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quarta-feira, janeiro 29, 2020

Geração Millennial vivencia o terror do tempo em "Lake Artifact"


O plot “cabana na floresta” acabou se tornando um subgênero do terror: jovens vão para um lugar remoto em busca de festa e bebedeiras. E lá encontram demônios ancestrais ou serial killers. Mas isso está mudando por uma marca geracional dos millennials: a convivência com a rápida evolução tecnológica digital – agora, nas cabanas e florestas jovens encontrarão anomalias temporais, paradoxos quânticos ou loops espaço-tempo, armadilhas que ameaçam a vida dos protagonistas. “Lake Artifact” (2019) é um exemplo: múltiplas linhas de tempo se encontram em uma região remota na floresta. O pesadelo é que cada decisão ou correção de curso daquele grupo de jovens pode criar novas linhas de tempo, novos loops e novas prisões temporais: ser o único sobrevivente é a condição para escapar dessa anomalia. O tema recorrente no cinema do tempo como ameaça é o sintoma de um conflito dessa geração: através de dispositivos móveis como smartphones estamos abandonando o espaço para vivermos no tempo através do ciberespaço. Filme sugerido pelo nosso leitor Alexandre Von Keuken.

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Ano 2019 é um Vortex Temporal? Como modular a atenção em tempos extremos, por Nelson Job

Este ano de 2019 aparece com recorrência no imaginário especulativo como um ano de "turning point". Parece ter sido privilegiado por obras do passado de cineastas, escritores e médiuns que o elegeram como um ano marcante. Os filmes “Blade Runner” e “O Sobrevivente”, o animê “Akira”, as previsões de Isaac Asimov e de Chico Xavier, todos fazem referência a este ano. Quais as razões disso? 2019 será, de fato, o trampolim de uma Nova Era, como astrólogos e esotéricos do mundo inteiro anunciam, ou será uma completa catástrofe? Podemos entender o ano de 2019 como uma espécie de vortex transtemporal? Forças dos acontecimentos anteriores e do futuro estariam de auto-organizando no tempoNeste artigo, investigaremos essas ocorrências e traçaremos um desdobramento delas.

sábado, julho 28, 2018

Filme "O Culto": e se nossas vidas forem gigantescas anomalias temporais?


Uma boa ideia, com um roteiro inteligente, um elenco forte são capazes de fazer filmes convincentes, mesmo com pouco dinheiro. O filme “O Culto” (The Endless, 2017) é mais um filme independente que comprova a capacidade inventiva de renovar subgêneros do horror e da ficção científica. Dessa vez a dupla de diretores Justin Benson e Aaron Moorhead (“Resolution”, 2012) faz um inteligente meta-horror em torna do tema das anomalias tempo-espaço. Dois irmãos (interpretados pelos próprios diretores), depois de terem fugido de uma suposta seita suicida em uma floresta montanhosa, decidem retornar depois de receberem um estranho vídeo. “O Culto” não se limita a fazer uma desconstrução do tema dos “paradoxos temporais” no cinema. Num insight gnóstico, estende esses paradoxos para a nossa realidade cotidiana: e se nossas próprias vidas já fossem gigantescos paradoxos tempo-espaço, que nos aprisionam nesse cosmos, obrigando-nos a repetir uma mesma narrativa indefinidamente? Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

quarta-feira, maio 03, 2017

Xamanismo, viagem no tempo e fenômenos quânticos em "Tiempo Muerto"


O filme argentino “Tiempo Muerto” (2016) é mais uma incursão do cinema atual no tema da viagem do tempo, mas por um viés bem particular – loops temporais e paradoxos como obstáculos para a “segunda chance” que possa alterar a linha do tempo. Inconformado com a morte da sua esposa, o protagonista contrata um “tempo morto” – um estranho ritual que envolve xamanismo, ocultismo e fenômenos quânticos. Tempo, psiquismo e memórias são contínuos que esbarram em um traço da natureza humana: a compulsão a repetição. Sem conseguirmos seguir em frente, ficamos neuroticamente fixados em experiências de prazer ou dor no passado, repetindo a cena do trauma. Quem sabe pensando que um dia o Titanic não afunde.

sábado, outubro 08, 2016

A armadilha quântica do tempo no filme "Arq"


