sexta-feira, novembro 28, 2025
Em 'Quando o Céu se Engana", mais terrível que a danação eterna é a precarização moderna
sexta-feira, novembro 28, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
sexta-feira, novembro 14, 2025
O caos controlado das bolhas digitais no filme 'Bugonia'
sexta-feira, novembro 14, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
O novo filme de Yorgos Lanthimos, “Bugonia” (2025), sobre teóricos da conspiração que sequestram uma CEO de uma multinacional farmacêutica acreditando que ela é uma alienígena, funciona como uma ilustração precisa do "efeito fliperama" da guerra híbrida. O filme demonstra como o ressentimento pessoal, alimentado por bolhas digitais, é transformado em um caos controlado que, paradoxalmente, serve para manter o status quo e desviar o foco da verdadeira classe dominante. Lanthimos vem assumindo uma espécie de misantropia esclarecida, como ficou claro nos filmes anteriores “Pobres Criaturas” e “Tipos de Gentileza”: somos criaturas pobres e miseráveis, mas temos a capacidade de sermos belos e tolos, assim como assassinos e terríveis.
quinta-feira, novembro 13, 2025
A positividade tóxica da cultura da felicidade na série 'Pluribus'
quinta-feira, novembro 13, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Vivemos sob o peso de uma contradição moderna: o mundo parece à beira do colapso, mas somos implacavelmente ordenados a "ser felizes". Entre o apocalipse climático e o imperativo da cultura coaching, essa busca frenética pela positividade ameaça nos tornar indiferentes e acríticos. É exatamente essa distopia da "adaptação feliz" que a nova série da Apple TV+, “Pluribus” (2025-), explora, transformando a felicidade compulsória em uma aterrorizante invasão alienígena. Após duas décadas imerso na angústia moral de Breaking Bad e Better Call Saul, Vince Gilligan retorna à TV com “Pluribus”, uma série que troca o crime pela ficção científica. No entanto, o verdadeiro terror não vem de monstros, mas da própria felicidade — uma "mente colmeia" de origem alienígena que pacifica a humanidade. A série funciona como uma crítica afiada ao nosso zeitgeist de positividade tóxica, questionando o que realmente significa ser humano quando a dor e o conflito são erradicados.
terça-feira, outubro 28, 2025
A normalização da Guerra Fria 2.0 em 'Casa de Dinamite'
terça-feira, outubro 28, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Quando Kathryn Bigelow venceu o Oscar de Melhor Direção por Guerra ao Terror (2008), tornou-se não apenas a primeira mulher a conquistar o prêmio, mas também a cineasta que melhor traduziu os dilemas morais e operacionais da máquina de guerra americana. Para ingressar no campo propagandísticos da normalização ou justificação geopolíticas. Desde então, sua filmografia migrou dos filmes cult — com vampiros errantes, surfistas assaltantes e hackers sensoriais — para o coração do complexo militar-industrial hollywoodiano, onde o realismo técnico e o suspense geopolítico se entrelaçam. Na produção Netflix “Casa de Dinamite” (2025), Bigelow retorna ao campo que a consagrou: um míssil nuclear em rota para os EUA, 15 minutos para reagir, e uma cadeia de decisões que revela não apenas os inimigos externos, mas as rachaduras internas de um sistema de segurança à beira do colapso. Mais do que um filme-catástrofe, sua nova obra é um retrato tenso da “Guerra Fria 2.0” (saem terroristas islâmicos, entram mísseis nucleares) — e da própria diretora, que segue orbitando entre a crítica e a cumplicidade com os bastidores do poder.
