sábado, novembro 29, 2014

"Veja São Paulo" detona bomba semiótica na Cracolândia

Feios, sujos, malvados e viciados retornam à Cracolândia, levantando uma mini favela em plena rua do Centro. A grande mídia esfrega as mãos para denunciar uma suposto fracasso do programa da Prefeitura de São Paulo “De Braços Abertos”. Assim como os black blocs (úteis na oportuna criação de imagens midiáticas de caos no País em ano eleitoral) foram glamurizados através de Dani Pantera e Emma, agora o “fracasso” na Cracolândia é midiatizado pela personagem da “Cinderela às avessas”, a ex-modelo Loemy que se tornou viciada em crack e vaga pelas ruas do Centro. Matéria da "Veja São Paulo" a transforma em mais uma bomba semiótica, assim como foi a “musa” black bloc Dani Pantera: a bomba da “good-bad girl”.  A matéria se mostra menos uma...

domingo, novembro 23, 2014

Amor e entrelaçamento quântico no filme "Interestelar"

Depois de desafiar os espectadores com desconstruções narrativas como “Amnésia” e articular sucessivas camadas de mundos oníricos em “A Origem”, agora Christopher Nolan em “Interestelar” (Interstellar, 2014) nos desafia com os paradoxos da mecânica quântica e relatividade.  Aqui não há mais heróis tentando salvar a Terra, mas pessoas que se sacrificam na procura de um caminho para a humanidade abandonar um planeta agonizante. E a única saída será através de buracos negros e “buracos de minhoca” cósmicos. Porém, as equações falham em tentar conciliar a dimensão quântica e a relatividade. Qual a solução proposta por Nolan? Amor e Comunicação, os únicos elementos que atravessam os diferentes espaços-tempos e que resolveriam o enigma do...

sábado, novembro 22, 2014

Da caridade ao cinismo do marketing social em "Quanto Vale ou é por Quilo?"

Desde a ideia do amor ao próximo transmitida por Jesus, a tragédia transformou-se em farsa: a caridade transformou-se em filantropia para, nos tempos cínicos atuais, finalmente se converter em marketing social. Esse é o tema do filme de Sérgio Bianchi “Quanto Vale ou é por Quilo?” (2005). Inspirando-se num conto de Machado de Assis e em processos judiciais do século XVIII disponíveis no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, Bianchi faz de uma narrativa que mistura sarcasmo e drama um flagrante de como a “escravidão moderna” perpetua as formas coloniais de dominação através do chamado Terceiro Setor com suas ONGs. Partindo do mito da exclusão e marginalidade, o marketing social esquece de que a miséria já está há muito tempo integrada: como...

quinta-feira, novembro 20, 2014

A fotografia pode roubar nossa alma no filme "Skew"

Aclamado em diversos festivais de filme de terror, o filme independente “Skew” (2011) parte de uma curiosa teoria da fotografia formulada pelo escritor francês Balzac no século XIX: toda fotografia é um “crime espectral” – cada exposição à câmera nos rouba uma das camadas espectrais que compõem o nosso ser. A cada fotografia morremos um pouco. Com essa premissa, o diretor Sevé Schelenz constrói uma narrativa com câmera na mão que no início parece se filiar a estilo de filmes como “Bruxa de Blair” ou “Rec”. Apenas parece. Ao se inspirar  no temor de Balzac, Schelenz não só leva a premissa às últimas consequências como também a atualiza: na verdade, as imagens estariam roubando não as nossas camadas espectrais, mas as camadas de memórias que...

segunda-feira, novembro 17, 2014

A escassez de água é uma bomba semiótica?

Enquanto a Grande São Paulo vive a contagem regressiva para o fim do volume morto na crise de abastecimento de água do sistema Cantareira, sincronicamente estreia nos cinemas “Interestelar” cujo plot se inicia com o planeta Terra devastado por tempestades de areia e escassez de recursos naturais. Hollywood e os telejornais da grande mídia se tornaram uma verdadeira caixa de ressonância: enquanto o jornalismo diariamente apresenta sua natural presunção pela catástrofe ao querer “globalizar” a crise de água da Grande São Paulo como exemplo de uma suposta crise climática mundial, nos últimos 20 anos Hollywood aumenta o número de produções cujo tema da escassez e luta pelo controle da água é a chave central do roteiro. Depois de catorze anos...

quinta-feira, novembro 13, 2014

Lenin inventou o Marketing?