Em um cenário distópico num mundo em crise energética e ambiental, um engenheiro cria uma máquina que produz energia ilimitada. Mas que também produz um efeito colateral imprevisto: o tempo ilimitado – um loop temporal que aprisiona todos os personagens em uma torsão tempo-espaço. Esse é a produção Netflix “Arq” (2016), um inteligente mix de “Feitiço do Tempo”, “Contra o Tempo” e “Efeito Borboleta”. Mas o moto-contínuo de “Arq” é muito mais do que uma máquina do tempo: os personagens são prisioneiros da própria “gravidade quântica” – o mesmo acontecimento repetido diversas vezes cria uma “nuvem” de possibilidades, assim como elétrons em torno do núcleo de um átomo. E somente a memória e “déjà-vus” poderão tirar os protagonistas dessa nuvem, fazendo emergir a seta do tempo nesse filme CronoGnóstico.

domingo, junho 12, 2016

Curta da Semana: "O Homem na Multidão" - Allan Poe se encontra com física quântica


O homem da multidão do conto de Edgar Allan Poe se encontra com o paradoxo quântico da famosa experiência do gato de Schrödinger de 1935. É o curta “O Homem na Multidão”, adaptação do conto original de Allan Poe feita pelo trio de alunos Aderbal Machado, Ricardo Vos e Vitória Silva. O curta foi o resultado do trabalho de conclusão da disciplina Estrutura de Roteiros ministrada por esse humilde blogueiro na Universidade Anhembi Morumbi no curso de Produção Editorial em Multimeios. Um curta enigmático e estranho, com uma pitada de Gnosticismo onde o encontro somente é possível no estado de consciência suspensa entre a vida e a morte.

segunda-feira, junho 06, 2016

Curta da Semana: "ZZZZZZZ" - sonhos e as múltiplas realidades quânticas


Um casal perambula pelas ruas na madrugada como fossem sonâmbulos. Mas aos poucos vão ganhando vida ao experimentar visões, sons e sensações. Durante o dia são solitários, mas nos sonhos se encontram e tentam enviar algum tipo de sinal para a “realidade”. Esse é curta “ZZZZZZZ” (2013) de Tarik Karam, com um argumento que se aproxima da discussão atual onde filósofos e psicólogos tentam aproximar a questão dos sonhos da hipótese da “Interpretação dos Muitos Mundos” (MWI) derivada da mecânica quântica: os sonhos seriam simulações contra-factuais de nossos homólogos em mundos alternativos? Cada evento nesse mundo poderia criar diversas ramificações possíveis e poderíamos estar sonhando com cada uma delas. Ou nós somos os sonhos de cada um desses mundos.

sábado, fevereiro 20, 2016

Mídia esconde dissidentes de Einstein na descoberta das ondas gravitacionais


O anúncio de que pela primeira vez cientistas detectaram ondas gravitacionais que passaram pela Terra originadas de uma fusão de dois buracos negros foi recebido pela grande mídia como “revolução na astronomia”,  “janela aberta para um novo Universo” e “confirmação das previsões da Relatividade Geral de Einstein”. Mas todo esse “hype” que leva a grife de Einstein (o ícone pop da genialidade) esconde uma crise na Física provocada pelos resultados de experiências com interferômetros que buscam ondas desde o século XIX: a disputa entre Éter versus Relatividade – de um lado os dissidentes de Einstein (Nikola Tesla, Dayton Miller etc.) que defendiam um Universo cujo espaço é preenchido pelo Éter (substrato pré-físico de onde se originaria toda energia); e do outro o modelo Newtoniano do vácuo e inércia, além de Einstein que substituiu a noção de Éter pelo continuum espaço-tempo. A descoberta dos cientistas do LIGO suscita a dúvida central dessa crise: como uma onda se propaga no vazio?

Pessoas de todo mundo comemoraram nesse mês o anúncio de cientistas do LIGO (Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory nos EUA) de que, pela primeira vez, foram diretamente detectadas ondas gravitacionais – ondulações no tecido do espaço-tempo previsto há 100 anos na Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein.