sábado, outubro 11, 2025
Filme 'Goat' transforma protofascismo do futebol americano em conto de terror
sábado, outubro 11, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Um jovem e promissor jogador de futebol americano enfrenta uma semana intensa de treinamentos sob a orientação de seu ídolo, um carismático quarterback que está perto de se aposentar. É possível retirar um conto de terror dessa sinopse? O filme “Goat” (Him, 2025), de Justin Tipping, consegue. Jordan Peele se interessou em produzir esse projeto pela existência de uma lacuna cinematográfica sobre a temática do terror em esportes profissionais. E Peele e Tipping compartilham de uma visão ultracrítica sobre o futebol americano. O slogan promocional de “Goat” (“A Grandeza Exige Sacrifício”) revela a ironia crítica: a conversão do esporte como entretenimento pedagógico para as massas: a celebração da educação pela dor como princípio de uma concepção fascista de vida. Apesar do filme tender para um terror gonzo e slasher que lembra “A Substância”, o filme didaticamente revela os nove traços da personalidade fascista que Theodor Adorno descreveu nos “Estudos Sobre a Personalidade Autoritária”.
sexta-feira, outubro 03, 2025
Hipernormalização é a excelência hollywoodiana em 'Uma Batalha Após a Outra'
sexta-feira, outubro 03, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Para onde vai a América? Essa questão parece estar incendiando a imaginação de produtores e roteiristas de Hollywood nesses tempos de MAGA e rebeliões Antifa. É nesses momentos que surge a excelência do entretenimento hollywoodiano: filmes de perseguição e histórias de um herói que sempre tenta reconstruir uma família despedaçada. Chamamos isso de “hipernormalização” de cenários sócio-políticos complexos. O filme “Uma Batalha Após a Outra” (One Battle After Another, 2025), o novo épico de Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”, “Vício Inerente”) segue essa receita de Hollywood: quando um Coronel ressurge do Estado Profundo 15 anos depois, um desajeitado ex-revolucionário e seu grupo se reúnem para resgatar a filha das suas mãos. Anderson quer nos enganar: parece que assistiremos a uma saga idealista e inspiradora sobre uma revolução contra um regime totalitário. Mas nos oferece uma um delírio gonzo.
quinta-feira, setembro 25, 2025
'A Longa Marcha - Caminhe ou Morra': a adaptação do profético livro de Stephen King
quinta-feira, setembro 25, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Toda as manhãs acordamos com os contos motivacionais dos telejornais sobre pessoas que venceram com foco e resiliência. Porém, ainda vivemos em tempos nos quais essas pílulas de otimismo resolvem. Imagine em um futuro distópico em que uma América em depressão econômica precise de algo mais do que pérolas motivacionais na TV. Mas de uma competição em que os perdedores, que por algum motivo abandonam a prova, sejam literalmente punidos com um tiro mortal. Para levantar o moral da Nação e elevar o Produto Interno Bruto. Esse é o futuro imaginado por Stephen King, e adaptado por Francis Lawrence (“Jogos Mortais”), em “A Longa Marcha – Caminhe ou Morra” (The Long Walk, 2025). Um grupo de adolescentes participa de um concurso anual transmitido ao vivo, no qual eles devem caminhar em uma velocidade constante ou levar um tiro mortal por soldados que acompanham os competidores. O timing da adaptação ao cinema da primeira obra de Stephen King é perfeito: os EUA estão à beira de uma distopia muito próxima da ficção do mestre do terror.
sexta-feira, setembro 19, 2025
O novíssimo gótico americano hiper-real no filme 'Holland'
sexta-feira, setembro 19, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Há um fenômeno curioso no Meio-Oeste americano, a chamada “América Profunda”: a criação de enclaves temáticos que buscam replicar um ideal europeu higienizado – de cidades com nomes de capitais europeias a parques temáticos. Uma nação com uma relação mal resolvida com sua própria identidade. Elas representam uma fuga da complexidade e da violência da história americana em direção a um passado europeu imaginado, um simulacro de autenticidade. A produção Prime Video, “Holland” (2025), dirigido por Mimi Cave, é um exemplo de história sobre “segredos por trás de cercas de madeira”. Ambientada em Holland (Michigan), uma cidade que emula paisagens holandesas hiper-reais com festivais de tulipas e réplicas de moinhos de vento e vilarejos europeus, oculta adultério e crimes em série. É o novíssimo gótico americano: a verdadeira arquitetura do horror não reside em porões escuros ou figuras monstruosas, mas na precisão milimétrica de uma maquete e na fachada de tulipas de uma "América Profunda" que sonha em ser Europa.