“Lenin com o Comunismo prometeu felicidade. Isso é o Marketing!”. Essa linha de diálogo do filme “Branded” (2012), sobre um protagonista que se transforma em expert em Marketing na Rússia pós-comunismo, seria mais do que uma piada irônica? O líder da Revolução Bolchevique que abalou o mundo em 1917 teria sido o precursor da invasão da sociedade pelas marcas? Enquanto o capitalismo vivia a era da Publicidade como “a arte de vender a qualquer preço”, Lenin estaria na vanguarda da política como a “venda” da marca – o Marketing não trata mais de vender produtos ou serviços, mas da valorização do imaterial, do intangível. Da marca da foice e do martelo ao “M” do McDonald’s o Capitalismo levou algum tempo para entender isso. Se isso for verdade,...

terça-feira, novembro 11, 2014

"Quando Eu Era Vivo" mergulha na matriz edipiana do terror

Em um circuito dominado pelas comédias do Globo Filmes, é bem vinda a nova geração de cineastas brasileiros que se enveredam pelo gênero do terror. É o caso de Marco Dutra com produção recente “Quando Eu Era Vivo” (2014). Se no filme anterior “Trabalhar Cansa” (2011) a atmosfera de estranhamento e terror era construída dentro do drama social do trabalho precarizado da classe média, agora Dutra mergulha na matriz edipiana do gênero do terror: tensão e mal estar na relação pai, mãe e filho. Com ótima fotografia e design de áudio, um apartamento aos poucos se transforma em um casarão gótico mal assombrado por uma estranha energia que vem do passado e parece possuir aos poucos o protagonista. Novamente Marco Dutra traça um perfil psicológico...

sábado, novembro 08, 2014

Física e Metafísica se encontram no filme "O Enigma do Horizonte"

“O Enigma do Horizonte” (Event Horizon, 1997) é uma ficção científica curiosa. Mal recebida pela crítica, a produção de Paul Anderson, que segue a linha de terror sci fi iniciada por “Alien” em 1979, junta alusões a clássicos como “Solaris” de Tarkovsky e “2001” de Kubrick. Mas por trás de camadas de explosões e clichês de terror espacial, há uma interessante combinação de física e metafísica, Cosmologia e Teosofia: um portal dimensional que curva o tempo-espaço não nos levará para novos mundos ou dimensões. Apenas revelará os nossos infernos íntimos, capazes de criar mundos etéricos que podem nos aprisionar. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende. No livro Uma Breve História do Tempo, o físico Stephen Hawking define o “horizonte...

quarta-feira, novembro 05, 2014

O ovo da serpente do PT e a concepção fascista de vida

A política econômica neodesenvolvimentista do PT resgatou o povo não das misérias do capitalismo moderno, mas das misérias herdadas do passado colonial-escravista da Casa Grande e Senzala. Por isso, a sociedade do consumo, a precarização do trabalho e a ideologia meritocrática chocaram o ovo da serpente cujos filhotes surgem agora, polarizando o cenário político. Esses filhotes vão reeditar a mesma psicogênese da chamada “personalidade autoritária” encontrada em pesquisas empíricas feitas pela Universidade de Bekerley, Califórnia, coordenadas pelo pesquisador alemão Theodor Adorno há 64 anos. Naquela oportunidade a pesquisa descobriu uma conexão entre o conservadorismo político e o “caráter neurótico” marcado por nove traços de personalidade...

domingo, novembro 02, 2014

Em Observação: "Interstellar" (2014) - uma astrofísica gnóstica?

