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domingo, setembro 22, 2019

Curta da Semana: "Rust in Peace" - perto de Deus, rejeitado por Ele

Um robô velho e enferrujado desperta em um depósito de ferro-velho. Ele se levanta e vai em direção a um deserto para dar início a sua caminhada solitária em busca do seu criador. O curta metragem “Rust in Peace” (2018) adiciona um novo ângulo ao tema clássico das relações disfuncionais entre criador e criatura. Robôs, androides ou replicantes são revivals modernos do impulso humano da “teurgia”: tentar aproximar-se de Deus ao criar vida, assim como a Alquimia e a Cabala idealizavam seres como o “Homúnculo” e o “Golem”. Mas desde Frankenstein de Mary Shelley, o homem decepcionou-se com o seu criador, ao descobrir que, na verdade, ele é um Demiurgo que nos rejeita. Assim como o pobre robô de “Rust in Peace” descobrirá na sua jornada solitária: ele revive a própria condição humana gnóstica.

terça-feira, janeiro 08, 2019

Os dez melhores filmes gnósticos analisados pelo Cinegnose em 2018


Desde 1995, com o filme “Dead Man” com Johnny Deep, a mitologia gnóstica começa a interessar roteiristas e produtores hollywoodianos, trazendo à cena da indústria do entretenimento o “Gnosticismo Pop”- Gnosticismo: conjunto de seitas sincréticas de religiões iniciatórias e escolas de conhecimento do início da Era Cristã, séculos III e IV, que apresentavam uma visão mística de Cristo. Por isso, nunca fizeram parte da cultura sancionada pelas instituições, sempre se mantendo em canais subterrâneos ao longo da História. Até o final do século XX. Dando continuidade às análises da presença de narrativas, argumentos e elementos da mitologia gnóstica, o “Cinegnose” apresenta a lista dos dez melhores filmes gnósticos resenhados pelo blog em 2018. Filmes AstroGnósticos, PsicoGnósticos, CronoGnósticos, CosmoGnósticos e TecnoGnósticos.

sexta-feira, novembro 16, 2018

Gnosticismo e magia abrem estranhos portais em "A Dark Song"


Algumas vezes não é a casa que está assombrada, mas as pessoas dentro dela. Inspirado num “grimório”, uma coleção medieval de feitiços, rituais e encantamentos mágicos cabalísticos chamado “O Livro de Abramelin” (escrito entre os séculos XIV e XV), A Dark Song (2016) é um conto sobre a aceitação da perda e da morte. Duas pessoas em uma remota casa no interior do País de Gales ficarão trancados por meses executando um intrincado ritual que os forçará aos limites físicos e psicológicos. Ambos lidando com o luto – a perda de um filho e a perda do interesse na própria vida. Um ritual gnóstico e herético: não se trata de lidar com o divino, mas abrir portais para alguém ou algo totalmente desconhecido que pode ser reflexo de nós mesmos ou de estranhas entidades. E sabermos reconhecer que, sejam “bons” ou “maus”, todos não são filho de Deus, mas prisioneiros de uma mesma Criação. Filme sugerido (insistentemente...) pelo nosso leitor Felipe Resende.

domingo, setembro 16, 2018

A tecnologia deixou de ser uma extensão humana em "Upgrade"


A crítica vem definindo a produção australiana “Upgrade” (2018) como alguma coisa entre a série britânica “Black Mirror” e o clássico “Robocop” de 1987: em um futuro próximo, um tecnofóbico (alguém que sempre gostou de “fazer as coisas com as próprias mãos”) tem sua vida virada de ponta cabeça ao ficar tetraplégico e receber o implante de um chip de computador que o fará andar novamente, porém com algumas “atualizações”. Tudo que deseja agora é vingança contra os assassinos de sua esposa, quando descobre estar em um plot conspiratório envolvendo algum tipo de espionagem industrial. “Upgrade” é um filme que revela o atual imaginário que anima o desenvolvimento computacional – Inteligência Artificial e Singularidade, o momento em que a tecnologia deixa de ser a extensão do corpo humano para se tornar sua própria negação.

