sobre realidades alternativas, nazismo e Segunda Guerra Mundial, é um dos poucos exemplos. O filme indie britânico “Excursion” (2019) junta-se a essa abordagem política da viagem no tempo, com um roteiro ousado e complexo, explorando dois paradoxos tempo-espaço famosos: o paradoxo do avô e do loop de informação. Um homem no presente é despertado pela sua versão mais jovem vinda do passado: um militante do Partido Comunista da extinta União Soviética de 1987. Sua missão era viajar no tempo para testemunhar como o comunismo iria prosperar no futuro. Ao ver que nada disso ocorreu e o Capitalismo triunfou, acredita que houve algum erro: um loop entre 1987 e 2019 que deve ser revertido a todo custo. Para que aquela linha do tempo não interceda na linha de 1987 na qual supostamente o Comunismo venceria. Filme sugerido pelo nosso leitor Dudu Guerreiro.

terça-feira, agosto 06, 2019

A tela mental PsicoGnóstica no filme "Rota da Morte"


Uma família viaja de carro na noite de véspera de Natal para se encontrar com os avós. Como em todo ano. Mas dessa vez, eles pegaram um atalho por uma estrada que cruza uma densa floresta e que parece não ter fim. Ou estão andando em algum um tipo de loop tempo-espaço, seguidos por um carro funerário antigo? Uma narrativa-clichê de muitos slasher movies. Mas o filme francês “Rota da Morte” (Dead End, 2003) não é um terror comum: se insere em produções do início de século XXI no qual os filmes gnósticos passam por uma guinada – dos CosmoGnósticos para os PsicoGnósticos. Protagonistas prisioneiros em mundos recriados pela própria tela mental de medos, culpas e sonhos, combinados com as memórias dos últimos instantes na vida. Filme sugerido pelo sempre certeiro colaborador Felipe Resende.

terça-feira, julho 30, 2019

Filme "Aniara": a tecnologia nos protege, menos de nós mesmos

 
A ficção-científica sueca “Aniara” (2018) é adaptação de um poema homônimo, de 1956, do prêmio Nobel Harry Martinson sobre uma nave que leva colonos para Marte, fugindo de um planeta Terra devastado. Um acidente ejeta a nave para fora do sistema solar, perdendo-se no espaço profundo. Aniara é um gigantesco shopping center espacial que leva para o espaço o mesmo “modus operandi” que destruiu econômica e ambientalmente a Terra: a cultura do supérfluo, do consumismo e, principalmente, a necessidade da simulação – parques temáticos e mundos virtuais tecnologicamente desenvolvidos para embalar os passageiros de Aniara no marketing e propaganda. “Aniara” vem do antigo grego "aniarós" e quer dizer “triste, desesperado”. Os passageiros daquele transatlântico espacial aprenderão da pior forma possível esse significado. E que a tecnologia pode nos proteger de qualquer coisa. Menos de nós mesmos. Filme sugerido pelo nosso leitor Ricardo Julio.

quinta-feira, julho 25, 2019

Como as pós-verdades e deepfakes normalizam a tragédia cotidiana na série "Years and Years"


Percebemos a realidade por indução: fatos e tragédias mundiais ou nacionais nos apresentam através da mídia como fossem panos de fundo, cenários para os nossos dramas pessoais e familiares. E se a tecnologia reforçarem ainda mais essa percepção indutiva, ao ponto de que a realidade se torne apenas uma alegoria? Apesar de sentirmos os impactos nas nossas vidas, achamos que tudo passa e pode ser normalizado com “jeitinhos” cotidianos. Esse é o tema da série britânica da BBC, em parceria com a HBO, “Years and Years” (2019-): acompanhamos uma típica família de classe média, os Lyons, durante a ascensão de um governo de extrema-direita no Reino Unido, enquanto o mundo cai aos pedaços por causa do conflito nuclear dos EUA de Donald Trump com a China. Mas diante de tudo isso, o cotidiano tecnologizado fornece as bolhas necessárias (pós-verdades, deep fakes etc.) para tudo ser normalizado. Mesmo que tenha que ter 11 empregos uberizados para sobreviver e perdido um milhão de libras num crash bancário. Quer saber o que nos aguarda nos próximos 15 anos? Assista “Years and Years”.

