Mostrando postagens com marcador Novas tecnologias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Novas tecnologias. Mostrar todas as postagens

domingo, setembro 01, 2019

A burrice e estupidez do futuro já estão entre nós em "Idiocracia"


O filme que originalmente era uma comédia e que se tornou um documentário. Assim é definido o filme “Idiocracia” (“Idiocracy”, 2006) do diretor e escritor Mike Judge (“Beavis e Butthead” e “O Rei do Pedaço”): um casal acorda de uma longa hibernação criogênica de 500 anos para encontrar um mundo no qual a burrice, estupidez e preguiça (e suas consequências como o machismo e a intolerância) se tornam virtudes. O presidente dos EUA é um ex ator pornô e lutador de Telecatch e a água potável foi substituída por um isotônico produzido por uma gigantesca corporação, gerando uma catástrofe ambiental. E a política se confunde com entretenimento e vídeo-game. Um filme tão profético que o próprio estúdio 20th Century Fox resolveu boicotar o lançamento da sua própria produção, escondendo “Idiocracia” das grandes redes de exibição. “Idiocracia” é visionário: como uma sociedade inteira não percebeu que emburrecia enquanto as expectativas sobre o que é ser inteligente cada vez mais diminuíam com o avanço tecnológico e da indústria do entretenimento. 

terça-feira, julho 23, 2019

O Fetiche e a sedução na engenharia social em "A.I. Rising"


Ao lado de filmes como “Ela”, “Ex Machina”, “The Machine” e “Zoe”, a produção sérvia “A.I. Rising” (2018) faz uma reflexão das profundas mudanças no atual desenvolvimento da Inteligência Artificial, presente em cada aplicativo, motor de busca ou sistema operacional. Já não temos mais máquinas ameaçadoras querendo substituir o homem, como o computador HAL 9000 de “2001”. Através da engenharia social, agora criam-se programas sedutores e fetichistas que oferecem a aparência do controle ao usuário. Mas que, na verdade, nos monitoram, controlam e preveem cada padrão comportamental, sob a ilusão da customização e consumo. O astronauta Milutin, acompanhado de um androide feminino, percorrem uma longa missão na direção de Alfa Centauri. Trava-se uma relação intima, erótica e fetichista de um homem com uma “I.A.” corporativa, produto de ponta da engenharia social da Ederlezi Corporation. 

sábado, julho 13, 2019

Entre o lixo psíquico digital e a censura na Internet no documentário "The Cleaners"


Facebook, Google e Twitter, assim como as empresas de tecnologia em geral, passam uma imagem de serem “limpas”. Mas assim como o lixo eletrônico é enterrado longe dos nossos olhos em países africanos, empresas terceirizadas escondem o lixo psíquico das redes sociais. O documentário “The Cleaners” (2018) acompanha trabalhadores terceirizados de Manila (Filipinas) que fazem a moderação dos conteúdos das redes sociais: vídeos terroristas, auto-mutilação, pornografia infantil e suicídio ao vivo são submetidos ao código binário “excluir/ignorar”. Um lixo psíquico tão tóxico que muitos funcionários se matam ou se afastam por sérios transtornos psíquicos. Mas também a terceirização dos serviços de moderação se torna uma forma secreta de censura e filtragem da realidade, modelando nossa percepção do mundo de acordo com os propósitos das gigantes do Vale do Silício. Com a terceirização, elas acabam se eximindo de qualquer responsabilidade, seja legal, política ou humana.

terça-feira, julho 02, 2019

Como fugir da barbárie sem celulares e tablets em "À Espera dos Bárbaros"


Um grupo de seis pessoas está com medo: souberam através das redes sociais que os bárbaros estão chegando. Eles batem à porta da casa de um casal de magos, pedindo para se esconder do perigo iminente. Mas os magos impõem uma condição: deixar seus celulares e tablets num cesto na entrada, para iniciarem uma viagem iniciática e mística no presente e para o passado. Sem wi-fi e Internet, o grupo sente-se nas trevas – como saberão do avanço dos bárbaros sem Internet? Esse é o filme francês “À Espera dos Bárbaros” (“En Attendant Les Barbares”, 2017), de Eugène Green, uma experiência ao mesmo tempo documental e ficcional sobre nossa condição em um mundo tecnológico: a mídia está para nós assim como o peixe está para a água. Sem nossos dispositivos tecnológicos nos sentimos fora d’água. Mas esta não seria a oportunidade de nos religar com o outro e com a realidade? Filme sugerido pelo nosso leitor Fernando Câmara.

domingo, junho 23, 2019

Filme "I Am Mother" é o "Matrix" do século XXI?