segunda-feira, julho 23, 2018

Na série "Strange Angel" a ciência dos foguetes se confunde com o Ocultismo


Seu nome foi proscrito da história da Ciência. Embora suas descobertas tenham sido uma das bases das viagens espaciais e de ser co-fundador do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, seu nome também foi riscado da história da agência espacial. Ele é Jack Parsons (1914-1952), jovem projetista de foguetes e químico, criador dos combustíveis sólidos. Mas viveu em um fina linha que separa a genialidade da loucura: de dia exercia a ciência experimental. E à noite era o líder da O.T.O (Ordo Templi Orientis) da Califórnia, organização ocultista dominada por Aleister Crowley. Até o momento em que Ciência e Ocultismo se misturaram a tal ponto em que para ele a tecnologia dos foguetes era não apenas uma forma do homem chegar ao espaço. Mas também a oportunidade para abrir portais para seres extradimensionais. A série “Strange Angel” (2018-) produzido pela rede CBS dos EUA pretende mergulhar na vida desse controverso cientista que, ironicamente, possui uma cratera no lado oculto da Lua batizada com o seu nome.

quinta-feira, julho 12, 2018

Frankenstein, Inteligência Artificial e pós-feminismo em "Desejos Virtuais"


Esse é outro filme para cinéfilos que adoram se aventurar por filmes estranhos. Dessa vez, para aqueles que acreditam que por trás do senso de humor trash de filmes que aparentemente não se levam à sério há importantes temas para serem discutidos. “Desejos Virtuais” (“Teknolust”, 2002) é um filme que reflete todo o ciber-imaginário pós-humanista (com motivações místicas) e do velho conceito de Inteligência Artificial (que ainda tentava emular a inteligência humana) por trás da antiga Web 1.0. Uma bio-geneticista clona seu próprio DNA em três mulheres “Autômatos Auto Replicantes” (SARs) que habitam um site da Internet. Porém, necessitam de constantes quantidades de cromossomo Y presente no sêmen humano. Uma delas deve se aventurar no mundo real para, através de sexo casual em bares locais, obter preservativos usados que servirão de sachês que serão consumidos pelas SARs. Frankenstein de Mary Sheeley se encontra com o psicodelismo de Timothy Leary e o pós-feminismo de Camile Paglia. 

sexta-feira, julho 06, 2018

O pesadelo tecnognóstico na série "Altered Carbon"


O sonho tecnognóstico por séculos, desde a Teurgia e Alquimia, foi transcender a matéria – abandonar os nossos corpos como condição para a verdadeira evolução espiritual. Mas como Santo Irineu de Lyon alertou no século II, “O que não é assumido não pode ser redimido”. E o sonho milenar pode se transformar em pesadelo com uma tecnologia que promete a imortalidade: a consciência digitalizada em “pilhas cervicais” que podem, a qualquer momento, serem transferidas para qualquer corpo (ou “capa”). Mas isso acabou provocando uma sociedade tremendamente desigual e violenta. Essa é a série Netflix “Altered Carbon” (2018-), um cyberpunk-noir que suscita profundas reflexões teológicas: se pudermos ser ressuscitados após a morte em uma nova “capa”, a alma persistirá entre os códigos que transcreveram nossa consciência e memórias? Ou nos transformaremos em “capas” ocas manipuladas por uma elite amoral? Uma elite que alcançou a verdadeira imortalidade – fazer backups da própria consciência via satélite.

sábado, abril 28, 2018

Cinegnose discute "bolhas virtuais" e obscurantismo no "Poros da Comunicação"


Por que a Internet deixou de ser uma janela aberta para o mundo para se converter numa bolha virtual dentro da qual cada um de nós vive uma realidade simulada? Por que os algoritmos que animam essa bolhas parecem conhecer mais de nós que nós mesmos? E de que forma a motivação mística tecnognóstica anima esse cenário tecnológico, ameaçando criar novas formas de obscurantismo? Essas foram as interrogações que esse humilde blogueiro levou para o sexto programa “Poros da Comunicação”, transmitido ao vivo pela TV FAPCOM na última quinta-feira (26)  com o tema “Tecnologias e o Sagrado: um Novo Obscurantismo?”. Assista à gravação do debate aqui no “Cinegnose”.

quarta-feira, abril 25, 2018

Editor do "Cinegnose" participa de debate sobre tecnologias, sagrado e obscurantismo


Nessa quinta-feira (26/04) esse humilde blogueiro participará de debate transmitido ao vivo pela TV FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação cujo tema é “Tecnologias e o Sagrado: um novo obscurantismo? A transmissão ocorrerá pelo canal do YouTube da TV FAPCOM e terá início às 14h – clique aqui para acessar o canal da TV FAPCOM.

Também participarão do debate os professores e pesquisadores Ciro Marcondes Filho (mediador, ECA/USP/FiloCom), Carlos Eduardo de Souza Aguiar (FAPCOM), Marcella Faria (FAPCOM) e Jorge Miklos (PUC/SP).