terça-feira, julho 23, 2019

O Fetiche e a sedução na engenharia social em "A.I. Rising"


Ao lado de filmes como “Ela”, “Ex Machina”, “The Machine” e “Zoe”, a produção sérvia “A.I. Rising” (2018) faz uma reflexão das profundas mudanças no atual desenvolvimento da Inteligência Artificial, presente em cada aplicativo, motor de busca ou sistema operacional. Já não temos mais máquinas ameaçadoras querendo substituir o homem, como o computador HAL 9000 de “2001”. Através da engenharia social, agora criam-se programas sedutores e fetichistas que oferecem a aparência do controle ao usuário. Mas que, na verdade, nos monitoram, controlam e preveem cada padrão comportamental, sob a ilusão da customização e consumo. O astronauta Milutin, acompanhado de um androide feminino, percorrem uma longa missão na direção de Alfa Centauri. Trava-se uma relação intima, erótica e fetichista de um homem com uma “I.A.” corporativa, produto de ponta da engenharia social da Ederlezi Corporation. 

sábado, julho 13, 2019

Entre o lixo psíquico digital e a censura na Internet no documentário "The Cleaners"


Facebook, Google e Twitter, assim como as empresas de tecnologia em geral, passam uma imagem de serem “limpas”. Mas assim como o lixo eletrônico é enterrado longe dos nossos olhos em países africanos, empresas terceirizadas escondem o lixo psíquico das redes sociais. O documentário “The Cleaners” (2018) acompanha trabalhadores terceirizados de Manila (Filipinas) que fazem a moderação dos conteúdos das redes sociais: vídeos terroristas, auto-mutilação, pornografia infantil e suicídio ao vivo são submetidos ao código binário “excluir/ignorar”. Um lixo psíquico tão tóxico que muitos funcionários se matam ou se afastam por sérios transtornos psíquicos. Mas também a terceirização dos serviços de moderação se torna uma forma secreta de censura e filtragem da realidade, modelando nossa percepção do mundo de acordo com os propósitos das gigantes do Vale do Silício. Com a terceirização, elas acabam se eximindo de qualquer responsabilidade, seja legal, política ou humana.

quinta-feira, julho 04, 2019

Onde acabam nossos sonhos em "O Homem Que Matou Dom Quixote"


Muitos críticos consideram um filme sem foco, confuso e bagunçado. Mas é uma bela bagunça. Depois de tentar realiza-lo por quase 30 anos em meio a mortes, processos e separações, finalmente Terry Gilliam conseguiu apresentar “O Homem Que Matou Dom Quixote” (2018), a mais autobiográfica produção de Gilliam. Um narcísico diretor de filmes publicitários reencontra com atores de um velho filme de conclusão de curso da faculdade sobre Dom Quixote, no interior da Espanha. Para reviver, entre delírios e realidade, a trajetória do herói de Cervantes com um velho ator que nunca mais saiu do personagem. O filme faz uma grande metáfora do destino dos nossos sonhos e fantasias nas linhas de montagem da Indústria Cultural. E como Terry Gilliam vê-se a si próprio como um Dom Quixote que usa a arte e a imaginação para tentar derrotar monstros e moinhos de vento da indústria do entretenimento.

terça-feira, julho 02, 2019

Como fugir da barbárie sem celulares e tablets em "À Espera dos Bárbaros"