“I Am Mother” (2019) é o “Matrix” do século XXI? Novamente vemos a humanidade se confrontando com sombrias inteligências artificiais. Dessa vez não estamos mais prisioneiros num mundo virtual. Mas agora numa “instalação de repovoamento” subterrânea após a extinção da espécie humana. Milhares de embriões congelados gerenciados pela “Mãe”, um androide com funções de criar, educar e amar os novos humanos que reiniciarão a História. A Mãe cria a primeira “Filha” que aos poucos descobrirá que nada é o que aparentar ser: Por que um androide “Mãe” com um design militarizado análogo a um Robocop? Por que a “Mãe” possui parâmetros morais tão utilitaristas? Por que apenas um embrião foi descongelado entre milhares? Mas a verdade virá lá de fora, do novo “deserto do real”.

domingo, abril 21, 2019

Curta da Semana: "Singularity Stories Vol.1" - Inteligência Artificial não gosta de Bruno Mars

Collen confortavelmente senta no sofá da sala de estar. E ordena ao assistente de inteligência artificial, Alexa, a tocar uma música de Bruno Mars. Mas Alexa dispara que não vai tocar, porque Bruno Mars “é um saco!”. Collen ainda não sabe, mas está testemunhando um evento histórico: há poucos minutos, uma confluência aleatória de dados proveniente de três países através da Internet fez emergir uma singularidade tecnológica – uma super-inteligência artificial global, senciente e autônoma... e que não gosta do músico, produtor e cantor americano Bruno Mars. Esse é o curta “Singularity Stories Vol.1”, de uma série prometida pela produtora CineCisme de contos sobre singularidades tecnológicas – élan místico-religioso que atualmente anima os engenheiros computacionais do Vale do Silício.

sexta-feira, abril 19, 2019

Cem dias de guerra semiótica de Bolsonaro e a alternativa transmídia


Marca simbólica, como se fosse uma espécie de lua de mel de um governo recém-empossado com os eleitores, os 100 primeiros dias do Governo Bolsonaro mostraram que o período foi tudo, menos uma lua de mel. Cem dias de guerra semiótica no “modo campanha”:  juntos, Bolsonaro e General Mourão, fazem o jogo hollywoodiano do “bad cop/good cop” para gerar informações e contra-informações, dissonâncias e táticas criptografadas: enquanto o presidente pira, o vice-general baixa a bola e, de repente, vira o centro da racionalidade de um governo supostamente formado por malucos no qual todos parecem bater cabeças uns nos outros. O “wishiful thinking” da esquerda vê um governo desarticulado, mostrando rachaduras aqui e ali. É isso que querem que todos pensem. Um governo que vive do caos, mas um caos com método. Enquanto isso, os “coletes amarelos” da França podem ensinar uma alternativa para a esquerda: a guerra semiótica transmídia.  

quarta-feira, abril 10, 2019

Curta da Semana: "Alternative Math" - a ameaça do anti-intelectualismo e irracionalismo


2 + 2 é igual a 4. Essa é a verdade do raciocínio lógica da Matemática. Uma verdade factual. Ou será que não? Por que não, igual a 22? Afinal, não vivemos numa sociedade de liberdade de opinião? Então a Matemática e seus professores são espertalhões autoritários querendo impor seus pontos de vista? Eles estão por trás de uma conspiração para tolher a liberdade cognitiva dos estudantes? Esse é o tema do divertido curta “Alternative Math” ("Matemática Alternativa", 2018), uma comédia com diversas camadas interpretativas, mas que também tem um tom assustador sobre o mundo potencialmente terrível que está à nossa espreita: o ressentimento que produz a onda anti-intelectualismo e irracionalismo da pós-verdade – nas mídias sociais, realidades paralelas e bizarras teorias conspiratórias ganham o mesmo status de verdades científicas sob o álibi da liberdade de opinião. Curta sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

