terça-feira, julho 21, 2026

"Onguização" e "bolsonarização" da linguagem estão contaminando o jornalismo


No último domingo (19), a Folha de S.Paulo estampava em sua primeira página que o movimento político de Michelle Bolsonaro prometia ser "imparável". A absorção literal e desprovida de ironia de uma hipérbole bolsonarista pelo relato jornalístico é a ponta de um iceberg linguístico profundo. De um lado, a "bolsonarização" do jornalismo contaminou a cobertura de Brasília com o jargão da caserna — onde acordos viram "situações pacificadas" e parlamentares viram "tropas de choque". Do outro, a "onguização" da linguagem higienizou o debate social, substituindo denúncias de exploração por eufemismos burocráticos. Embora venham de polos opostos, ambos os fenômenos erodem a esfera pública ao desarmar a denúncia das desigualdades na base e transformar a política institucional do topo em um mero campo de batalha cognitivo.

Flávio lança candidatura dentro de um miasma neoliberal; a bola de cristal de Merval; cultura evangélica e crise do futebol brasileiro



Não podia ser melhor o lugar para Flávio lançar sua candidatura à presidência pelo PL: no verdadeiro MIASMA NEOLIBERAL de Capitalismo Periférico que representa o Mercado Livre Arena Pacaembu. E ainda no auditório “Mercado Pago Hall”, braço financeiro do argentino Mercado Livre. E com a presença prometida do próprio Milei! Venha discutir miasmas e sincronismos políticos e semióticos na Live Extra Cinegnose 360 #137, nessa quarta-feira (22/07), às 18h, no YouTube e Facebook. Ainda ouvindo os ecos da Copa do Mundo, vamos discutir na “Conversas Aleatórias”, nas quais o participante pergunta e comenta no Chat. E depois, a Crítica Midiática: duas pragas na linguagem jornalística atual: “onguização” da linguagem e léxico bolsonarista da caserna; onde estão os “independentes” das pesquisas Genial/Quaest? Sabesp e o ecossistema financeiro do Banco Master; a bola de cristal de Merval Pereira: Globo joga a toalha; Truth Social de Trump quer vender informações privilegiadas ao mercado; Lula avalia faltar aos primeiros debates na TV; cultura evangélica contribui para crise do futebol brasileiro? E outras bombinhas semióticas.

sábado, julho 18, 2026

O que Walter Benjamin diria se assistisse a 'Toy Story 5'?



Ao trocar a melancolia do envelhecimento pela tirania dos algoritmos, “Toy Story 5” (2026) tenta atualizar o fôlego da franquia mais valiosa da Pixar, mas acaba tropeçando no próprio moralismo. Em uma Hollywood cronicamente incapaz de encarar crises sistêmicas sem reduzi-las a dilemas individuais, a nova aventura de Jessie e Buzz Lightyear contra a ameaça hipnótica das telas reduz o sequestro da atenção infantil a uma mera questão de "más companhias" e falta de limites parentais. Ao ignorar a arquitetura viciante dos gadgets para focar em uma caçada moralista por escolhas conscientes, a animação relega ao segundo plano o seu debate mais visceral: a atrofia do "faz de conta" diante do hiper-realismo digital — um diagnóstico sombrio que transforma o filme, ironicamente, no sintoma perfeito da industrialização e domesticação da infância outrora denunciadas pelo filósofo Walter Benjamin, especialmente em textos como "Brinquedos e Jogos" e "História Cultural dos Brinquedos".

Live Pós-Jogo às 19h: caso ICL: a confusão entre esquerda e progressismos; capitalismo total: agora Trump vende informações privilegiadas!