Amnésia é o momentâneo esquecimento das falas do roteiro chamado "Sociedade" em 'The Actor'
sexta-feira, setembro 19, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Comparar a Política e os políticos a atores em um palco de teatro é uma tese clássica da Ciência Política. Mas sugerir que as convenções e papéis sociais seriam roteiros com linhas de diálogos de uma gigantesca produção teatral chamada Sociedade é o tema de um subgênero gnóstico no cinema, de filmes como “Quero Ser John Malkovich” e “Sinédoque, Nova York”. “The Actor” (2025), estreia de Duke Johnson (colaborador no filme de Charlie Kaufman “Anomalisa”), é mais um exemplo onírico e ambíguo – um interessante mix gnóstico-noir no qual a amnésia é o tema principal: após sofrer um traumatismo craniano contundente, um ator de teatro acorda em um hospital sem nenhuma lembrança de sua vida passada e até mesmo com dificuldade para se lembrar dos mínimos detalhes de suas experiências diárias. E se a amnésia for um momentâneo esquecimento das linhas de diálogo de um roteiro criado por algum produtor da sociedade?
sexta-feira, setembro 12, 2025
O horror cósmico Lovecraftiano foi o nosso futuro no filme 'Bunker'
sexta-feira, setembro 12, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Guerras e campos de batalhas por si só já são aterrorizantes. São poucos os filmes que acrescentam o elemento sobrenatural na conflagração militar. “Bunker” (2022) narra um contexto bem particular das terríveis guerras de trincheiras da I Guerra Mundial - péssimas condições sanitárias, lama, ratos e parasitas, que resultavam em doenças e sofrimento numa batalha estagnada. um grupo de soldados se encontra preso em um pequeno e claustrofóbico bunker. Enquanto esperam pelo resgate, eles começam a vivenciar estranhos eventos sobrenaturais. Mas de um horror bem particular: o horror cósmico Lovecraftiano que dá um significado simbólico – o início da “Era dos Extremos” do séculos XX e XXI em que a moralidade, dignidade e ética dos velhos campos de batalha são substituídos pela “guerra total”, amoral e tecnológica. Somente o horror cósmico de H.P. Lovecraft para representar esse novo mundo amoral e indiferente que estava surgindo.
sexta-feira, setembro 05, 2025
Quanto mais as coisas mudam, mais ficam iguais em 'Eddington'
sexta-feira, setembro 05, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Tudo se passa em 2020, época da pandemia COVID-19 e lockdown. Mas encontramos a mesma divisão social, a mesma incapacidade de concordar com uma realidade consensual, a mesma paranoia, medo e desinformação das redes sociais. E o mesmo presidente, Trump! Quando estreou no Festival de Cannes esse ano, a crítica observou: “quanto mais as coisas mudam, mais ficam iguais”. Estamos falando de “Eddington” (2025), filme de humor negro escrito e dirigido por Ari Aster, mestre do horror de alto conceito como “Hereditário” e “Midsommar”. Aqui, Aster dá conta do horror social de uma pequena cidade no Novo México que mergulha no caos e violência na medida em que os conflitos locais e de vizinhança são turbinados pela pauta nacional repercutida pelos feeds das redes sociais. “Eddington” didaticamente descreve uma nova engenharia social que substituiu a clássica criação do inimigo externo. Agora, o inimigo é INTERNO, alimentado pela criação da cismogênese: as pessoas sentem claramente que há algo errado, mas a desconfiança mútua, o medo e a paranoia superam qualquer coisa. Deixando de ver que o verdadeiro problema está ali, sendo incubado na frente de todos.