Um grupo de seis pessoas está com medo: souberam através das redes sociais que os bárbaros estão chegando. Eles batem à porta da casa de um casal de magos, pedindo para se esconder do perigo iminente. Mas os magos impõem uma condição: deixar seus celulares e tablets num cesto na entrada, para iniciarem uma viagem iniciática e mística no presente e para o passado. Sem wi-fi e Internet, o grupo sente-se nas trevas – como saberão do avanço dos bárbaros sem Internet? Esse é o filme francês “À Espera dos Bárbaros” (“En Attendant Les Barbares”, 2017), de Eugène Green, uma experiência ao mesmo tempo documental e ficcional sobre nossa condição em um mundo tecnológico: a mídia está para nós assim como o peixe está para a água. Sem nossos dispositivos tecnológicos nos sentimos fora d’água. Mas esta não seria a oportunidade de nos religar com o outro e com a realidade? Filme sugerido pelo nosso leitor Fernando Câmara.

sábado, junho 22, 2019

Do thriller ao horror gnóstico no filme "Um Grito na Noite"


Do título em português às sinopses, o filme holandês “Um Grito na Noite” (“Kristen”, 2015) parece mais do mesmo: um claustrofóbico thriller/horror sobre uma frágil mulher que, ao limpar a bagunça da festa de Ano Novo em um café, é ameaçada por telefone por um desconhecido que tenta invadir o estabelecimento para matá-la. Ela tem que descobrir quem está fazendo isso e o porquê? “Um Grito da Noite” parece mais um filme do subgênero “home invasion”. Mas tudo é uma aparência proposital do diretor Mark Weistra, enganando tanto o espectador quanto a protagonista – do horror de um corriqueiro thriller, aos poucos o tom da narrativa deriva para o fantástico e o surreal. O horror metafísico se impõe, com fortes elementos gnósticos: a inconsistência da realidade e um Demiurgo que apenas busca veneração das próprias vítimas.

sábado, junho 15, 2019

Um ensaio poético sobre a morte e perdas em "Onirica"


“Onirica” (2014), do diretor e poeta polonês Lech Majewski, é uma produção que entra na categoria de “filme estranho”: com densas linhas de diálogo filosóficas, inspirado na “Divina Comédia” de Dante Aligheri e uma narrativa surreal e enigmática, acompanhamos a história de Adam – ele perdeu em um acidente de carro aqueles que mais amava e agora se encontra perdido entre a realidade e os sonhos com fortes simbologias sobre Deus, pecado e redenção. Sem encontrar na religião uma explicação para a impotência humana diante da perda e da morte, Adam encontrará na filosofia de Heidegger e Sêneca a redenção que o levará do Purgatório ao Paraíso.

sábado, junho 01, 2019

Estrelas do futebol são espelhos da uma sociedade que se auto-destrói em "Diamantino"


Qual a relação entre um jogador que emula o craque Cristiano Ronaldo, cientistas genéticos loucos e um movimento de extrema direita que pretende cercar o país com um muro? Portugal é um dos países que mais recebem refugiados na Europa (sejam africanos e brasileiros), com uma seleção que, apesar de contar com uma das maiores estrelas do futebol mundial, não consegue ganhar nenhum título. Esse é o explosivo mix da coprodução luso-franco-brasileira “Diamantino” (2018) sobre um craque que vive numa bolha de dinheiro e fama. Completamente alienado mas, ao mesmo tempo, sentindo-se culpado por ser milionário em um mundo injusto, Diamantino decide adotar um “refugiadinho”. Mas ele não sabe que virou a estrela de uma campanha xenófoba e nacionalista, o “Brexit” português. Tudo num tom de conto fantástico – alguma coisa entre um thriller policial, ficção científica e um estranho senso de humor. “Diamantino” mostra que podemos até odiar as estrelas alienadas do futebol. Mas elas não passam de espelhos de uma sociedade igualmente alienada que é capaz de se voltar contra si mesma.

sábado, maio 18, 2019

Cegos e surdos esquecemos daquilo que buscamos na vida em "A Grande Beleza"


Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014, muitos críticos consideram "A Grande Beleza" (2013), de Paolo Sorrentino, quase uma refilmagem de “A Doce Vida”, filme de Fellini de 1960. Roma, a “Cidade Eterna”, vista pelos olhos de Jep Ganbardella, um escritor de apenas um livro que vive no centro de uma vida mundana de festas e exposições de artistas, intelectuais, jornalistas e editores de revistas culturais. Cínico, zomba de todos, mas principalmente de si mesmo pelo vazio, desilusão e niilismo. Todos parecem zumbis, vagando em festas barulhentas e ensurdecedoras atrás da “grande beleza” esquecida, lá atrás na juventude. Cegos e surdos pelas distrações que criamos, esquecemos daquilo que passamos uma vida inteira procurando. No clássico filme “Cidadão Kane” era o “Rosebud”. E o que Jep Gambardella procura em “A Grande Beleza”? 

terça-feira, maio 07, 2019

Um dia as meninas serão devoradoras de homens em "Grave"



“Uma história de amadurecimento de uma personagem desgarrada em uma hora e meia manchada de sangue”, dessa maneira a diretora francesa Julia Ducournau define seu filme "Grave"(Raw, 2016), co-produção França/Bélgica. Se “Corra” (“Get Out”, 2017) foi um filme de terror racial, aqui em “Grave” encontramos uma espécie de terror de gênero: como se a protagonista descobrisse a sensação de poder no cruzamento da linha de um tabu. Ducournau parece querer dizer às espectadoras: meninas, um dia vocês serão devoradoras de homens! Uma brilhante e inocente adolescente entra num curso superior de veterinária e se defronta com um sistemático trote de humilhação e doutrinação dos veteranos. Até despertar algo de primitivo nela – uma fome insaciável que nunca percebeu estar lá. Uma violenta narrativa de auto-afirmação e descoberta de identidade através de sangue, canibalismo e luxúria.

quarta-feira, maio 01, 2019

O Mal jamais conjurado pela civilização em "Suspiria: A Dança do Medo"


Em um cenário aparentemente acolhedor escondem-se terríveis segredos do passado que estão vivos e ameaçadores até hoje. Desde “O Bebê de Rosemary” (1968), de Roman Polanski, o gênero terror repetidas vezes aborda esse tema. Mas em “Suspiria: A Dança do Medo” (2018), remake do clássico de terror de 1977 de Dario Argento, o tema é elevado a uma jornada pelo inconsciente coletivo: em plena modernidade urbana, o ancestral, o mítico e o arquetípico retornam de forma explosiva e perversa. O Mal, ignorado e jamais conjurado ou expiado pelo mundo contemporâneo. Apenas esquecido.  Uma bailarina se torna aluna de uma prestigiosa escola de dança em Berlim, que esconde um milenar propósito ocultista assassino num país que tenta se recuperar dos traumas do nazismo em plena Guerra Fria.  Mas os problemas é que as pessoas teimam sempre em acreditar que o pior já passou. 

domingo, abril 28, 2019

Nos profundos vales da galáxia e da solidão humana em "High Life"


Uma nave em algum lugar no espaço profundo, para além do sistema solar, ruma a 99% da velocidade da luz na direção de um buraco negro. Um homem dedica-se a cuidar da sua pequena bebê, em meio aos corredores escuros e um desordenado jardim de onde tira alimentação e oxigênio. Como pararam ali? De quem são os cadáveres mantidos em uma câmara criogênica? Quais os efeitos da viagem na velocidade da luz em uma tripulação perdida no vazio em uma missão potencialmente suicida? High Life (2018), da diretora francesa Claire Denis, não é propriamente um sci-fi convencional: em uma narrativa elíptica e em flash-backs tentamos reconstituir o passado e estimar o futuro daquela estranha missão. Uma viagem estranha e surreal pelos profundos vales da galáxia e da solidão humana. No espaço cósmico o homem nada descobrirá, a não ser a si mesmo. E isso pode não ser uma boa coisa.

sábado, abril 20, 2019

Um quebra-cabeça mitológico no filme "A Deusa da Vingança"