Como os leitores mais antigos do Cinegnose devem saber, este humilde blogueiro levará as reflexões em torno dos conceitos desenvolvidos aqui como Tecnognosticismo (o “pós-humano”) e Cartografias e Topografias da Mente – o esforço multidisciplinar envolvendo as neurociências, ciências cognitivas, Cibernética, Inteligência Artificial e Teoria da Informação para, além de desvendar o funcionamento da mente, também procurar um modelo de simulação que permita não só compreender a dinâmica dos processos mentais e da consciência, mas, principalmente, manipulá-la e controlá-la.

Além disso, compreender as motivações místicas ou religiosas por trás dessa nova forma de engenharia social – a religião do Vale do Silício (a “religião das máquinas”, a que se refere o cientista computacional Jaron Lanier), teurgia, alquimia e cabala.

Poderiam essas motivações políticas e imaginárias por trás das tecnologias atuais uma nova forma de obscurantismo? A racionalidade caindo sob o encanto do mito?



O Programa “Poros da Comunicação” (sempre transmitido ao vivo pelo YouTube, agora na sexta edição) é uma parceria da FAPCOM com o FiloCom, que é um núcleo de estudos filosóficos da comunicação da ECA/USP. Foi Fundado em 2000 com o objetivo de realizar pesquisas, encontros e publicações relativas ao modo filosófico de entender os fenômenos da comunicação.

A FiloCom tem vínculo internacional com pesquisadores brasileiros e estrangeiros na Europa e EUA.

Link para a TV FAPCOM: https://www.youtube.com/user/faculdadepaulus

domingo, outubro 08, 2017

Em "Mãe!" o conflito cósmico no psiquismo de cada um de nós


Com “Mãe!” (Mother!, 2017), o diretor Darren Aronofsky (“Pi”, “Fonte da Vida” e “Noé”) confundiu crítica e público: enquanto os distribuidores classificavam o filme como “terror” ou “mistério” para o público, os críticos tentam entendê-lo como alguma coisa entre Polanski e De Palma. Mais uma vez, o diretor desafia a todos com sua hermética simbologia herética e gnóstica com incursões pela mitologia judaica, cabalística e cristã. A novidade é que “Mãe!” alcança o nível mais alto de abstração da carreira cinematográfica de Aronofsky ao transformar um casarão em metáfora do centro do conflito da Cosmologia gnóstica: a tensão entre Sophia (o Feminino Divino) e o Demiurgo (a divindade inferior com os seus agentes, os Arcontes). Conflito que acompanha o mundo desde a sua Queda, Criação, Destruição e Recomeço. E o mistério que envolve os moradores daquele casarão (um poeta e sua esposa) como a parábola de como essa tensão cósmica se reflete no psiquismo de cada um de nós.

domingo, junho 11, 2017

Os deuses estão mortos e as mulheres empoderadas em "Alien: Covenant"



Como sempre, um filme da franquia "Alien" se promove colocando em destaque a figura do monstruoso predador xenomorfo. Mas em “Alien: Covenant”(2017) o monstro é apenas uma isca para atrair o sadismo do público. No filme a figura do predador foi colocada em segundo plano para o diretor Ridley Scott fazer um acerto de contas com a mitologia que começou com “Alien” de 1979 através da figura do androide David. Assim como em “Blade Runner” com o replicante Roy, David rouba a cena simbolizando o nosso fascínio por frankensteins e golens. Mas também terror: e se a criatura ganhar inteligência e alma e também nos considerar como deuses e tentar fazer, da mesma maneira, o caminho de retorno aos seus criadores? E se ele se decepcionar conosco, assim como nós que matamos nossos próprios deuses? Ao mesmo tempo, as recorrentes mulheres empoderadas de Scott (Ripley, Shaw e, agora, Daniels) tomam as rédeas de uma ordem masculina amoral e decadente, ironicamente derrotada por um predador que mais parece um símbolo fálico hiperbólico. E o pano de fundo preferido de Scott: um Universo sem propósito ou sentido que observa a tudo indiferente.

