domingo, fevereiro 23, 2020
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Quase meio século depois de ter inventado a lâmpada incandescente e o fonógrafo, o inventor e empresário Thomas Edison enfrentou o físico sérvio Nikola Tesla na última batalha das invenções: criar um dispositivo para conversar com os mortos – o telefone espiritual, uma espécie de “disque-fantasma”. Embora fosse agnóstico e crítico feroz das sessões espíritas, muito populares na virada do século, Edison acreditava que a conexão com o Outro Mundo somente poderia ser realizada através da Ciência. Em si mesma, a eletricidade era, e ainda é, misteriosa: embora faça parte do nosso cotidiano, ainda não sabemos a real natureza dessa força – ela parece possuir todas as propriedades das velhas mitologias animistas do passado. Enquanto Tesla buscava essa comunicação com o Além através do rádio, Edison optou pelo telefone. Assim como o fonógrafo foi recebido como a realização do antigo sonho da imortalidade, Edison via no sinal telefônico a possibilidade de se comunicar com “partículas imortais”. Esse é mais um capítulo da História de como o avanço tecnocientífico é alavancado pelo misticismo e por mitologias milenares.
domingo, fevereiro 09, 2020
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Racismo estrutural. Essa foi a acusação nas redes sociais contra o apresentador do telejornal “Bom Dia São Paulo”, Rodrigo Bocardi. A polêmica surgiu quando do estúdio, numa entrada ao vivo com um repórter numa estação do metrô, o apresentador interviu confundindo um jovem negro como gandula de quadras de tênis do Esporte Clube Pinheiros, clube de elite paulistana. Na verdade, era atleta da equipe de polo aquático do clube. O apresentador teria dado uma mostra do racismo brasileiro cotidiano e invisível – o chamado “racismo estrutural”. O problema é que ao transformar o jornalista em “Judas” amarrado ao poste para o linchamento público, é como se assumisse a função de bode expiatório. Para expiar, purificar o jornalismo. O racismo ao vivo foi apenas um nódulo de algo mais estrutural que compõe o atual campo jornalístico: a “saga dos cães perdidos” - metáfora do jornalista como um cão que perdeu o faro e se perdeu na origem psicológica de todos os lapsos éticos da profissão: a inveja criada pela diferença de classe social diante de entrevistados poderosos ou marginalizados, o que leva a ambição de acúmulo rápido de capital simbólico: busca de autoridade e prestígio. Somado ao tautismo midiático, Bocardi mordeu a própria isca da metalinguagem autopromocional que estrutura os telejornais atuais.
quinta-feira, janeiro 30, 2020
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Milhões de pessoas em quarentena por ordem do Governo chinês. Uma misteriosa mutação de um coronavírus surge numa província da China, ameaçando dar início a uma pandemia, provocando alerta global da OMS. Esse é um breve resumo das notícias de uma crise que apavora o mundo, com expectativas de consequências econômicas imprevisíveis. Mas também é o plot do filme de 2011 “Contágio” de Steve Soderbergh. Muitos cinéfilos estão apontando as incríveis coincidências entre ficção e realidade. Ao mesmo tempo, o documentário “American Factory” é o favorito ao Oscar, no qual os chineses figuram como exploradores capitalistas que compram uma fábrica falida da GM para destruir sindicatos e oprimir americanos. Estamos em meio a uma guerra semiótica como arma híbrida dentro da batalha comercial e geopolítica EUA vs. China? Coronavírus é uma arma na guerra da informação ou uma arma biológica? Será que mais uma vez a ficção hollywoodiana (e dessa vez também um game chamado “Plague Inc.”) é usada como arma semiótica para tornar verossímil eventos arbitrários? No mínimo, os fatos apontam para uma dúvida plausível – como sempre, encontramos sincronismos, conveniências, timing com a velha pergunta em mente: quem ganha com o medo da pandemia?
terça-feira, janeiro 14, 2020
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Indicado ao Oscar de Melhor Documentário, “Democracia em Vertigem” (2019, disponível na Netflix), dirigido por Petra Costa, não é uma produção comum do gênero. A cronologia dos fatos que levaram o País da ditadura militar aos governos de centro-esquerda de Lula e Dilma é apenas o cenário para outro tema mais profundo: por que a elite de repente se cansou da Democracia e do Estado de Direito e virou o tabuleiro, envenenando corações e mentes com ódio e polarização? A câmera de Petra Costa e sua melancólica narração buscam nas imagens oficiais e de bastidores aquilo que Roland Barthes chamava de “punctum”: detalhes que nos afetam, cortam e ferem. Pequenos detalhes em imagens (gestos, falas, atitudes, olhares etc.) que, em vários momentos do documentário, parecem expressar secretamente o que estava reservado para o futuro do País. “Democracia em Vertigem” lida principalmente com afetos em um país cronicamente inviável – sob a superfície mutante da política estão personagens que sempre estiveram lá, desde que um golpe militar instituiu a República: a elite financeira, midiática e empresarial. A democracia brasileira foi fundada no esquecimento.
