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sexta-feira, abril 10, 2026

Influenciadores, colunistas e exorcismos: o triunfo da precarização sobre a notícia


Vinte e seis anos após o alerta de Ciro Marcondes Filho sobre a divisão entre o jornalista que 'trabalha em pé' e o que 'trabalha sentado', o campo jornalístico parece ter sucumbido a uma mutação ontológica sob a cortina de fumaça das redes sociais. Entre a contratação de influenciadores para a Copa do Mundo, a priorização de colunistas em vez de repórteres para as eleições e a espetacularização do trash digital de petistas sendo exorcizados em busca de engajamento, o que emerge é um cenário onde a precarização do trabalho e o império do infotenimento tornaram-se faces indissociáveis no Jornalismo. Ao trocar a apuração de campo pela gestão do afeto, o jornalismo corporativo e independente arrisca abandonar sua função de mediador factual para se transformar em um ringue de narrativas movido pela economia da atenção.

segunda-feira, novembro 30, 2020

Cancelamento do debate da Globo e isolamento social: o Circuit Braker político da pandemia


O cancelamento no último instante, por razões sanitárias, do debate na TV Globo com os candidatos às eleições de São Paulo no segundo turno e a imagem de Boulos, em isolamento social, segurando uma cartolina estampada “Vamos Virar!” são emblemáticas. São instantâneos de mais uma janela de oportunidades que a pandemia Covid-19 está proporcionando ao “Estado de Segurança”: o “Circuit Braker” social e político – campanhas eleitorais frias e engessadas, desde as regras dos debates televisivos que evitam confrontos ao esvaziamento das ruas por razões sanitárias e que favorecem a continuidade do "status quo". Com as ruas vazias, como reverter cenários eleitorais adversos? No campo da Comunicação, esse "circuit braker" esvazia a própria alma das transformações políticas: o “acontecimento comunicacional”.

terça-feira, novembro 10, 2020

Deixa esse mundo Ciro Marcondes Filho, o escavador de silêncios


Faleceu nesse domingo (08) aos 72 anos um dos mais importantes teóricos brasileiros da Comunicação e Jornalismo, Ciro Marcondes Filho. Um pesquisador, professor e educador para o qual rótulos não eram coisas bem-vindas: silenciosamente, à margem do mainstream acadêmico da mera replicação das teorias tradicionais, construiu uma nova metodologia e filosofia da comunicação a partir do resgate do pensamento dos estoicos à crítica contemporânea da Metafísica e a Fenomenologia de nomes como Bergson e Merleau-Ponty. Ciro não era um escavador de coisas fossilizadas como dinossauros (que, aliás, queria envenená-los...). Queria escavar o novo cujas ferramentas de prospecção, ironicamente, se esconderiam nas camadas do passado. Professor e orientador desse humilde blogueiro, a existência desse blog deve-se diretamente à sugestão de Ciro e da professora Glória Kreinz em conversas pós aulas: “por que não faz um blog?”... Nada mais gnóstico! Como Theodor Adorno, Ciro parecia querer resgatar aquilo que foi esquecido para se tornar em ensinamento que auxiliasse na construção daquilo que é novo: o acontecimento comunicacional. 

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