sábado, maio 13, 2017

Startup britânica promete construir a verdadeira Matrix


Uma startup britânica chamada Improbable pretende criar a verdadeira Matrix: uma simulação em larga escala do mundo real. E o ponto de partida já existe – a plataforma SpatialOS e o jogo de computador Worlds Adrift, ainda restrito a acadêmicos e cientistas. O aporte de milhões de dólares na startup por empresas de capital de risco, além do interesse militar e indústria de entretenimento pelo projeto revelam evidentes aplicações nas áreas estratégica, bélica e engenharia social: construir mundo virtuais para simular o surgimento de extremismos violentos nas populações e comportamentos econômicos. Mas a iniciativa dos co-fundadores Herman Nerula e Rob Whitehead é também uma evidência da motivação místico-religiosa que possui atualmente o Vale do Silício: Tecnognosticismo, imortalidade e a crença de que já vivemos em uma gigantesca simulação. O game Worlds Adrift seria mais um exemplo de como a ciência experimental se encontra com a prática religiosa: a Teurgia.

terça-feira, maio 02, 2017

Em "Almas à Venda" a chave do sucesso é a perda da alma


Com ironia e com humor negro, "Almas à Venda" (Cold Souls, 2009), tematiza criticamente como o mundo dos negócios (management + tecnologias do espírito) invade nossa última morada que ainda tenta resistir: a alma. No mundo atual dominado pelo paradigma da financeirização na qual qualquer coisa (ações, títulos, carros, pessoas, sentimentos e até a alma) tem que ser submetida aos princípios da liquidez e mercantilização totais, um homem descobre a chave do sucesso: o "Armazém de Almas" - clínica especializada em estocar a sua alma para substituir por outra de um doador anônimo, mais bem sucedido. Mas o protagonista descobre algo mais: quando estamos vazios e sem alma conseguimos ser mais bem sucedidos profissionalmente.

quarta-feira, dezembro 14, 2016

"Elle Brasil" une Cabala e Tecnognosticismo com modelo robô


Na edição de dezembro a revista de moda “Elle Brasil” figurou na capa a robô Sophia, um dos projetos de inteligência artificial mais avançados do mundo. Clicada pelo fotografo Bob Wolfeson, a ideia do editorial era apontar versões para o futuro da indústria da moda. Mas um robô vestindo roupas vitorianas nada mais fez do que revelar as arquetípicas e milenares origens da Moda, Estilismo e manequins na longa tradição esotérica e hermética da Teurgia, Alquimia e a Cabala Extática – uma longa e secreta história de seres artificiais mágicos como homúnculos, golens e frankensteins. Até chegar aos atuais manequins das vitrinas de shoppings e modelos vivos das passarelas – seres ainda “não formados”, à espera do “espírito” (o Estilo) que lhes dê vida. Assim como o código binário que dá "vida" à robô Sophia. A atual agenda tecnognóstica se encontra com a Moda.  Pauta sugerida pelo nosso leitor Nelson Job.

terça-feira, junho 28, 2016

Cinegnose discute no Rio formas do Cinema escapar da caverna de Platão


O cinema é um dispositivo que descende diretamente o Mito da Caverna de Platão. Partilha da construção da irrealidade do mundo, mas também pode ser uma porta da saída dessa caverna por meio da criação do “acontecimento comunicacional” que induza a estados iluminados ou alterados de consciência. E que, por fim, favoreça a “gnose”. Essa foi a conclusão final da jornada que esse humilde blogueiro participou ministrando palestra e workshop no Rio de Janeiro nessa última sexta e sábado. Realizados na Casa da Ciência da UFRJ e na livraria Estação das Letras, e organizados pelo Coletivo Transaberes, tive a oportunidade de apresentar um amplo painel dos diversos renascimentos do Gnosticismo nas ciências, artes e literatura, até o momento atual do Gnosticismo Pop hollywoodiano. É mais uma forma de aumentar o véu da ilusão, mas também abre fissuras por onde podemos escapar.

sexta-feira, abril 08, 2016

"Samorost 3": gnosticismo em um jogo eletrônico, por Claudio Siqueira


Vamos falar de um game saído do forno há poucos dias. Oriunda da República Checa, a equipe Amanita Design brindou o mundo com seus Point-and-Click Games no estilo Adventure, divulgando produtos e serviços através de um processo conhecido como “Gameficação”, utilizando-se da ferramenta para fins de publicidade. Como não poderia deixar de ser, o game é repleto de influências gnósticas embora os próprios criadores talvez não se deem conta disso. Prova de que o Inconsciente Coletivo reverbera em toda a esfera terrestre.