sábado, outubro 26, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Uma menina desaparece na neblina em uma pequena vila nos Alpes italianos. Um investigador da polícia, famoso por casos de repercussão midiática, surge para resolver o mistério. Mas ele quer qualquer coisa, menos encontrar a verdade. Sua estratégia de investigação consiste em nada mais do que vazar deliberadamente informações para jornalistas, a fim de pressionar suspeitos pelo escândalo. Forçando delações e denúncias contra um professor do ensino médio: a vítima perfeita pelo appeal midiático que busca culpados de primeira hora para o linchamento pela opinião pública. Será que esse plot não lembra alguma coisa da atual história brasileira? Esse é o filme italiano “A Garota na Névoa” (“La Ragazza nella Nebbia”, 2017) baseado no romance policial best seller de Donato Carrisi. Uma alegoria da promiscuidade entre mídia e Justiça promovida pela “Operação Mão Limpas” italiana, modelo para a “Lava Jato” brasileira. Promiscuidade que se alimenta dos impulsos mais regressivos da sociedade, colocando-nos numa encruzilhada: Civilização ou Barbárie? Filme sugerido pelo nosso colaborador Felipe Resende.
terça-feira, outubro 08, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
O atentado de um procurador da Fazenda Federal contra uma juíza do TRF-3 em São Paulo revela a existência de um mundo crepuscular de sinais e símbolos (“formas-pensamento”) do qual o Bolsonarismo e a direita alternativa se nutrem – uma psico-esfera nacional psiquicamente envenenada resultante da guerra híbrida e anos de “Efeito Copycat” e “Efeito Heisenberg”. Efeitos midiáticos da saturação do discurso anticorrupção que, de tão ambíguo ou polissêmico, criou um perverso “acontecimento comunicacional”: o encontro da narrativa midiática com a jornada pessoal de receptores - todo um subconjunto de pessoas vulneráveis, homicidas e suicidas em um nível inconsciente quem podem infectar a população em geral a acreditar que a “meganhagem” e “justiçamento” são o paradigma tanto para as soluções nacionais como para as mazelas pessoais afetivas, emocionais e familiares.
sábado, outubro 05, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Quem surgiu primeiro: os deuses? A humanidade? Nós os criamos ou fomos criados por deidades cósmicas. Essas questões perpassam as duas temporadas da série da Amazon "American Gods" (2017-): acompanhando um protagonista ex-presidiário, vamos descobrindo as camadas mágicas que compõem o mundo no qual deuses antigos caminham livremente sobre a Terra misturados com os humanos em atividades banais como, por exemplo, uma garçonete de beira de estrada – divindades nórdicas, celtas, hindus, eslavas, egípcias, africanas e babilônicas. Pagãs e sagradas. Todas encontram-se nos Estados Unidos, trazidas pelos corações e mentes dos imigrantes de todo o mundo, e que lá descobriram os novos deuses: os deuses do Mercado, da Mídia e do Dinheiro. Deuses impiedosos que querem destruir as antigas deidades, numa batalha cósmica travada no plano astral da humanidade. A série é uma grande metáfora parapolítica dos tempos atuais: a propaganda política e o marketing das marcas e do consumo manipulam formas-pensamentos que se transformaram em entidades invisíveis e autônomas. O controle ideológico-político ou psíquico tiraria sua força e letalidade de uma luta travada no plano astral humano.
terça-feira, outubro 01, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Ativistas, sociólogos, filósofos, cientistas políticos e psicanalistas participam do Seminário Internacional “Democracia em Colapso?”, que ocorrerá em outubro no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Discutirá as perspectivas históricas e políticas da democracia atual. A oportunidade do seminário é obviamente o cenário atual da ascensão da chamada “direita alternativa” - Brexit, Trump, Bolsonaro etc. Mas há um sintoma nesse evento: a ausência de pesquisadores da área da Ciência da Comunicação. Se a questão da Comunicação está no centro das crises das democracias atuais (a forma como, através da manipulação das novas mídias, plataformas e dispositivos de convergência de maneira relacional e fática, pegou de surpresa todo o espectro político), causa espanto a ausência da pesquisa em Comunicação no evento. Certamente a Comunicação entrará nos debates. Porém, será sempre uma “sociologia da comunicação”, “filosofia da comunicação” ou uma “psicanálise da comunicação”. A Comunicação analisada “a posteriori”, sem entender o fenômeno como evento autônomo e silencioso. Que passa à margem da representação. É o sintoma de que a esquerda ainda não entendeu a centralidade dos fenômenos comunicacionais na atualidade.