quinta-feira, agosto 28, 2025
Não percebemos o Mal que nos espreita através das telas dos dispositivos em 'Do Not Open'
quinta-feira, agosto 28, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Quando é de graça, você é o produto. Passamos cada vez mais tempo olhando para as telas dos nossos dispositivos, e esquecemos desse simples princípio da Internet das Big Techs. Que sepultou a utopia da World Wide Web dos anos 1990 que via a web como uma gigantesca biblioteca universal para a construção de uma inteligência coletiva. Agora, o usuário é a informação, o produto lucrativo vicioso e compulsivo. Que gera relações familiares e pessoais disfuncionais. “Do Not Open” (2024) transforma a nossa obsessão voltada às telas dos dispositivos móveis em consequências aterrorizantes, em um conto de horror: a alegoria do Mal como um aplicativo abaixado inadvertidamente que passa a conhecer uma família muito mais do que seus próprios integrantes: suas obsessões, vícios e perversões mais íntimas. Para autodestruí-la.
sábado, agosto 23, 2025
O declínio do Império Americano no filme 'A Noite Sempre Chega'
sábado, agosto 23, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Poucos filmes conseguem fundir um contexto com o drama do protagonista, como faz “A Noite Sempre Chega” (Night Always Comes, 2025). O contexto é uma América de desemprego, inflação e trabalhos precarizados, com milhões condenado a viver nas ruas. E o drama de uma protagonista que corre contra o tempo para conseguir 25 mil dólares em 24 horas para sua família não ser despejada. Embora seja uma ficção, impacta muito mais do que vários documentários de Michael Moore denunciando a ilusão do sonho americano. Evita cair no mero drama pessoal e subjetivo para contrapor à realidade de uma América atual decadente. O filme é sobre a jornada de Lynette através da noite para tentar juntar o dinheiro necessário e evitar o despejo da sua família (e principalmente, do seu irmão mais velho com síndrome de Dawn), produzindo uma série de encontros tão assustadores que as pessoas que sobreviveram pensarão neles pelo resto de suas vidas. É o retrato do declínio do Império americano.
sexta-feira, agosto 22, 2025
Terra é um prato cheio de data centers para IA alienígena em 'Guerra dos Mundos'
sexta-feira, agosto 22, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Em 1898, H.G. Wells lançou o cânone da literatura de invasão com o livro “A Guerra dos Mundos”. Ele era ateu e com inspiração socialista e o livro uma alegoria do colonialismo europeu. Certamente não gostaria das várias adaptações de gerações de cineastas, seja com inspirações religiosas ou como peça de propaganda geopolítica dos EUA. Principalmente essa “Guerra dos Mundos”, lançada esse ano pela Prime Video. Dessa vez o alienígena é uma Inteligência Artificial interestelar faminta por dados e que vê na Terra um prato cheio de terabits, repleto de data centers. E mais: descobre no Estado Profundo um aliado involuntário – o governo só pensa em controlar a privacidade das pessoas com sua obsessão regulamentadora. E as Big Techs, vítimas isentas. Do começo ao fim, um merchandising da Amazon, Apple, Google, Tesla, entre outros. Detalhe: quem salvará o mundo será um drone de entregas da Amazon... O filme é um exemplo de como a produção audiovisual reflete o zeitgeist do momento no qual, a cada dia, surgem mais histórias sobre a IA ameaçando a humanidade – a tal de “singularidade” da qual tanto falam os engenheiros computacionais do Vale do Silício.
sexta-feira, agosto 15, 2025
Tirem os adultos da sala porque as crianças salvarão o dia em 'A Hora do Mal'
sexta-feira, agosto 15, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Zach Gregger é um diretor/roteirista que está chamando a atenção. Principalmente, porque seus filmes de terror (“Noites Mortais”) retiram o gênero da clássica matriz edipiana (sedução da inocência, culpa etc.) para tirar o horror de alegorias contemporâneas. Como em “A Hora do Mal” (Weapons, 2025) que parte da alegoria a um evento tão recorrente nos EUA que se tornou iconicamente pop: tiroteios em escolas. Aqui representado pelo desaparecimento de todas as crianças de uma sala de aula: em estado de transe, deixaram suas casas no meio da madrugada. Para desaparecerem. Uma pequena cidade que não consegue dar uma resposta ao trauma, a não ser procurar um bode expiatório, como a caça às bruxas na História. Crianças veem o mundo adulto, que deveria protegê-las, caótico e irracional. Alargando o abismo daquilo que a sociologia chama de “perda do elo geracional”. Parece que Gregger está querendo nos dizer: “tirem os adultos da sala, porque serão as crianças que salvarão o dia!”.