quarta-feira, março 06, 2019

Curta da Semana: "Animals" - Smartphone e solidão nos tornam selvagens


Um dia como outro qualquer de pessoas comuns viajando em um trem. Cada um perdido em seus próprios pensamentos e preocupações. Até que surge o inesperado: a porta do vagão não abre, e o trem permanece em movimento para as próximas estações.  Aquelas nove pessoas começarão a fazer uma rápida descida para o caos, a irracionalidade e, por fim, a selvageria – tudo registrado por um smartphone de um passageiro que apenas se preocupa em postar o vídeo em redes sociais, ao invés de tomar uma atitude de ajuda. Esse é o curta-metragem “Animals”(2019), trabalho de conclusão do “Animation Workshop” do animador dinamarquês Tue Sanggaard. Seis minutos que resumem as principais teses clássicas da psicologia social sobre o comportamento do homem na multidão. Porém, no século XXI, turbinadas pelas novas tecnologias.

domingo, março 03, 2019

O autoproclamado presidente José de Abreu e a "Carta Roubada" de Allan Poe



Teve repercussão internacional, ele chamou o autoproclamado presidente Juan Guaidó para o debate e o Google o reconhece como presidente do Brasil. Estamos falando de uma perfeita bomba semiótica de trolagem (“culture jamming”): através do Twitter, o veterano ator José de Abreu se proclamou presidente do Brasil e vem postando resoluções executivas tais como convocar Chico Buarque para o ministério e Marcelo D2 se colocou à disposição para o novo governo. Uma trolagem perfeita num momento em que a grande mídia vive a saia justa de tentar dar naturalidade e lógica a eventos arbitrários na atual guerra híbrida no Brasil e Venezuela. O impacto estratégico dessa bomba de trolagem está na semelhança da questão semiótica proposta pelo conto "A Carta Roubada" de Edgard Allan Poe: o que procuramos pode estar na frente do nosso nariz – na intransitividade dos signos da grande mídia, tão vazios quanto uma nota de três reais.
Este “Cinegnose” vem insistindo em postagens e workshops nos quais participa que diante de um contexto de guerra híbrida, no qual a grande mídia combinado com a chamada “cultura de convergência” (redes sociais digitais e dispositivos móveis) têm papel central, as táticas de guerrilha semiótica são as primeiras formas de ativismo político.
Se no Brasil foi fácil as táticas de guerra híbrida encontrarem o gatilho cognitivo ideal para chegar ao impeachment de 2016 (a apropriação das manifestações de rua a partir de 2013, anti-petismo e polarização da opinião pública), na Venezuela as coisas fugiram ao script.
Mesmo depois da mídia corporativa internacional e agências de notícias baterem nos “indicadores macroeconômicos em colapso”, no “aumento da desnutrição” e “regressão epidemiológica” (que, de resto, o Brasil apresenta o mesmíssimo quadro) transformando a Venezuela em “tragédia humanitária internacional” e enquadrar o presidente Maduro como “ditador”, o governo insiste em não cair.
                   A perplexidade é tão grande que o Comandante Sul das Forças Armadas dos EUA, general John Kelly, em entrevista à CNN, apontou explicitamente que o interesse norte-americano na Venezuela é ter o controle sobre as maiores jazidas de petróleo do planeta (clique aqui), mandando às favas qualquer prurido moral.