quarta-feira, setembro 25, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
O Jornalismo possui duas funções no Sistema: alarme (“jornalismo de guerra”) e autorregulação sistêmica (unir o jornalismo à linguagem publicitária e do entretenimento em períodos de “paz” - de cemitério - para manter o equilíbrio e normalidade do cotidiano). Desde o desfecho bem-sucedido da guerra híbrida brasileira com o impeachment de 2016, a função de alarme deu lugar ao de autorregulação na grande imprensa dos jornalões e telejornais – manter na normalidade o moral do distinto público e a agenda neoliberal nos trilhos. As bombas semióticas do período de guerra dão espaço a cinco novas ferramentas do kit semiótico de manipulação da opinião pública: Naturalização, Empirismo, Contaminações Metonímicas, Rocamboles Informativos e Metalinguagem - autorreferência. É como se diariamente o jornalismo afirmasse para nós: “Não olhe muito de perto!”; “Aqui não há nada demais para se ver!”; “1 + 1 é sempre igual a 3”; “A culpa é mesmo do povo” e, diariamente, “Tenha um bom infotenimento!”
quarta-feira, setembro 04, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Em 2003 o pesquisador Martin Howard no seu livro “We Know What You Want” descobriu que em cada hora de notícias da CNN, o noticiário transmitia pouco menos de cinco minutos de “notícias reais” (fatos espontâneos, históricos, externos à existência da mídia) – o restante é ocupado por metalinguagem e autorreferências. Sem falar no chamado “Efeito Heisenberg”: a mídia não consegue mais reportar o real – transmite apenas os efeitos que ela produz ao cobrir os eventos e, também, o esforço que as pessoas fazem para obter a atenção da mídia. O “Cinegnose” aplicou essa mesma metodologia na análise de quatro edições do telejornal local “Bom Dia São Paulo” da Globo. E chegou a resultados próximos: duas horas de telejornal resultam em 27 minutos de “notícias reais” – ou média de 13 minutos de notícias por hora. No restante, o telejornal passa o tempo falando de si mesmo – metalinguagem, autorreferencialidade fática e efeito Heisenberg. Resultando num híbrido de jornalismo e propaganda. Infotenimento.
quarta-feira, agosto 28, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Enquanto a esquerda “campeã moral” vive mapeando arrependidos que deixaram de apoiar Bolsonaro, a “esquerda namastê” (com luxuoso apoio do programa “Papo de Segunda” do canal GNT da Globo) comemora a “diluição da polarização” ao ver a atriz Maitê Proença nos protestos contra a queima da Amazônia, ao lado de Caetano Veloso e Sônia Braga. Desarmada intelectualmente, a esquerda não consegue decodificar a criptografia da atual guerra simbólica, dentro do redesenho da geopolítica do aquecimento global na qual a Amazônia torna-se o principal alvo dos países ricos. Com a questão ambiental tornando-se foco da grande mídia, as manifestações começam a dançar a música tocada pela Guerra Híbrida: a “bomba semiótica do Sim!” e a tática da “vidraça quebrada” – como criar consenso imediato numa estratégia de terra arrasada intencionalmente criada pelo Governo para a opinião pública aceitar no futuro a intervenção externa. Se quer vender a bomba, em primeiro lugar deve vender o medo.
domingo, agosto 11, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Quando pensamos em magia e ocultismo logo associamos a coisas como feitiçaria, estranhos rituais, incensos, satanismo etc. Porém, a magia moderna está muito além disso. Desde que, no século XX, o mundo da magia e do oculto, representado por figuras como Julius Evola e Aleister Crowley, se encontrou com a propaganda política e meios de comunicação de massa na conjuntura do nazi-fascismo. Hoje, dentro do cenário da ascensão da chamada “direita alternativa” (alt-right), surge uma nova convergência: a partir de nomes como Steve Bannon e Richard Spencer, a Magia do Caos (corrente esotérica moderna) encontra-se com Internet, redes sociais e a campanha vitoriosa de Donald Trump. Esse é o tema do livro “Dark Star Rising – Magick and Power in the Age of Trump”, de Gary Lachman - pesquisador que investiga as conexões entre Sincromisticismo e Política. Para o pesquisador, assim como crianças brincando com fósforos, a extrema-direita manipula elementos da Magia do Caos (o Caos como método pragmático: “sigilos”, “memes mágicos” etc.) numa rede digital global que substitui o Plano Astral. Com consequências imprevisíveis. A não ser, a conquista do Poder.
domingo, julho 28, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Um “bate-papo” secreto de um servidor público passando informações privilegiadas, em ano eleitoral, num evento secreto para empresas nacionais e internacionais do setor financeiro. As novas informações vazadas pelo “Intercept” sobre a bem remunerada participação do coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, não apenas revelam as relações promíscuas de procuradores e juízes com o mundo político e empresarial. Também mostra como a banca é uma eminência parda: por todo o espectro político, as críticas ao sistema financeiro são apenas pontuais ou genéricas. Nunca está sob o foco da mídia. No máximo, denuncia-se “bad guys” gananciosos, enquanto a estrutura do sistema nunca é questionada – dinheiro, valor, débito, crédito etc. são conceitos naturalizados, reverenciados quase religiosamente. A banca age secretamente como uma religião, com seus templos (sagrados e pagãos) e com seus padres e alto sacerdotes. Dois livros lançam uma luz sobre o fenômeno: “The Theology of Money” do filósofo Philip Goodchild; e “The Cult of Money”, de Chris Lehmann.
