Se no século XIX o horror literário de “Frankenstein”, de Mary Shelley, residia na audácia de desafiar a Deus através da eletricidade, na visão de Guillermo del Toro para o século XXI em "Frankenstein" (2025, indicado ao Oscar de Melhor Filme), o verdadeiro terror é a negligência afetiva. Ao traçar um paralelo entre a desilusão da Criatura e o niilismo de filmes como “Prometheus” (2012), del Toro transita do 'conhecimento proibido' para a 'paternidade tóxica'. Nesta nova adaptação, o mito de Shelley é despido de seu caráter puramente científico para revelar uma parábola visceral sobre traumas herdados, necropolítica e a busca por propósito em um mundo que nos cria, mas se recusa a nos amar. Dessa maneira, a releitura de del Toro mantém o drama existencial gnóstico mais amplo da própria humanidade: fomos jogados nesse cosmos em uma situação frágil e vulnerável e sob os desígnios arbitrários do Criador tentamos encontrar algum propósito na existência.
sexta-feira, janeiro 30, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira


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