Graças ao Trump e sua “parceria” com Gianni Infantino/FIFA, a Live Cinegnose 360 #248, desse domingo (19/07), no YouTube e Facebook COMEÇARÁ ÀS 19HORAS. Uma final de Copa do Mundo com Show do Intervalo de meia hora, transformará um evento de futebol em um “Superbowl”: imagine se tiver prorrogação e pênaltis? Por isso, a Live COMEÇA ÀS 19h. Faremos um Pós-Jogo com Futebol, Cinema e Crítica Midiática. Depois das Conversas Aleatórias iniciais, vamos discutir dois filmes: “O Convite” (casamento tudo-ou-nada e a exaustão dos millennials) e “Toy Story 5” (o que Walter Benjamin diria dessa animação?). Na sessão dos livros do humilde blogueiro: “El Fútbol: mitos, ritos y símbolos” de Vicente Verdú. E na Crítica Midiática: racismo na Copa: como inflamar as redes com debates legítimos, mas oportunistas; Flávio Bolsonaro e a IA “padroeira do Brasil” para mulheres; Inversão ontológica: bolsonarismo contra bets e Governo Lula a favor; Xandão X Bolsonaro: como alimentar um “espantalho” das esquerdas; Caso ICL: a confusão entre esquerda e progressismos; as ironias do tarifaço de Trump; Truth Social: Trump vende informação privilegiada.

sexta-feira, julho 17, 2026

'O Convite': casamento tudo-ou-nada e a exaustão existencial dos millennials



O que acontece quando a utopia do "casamento perfeito" se choca com a exaustão existencial da geração Millennial? A resposta está em “O Convite” (The Invite, 2026), comédia dramática que transforma um jantar entre vizinhos em um campo de batalha conjugal. Adaptando o longa espanhol Sentimental (2020), a diretora Olivia Wilde e os roteiristas Rashida Jones e Will McCormack colocam em xeque o modelo do "casamento tudo-ou-nada" conceituado pelo psicólogo Eli Finkel. Entre o vocabulário terapêutico e o ressentimento silencioso, o filme contrapõe o puritanismo norte-americano ao apetite desinibido da personagem de Penélope Cruz. O resultado é uma radiografia precisa do mal-estar contemporâneo. No entanto, por trás de sua fachada desconstruída e provocativa, a produção acaba cedendo a antigos clichês hollywoodianos: permite a transgressão temporária apenas para restaurar a ordem e salvar a tradicional instituição da família.

terça-feira, julho 14, 2026

Mídia detona bomba semiótica para salvar o modelo extrativista de futebol periférico



Quando a mesa-redonda do SporTV mobilizou seus analistas para decifrar a semântica exata do "tu, finish" dito por Jorge Jesus a Neymar, o que parecia apenas preciosismo retórico revelou a engrenagem de uma sofisticada operação de controle de danos. Após a eliminação traumática do Brasil para a Noruega, a mídia esportiva corporativa colocou em campo uma verdadeira bomba semiótica de dispersão e contenção. Sob o pretexto de debater o destino do craque ou denunciar complôs externos (“VARgentina”), o malabarismo midiático opera para um fim muito específico: blindar a cúpula da CBF e salvaguardar o modelo extrativista — o "agronegócio da bola" — que esvazia a identidade nacional em nome do lucro imediato, convertendo o colapso estrutural do nosso futebol em um melodrama pop anestésico.

Mídia tenta salvar modelo extrativista do futebol brasileiro; STF quer transformar institutos de pesquisa em bets; bafão no canal do banqueiro do bem



A engenharia de opinião pública foi ativada após a eliminação do Brasil para a Noruega. Um caso clássico de bomba semiótica de dispersão e contenção: passa pano nas contradições internas, arruma um inimigo externo (o suposto favorecimento da “VARrgentina”) para salvar de questionamentos a estrutura extrativista do futebol brasileiro. Estrutura futebolística que acompanha o modelo econômico neoliberal periférico dominante de exportação de commodities. Ainda em clima de Copa discutiremos esse tema na Live Extra Cinegnose 360 #136, nessa quarta-feira (15/07), às 18h, no YouTube e Facebook. Sempre com as trepidantes Conversas Aleatórias com o Chat. Depois, a Crítica Midiática: Janja apoia Michelle, “misoginia não tem lado”; Dez motivos para proibir as Bets; qual a ligação entre Bets e a guerra na Ucrânia? “Bafão” no canal do banqueiro do bem: Demori demitido em ano eleitoral; Neymar: o herói pós-meritocrático; STF quer premiar Institutos de Pesquisa que “apostam” melhor! E outras bombinhas semióticas.


