
sexta-feira, setembro 05, 2025

Wilson Roberto Vieira Ferreira

Tudo se passa em 2020, época da pandemia COVID-19 e lockdown. Mas
encontramos a mesma divisão social, a mesma incapacidade de concordar com uma
realidade consensual, a mesma paranoia, medo e desinformação das redes sociais.
E o mesmo presidente, Trump! Quando estreou no Festival de Cannes esse ano, a
crítica observou: “quanto mais as coisas mudam, mais ficam iguais”. Estamos
falando de “Eddington” (2025), filme de humor negro escrito e dirigido por Ari
Aster, mestre do horror de alto conceito como “Hereditário” e “Midsommar”.
Aqui, Aster dá conta do horror social de uma pequena cidade no Novo México que
mergulha no caos e violência na medida em que os conflitos locais e de
vizinhança são turbinados pela pauta nacional repercutida pelos feeds das redes
sociais. “Eddington” didaticamente descreve uma nova engenharia social que substituiu
a clássica criação do inimigo externo. Agora, o inimigo é INTERNO, alimentado
pela criação da cismogênese: as pessoas sentem claramente que há algo errado,
mas a desconfiança mútua, o medo e a paranoia superam qualquer coisa. Deixando de
ver que o verdadeiro problema está ali, sendo incubado na frente de todos.