Em setembro do ano passado a dupla de detectores do observatório, localizados na Louisiana e Washington, gravaram uma fraca vibração que atravessou o planeta. As análises revelaram ser ondas gravitacionais originadas do encontro de dois buracos em movimento de espiral que se fundiram criando um cataclismo cósmico que deformou o espaço-tempo.

sábado, dezembro 26, 2015

Fenômenos quânticos revelam universos paralelos em colisão


A hipótese do “multiverso” (a ideia de que nosso Universo seria apenas um em um número infinito) não é uma novidade na Física e na Filosofia. Recentemente essa hipótese se associou à busca por físicos de uma “assinatura cósmica” que comprovasse que o Universo seria uma simulação computacional finita, aproximando ainda mais à Física da antiga mitologia gnóstica. Agora, um trio de físicos da Austrália e EUA publicou um artigo científico onde explora a possibilidade de universos paralelos estarem  colidindo entre si. E os estranhos comportamentos das partículas subatômicas revelado pela mecânica quântica nada mais seriam do que os interstícios desses mundos se encontrando. As implicação filosófica da pluralidade de mundos é evidentemente gnóstica. Mas, os físicos apontam para uma surpreendente aplicação dessa hipótese: o estudo da dinâmica molecular das reações químicas de drogas.

Existem universos alternativos? – mundos onde jamais os dinossauros foram extintos por algum asteroide que caiu na Terra ou onde a Austrália foi colonizada pelos portugueses ao invés dos ingleses.

sábado, dezembro 05, 2015

O sobrenatural pode ser digital?


Até aqui nos filmes de terror o Mal, fantasmas e maldições sempre se espalharam principalmente por meio de linhas telefônicas, monitores de TV e ondas de rádio. Isso sem falar das contaminações biológicas pelo sangue ou ar. Ou seja, o Outro Mundo sempre nos alcança no mundo cinematográfico através das tecnologias analógicas e meios físicos. O que dizer então de filmes recentes onde o sobrenatural manifesta-se através das tecnologias digitais como Internet e dispositivos móveis? É verossímil espíritos agirem através de sinais fragmentados e binários? Se os fenômenos ocultos, mágicos ou espirituais baseiam-se em um princípio de semelhança (o Outro Mundo precisa sempre de um meio físico ou contínuo para estabelecer uma ponte com o mundo físico), seria possível fantasmas ou forças espirituais manifestarem-se por meio das mídias digitais?

quinta-feira, outubro 15, 2015

Cinco evidências de que vivemos em uma simulação


Desde que o filósofo e matemático Nick Bostron sugeriu em 2003 que o universo poderia ser uma simulação produzida algum supercomputador quântico alienígena, físicos, matemáticos e astrofísicos vem procurando evidências  dessa hipótese. O “Cinegnose” vai resumir as atuais cinco principais evidências: O Princípio Antrópico e o Paradoxo de Fermi, Mecânica Quântica e Modelagem da Simulação, Universo Pixelado, Falhas na Matrix, Raios Cósmicos e a Grade da Simulação. Uma discussão à primeira vista delirante, mas que envolve lógica e números. E, claro, a inspiração do imaginário cinematográfico dos filmes gnósticos. Uma discussão que pode resultar em profundas consequências espirituais e religiosas nas nossas vidas.

domingo, agosto 02, 2015

Amor e paradoxos quânticos no filme "Em Algum Lugar do Passado"


Por que um filme tão odiado pela crítica especializada na sua época como “Em Algum Lugar do Passado” (Somewhere in Time, 1980) em pouco tempo tornou-se um novo clássico e um fenômeno cult? Diferente de outros filmes sobre viagem no tempo com forte ênfase social, “Em Algum Lugar do Passado” é uma tragédia amorosa, melodramática sob a trilha onipresente de Rachmaninoff. Porém, há algo mais pulsando por trás de camadas e camadas de romantismo hollywoodiano: o primeiro filme a aproximar o tema do amor aos paradoxos quânticos do tempo, assim como hoje fazem filmes como “Interestelar” de Nolan ou “Amantes Eternos” de Jarmusch.

sexta-feira, julho 03, 2015

Curta "Rabbit and Deer" atualiza a Alegoria da Caverna de Platão

O que aconteceria se indivíduos que vivem em um mundo plano e bidimensional acidentalmente descobrissem que existe um universo alternativo tridimensional, até então invisível para eles? Qual a reação deles ao descobrir que seu mundo plano não passa de um fino papel que esconde uma vasta realidade tridimensional? Essa é a proposta de um surpreendente curta de animação húngaro “Rabbit and Deer” (2013) com mais de 100 prêmios em festivais por todo o mundo. O curta faz uma releitura da Alegoria da Caverna de Platão por um ponto de vista dimensional – mais uma evidência de como cresce a sensibilidade gnóstica na indústria do entretenimento atual, desde que a Relatividade e a Mecânica Quântica atualizaram na ciência antigas mitologias gnósticas.