Califórnia, Deserto de Mojave, 1998. Enquanto uma misteriosa estrela vermelha brilha no céu ensolarado, um vendedor ambulante percorre zonas desoladas com trailers e depósito de ferro-velho. Sam não encontra ninguém, liga insistentemente para sua esposa que nunca atende e encontra um motel igualmente vazio. A única voz que ouve é de um programa de rádio no seu velho carro, cujo host chamado Eddy conclama os ouvintes a acharem e fazerem justiça com as próprias mãos contra um frio assassino de crianças. Estranhamente algo prende Sam naquele lugar e as coisas ficarão ainda piores. Esse é o filme “A Deusa da Vingança” (Sam Was Here, 2016) um quebra-cabeça mitológico na mesma linha de “Mãe!” de Aronofsky. Assim como na mitologia grega na qual Nêmesis busca a vingança para manter o equilíbrio cósmico, também naquele lugar um drama cosmológico precisa ser resolvido.

domingo, abril 14, 2019

Rádio, viagem no tempo e identidade no filme polonês "The Man With The Magical Box"

Um filme sobre viagem no tempo com a colcha de retalhos típica da nostalgia pós-moderna: um mix de “Brazil” de Terry Gilliam, “Clube da Luta”, “Blade Runner”, “1984” de Orwell com alusões a “Stalker” de Tarkovsky. É o thriller sci-fi polonês “The Man With The Magic Box” ("Czlowiec z magicznym pudelkiem", 2017) - na Varsóvia de 2030 um homem encontra em seu velho apartamento um antigo rádio de 1950 que misteriosamente transmite músicas do passado com ondas Theta que produzem nele flashs de memória de uma outra vida. Mas um governo nacionalista totalitário monitora qualquer tentativa de fuga por meio de viagens no tempo através da mente. Diferente da maioria das abordagens do cinema sobre a viagem no tempo (como possibilidade de mudança como “segunda chance”), “The Man With The Magic Box” faz o contrário: a viagem no tempo como busca da permanência, duração – a busca da própria identidade.

segunda-feira, abril 08, 2019

Cinegnose discute, nessa sexta, cinema gnóstico no Simpósio "A Transfiguração em 1900"


Um estranho vortex abalou o Ocidente na virada do século XIX para o XX: mudanças radicais na vida urbana, nas ciências, tecnologias, artes, filosofia e costumes. E com o cinema não poderia ser diferente, pois estava no centro desse vortex – criou uma experiência perceptiva e sensorial absolutamente nova. O dispositivo cinematográfico acabou se tornando a metáfora do próprio funcionamento da mente na filosofia e ciências, criando uma crise na percepção e na maneira de nós encararmos o tempo e a permanência. Porém, enquanto o cinema revolucionava, ele próprio continuou prisioneiro da Caverna de Platão – um instrumento para a manutenção da ilusão do que entendemos como “realidade”. O surgimento do cinema gnóstico na virada do século XX para o XXI criou a possibilidade dessa emancipação. Esse tema será discutido por esse editor do “Cinegnose” no Simpósio “A Transfiguração em 1900”, nessa sexta-feira, 12/04, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro.

domingo, abril 07, 2019

Os contos de fadas se vingam da humanidade em "Border"


Outro filme para cinéfilos corajosos. O filme sueco Border (“Gräns”, 2018) nega ao espectador dois princípios básicos da narrativa hollywoodiana: verossimilhança e identificação. “Border” joga com a curiosidade e repugnância do público diante de um estranho casal de protagonistas: Tina é uma policial alfandegária com a capacidade incomum de farejar medo, culpa ou raiva nos passageiros, conseguindo detectar algo ilegal que estejam portando na passagem da fronteira. E Vore é um estranho viajante que atrai a curiosidade de Tina. A “feiúra” e os hábitos estranhos deles (a instrospecção deprimida de Tina e os risos de Vore como se soubesse de todos os apetites reprimidos de Tina) nos causam distanciamento. Mas um distanciamento necessário para refletirmos sobre o tema da “fronteira”: o que separam os gêneros? Qual a fronteira entre o bem e o mal? Entre humanos e monstros? Em uma atmosfera de fábula, Border mostra como a humanidade é incapaz de dar essas respostas. E como os mitos dos contos de fadas retornam para se vingarem de nós.

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