terça-feira, julho 02, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Um grupo de seis pessoas está com medo: souberam através das redes sociais que os bárbaros estão chegando. Eles batem à porta da casa de um casal de magos, pedindo para se esconder do perigo iminente. Mas os magos impõem uma condição: deixar seus celulares e tablets num cesto na entrada, para iniciarem uma viagem iniciática e mística no presente e para o passado. Sem wi-fi e Internet, o grupo sente-se nas trevas – como saberão do avanço dos bárbaros sem Internet? Esse é o filme francês “À Espera dos Bárbaros” (“En Attendant Les Barbares”, 2017), de Eugène Green, uma experiência ao mesmo tempo documental e ficcional sobre nossa condição em um mundo tecnológico: a mídia está para nós assim como o peixe está para a água. Sem nossos dispositivos tecnológicos nos sentimos fora d’água. Mas esta não seria a oportunidade de nos religar com o outro e com a realidade? Filme sugerido pelo nosso leitor Fernando Câmara.
quinta-feira, junho 20, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
A Internet era um sonho do Vale do Silício, um paraíso inspirado na fé pela natureza humana criado por pioneiros tecnológicos. Então, apareceram “agentes mal-intencionados” que deturparam tudo com o pecado – fake news, pós-verdades, obscurantismo e preconceitos. Na capa do livro que nos conta essa história bíblica vemos uma serpente que se esgueira para fora de um balão de HQ. Essa serpente é Donald Trump e a chamada “direita alternativa”, ajudados por hackers russos. Mas também inspirados nos pensadores pós-modernos como Baudrillard e Derrida que teriam destruído a âncora filosófica da Verdade – a noção de Realidade, fazendo o Paraíso decair no niilismo e relativismo. A crítica literária norte-americana Michiko Kakutani vai encontrar o pecado original das fake news nos hackers russos e pensadores do pós-modernismo no seu livro “A Morte de Verdade”. Kakutani revela um discurso que transforma não só a teoria das fake news em um novo rótulo do jornalismo corporativo no mercado das notícias. Também é uma forma ideológica de varrer para debaixo do tapete as mazelas da financeirização global, das "machine learnings" e algoritmos do Vale do Silício – a culpa é sempre dos russos e franceses...
terça-feira, junho 18, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Finalmente o Brasil se moveu. Na falta das ruas ocupadas de forma contundente e com uma oposição confortável no “wishful thinking” do “quanto pior melhor”, foi preciso o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, com a retaguarda bilionária do gênio tech franco-americano Pierre Omidyar, para balançar as peças do xadrez político nacional. Por isso, a Vaza Jato parece ter despertado o nietzschiano “demasiado humano” naqueles que foram tirados do torpor: agora tenta-se encaixar aquilo que se vê na opinião que cada um tem de si - ou colocam sob suspeita o mensageiro, ou ansiosamente tentam criar teorias sobre a misteriosa fonte da equipe do Intercept Brasil. E se esquece da principal oportunidade que se abre: o conteúdo do vazamento e a investigação coletiva.
“O indivíduo quer geralmente por meio da opinião dos outros, certificar e fortalecer diante de seus olhos a opinião que tem de si”, escrevia o filósofo alemão Nietzsche na obra de 1878 “Humano, Demasiado Humano”. Texto que não só marcou a sua ruptura com o romantismo de Richard Wagner como também com o pessimismo de Schopenhauer, buscando libertar o espírito da “cupidez insatisfeita”.
Os vazamentos publicados pelo site Intercept Brasil, liderado pelo premiado jornalista Glenn Greenwald, não só revelaram as perigosas relações promíscuas entre Justiça, grande mídia, procuradores e Polícia Federal. Também despertou o “demasiado humano”, a que se referia Nietzsche, quando a bomba explodiu e espalhou estilhaços para todos os lados.
Jornalistas, grande mídia, governo e os, outrora, super-heróis Moro e Dallagnol, todos agora tentam puxar “a brasa para sua sardinha”. Isto é, encaixar o “ruído” que perturbou a paz de cemitério da (a)normalidade nacional dentro das narrativas de cada um. Isto é, transformar o escândalo da Vaza Jato em oportunidade reforçar a opinião que cada um tem de si mesmo.
Quem é o “Garganta Profunda”?
O curioso é que por todo o espectro político, da direita à esquerda, poucos parecem se deter no conteúdo das conversas vazadas do aplicativo Telegram. A maioria parece querer mesmo especular sobre quem é o “Garganta Profunda”: alguém a mando do STF querendo cortas as asas de Moro e República de Curitiba? Um hacker russo? Guerra híbrida do Deep State norte-americano para justificar um golpe militar no Brasil? Alguém de dentro da PF que por anos veio montando esse dossiê? Ação dos BRICS, coordenada pela Rússia, para evitar que o Brasil se torne um quintal dos EUA?
Como previsto, principalmente para a equipe do Intercept Brasil, Moro e Dallagnol pautam a grande mídia com a narrativa do crime cibernético. Tanto insistiram na criação desse roteiro que esqueceram de um detalhe: essa insistência estava fazendo-os esquecer do conteúdo das conversas comprometedoras.