O leitor deve conhecer a Alegoria da Caverna de Platão, onde o filósofo descreve a situação em que a humanidade se encontra e a proposta de um caminho de salvação: a crença de que o mundo revelado pelos nossos sentidos não é o mundo real, mas apenas uma pálida cópia – a condição humana seria como a de prisioneiros acorrentados em uma caverna vendo sombras  projetadas na parede de objetos que passam diante de um fogo atrás deles. As sombras são tão próximas que passam a designar nomes para elas e toma-las como fossem a própria realidade.

Agora imagine essa alegoria por um ponto de vista dimensional: os homens acorrentados e as sombras pertenceriam a um mundo bidimensional, enquanto o fogo e os objetos que passam diante dele estão no plano tridimensional – mesmo que se virassem, seres da segunda dimensão seriam incapazes de verem o fogo ardente tridimensional. Platão dizia que o brilho do fogo os cegaria. Do ponto de vista dimensional, a tridimensionalidade simplesmente se tornaria invisível para esses seres planos prisioneiros das suas correntes em duas dimensões.

sábado, junho 20, 2015

Entrelaçamento quântico, moral e livre-arbítrio em "Frequencies"

Co-produção britânica e australiana, “Frequencies” (aka “OXV: The Manual, 2013) foi uma surpresa em festivais de Cinema Fantástico como o Fant 2014 de Bilbao. Embora parta da premissa da atual onda de filmes sci fi distópicos com adolescentes (amores impossíveis em mundos totalitários como em “Divergente”), o filme pretende ser um ambicioso ensaio metafísico sobre o problema da Moral e do Livre-arbítrio: quão livre nós somos em nosso querer agir? Em um mundo onde o conhecimento determina o destino, jovens tropeçam em uma descoberta: o Manual OXV baseado em uma “antiga tecnologia” onde palavras podem interferir nos padrões de frequências que criam entrelaçamentos quânticos entre as pessoas. Isso pode ser usado para o amor... mas também para o mal.

Uma história de amor impossível entre dois adolescentes que vivem em uma ordem social totalitária que impede a concretização dos seus sentimentos. Sintetizando dessa forma o filme Frequencies (aka OXV: The Manual), parece que estamos diante de mais um filme da atual onda de “distopias teens” como Divergente, Jogos Vorazes, Eu Sou o Número 4 etc.

Uma onda de filmes classificados pelo rótulo “ficção científica” pelos seus aspectos mais superficiais do gênero: futuros distópicos, efeitos especiais e alta tecnologia.

sexta-feira, maio 29, 2015

Pesquisadores da NASA e Oxford acreditam que Universo é um game de computador

Sempre ouvimos dizer que “a vida é um jogo”. Mas e se essa frase for mais do que uma metáfora e nesse exato momento estivermos todos nós vivendo em um jogo desenhado por alguém que está em algum ponto num futuro distante? Tão velha quanto a história humana, a ideia gnóstica de que a realidade é uma ilusão retorna através das leis da Inteligência Artificial e a evolução dos games de computador: Nick Bostrom, da Universidade de Oxford, e Richard Terrile, da NASA, apontam para evidências de que o Universo seria uma gigantesca simulação de um game de computador cósmico e que o salto qualitativo na capacidade dos nossos computadores nos permitiria repetir a experiência da simulação de mundos, assim como o nosso. Tal hipótese explicaria inconsistências e mistérios que cercam o nosso cosmos, como, por exemplo, a natureza da “matéria escura”. Ciência e gnosticismo mais uma vez se encontram, dessa vez no fascínio atual pelos games de computador. Pauta sugerida pelo nosso leitor André De Paula Eduardo.

De acordo com as teorias de dois pesquisadores também distantes no tempo e espaço, um acadêmico de Oxford (Inglaterra) e um cientista da NASA (EUA), haveria uma certeza matemática que estamos imersos em uma simulação intrincada criada por seres (aliens ou mesmo seres humanos) que existem em algum lugar distante no futuro a partir de 30 anos até cinco milhões de anos. Seríamos como um passa-tempo desses futuros seres, a sua versão de um roler-playing como um World of Warcraft.