sexta-feira, agosto 01, 2025
Quando o mito da busca da alma gêmea vira horror corporal em 'Juntos'
sexta-feira, agosto 01, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Supostamente, no diálogo “O Banquete”, o filósofo Platão teria criado o Mito da Alma Gêmea: fomos separados em gêneros distintos por conta de Zeus temer o poder humano. Então, passamos a vida inteira atrás da contraparte perdida. Uma poética abordagem da questão do gênero, com o seu valor filosófico. Mas que a Geração Z (os nativos digitais) transformou num conto de horror corporal. É o filme “Juntos” (Together, 2025) que reflete a visão do amor dessa geração, não mais uma “busca de completude”, mas uma “jornada” na qual cada um tem que dar ao outro o espaço para a autorrealização. O amor vira uma questão de logística. Que às vezes pode se tornar “tóxica”. E virar uma claustrofóbica história de terror. Um casal, com sérias fissuras no relacionamento, decide se mudar para o interior para um novo recomeço. Mas um incidente sobrenatural altera drasticamente seu relacionamento, suas existências e, principalmente, suas formas físicas.
quinta-feira, julho 17, 2025
Turismo e os dejetos humanos e da civilização no documentário 'Desastre Total: Cruzeiro do Cocô'
quinta-feira, julho 17, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
A indústria do turismo promete para seus clientes experiências renovadoras, alegria, aventura e diversão. Para fugirem de suas rotinas cinzentas. Mas às vezes descobrimos, da pior maneira possível, que não importa o quão distante nós vamos. Carregamos conosco as mazelas da civilização. É o que nos revela o documentário Netflix “Desastre Total: Cruzeiro do Cocô” (Trainwreck: Poop Cruise, 2025): em 2013 um navio de cruzeiro (com mais de 4 mil pessoas e treze andares) ficou sem energia após um incêndio na casa das máquinas. À deriva no Golfo do México, estarrecidos, passageiros e tripulantes viram excrementos humanos tomando corredores e escorrendo paredes abaixo: sem energia, simplesmente o sistema de esgotos deixou de funcionar. De repente, o navio de cruzeiro virou o microcosmo de tudo aquilo do qual queremos fugir viajando: dos excrementos, sejam humanos ou sociais – lixo, pobreza ou, simplesmente, o outro. Até a mídia descobrir e tudo virar um show de horrores sensacionalistas e uma catástrofe de relações públicas.
quinta-feira, julho 03, 2025
A desconstrução gnóstica e metalinguística de 'Marshmallow'
quinta-feira, julho 03, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
sexta-feira, junho 20, 2025
'Theaters of War': como tornar armas e torturas menos sombrias e criminosas no cinema e TV
sexta-feira, junho 20, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
sexta-feira, junho 13, 2025
A crise de identidade masculina e o machismo renitente do século XXI no filme 'O Surfista'
sexta-feira, junho 13, 2025
Wilson Roberto Vieira Ferreira
Imagine o filme “O Clube da Luta” filmado não em uma paisagem urbana decadente, mas em uma idílica e ensolarada praia na costa australiana. Esse é o filme “O Surfista” (The Surfer, 2024), mais uma produção em que Nicolas Cage faz um personagem que abandona a sua vida pequeno-burguesa para mergulhar no poço da loucura, surrealismo e estranheza. Um homem de meia-idade que busca se reconectar com suas raízes na esperança de comprar a antiga casa da família e mostrar ao filho adolescente as alegrias do surfe. Mas Cage é impedido e hostilizado por surfistas valentões guiados por um líder de uma espécie de seita exclusivista masculina cujo mote é “Surfar, Sofrer!” – através da dor e violência recuperar a essência masculinidade perdida numa sociedade que se tornou decadente, consumista e feminizou-se. A identidade masculina está em crise desde o Pós-Guerra. Mas no século XXI transformou-se em outra coisa: no machismo renitente.




















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