O silêncio do ex-juiz e do procurador começava a soar como um atestado de autenticidade das informações vazadas. Então o ministro Sérgio Moro, fazendo sua tradicional cara de paisagem com os olhos perdidos no horizonte, passou a falar que “não vislumbrava nenhuma anormalidade” nas conversas vazadas e fugia de perguntas ou entrevistas.
Mais combativo, o procurador Dallagnol divulgou uma nota alarmista denunciando “invasão de celulares” dos procuradores do MPF. Uma “afronta grave e ilícita contra o Estado”, que a Polícia Federal já estaria monitorando há um mês – o que lembrou o clássico script dos atentados na Europa: sempre a polícia afirmava que “monitorava os suspeitos” há meses. O que não impedia dos supostos terroristas do ISIS explodir suas bombas, atropelar pedestres e largar (providencialmente!) qualquer documento de identificação nas proximidades dos incidentes.
Mas, se há uma afronta assim tão grave ao Estado, porque as vítimas Dallagnol e Moro não entregam seus celulares para que a Polícia Federal faça a perícia necessária?
Isso levou-os a mais uma contradição nas tentativas desajeitadas de dar algum tipo de resposta rápida à Greenwald e sua equipe. Sem uma narrativa verossímil, Moro ameaçou partir para as vias de fato: em entrevista publicada na última sexta-feira pelo Estadão, Sérgio Moro sugeriu que o Intercept Brasil estaria na mira da Polícia Federal.
Em sua tradicional tergiversação em "juridiquês" (sempre tentando encontrar algum álibi para a ação política), Moro falou em “crime em andamento”, muito além do que uma “invasão pretérita” – Moro recorreria ao “estado em flagrante delito” e abriria o menu tão conhecido da Lava Jato: diligências, busca e apreensão, condução coercitiva e prisão preventiva.
O próprio pivô da Vaza Jato mandando prender o mensageiro dos vazamentos? Isso pegaria muito mal... mas, convenhamos, todos esses anos da Lava Jato e as condições que levaram o atual Governo ao Poder provam que o País já atravessou há muito o rubicão...
A aposta da Globo
E a Globo está pagando para ver. Mas não sua tensa equipe de colunistas e analistas, que teme ser sugada pelo rodamoinho dos vazamentos que comprovem as notórias relações promíscuas com fontes judiciárias e policiais. Sob as rédeas do jornalismo de ponto eletrônico, estão sendo obrigados a embarcar numa missão que pode definitivamente acabar com suas credibilidades.
Greenwald já havia feito uma parceria com a Globo na divulgação do material das informações vazadas por Edward Snowden. Em 2013 era interessante para a emissora bombar aqueles vazamentos em pleno JN: denunciar que a presidenta Dilma e Petrobrás eram as principais vítimas de espionagem eletrônica da NSA. Para a Globo, mais um ingrediente para acirrar o então clima de desestabilização política – mostrar a tibieza de um governo em descontrole.
Mas agora não. Simplesmente porque a principal arma para a desestabilização política, cuja etapa mais contundente começava naquele ano, era a Lava Jato. Depois de tantos anos, a Globo não pode dar uma guinada de 180 graus na narrativa do combate à corrupção.
Mesmo ao custo de (para criar a percepção popular da ilegalidade da Vaza Jato) inventar o bizarro personagem do senhor Hacker que faria parte de um amplo ataque contra políticos e o próprio Estado. Em rede nacional, com direito a uma caprichada arte, o JN nos apresentou um educado hacker conversando com o hackeado (!), o procurador José Rovalim Cavalcante... um hacker educado, com português corretíssimo, sem ideologias, apartidário e ressaltando o bem que fez ao País a Lava Jato...
Além disso, narrativa do crime cibernético se encaixa perfeitamente à natureza tautista da Globo: ameaçada pelas tecnologias e mídias de convergência (ao lado do rentismo, seu ganha-pão ainda é a TV aberta – vender espaço publicitário em troca de entretenimento), costumeiramente em seus telejornais a pauta que envolve Internet e celulares sempre foi negativa: para a emissora, Internet, redes sociais e celulares são sinônimos de crime, vício, piratas e pedófilos.
É uma aposta alta. Não só poderá ficar mais uma vez para trás na História (como foi no episódio das Diretas Já nos anos 1980), como também poderá implicar no sacrifício de seus profissionais, pegos com a boca na botija pelos vazamentos do “Senhor Garganta Profunda”. E repetir o episódio da punição ao repórter esportivo Mauro Naves – responsabilizar incautos jornalistas individualmente por falha ética, por um modus operandi que é do próprio jornalismo global – clique aqui.
O bilionário Pierre Omidyar: instrumento de guerra híbrida?
Quinta coluna
E na outra ponta, mais à esquerda do espectro político, também o demasiado humano se revela: blogs “quinta coluna” criam uma outra narrativa – a de que Glenn Greenwald é mais instrumento de guerra híbrida do Deep State norte-americano. Uma partitura “made in CIA” para fazer a esquerda entrar no coral diversionista e criar um novo “incêndio do Reichstag” que criaria o álibi para o definitivo golpe militar brasileiro.