sábado, julho 11, 2026

Vangelis; conto de Dickens: UE contra Zuckerberg; El Niño e Pânico Climático; República dos Dossiês: Flávio e Costa Neto; Haaland e o Peru


Como este humilde blogueiro costuma dizer, “regulamentação” virou uma expressão fetiche para racionalizar a irracionalidade do mercado. União Europeia “exige” que a Meta de Zuckerberg mude o “design viciante” do Facebook e do Instagram. E ameaça multar se a empresa não fizer nada, por prejudicar principalmente “pessoas vulneráveis”. Parece um conto de Natal de Charles Dickens: cobrar de Zuckerberg “empatia” por crianças e vulneráveis. Com esse conto moral começamos a Live Cinegnose 360 #247, nesse domingo (12/07), às 18h no YouTube e Facebook. Que tem o grego Vangelis na sessão dos Vinis e Cds: polissemia e a vida inautêntica. Depois, vamos analisar uma bateria de três filmes: “Pulse” (fantasmas e a solidão na Internet); “Omni Loop” (imortalidade quântica e paradoxos temporais) e Devoradores de Estrelas (o apocalipse como espetáculo confortável e “esportivo”). E depois, a Crítica Midiática: Mídia e Pânico Climático: quem destrói mais, o El Niño ou o Agronegócio? Waldemar Costa Neto, PF e o paroxismo da República dos Dossiês; Flávio Bolsonaro pede água na República dos Dossiês; Fenômeno Haaland no Peru explica volta da extrema direita ao poder; SportTV: ainda existe passa-pano de Neymar na mídia; “VARgentina”: passa-panos da CBF cortam os pulsos! E outras bombinhas semióticas.

O apocalipse como espetáculo confortável: o "heroísmo esportivo" em 'Devoradores de Estrelas'



Em meio ao clima vintage da Guerra Fria 2.0 e à acirrada disputa espacial entre Estados Unidos e China, a ficção científica recente deixou de ser mero entretenimento para se tornar uma poderosa engrenagem de opinião pública — uma estratégia para tornar a exploração cósmica um sonho amigável, justificável e lucrativo para o capitalismo financeiro. O filme “Devoradores de Estrelas” (Project Hail Mary, 2026) condensa esse zeitgeist de forma cirúrgica. Estrelada por Ryan Gosling, a obra equilibra-se entre duas forças simbólicas fascinantes: a secularização dos antigos sacrifícios ao Deus Sol, traduzida em uma missão científica suicida para salvar a Terra, e a "esportividade" tipicamente hollywoodiana, que neutraliza o pavor do isolamento cósmico e o choque do contato alienígena em um bromance leve e bem-humorado. No fim, o abismo existencial é domesticado e transformado em uma arena de soluções engenhosas, onde até a extinção planetária pode ser enfrentada com uma boa ironia.

sexta-feira, julho 10, 2026

Clipando #13: novo marco regulatório EaD e como letramento midiático pode combater vício das apostas



Já está disponível no YouTube e no Spotify a 13ª edição do Clipando, o clipping comentado e apresentado por este humilde blogueiro para o Sinpro Santos, que traz uma curadoria das notícias mais relevantes para a área da Educação. O programa tem como objetivo enriquecer a formação docente, oferecendo repertório, insights para a sala de aula e reflexões profundas sobre os impactos sociais no cotidiano escolar. Nesta edição, os grandes destaques ficam por conta de uma entrevista exclusiva com a Dra. Madalena Guasco sobre o novo marco regulatório do EaD, os resultados práticos da proibição do celular nas escolas após um ano de implementação e o debate sobre como o letramento midiático pode combater o avanço das apostas online entre os jovens.

terça-feira, julho 07, 2026

Trump e o "Fifagate"; DataFolha insiste no "Nem-Nem", Fatal Fans usa Corinthians para "brand laundering"; deu match na TV entre Felipe Melo e Neymar