Uma ideia alucinante com o velho toque da cosmologia gnóstica da antiguidade (o homem como prisioneiro em um cosmos criado por um demiurgo enlouquecido que se diz Deus), mas em suas defesas esses pesquisadores argumentam que a hipótese não é mais rebuscada do que acreditarmos na religião que nos diz que Deus criou as terras e os céu. Ou de que tudo surgiu de uma enorme explosão que começou a esticar o tecido do espaço como um balão, formando trilhões de galáxias e, por pura sorte, surgiu o ser humano, como nos informa a teoria do Big Bang.

sábado, maio 16, 2015

Série "El Ministerio del Tiempo" vai na contramão do tempo-espaço da era global

Desde “O Exterminador do Futuro” (1984) e “De Volta ao Futuro” (1985), as representações do tempo mudaram no cinema e audiovisual: o Tempo tornou-se mutante e aleatório como um hipertexto. Mas curiosamente, a série da TVE (a tevê pública espanhola) “El Ministerio Del Tiempo” (2015) vai na contramão desse imaginário sobre o tempo-espaço que caracteriza a atual era das tecnologias digitais e Globalização: ao contrário, a série de ficção-científica mostra o Tempo como um fenômeno unidirecional e imutável onde um ministério secreto do governo protege misteriosas portas do tempo de possíveis oportunistas que tentem alterar o passado em seu próprio benefício. Se o cinema é um documento do imaginário de cada época, a série espanhola parece apontar para uma reação contra o paradigma tempo-espaço que sustenta a financeirização e a Globalização. Mergulhada em uma crise econômica desde o fim da estabilidade da Zona do Euro, a Espanha nos oferece uma série que quer se apegar ao nacionalismo e à sua História como resposta à crise global.

                O leitor deve conhecer o mais famoso quadro do pintor espanhol Valazquez, Las Meninas de 1656 – composição enigmática que sugere um quadro dentro de um quadro, criando uma relação incerta entre observador e a obra. Quem é a figura no fundo atravessando um corredor que observamos através de uma porta aberta? O neto do pintor, Dom José Nieto Velazquez? Não, provavelmente algum viajante do Tempo de passagem que parou para observar a cena.

É o que sugere a série produzida pela tevê pública espanhola (TVE) Lo Ministerio Del Tiempo em uma rápida sequência onde é apresentado ao protagonista o maior segredo guardado pelo governo espanhol: portas e corredores do tempo existentes em um subterrâneo na cidade de Madrid – segredo de um rabino na Idade Média que, em troca de não ser expulso revelou o segredo para reis católicos. Uma rede de portas de origem misteriosa que se conecta com o passado dos reinos espanhóis.

terça-feira, fevereiro 03, 2015

A mecânica quântica nas relações humanas no filme "Coherence"


Em uma noite amigos se reúnem para um jantar regado a vinho. Um cometa cruza o céu. O físico austríaco Schrödinger em 1935 imaginou a famosa experiência do gato preso em uma caixa para ilustrar os paradoxos da mecânica quântica. O filme "indie" “Coherence” (2013) junta esses três elementos para criar um dos mais inventivos roteiros dos últimos anos. Complexos conceitos da física quântica como “sobreposição”, “entrelaçamento” e “decoerência” são transferidos do mundo subatômico para as tensões das relações humanas. E se todos naquele noite estiverem na mesma situação angustiante do gato de Schrödinger? Mas também pode ser a oportunidade de realizar o sonho da segunda chance e corrigir as escolhas erradas de uma vida.

domingo, novembro 23, 2014

Amor e entrelaçamento quântico no filme "Interestelar"

Depois de desafiar os espectadores com desconstruções narrativas como “Amnésia” e articular sucessivas camadas de mundos oníricos em “A Origem”, agora Christopher Nolan em “Interestelar” (Interstellar, 2014) nos desafia com os paradoxos da mecânica quântica e relatividade.  Aqui não há mais heróis tentando salvar a Terra, mas pessoas que se sacrificam na procura de um caminho para a humanidade abandonar um planeta agonizante. E a única saída será através de buracos negros e “buracos de minhoca” cósmicos. Porém, as equações falham em tentar conciliar a dimensão quântica e a relatividade. Qual a solução proposta por Nolan? Amor e Comunicação, os únicos elementos que atravessam os diferentes espaços-tempos e que resolveriam o enigma do chamado “entrelaçamento quântico”. Tudo com muitas alusões gnósticas e religiosas, criando uma poderosa atmosfera mística.

