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Em “O Fim da Rua” (The End of Oak Street, 2026), o diretor David Robert Mitchell arranca um pacato subúrbio de 1982 do tempo e o arremessa direto para uma selva pré-histórica: um subúrbio de classe média despertando no meio de um Jurassic Park. Mas troca o otimismo técnico do cinema de Steven Spielberg por um retrato implacável das angústias do século XXI. O longa usa a fúria dos dinossauros e a estética oitentista nostálgica não apenas como diversão, mas para dar corpo à “permacrise” — o estado de alerta constante e a sensação de colapso contínuo que assombram a sociedade contemporânea. Ao fundir a estrutura de “chase movie”, o resgate do casamento em meio à catástrofe e a fantasia do "reset" temporal, Mitchell entrega uma alegoria sombria sobre uma era que tenta desesperadamente se isolar do apocalipse doméstico enquanto busca no passado as saídas que não consegue mais enxergar no futuro.
sexta-feira, agosto 21, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira



















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