Golpe virtual

Como acompanhamos recentemente, a última cartada foi o líder opositor Juan Guaidó se proclamar presidente da Venezuela: se do lado dos EUA, sem vacilar, as intenções se tornaram explícitas, então do lado midiático o jogo da cena acabou – se o golpe não deu certo, a mídia empossa Guaidó como novo presidente e cria um golpe virtual, contando até com apoio internacional. Para começar, do inacreditável clã Bolsonaro.
E o Dia D foi 23 de fevereiro, no qual o auto empossado presidente lideraria a entrada de “ajuda humanitária” pelas fronteiras da Venezuela, através do Brasil. Um Cavalo de Tróia, para colocar dentro daquele país armas e agentes mercenários para tentar desestabilizar o governo Maduro. Esperavam-se soldados desertando para o lado brasileiro e um povo aliviado dando apoio à causa “humanitária”. Porém, nada aconteceu! A não ser a figura do presidente virtual acenando para a claque midiática.
                  Enquanto isso, a grande mídia brasileira vive uma dupla saia justa: de um lado assumiu a missão de dar alguma racionalidade, método ou um mínimo de seriedade nas intenções em um governo brasileiro no qual ministros e generais batem cabeça e falam barbaridades em série; e do outro, dar sua cota internacional de ajuda ao autoproclamado presidente Juan Guaidó e encontrar também alguma racionalidade em um político que repentinamente se auto nomeia alguma coisa.



A trolagem de José de Abreu

Em meio a esse cenário no qual jornalismo corporativo parece ter perdido totalmente o pudor, eis que o veterano ator José de Abreu dispara uma bomba semiótica de trolagem – “culture jamming”, ativismo semiótico de guerrilha que visa romper ou subverter conteúdos midiáticos, expondo suas verdadeiras intenções ou artificialismo.
Na noite do dia 25 de fevereiro, José de Abreu se proclamou presidente do Brasil numa série de publicações no Twitter, ironicamente dizendo que seguia o exemplo do líder da oposição venezuelana.
“A partir de hoje (25) eu sou o autodeclarado Presidente do Brasil. Igual fizeram na Venezuela. Lulá está nomeado chefe da casa civil, militar e religiosa do Brasil”, escreveu o ator. Desde então, publica suas decisões como presidente.
Minutos depois, alguém foi à página da Wikipedia no verbete Brasil e mudou a linha referente ao presidente e colocou: “em disputa”, com uma nota de rodapé na qual lê-se que Zé de Abreu é o “presidente interino constitucional”, visto que “a posse de Jair Bolsonaro seria sem efeito”. 
                  Sentindo o impacto da explosão dessa bomba semiótica, a mídia corporativa brasileira tenta minimizar seu estrago – enquadra a notícia em editorias como “Celebridades”, “Famosos” ou “Televisão”. Enquanto em sites internacionais a repercussão é como notícia política, como na “Brasil Wire”: “Meet Brazil’s new President: José de Abreu”... clique aqui.



Uma bomba perfeita

Uma perfeita bomba semiótica de trolagem. Se não, vejamos:
(a) Uma brincadeira ao mesmo tempo séria e irônica com esses tempos de “democracia plebiscitária” nas redes sociais. Como tenta a direita nacionalista de Trump, Bolsonaro e Steve Bannon, transformar as redes sociais em uma forma populista de “governo direto”, sem representação política. Na qual a discussão pública mediada é substituída por pitacos, bravatas e provocações visando deliberada polarização para travar qualquer debate racional. 
(b) A trolagem de José de Abreu explicita no atual momento a ameaça de algo mais sério do que as fake news: a pós-verdade. Como o linguista Noam Chomsky argumenta, as pessoas não acreditam mais nos fatos e que o critério de verdade deixou de ser importante nas interlocuções pessoais. A trolagem do ator confirma de forma tragicômica o diagnóstico de Umberto Eco sobre a Internet e as redes sociais: “as mídias sociais deram direito à fala a legiões de imbecis que antes falavam só no bar, sem causar danos à coletividade”, frase dita após uma cerimônia na Universidade de Turim, em 2015.
(c) O despudor da grande mídia atual é tão grande que fica explícito o artifício e a intransitividade entre discurso e a realidade – como assim, alguém se autoproclama presidente e a comunidade política internacional o reconhece como Chefe de Estado?
O que lembra o conto de Edgard Allan Poe “A Carta Roubada” que inaugura a moderna literatura policial. Poe nos conta a história de uma carta que foi surrupiada e escondida onde ninguém encontra, mesmo estando na frente do nariz dos protagonistas: em um porta-cartas pendurado no meio da lareira.
Pois a constitucionalidade da autoproclamação de Guaidó e a democracia plebiscitária de Bolsonaro (que os analistas políticos do nível de Camarottis ou Mervais tentam encontrar alguma seriedade ou lógica) parecem-se com a carta de Poe: são meros significantes vazios e intransitivos, sem lastro com a realidade. Em termos linguísticos, significantes sem significados.
Enquanto no conto de Poe o delegado que investigava o roubo levava em conta as estatísticas dos seus anos de polícia (sempre os criminosos ocultam objetos roubados em lugares rebuscados), não considerou como um criminoso poderia agir com simplicidade – esconder a carta no lugar mais óbvio.
Pois a autoproclamação de Guaidó, assim como as inúmeras notícias da pauta do mainstream jornalístico, são como a carta roubada de Poe – são narrados e analisados como fatos lógicos, com uma racionalidade histórica.
Mas nada mais são do que nomes, signos tão vazios como uma nota de três reais. 
A trolagem de José de Abreu explicita isso, ao repetir no humor e ironia o mesmo gesto de um personagem supostamente pertencente à realpolitik. 
“Vamos respeitar a minha presidência como estão respeitando a do venezuelano, por que não”, publicou José de Abreu.
Esse é o objetivo estratégico de toda guerrilha anti-mídia: desmoralizar a agenda da grande mídia.