Afinal, “hackers russos” estariam por trás de tudo, disparando os alarmes das casernas. Para os EUA, pouco importaria o cenário interno da política brasileira. O mais importante é o xadrez geopolítico mundial de combate à China...
Greenwald seria suspeito. Afinal, por trás do Intercept, está o bilionário franco-americano Pierre Omidyar, fundador do eBay e do grupo de mídia progressista First Look. Cujo principal veículo é o portal de notíciasIntercept. Considerado a “menina dos olhos” do bilionário gênio tecnolológico. Recluso e pouco dado a entrevistas, Omidyar fez um aporte de 250 milhões de dólares no portal em 2013 com o objetivo de fazer, segundo ele, um jornalismo “mais independente” do que o da concorrência.
Mas o fato é que Greenwald com o seu “Garganta Profunda” fizeram, finalmente, o Brasil se mover.
Na falta das ruas ocupadas com manifestações contundentes (ou, como fala o jornalista Mino Carta, “sangue escorrendo pelas calçadas”) que criassem o transe de um país ingovernável (semelhante ao ataque mortal que a guerra híbrida desferiu contra o governo Dilma), e com uma oposição que mais parece apostar no quanto pior melhor e na confortável "Síndrome de Brian" (clique aqui), foi necessário um jornalista norte-americano para por em movimento o xadrez político nacional.
Essa foi a questão que despertou o “demasiado humano” dos personagens que outrora pareciam confortavelmente paralisados. Por todos os lados, ou colocam sob suspeita o mensageiro, ou ansiosamente tentam criar teorias sobre a misteriosa fonte da equipe doIntercept.
Cada um tenta se realinhar, procurando encaixar a Vaza Jato na própria narrativa pessoal. Em termos nietzschianos, certificar-se de que o que tem diante de si possa reforçar a opinião que cada um tem de si mesmo.
Enquanto o mais importante é esquecido: a investigação coletiva – cruzar cada dado dos vazamentos com os fatos e contextos dos últimos anos.
domingo, junho 09, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Inspirado no "Livro Tibetano dos Mortos" (uma espécie de guia do mochileiro pós-morte na sua jornada de elevação da consciência espiritual), o filme “Bardo Blues” narra as desventuras de um protagonista no momento decisivo da quebra das ilusões dos padrões cármicos no qual o conteúdo da mente é projetado, tornando-se visível como um sonho. Um mochileiro vaga pelas ruas de uma cidade na Tailândia fugindo do passado e em busca da sua mãe que inexplicavelmente o abandonou na infância. “Bardo Blues” narra o despertar espiritual de alguém que busca consolo e entendimento na cultura Oriental. Porém, tudo que encontrará serão rupturas traumáticas que questionarão quem ele na verdade é, de onde veio e para onde está indo. Filme sugerido pelo nosso leitor Alexandre Von Keuken.
terça-feira, abril 16, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
No passado Renzo Nervi foi
um pintor bem-sucedido. Hoje, não consegue vender um único quadro. Amargo,
ressentido e à beira da indigência, ele recebe a ajuda de um amigo marchand
dedicado a lucrar com a arte alheia. Até que um inesperado acidente proporciona
a oportunidade inédita (e ilegal) de ganhar dinheiro em um mercado de arte onde
o luxo e o esnobismo concorre com o artifício e a mentira.No filme argentino “Minha
Obra-Prima” (“Mi Obra Maestra”, 2018) acompanhamos uma comédia farsesca de
humor negro que apresenta o destino da arte no mundo pós-moderno: a simulação -
simular o valor de uma obra como se fosse puramente artística, quando na
verdade é tão vazia quanto um suspiro. Não se trata mais, como no passado, de
dissimular a falsidade. Mas agora de simular qualquer vocação artística.
Theodor Adorno acreditava
que a arte continha a alteridade e a transcendência. Como obra do espírito, a
arte tendencialmente pretenderia ultrapassar a si mesma, criando uma tensão com
a sociedade e o próprio espírito – a negação do Todo, social, político,
econômico etc.
Como músico que era, além de
filósofo (Adorno tocava violino), via essa natureza transcendente da arte na
“Música Nova” – a música atonal de Schoenberg e o serialismo da nova música
erudita como alternativa à integração da cultura de massas e Indústria
Cultural.
Mas os tempos pós-modernos
do pós-guerra integraram toda qualquer pretensão de “alteridade” ou “tensão” da
arte: virou “intervenção” ou “performance” em exposições que se transformaram
em “instalações artísticas”. Artistas “incompreendidos” ou “rebeldes” passaram
a ter cotação no mercado, assessorados por “marchands” e donos de galerias de
arte.
Então, o que é arte? Qual a
diferença entre um quadro e um pôster publicitário? Ou entre a cópia e o
original, já que tudo é “commoditie”, reprodução, cópia? Filmes como Cópia Fiel (2010) ou Velvet Buzzsaw (2019) são exemplos
cinematográficos dessa desconstrução pós-moderna da arte, ao reduzi-la à
ilusão, simulação, artifício, mentira.