Com lançamento previsto para o dia 6 de novembro, em “Interstellar” o diretor Christopher Nolan retorna às complexidades narrativas que o tornaram famoso em filmes como “Amnésia” e “A Origem”. Viagem espacial se mistura com viagem no tempo e astrofísica com relatividade geral: astronautas viajam através de um “buraco de minhoca” (wormhole) para chegarem a um universo alternativo em busca de novos planetas habitáveis, conseguindo fugir da catástrofe climática terrestre. A construção da realidade como camadas de eventos que se influenciam mutuamente, apesar de ocorrerem em tempo-espaços diferentes, se conecta a princípios gnósticos da astronomia e alquimia da antiguidade – o Princípio da Correspondênci...

sexta-feira, outubro 31, 2014

Em "Amantes Eternos" a melancolia dos vampiros denuncia a decadência dos vivos

Conhecido pelos seus protagonistas que vivem sempre à margem da sociedade, arrebatados pelo vazio existencial e, por isso, capazes de um olhar mais crítico e verdadeiro, o diretor Jim Jarmusch (“Estranhos no Paraíso”, “Down By Law”, “Dead Man”, “Flores Partidas”) agora acrescenta os vampiros a sua galeria de anti-heróis. Em “Amantes Eternos” (Only Lovers Left Alive, 2013) Jarmusch questiona como seria viver eternamente em um mundo de seres mortais. Como seres que atravessaram séculos por todas as cenas culturais, científicas e artísticas poderiam viver num mundo que parece ter esquecido de tudo que de mais importante a História ofereceu (como, por exemplo, o trágico destino das ideias do cientista Nikola Tesla), e vê no You Tube a sua única...

terça-feira, outubro 28, 2014

O humano, demasiado humano no filme "Relatos Selvagens"

O homem atual seria um Sísifo moderno? Assim como o personagem da mitologia grega, condenado a carregar eternamente uma enorme pedra ao topo da montanha, o homem estaria condenado a não encontrar Deus, sentido ou propósito na existência, a não ser encontrar a si próprio – o humano, demasiado humano. Esse é a desconcertante co-produção Argentina/Espanha “Relatos Selvagens”, seis curtos relatos de pessoas comuns diante de circunstância incomuns: situações extremas com muito humor negro (e bota negro nisso) onde acabam sendo despertados em cada um os instintos mais básicos de vingança e violência. Em falso tom de comédia, o diretor Damián Szifrón parece querer brincar com o espectador: afinal, estamos rindo do qu...

domingo, outubro 26, 2014

A grande mídia ameaça: meu ódio será a sua herança

Tal qual uma serpente, um muro cinza escuro serpenteia o Brasil dividindo o País do Acre ao litoral. É com essa sinistra animação que o infográfico do site da “Folha de São Paulo” chamado “Folhacóptero” explica o cenário eleitoral brasileiro, em um previsível silogismo cuja conclusão é a de que somente os pobres e ignorantes mantêm a candidata Dilma Rousseff na frente das pesquisas eleitorais. Divisão e Muro são as metáforas que a grande mídia sistematicamente vem utilizando para explicar o cenário político. Enquanto publicações estrangeiras como a “The Economist” usam infográficos mais neutros e elegantes para explicar as desigualdades históricas do Brasil, nossa grande mídia usa a imagem do muro, simbolicamente carregada de ódio e separatismo....

sábado, outubro 25, 2014

A "bala de prata" é sintoma do "tautismo" da revista Veja

Motivo de piadas e memes nas redes sociais, o verdadeiro remake do layout da capa de 2012 sobre a novela Avenida Brasil em mais uma “bala de prata” da revista “Veja” (matéria de capa sobre suposta denúncia de que Dilma e Lula sabiam de todos os esquemas na Petrobrás) é muito mais do que falta de criatividade ou preguiça de uma revista que definha financeiramente. É um sintoma do “tautismo” (tautologia + tautismo), fenômeno de fechamento da mídia em si mesma, a tal ponto que desaparecem as diferenças entre ficção e não-ficção, telenovela e notícia. A própria resposta dada pela “Veja” às críticas comfirma aquilo que pretende negar: através de um raciocínio tautológico diz que os acontecimentos são verdadeiros porque “teimosamente” têm relevância...

sexta-feira, outubro 24, 2014

Em Observação: "Amantes Eternos" (2013) - por que os vampiros são melancólicos?