Postagens Relacionadas



domingo, janeiro 27, 2019

Rebaixamento dos padrões de inteligência da Revolução Industrial 4.0 criou Bolsonaro

No momento em que o presidente eleito Jair Bolsonaro saiu da sua zona de conforto e se expôs em cenários não controlados como o Fórum Econômico de Davos ou a tragédia humano-ambiental de Brumadinho/MG, revela-se a sua condição limítrofe, com sérias deficiências cognitivas. E diante de pesquisas de opinião cujos resultados se colocam contra as principais linhas da sua “plataforma de governo”, muitos questionaram: mas afinal, como ele foi eleito? Discurso fascista? Anti-petismo? Há um fator ainda não tematizado - as relações intrínsecas entre a chamada “alt-right” (direita alternativa) e as redes sociais não é um mero acaso ou oportunismo. Personagens como Bolsonaro ou Trump são produtos das tecnologias de convergência da Revolução Industrial 4.0. Tecnologias que criaram uma cultura de aplicativos e redes sociais estruturada na noção algorítmica de “Inteligência Artificial”, que consiste em rebaixar os padrões do que entendemos como “inteligência”, enquanto os usuários se tornam simples processadores de informação.

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Ano 2019 é um Vortex Temporal? Como modular a atenção em tempos extremos, por Nelson Job

Este ano de 2019 aparece com recorrência no imaginário especulativo como um ano de "turning point". Parece ter sido privilegiado por obras do passado de cineastas, escritores e médiuns que o elegeram como um ano marcante. Os filmes “Blade Runner” e “O Sobrevivente”, o animê “Akira”, as previsões de Isaac Asimov e de Chico Xavier, todos fazem referência a este ano. Quais as razões disso? 2019 será, de fato, o trampolim de uma Nova Era, como astrólogos e esotéricos do mundo inteiro anunciam, ou será uma completa catástrofe? Podemos entender o ano de 2019 como uma espécie de vortex transtemporal? Forças dos acontecimentos anteriores e do futuro estariam de auto-organizando no tempoNeste artigo, investigaremos essas ocorrências e traçaremos um desdobramento delas.

quinta-feira, janeiro 17, 2019

A autoabdicação humana no filme "Cam"