Para a mídia, a Seleção sempre é desclassificada por obra de “vilões” (de Paolo Rossi, passando por Zidane, até chegar a De Bruyne, Petkovic e, agora, Haaland), e nunca por suas próprias deficiências. E o fim da Copa para a Seleção fica ainda mais doída depois da vitória épica dos “Hermanos” contra o Egito, mesmo com toda a “secação” canarinho. Por que os efeitos da corporatificação do futebol produzem ainda efeitos tão diferentes entre argentinos e brasileiros? Esse é um dos temas candentes que vamos discutir na Live Extra Cinegnose 360 #135, nessa quarta-feira (08/07), às 18h, no YouTube e Facebook. Que começa com a extensão das Conversas Aleatórias Pré-Jogo do fatídico domingo. E depois, a Crítica Midiática: Por que DataFolha continua com a estratégia “ninista” (nem-nem)? O cartão vermelho na Copa, Trump, Fifagate e Lava Jato; Deu match na Globo Sport entre Felipe Melo e o choro de Neymar; Fatal Fans patrocina Corinthians: plataformização do sexo e brand Laundering; Hipertelia da comunicação alt-right: Flávio vai aos EUA suplicar fim do tarifaço... e outras bombinhas semióticas.

domingo, julho 05, 2026

Imortalidade quântica e paradoxos temporais em 'Omni Loop'



Em “Omni Loop” (2024), o diretor Bernardo Britto chuta o balde da lógica realista e exige que o espectador se transforme em um cinéfilo aventureiro, guiado puramente por metáforas, sentimentos e altos conceitos científicos. O longa desafia o público a aceitar premissas intencionalmente absurdas — uma cientista com um buraco negro crescendo no peito, um pesquisador que encolhe até o nível subatômico e um frasco misterioso de pílulas capaz de voltar cinco dias no tempo. A produção usa esse pacote de excentricidades como pano de fundo para construir um drama existencialista avassalador , muito além de uma história sobre um protagonista preso em um loop temporal. Ao cruzar a mecânica da imortalidade quântica com a melancolia literária de Kurt Vonnegut em “Matadouro Cinco” e os paradoxos temporais de “Em Algum Lugar do Passado”, “Omni Loop” transforma a ficção científica em uma poderosa e densa metáfora sobre a nossa incapacidade crônica de lidar com o luto e de deixar o tempo correr.

sábado, julho 04, 2026

Futebol com bombas semióticas no PRÉ-JOGO da Live Cinegnose 360




Nelson Rodrigues dizia que a Seleção era a “Pátria de Chuteiras”. Agora é a Pátria patrocinada por marcas do Vale do Silício que criam a tecnologia para aqueles outros patrocinadores que precarizam a própria vida da torcida. E isso não é nada: quando a Copa acabar, veremos um clube de massas, como o Corinthians, desfilando marcas da Fatal Fans e Fatal Models... Esse é um pouco do papo que vai rolar no PRÉ-JOGO de Brasil X Noruega na Live Cinegnose 360 #246, nesse domingo (05/07), MAIS CEDO, às 15h30, no YouTube e Facebook. Um Pré-Jogo com papos em torno de Futebol, Semiótica, Comunicação e Política. PRÉ-JOGO, até os times entrarem em campo e cantarem os respectivos hinos nacionais. Venha discutir Futebol com mais profundidade do que as mesas redondas de domingo pós-jogo! Futebol com bombas semióticas.

Fatal Fans fecha patrocínio com o Corinthians: plataformização do sexo e "brand laundering"


Enquanto os olhos do país se voltam para os gramados da Copa do Mundo, o Corinthians selou nos bastidores um polêmico contrato de R$ 22 milhões com a Fatal Fans, braço da maior plataforma de anúncios de acompanhantes do Brasil. O anúncio, estrategicamente amortecido pelo frenesi do torneio mundial, encerra semanas de crises internas, protestos de conselheiros e reuniões de emergência com o emblemático elenco feminino das "Brabas". Longe de ser apenas uma jogada de marketing esportivo, o acordo surge como o sintoma definitivo de uma transformação estrutural do século XXI: a era do capitalismo de plataforma, onde a moral tradicional é neutralizada pelo pragmatismo financeiro, o corpo passa pelo processo de "uberização" e as pautas de emancipação social são precificadas e absorvidas pela lógica implacável da performance.

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