Profundos conhecedores de arte, literatura, música e cinema. Aristocráticos, vintages, sensíveis, e... melancólicos. Esses são os vampiros do diretor Jim Jarmusch em “Amantes Eternos” (Only Lovers Left Alive, 2013). Por que seres imortais e tão poderosos podem ser tão tristes e melancólicos? Esqueça os clichês de maldições, insaciabilidade por sangue e amores platônicos tão comuns nos vampiros para adolescentes da franquia “Crepúsculo”. Jarmusch recoloca o mito do vampiro na sua tradição romântica e literária. Mas tem algo mais: o toque gnóstico ao ver o vampiro como um ser privilegiado – ele jamais esquece, ao contrário dos mortais presos no ciclo vicioso morte-reencarnação-esqueciment...

quinta-feira, outubro 16, 2014

A simplicidade descolada, coxinhas 2.0 e o novo neoconservadorismo

Diga adeus a nomes de pratos requintados e ornamentais da culinária francesa, se despeça de bikes de alta performance, abandone esportes de elite. Agora prefira osso buco e rabada, bicicletas caloi 10 dos anos 1970 reformadas e peladas regadas a cervejas artesanais. O coxinha evoluiu para a sua versão “sustentável”: a simplicidade descolada. Eles são os novos tradicionalistas, uma simplicidade estudada e “descolada”, isto é, de grande valor agregado no mercado cultural. Sua psicografia é hoje explorada pelo marketing tanto político como de consumo – ele aspira à simplicidade, pureza e renovação, muito mais por atitudes do que por ações. Por isso, é campo fértil para crescer o neoconservadorismo: a aversão à Política como algo complicado...

quarta-feira, outubro 15, 2014

Aranhas, morte e identidade no filme "O Homem Duplicado"

Ver a si mesmo em uma réplica ou imagem sempre foi considerado um evento misterioso e mágico. Em muitas culturas, ver o próprio duplo pode ser um prenúncio da morte. Inspirado em livro do escritor português José Saramago, o filme “O Homem Duplicado” (Enemy, 2013) do diretor canadense Denis Villeneuve vai atualizar essa mitologia, trazendo-a para uma tradição de filmes que tematizam o problema da identidade: o que você faria se visse em um filme um ator que fosse uma réplica exata sua? Villeneuve vai explorar o tema psicanalítico da busca da identidade através do espelho. Uma jornada perigosa, pois nesse caminho podemos nos confrontar com os nossos desejos mais íntimos, criando uma nova ordem: caos é a ordem que ainda não foi decifrada. Em...

domingo, outubro 12, 2014

Ebola é bomba biológica ou semiótica?

Desde que os nazistas elaboraram as primeiras peças de propaganda antitabagistas durante a Segunda Guerra Mundial, sabe-se que a questão da saúde é uma poderosa arma semiótica. Ebola, vaca louca, gripe aviária, gripe suína e outras ameaças sazonais de pandemias, mais do que ameaças biológicas, tornaram-se bombas semióticas arquitetadas para criar vitimização, culpa e segregação. O ebola é agora a pandemia da moda onde, no Brasil, surge em um “timing” perfeito: o segundo turno das eleições presidenciais. A grande mídia cinicamente anuncia que a informação é a única forma para “tranquilizar a população”. Um pouco de teoria semiótica revela que as manchetes da grande mídia são tudo, menos informativas: elas são “performativas”, desenvolvem...