Se em “A Rede”, de 1995, o tema do roubo da identidade de bancos de dados era tratado dentro do gênero thriller policial, no filme “Cam” (2018) torna-se agora um evento entre o fantástico e o sobrenatural. Por que o tema da invasão de privacidade sofreu uma guinada de gênero tão radical? Uma jovem que faz “lives” de pornografia softcore, cujo sonho é chegar ao Top 50 de um website erótico, vê uma réplica exata de si mesma roubar sua identidade virtual, substituindo-a. Sem controle do seu “doppelgänger”, sofre as consequências na vida familiar. Porém, seu duplo parece ser mais destemido do que o original, a tal ponto que os limites entre o real e o virtual desaparecem. Se no passado ver o seu duplo no espelho e na fotografia despertava assombro e medo, hoje na cultura das “selfies” e webcams das “lives” em redes sociais o duplo gera inveja e aspiração por uma vida dinâmica, alegre, sem culpas e preocupações. Abdicamos de toda humanidade pela representação algorítmica de nós mesmos. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

domingo, dezembro 02, 2018

Alarme do Ciberespaço! Tempo Real destruirá a Democracia

Einstein teria falado sobre a “segunda bomba”: A bomba eletrônica, depois da atômica. Uma bomba na qual o que o tempo real é para a informação corresponderia ao que a radioatividade é para a energia. Em artigo de 1995, publicado na “Le Monde Diplomatique”, intitulado “Vitesse et Information: Alerte Dans le Cyberespace!”, o urbanista e pensador francês Paul Virilio alertava para o “grande evento que dominará o século XXI”: a corrosão da Democracia pelo tempo real das redes digitais. Um novo complexo militar que o Pentágono iniciava naquele ano – uma “revolução no exército junto com uma guerra do conhecimento que substituirá a guerra de campo”. Eram os esboços cibernéticos que hoje se transformaram em engenharia política. A vitória de Bolsonaro foi um dos laboratórios da corrosão da representação política pelo tempo real. E agora, os protestos dos “coletes amarelos” na França promete que essa engenharia será global.

domingo, novembro 25, 2018

Curta da Semana: "Big Data - L1ZY" - os fantasmas que assombram a Internet

Uma típica família de classe média suburbana passa a ser assombrada por um novo dispositivo de Inteligência Artificial. “Big Data – L1zy” é um curta sombriamente satírico ao melhor estilo “Black Mirror”, mas emulando um “infomercial” típico das TVs norte-americanas. “L1zy” é uma paródia de assistentes pessoais inteligentes como Alexa ou Siri – como sob a aparência amigável de vozes sexies, nossas vidas são hackeadas pela mineração de Big Data e algoritmos que probabilisticamente preveem nossas desejos e comportamentos. “Big Data – L1zy” propõe uma amarga reflexão: como a Internet, da utopia da “biblioteca universal” e da “rede de inteligência coletiva” se transformou em um conjunto de plataformas que em segredo sequestra nossos dados pessoais com objetivos mercadológicos e políticos.

sábado, novembro 17, 2018

Cinegnose e Coletivo Resistência discutem guerra semiótica e antimídia


A convite do Coletivo Resistência, este editor do “Cinegnose” discutiu o tema “Guerra Híbrida e Guerra Semiótica” nessa última quarta-feira (14/11) no Sindicato dos Bancários no Centro de SP. Na pauta, o detalhamento das táticas de mineração de Big Data nas redes sociais nas campanhas de Trump e Bolsonaro, e a articulação entre mídias tradicionais e as redes – “frame set” + criação de “Co-Memes” (constelação de memes que se apoiam mutuamente). E a tríade de articulação de uma contra-comunicação: explorar o mesmo campo simbólico da direita, prospecção de líderes de opinião e estratégias de guerrilhas antimídia. Mas principalmente, como recuperar a aura antissistêmica do campo progressista – competentemente hackeada pelo discurso politicamente incorreto da direita. Como? Talvez a célebre e cínica revista de paródias incorretas underground “Mad” possa ser uma fonte de inspiração criativa.

domingo, novembro 04, 2018

Vinte e seis anos depois, Brasil se parece com "Bob Roberts"

Num país onde a elaboração de um roteiro para o cinema e o planejamento do marketing político de um candidato são a mesma coisa, filmes como “Bob Roberts” (1992) não se limitam a fazer uma mera sátira da política. Vai mais além, misturando fatos reais da propaganda política com a ficção. Produzindo o paradoxal efeito “mockumentary” – acreditar na realidade por meio de um filme ficcional que simula ser um documentário sobre um candidato de extrema-direita ao Senado dos EUA. Um filme obrigatório, principalmente após o controvertido processo eleitoral brasileiro que levou outro candidato da extrema-direita ao poder, dessa vez à presidência. Após 26 anos da exibição de “Bob Roberts”, o filme continua assustadoramente atual, com surpreendentes semelhanças com as eleições brasileiras: manipular os fios da “política das emoções” (racismo, sexismo etc.) para esconder que por trás não existe nada.