John Smith trabalha como projetista em um cinema nos EUA. John fez um curioso relato no início desse mês: ao receber a cópia do filme Interestelar percebeu que ela veio embrulhada e rotulada como “Flora’s Letter” – The Hollywood Reporter, 22/10/2014.

Já é bem conhecida essa estratégia onde os filmes são distribuídos ou mesmo produzidos com títulos falsos a fim de dificultar a pirataria ou roubo.

Mas também é conhecido que muitos produtores não resistem à tentação de deixar nesses falsos rótulos pistas inteligentes e sugestões. É o exemplo de filmes anteriores de Nolan que foram distribuídos dessa maneira, com intrigantes pistas: “Backbreaker” para o filme Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) e “Be Kind, Rewind” para Amnésia (Memento, 2000).

quarta-feira, abril 09, 2014

Parapolítica: o Umbral 70 anos depois

Pretos velhos, índios tupinambás e caboclos falando em mecânica quântica, nanotecnologia espiritual, clonagens astrais e denunciando a manipulação dessas tecnologias em sofisticados laboratórios comandados por cientistas emigrados da Terra desde a Segunda Guerra Mundial, com sombrios propósitos de influência nos bastidores da política terrestre. Esse é o Umbral (região espiritual limítrofe ao planeta) 70 anos depois das descrições feitas por André Luiz na série clássica espírita “Nosso Lar”. Quem revela isso é o espírito Ângelo Inácio através da obra do médium mineiro Robson Pinheiro. Lá como cá, tecnologias eletrônicas e digitais são usadas como recursos de engenharia para manipular climas de opinião e atingir “endereços vibratórios” (ou “receptores” como fala a Teoria da Comunicação). É a “parapolítica”, nova abordagem interdisciplinar (ou interdimensional) dos fenômenos da Política e Comunicação.

A certa altura do programa Roda Viva da TV Cultura/SP a jornalista da Folha de São Paulo Eliane Cantanhêde interpelou o entrevistado Almino Afonso (ministro da pasta do trabalho no governo João Goulart – 1962-64) a dar os nomes daqueles que traíram Jango dentro da base político-parlamentar, fragilizando-o diante da eminência do golpe militar. “A maioria deles... eu enfrentaria problemas terríveis em um plano que não sei absolutamente conviver, um plano de outra dimensão da vida (ele fala gesticulando as mãos para o alto)... é muito complicado, e eles quase todos estão mortos... imagina quantos no conjunto já morreram. Sou um dos raríssimos ministros que ainda está vivo”, responde Almino Afonso recusando a dar “nomes aos bois” como se referiu a jornalista.

Curiosa resposta que passou despercebida na entrevista, demonstrando não apenas o caráter moral (se nega a delatar pessoas que já não estão entre nós) como também um misto de respeito e temor sobre “a outra dimensão da vida” e “problemas terríveis” que isso poderia lhe custar – poderíamos especular que o seu temor estaria além da punição moral, mas o temor de os seus inimigos estarem à espera dele na “outra dimensão da vida”. Partindo de um político, um tipo de pessoa marcada pela índole pragmática e com interesses bem terrenos, é uma declaração a princípio surpreendente. Mas será mesmo?

sexta-feira, julho 05, 2013

Um espiritualismo eletromagnético no filme "Accumulator 1"


A engraçada ficção científica checa “Accumulator 1” (1994) se associa a uma longa tradição cinematográfica de representações da TV e do controle remoto como veículos de disseminação do Mal, portais multidimensionais ou como meio de conexão com mundos espirituais e virtuais que podemos ver em filmes como “Poltergeist”, “Videodrome” ou “Click”. Por trás desse imaginário estaria o fascínio pelos fenômenos eletromagnéticos que, desde a sua descoberta, sempre estiveram associados ao oculto e ao espiritualismo. Em “Accumulator 1”, por exemplo, a TV é um dispositivo que drena energias vitais dos espectadores que vão animar um universo alternativo espelhado.

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