Por isso, nada melhor do que
assistir à comédia argentina farsesca e de humor negro Minha Obra-Prima (Mi Obra
Maestra, 2018) sobre Renzo Nervi (Luis Brandoni), um pintor que já foi
bem-sucedido nos anos 1980 em Buenos Aires, mas hoje não consegue vender um
único quadro. Porém, um inesperado acidente proporciona a oportunidade inédita
(e ilegal) de ganhar dinheiro em um mercado de arte onde o luxo e o esnobismo
concorre com o artifício e a mentira.
Minha Obra-Prima continua com a
visão ácida sobre os intelectuais argentinos do filme anterior (El Ciudadano Ilustre) da dupla de
diretores Gastón Duprat e Mariano Cohn: como a burguesia (e principalmente os
novos ricos em busca do verniz cultural) se movem em ambientes artísticos,
voltando a fazer uma dura crítica ao banal na vida cultural.
Mas há também algo
universal, sobre o destino da arte no mundo pós-moderno: como o processo de
valorização do objeto artístico é uma simulação e não uma dissimulação – não se
trata mais de falsificar uma obra assim como se imprime dinheiro falso. Mas
simular o valor de uma obra como se fosse puramente artística, quando na
verdade é tão vazia quanto um suspiro – resultado de um jogo de especulação,
ausente de escrúpulos ou qualquer de qualquer vocação artística.
O Filme
Arturo Silva (Guillermo
Francella) há décadas dedica-se a venda de obras de arte em sua galeria no
Centro de Buenos Aires. Seu único interesse é lucrar com a arte alheia.
Encantador e sempre com um discurso sedutor e persuasivo, desde vários anos mantém
uma amizade com Renzo Nervi (Luis Brandoni) que se encontra nos últimos anos da
sua vida – depois de uma carreira bem-sucedida, há anos não consegue vender uma
única obra.
Sua paixão pela arte acabou
resultando num estilo de vida prá lá de decadente: amargo, cínico, misantropo e
autoindulgente parece que conscientemente prepara sua própria ruína, com um
final a uma morte trágica parecida com os boêmios pintores impressionistas
parisienses.
Os egos, as mesquinhezas e
as misérias desses dois personagens os unem numa estranha amizade. Arturo tenta
impulsionar novamente a carreira de Renzo até que Arturo logra associar-se a
uma influente colecionadora de obras de arte internacional, Dudu (Andrea
Frigerio).
Conseguem para Renzo uma
encomenda para a confecção de um mural. Mas a autoindulgência e orgulho do
pintor decadente falam mais alto: ele jamais aceitou fazer qualquer tela sob
encomenda, como se sua arte fosse um mero produto. Mas estranhamente aceita,
para depois sabotá-la, como mais um ato de protesto autodestrutivo.
Renzo está à beira da
indigência, sustentado pelo seu único aluno, o espanhol Alex (Raúl Arévalo) – um
personagem contrastante, comparado ao cinismo de Renzo e do seu amigo Arturo.
Alex é idealista e admira a arte do autodestrutivo mentor.
“Argentina é um país singular” – Alerta de spoilers à frente
Tudo caminha para o desfecho
inevitável: a morte trágica – Renzo é atropelado por um caminhão depois de
displicentemente atravessar a rua, quase que pedindo para alguém abreviar seu
sofrimento. No hospital, sugere para seu amigo Arturo a eutanásia.
Mas Arturo acaba tendo uma
ideia muito melhor, seguindo seu instinto de especulador da arte alheia – por
que não simular a morte de Renzo? Afinal, Van Gogh só alcançou a fama e suas
obras o valor de milhões de dólares somente após a sua morte!
Com a ajuda da influência
internacional de Dudu, Arturo da um incrível impulso “pós-morte” para as obras
de Renzo – ganha exposições exclusivas em diversas capitais do mundo.
O marchand e o artista
decadente criam o golpe perfeito: Renzo vive isolado numa região remota,
produzindo cópias que emulam seu ápice criativo dos anos 1980. Tudo quadros
“descobertos” em casas de parentes. Enquanto xeiques novos ricos compram lotes
das suas obras a milhões de dólares.
Nível inédito de especulação
artística: na “pós-morte” Renzo faz cópias “falsas” de si mesmo. De um ápice
artístico do passado que só depois da própria morte passa a ter valor de
mercado.
Se no passado a questão da
arte era o confronto entre a cópia e o original artístico (a arte como um signo
que ainda gozava de uma referência ou legitimidade socialmente sancionada),
hoje o valor se desprende do campo da arte para entrar nas estratégias de
simulação – dizer que existe alguma coisa (a morte de um gênio), quando na
verdade só existe o vazio: o blefe.
A partir daí a narrativa
desdobra esse blefe a um nível que, a certa altura, Renzo afirma: “Argentina é
um país singular”.