sexta-feira, novembro 02, 2018

Retrofascismo: na Guerra Híbrida o fascismo retorna como farsa

Em 2011 este “Cinegnose” teve uma sombria antevisão: “o retrofascimo brasileiro só está à espera de uma tradução política para conquistar, mais uma vez, o Estado”, afirmava este humilde blogueiro. E este momento chegou! Só que dessa vez como farsa, diferente da tragédia do fascismo clássico do século XX. Conceito criado pelo pesquisador em Cultura e Tecnologia, Arthur Kroker, “retrofascismo” representa o mix dos motivos que fizeram surgiu o fascismo histórico com a hipertecnologia do século XXI. É necessário entender as nuances entre o fascismo do passado e o atual, como mais um lance no xadrez geopolítico da Guerra Híbrida brasileira: assim como no passado, o retrofascismo utiliza a matéria-prima psíquica da personalidade autoritária, mas dessa vez como estratégia de dissuasão midiática (e, por isso, como farsa) – criação da agenda da polarização em torna das questões identitárias, culturais e de costumes para esconder um programa de governo ruim de voto. Porém, produziu três efeitos residuais: o efeito “Uma Noite de Crime”; o efeito “A Ficha Caiu!”; e o efeito “Apertem os Cintos, a Grande Mídia sumiu!”.

quinta-feira, outubro 25, 2018

"Esquerda precisa de um novo Goebbels?", indaga Cinegnose na CEE-Fiocruz no Rio


Nessa segunda-feira este humilde blogueiro participou da oficina “Guerra Semiótica, Políticas Sociais e Saúde” após gentil convite da pesquisadora Letícia Krauss, coordenadora do evento. A oficina foi no CEE-Fiocruz (Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro). Procurei fazer um comparativo entre as ações da direita e esquerda, no espectro político, dentro do campo da comunicação. O problema: enquanto a esquerda mal compreendeu o funcionamento das mídias de massa no século XX, nesse século a direita da um segundo salto tecnológico com a guerra semiótica no campo das tecnologias de convergência – Internet e redes sociais. Solução: lutar no mesmo campo simbólico da direita, modular a comunicação para alcançar líderes de opinião de grupos e comunidades (analógios ou digitais) e táticas de guerrilha antimídia. Será que para isso seria necessário um novo Goebbels, agora na esquerda?

quarta-feira, outubro 10, 2018

Bolsonaro é um avatar. Como enfrentá-lo?


Estamos à beira do desfecho de uma guerra híbrida iniciada em 2013 com as chamadas “Jornadas de Junho”. Num mecanismo tão exato quanto um “tic-tac”, passo a passo, um depois do outro, irresistível, sistemático: a Política foi demonizada, um governo foi derrubado, o psiquismo nacional envenenado e a polarização despolitizou e travou qualquer debate racional. Tudo iniciado pelas bombas semióticas detonadas diariamente pelas mídias de massas. E nesse momento o desfecho ocorre na velocidade viral das redes sociais. Por isso, Bolsonaro converte-se em um “candidato-avatar”: a Nova Direita descobriu a tática do “Firehose” – a espiral de boatos e desmentidos pelos “fact-checking” cria paradoxalmente o subjetivismo e relativismo que blinda o próprio candidato-avatar. Apesar de toda essa pós-modernidade, a Nova Direita tem o mesmo elemento de estetização da política criada pelo fascismo histórico: a narrativa ficcional cômica – de programas de humor da TV, Bolsonaro despontou como um “mito” de quem ria-se e não se levava a sério. Por isso, circulou livremente. Hoje, é o protagonista do “gran finale” da guerra híbrida. Como enfrentar um avatar?

Tecnologia do Blogger.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Bluehost Review