sábado, novembro 28, 2015

"The Zohar Secret" revela o misticismo no cinema russo atual


O auge do Império Romano coincidiu com o surgimento dos textos mais enigmáticos da humanidade, como o “Zohar” que é a própria mística da Cabala. Se os seu conteúdo fosse revelado poderia provocar a queda do próprio Império. Mas o roubo dos pergaminhos por um legionário romano marcará o destino da História do Ocidente e da vida desse soldado que ficará prisioneiro em uma cilada Tempo-Espaço por sucessivas reencarnações até os tempos atuais. Esse é o filme “The Zohar Secret” (2015), mais uma recente produção russa onde está presente o tema do misticismo gnóstico. Seria o misticismo russo uma forma de reação à invasão do Marketing e da Publicidade na Rússia pós-comunismo? Uma reação contra mais um império, assim como os textos místicos judaicos e gnósticos enfrentaram o Império Romano no passado? Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

Cinco anos de arrecadação de recursos por crowndfounding através da plataforma Kickstarter (site de financiamento coletivo que busca apoiar projetos inovadores), envolvendo 1.300 pessoas de 54 países conseguiram levantar algo em torno de 10 milhões de dólares entre dinheiro e equipamentos.

quarta-feira, setembro 17, 2014

A Química transforma-se em Alquimia na série "Breaking Bad"



Após cinco temporadas, a premiada série televisiva de dramas, crimes e thriller “Breaking Bad” (2008-2013) ingressou na lista de filmes de diversos gêneros que exploram simbologias alquímicas de transformação como “Blue Velvet” de David Lynch ou “Beleza Americana” de Sam Mendes. Narrativas que exploram as possibilidades de transformações íntimas em nossas vidas através de elementos que tradicionalmente tomamos como negativos: caos, trevas e morte. Um professor de Química confronta a morte, o câncer e um vida fracassada por meio de uma jornada radical de redenção no submundo do narcotráfico. A metanfetamina azul se transforma na série em simbologia alquímica ao mesmo tempo de redenção espiritual e destruição de um mundo de aparências. Por isso, “Breaking Bad” também foi um “experimento sociológico”, segundo seu criador Vince Gilligan.

segunda-feira, abril 28, 2014

A Serpente do Paraíso rouba a cena no filme "Noé"

No livro bíblico do Gênesis, a história da arca de Noé tem apenas três páginas. Conhecendo o senso hollywoodiano de espetáculo e a inclinação de Darren Aronofsky em explorar complexas simbologias místicas e esotéricas, era de se esperar que o filme “Noé” (Noah, 2014) não fosse um thriller bíblico nos moldes de “Os Dez Mandamentos”. Pelo contrário, Aronofsky subverte o famoso personagem bíblico através de uma releitura gnóstica e cabalística. O diretor não só abandonou a Bíblia como transformou a Serpente do Jardim do Éden no personagem principal, trazendo para as telas a antiga versão gnóstica do mito do Paraíso, sob uma embalagem atual política e ecologicamente correta.

Quem conhece a obra do cineasta Darren Aronofsky, sabe que se pode esperar de seus filmes profundos simbolismos místicos e esotéricos. Foi assim em filmes como Pi (um thriller cabalístico onde um gênio matemático procura uma constante numérica universal), Cisne Negro (fábula gnóstica sobre a exploração da luz interior humana por um demiurgo representado pelas exigências mercadológicas de uma companhia de balé) e Fonte da Vida (uma jornada de elevação espiritual através de complexos simbolismos gnósticos e alquímicos).

  Com o filme Noé (Noah, 2014) não poderia ser diferente. Porém, desta vez Aronofsky saiu do campo dos dramas seculares traduzidos por simbolismos para entrar em uma narrativa bíblica fazendo uma releitura paradoxalmente sem referência à Bíblia: Aronofsky fez uma subversão flagrantemente gnóstica e cabalística do famoso personagem bíblico.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Por que somos seduzidos pelo virtual?



“É a verdade... a digitalização da vida real. Você não vai só a uma festa. Vai a uma festa com uma câmera digital. E seus amigos revivem a festa on line.” Essa afirmação de Sean Parker (criador do Napster, interpretado no filme por Justin Timberlake), que aparece solta nas frenéticas linhas de diálogo no filme “A Rede Social” (The Social Network, 2010), é a síntese do “desejo de virtualidade”, essa motivação individual que sustenta todo o projeto tecnognóstico que domina a atual agenda tecnológica e científica. O desejo pela digitalização da vida seria a recorrência de uma milenar aspiração gnóstica pela transcendência da carne e a imortalidade da espécie. Mas essa aspiração por transcendência transforma-se em má consciência ao ser capturada por sistemas econômicos e políticos. Transforma-se em ideologia, como questiona o pesquisador canadense em ciência política, tecnologia e cultura Arthur Kroker.

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