A simulação como um blefe é
a própria essência da comédia farsesca. Mas a amizade de um marchand com o
artista é a própria definição do blefe pós-moderno na arte, como uma espécie de
“cinismo esclarecido”, termo cunhado pelo filósofo Peter Sloterdijk: o cínico integrado aos seus postos e privilégios (gerentes, executivos,
professores, jornalistas ou artistas) que mantêm um autodistanciamento irônico
e melancólico sobre o que fazem, um sentimento de “inocência perdida”, de
ironizar e depreciar a si mesmo e ao que faz (“é o que tem prá hoje”, dizem),
uma falsa consciência conformista e sem sonhos diante do sistema de onde tira
seus privilégios – leia SLOTERDIJK, Peter. Crítica
da Razão Cínica, Estação Liberdade, 2012.
É a amoralidade e o
pragmatismo de uma comédia farsesca, cujo gênero parece ser uma especialidade do cinema argentino.
Ficha Técnica
Título: Minha Obra-Prima
Diretor: Gastón
Duprat, Mariano Cohn
Roteiro: Andrés Duprat, Gastón Duprat
Elenco:Luis Brandoni, Guillermo Francella, Andrea
Frigerio, Raul Arévalo
segunda-feira, abril 01, 2019
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Principalmente a partir das manifestações de rua em 2013, a esquerda perdeu completamente o controle da sua agenda. Desde então, enquanto permaneceu no governo limitou-se a agir reativamente controlando danos. E fora do poder, limita-se a deixar o sangue subir à cabeça e reagir a cada provocação do clã Bolsonaro, aceitando entrar no jogo da guerra semiótica criptografada. Sem conseguir criar uma agenda própria. A recente foi a ordem de Bolsonaro para as casernas comemorarem o golpe militar de 1964 como uma “revolução popular” – escandalizada, esquerda vai às ruas como se quisesse salvar a própria biografia, enquanto o País marcha para “reformas”, uberização do trabalho e extermínio do futuro de uma geração inteira. O linguista Noam Chomsky diria que a oposição está caindo na primeira tática de manipulação: a Distração. Para depois, por em prática as outras nove táticas de criação de falsos consensos na opinião pública.
Cinegnose participa do programa Poros da Comunicação na FAPCOM
Este humilde blogueiro participou da edição de número seis do programa “Poros da Comunicação” no canal do YouTube TV FAPCOM, cujo tema foi “Tecnologia e o Sagrado: um novo obscurantismo?
A Semiótica da Matrix - entrevista do Cinegnose ao Conacine
Prof. Wilson Ferreira, editor do blog "Cinema Secreto: Cinegnose" fala como a semiótica pode ajudar a analisar o filme Matrix e a atual matrix tecnológica
Palestra Cinegnose na FATEC
Esse humilde blogueiro participou da 9a. Fatecnologia na Faculdade de Tecnologia de São Caetano do Sul (SP) em 11/05 onde discutiu os seguintes temas: cinema gnóstico; Gnosticismo nas ciências e nos jogos digitais; As mito-narrativas gnósticas e as transformações da Jornada do Herói nas HQs e no Cinema; As semióticas das narrativas como ferramentas de produção de roteiros.
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Coleção Curtas da Semana
Lista semanalmente atualizada com curtas que celebram o Gnóstico, o Estranho e o Surreal
O filme “Nós” (Us, 2019) de Jordan Peele (“Corra!”) é um complexo de mitologias (milenares e modernas) e crítica social. Para começar, o ...
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Bem Vindo
"Cinema Secreto: Cinegnose" é um Blog dedicado à divulgação e discussões sobre pesquisas e insights em torno das relações entre Gnosticismo, Sincromisticismo, Semiótica e Psicanálise com Cinema e cultura pop.
A lista atualizada dos filmes gnósticos do Blog
No Oitavo Aniversário o Cinegnose atualiza lista com 101 filmes: CosmoGnósticos, PsicoGnósticos, TecnoGnósticos, AstroGnósticos e CronoGnósticos.
Esse humilde blogueiro participou do Hangout Gnóstico da Sociedade Gnóstica Internacional de Curitiba (PR) em 03/03 desse ano onde pude descrever a trajetória do blog "Cinema Secreto: Cinegnose" e a sua contribuição no campo da pesquisa das conexões entre Cinema e Gnosticismo.
Mestre em Comunição Contemporânea (Análises em Imagem e Som) pela Universidade Anhembi Morumbi.Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA/USP. Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi nas áreas de Estudos da Semiótica e Comunicação Visual. Pesquisador e escritor, autor de verbetes no "Dicionário de Comunicação" pela editora Paulus, organizado pelo Prof. Dr. Ciro Marcondes Filho e dos livros "O Caos Semiótico" e "Cinegnose" pela Editora Livrus.
Neste trabalho analiso a produção cinematográfica norte-americana (1995 a 2005) onde é marcante a recorrência de elementos temáticos inspirados nas narrativas míticas do Gnosticismo.>>> Leia mais>>>
"O Caos Semiótico"
Composto por seis capítulos, o livro é estruturado em duas partes distintas: a primeira parte a “Psicanálise da Comunicação” e, a segunda, “Da Semiótica ao Pós-Moderno >>>>> Leia mais>>>