sábado, outubro 11, 2014

"Jogo de Cena" embaralha cartas da ficção e do real

Câmeras de vigilância, celulares através dos quais performamos constantes selfies, telas de computador, de TVs e de cinema, imagens dos indivíduos captas pelas câmeras de vitrines nos shoppings e exibidas para os próprios consumidores etc. Estamos cercados de dispositivos visuais que acabaram criando uma espécie de saber inconsciente audiovisual: criamos nossas próprias auto-mis-en-scènes. Sabemos criar personas através do cinema e fotografia, de tal maneira que ficção e História, ilusão e realismo acabaram se fundindo na modernidade. Esse é o tema latente no documentário “Jogo de Cena”(2007) de Eduardo Coutinho: anônimos contam suas histórias, enquanto atores tentam reencenar essas narrativas anônimas. Quem é ator e quem é anônimo, quem...

quarta-feira, outubro 08, 2014

Adendo ao post "Sociedade de Consumo e o ovo da serpente do PT": César Tralli, MasterChef e o metrô

Após a publicação da postagem anterior “Sociedade de Consumo e o ovo da serpente do PT” uma curiosa sequência de eventos sincrônicos em questão de horas foram vivenciados por esse humilde blogueiro. Suspeitas de supostas mensagens subliminares do PT no metrô de São Paulo, palestra do jornalista César Tralli em uma Universidade, leituras de time lines do Facebook no metrô e as humilhantes “lições de vida” meritocráticas do reality MasterChef da Band. O ovo está se quebrando e através da fresta um olho ameaçador observa o futuro. Cinco horas da tarde na conexão CPTM/linha amarela do metrô na Estação Pinheiros em São Paulo. Seguindo a multidão que se aperta preparo-me para descer mais uma escada rolante. Dou de cara com um cartaz de viagens...

terça-feira, outubro 07, 2014

Sociedade de Consumo e o ovo da serpente do PT

Qual o significado de  uma comédia brasileira chamada “O Candidato Honesto” (sobre um candidato à presidência popular, corrupto e mentiroso) ser lançada nos cinemas em plena reta final das eleições? Mais do que senso de oportunismo mercadológico, a produção surfa na onda da aversão popular à Política e o fenômeno da despolitização. A inclusão de grande parte dos brasileiros na sociedade de consumo implementada pelo neodesenvolvimentismo dos governos do PT parece mandar a conta: chocou o ovo da serpente que agora arma o bote. Sem educação política, a sociedade de consumo brasileira produz os efeitos ideológicos do próprio consumismo verificados desde o pós-guerra – ideologia meritocrática, ilusão de mobilidade social por meio do consumo...

sábado, outubro 04, 2014

"O Doador de Memórias" e a terceira onda do Gnosticismo Pop no cinema

Com o filme “O Doador de Memórias” (The Giver, 2014) Hollywood acrescenta mais uma produção a uma série de filmes sobre mundos distópicos dominados por estados policiais totalitários. Essas produções vem retomando símbolos e narrativas gnósticas, mas dessa vez em uma nova fórmula:  um mix de Gnosticismo com “1984” de Orwell e “Admirável Mundo Novo” de Huxley. Essa terceira onda de Gnosticismo pop no cinema, assim como nas ondas anteriores, está relacionada com alterações nos paradigmas tecnológicos. Na atualidade, o projeto da Internet das Coisas e a nanotecnologia, criando possibilidades de geolocalização e controle total da privacidade. A obsessão atual de Hollywood por essas distopias faz surgir teorias conspiratórias como a chamada...

terça-feira, setembro 30, 2014

A canastrice de Marina Silva e o DNA hollywoodiano

Muitas teorias conspiratórias veem a candidata Marina Silva como um “instrumento de Washington”, “a nova direita” etc. Se isso for verdade, não seria tanto pelas teses neoliberais que seu programa de governo defende. Seu DNA não está em Washington, mas em Hollywood. Marina Silva se filia a uma lista de personagens políticos construídos a partir do imaginário coletivo cinematográfico como Hitler e Mussolini (o cinema mudo), Jânio Quadros (Jacques Tati) e Collor de Mello (Gordon Gekko de “Wall Street”). É a “canastrice” na propaganda, noção que a ciência política deveria levar mais à sério: políticos tornam-se verossímeis quando se reconhecem neles elementos de uma certa mitologia pop ou cinematográfica. Mas por que eleitores não percebem...

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