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domingo, agosto 11, 2019

Livro "Dark Star Rising": como a Magia e o Oculto levaram Trump e Alt-right ao poder


Quando pensamos em magia e ocultismo logo associamos a coisas como feitiçaria, estranhos rituais, incensos, satanismo etc. Porém, a magia moderna está muito além disso.  Desde que, no século XX, o mundo da magia e do oculto, representado por figuras como Julius Evola e Aleister Crowley, se encontrou com a propaganda política e meios de comunicação de massa na conjuntura do nazi-fascismo. Hoje, dentro do cenário da ascensão da chamada “direita alternativa” (alt-right), surge uma nova convergência: a partir de nomes como Steve Bannon e Richard Spencer, a Magia do Caos (corrente esotérica moderna) encontra-se com Internet, redes sociais e a campanha vitoriosa de Donald Trump. Esse é o tema do livro “Dark Star Rising – Magick and Power in the Age of Trump”, de Gary Lachman - pesquisador que investiga as conexões entre Sincromisticismo e Política. Para o pesquisador, assim como crianças brincando com fósforos, a extrema-direita manipula elementos da Magia do Caos (o Caos como método pragmático: “sigilos”, “memes mágicos” etc.) numa rede digital global que substitui o Plano Astral. Com consequências imprevisíveis. A não ser, a conquista do Poder.

terça-feira, julho 23, 2019

O Fetiche e a sedução na engenharia social em "A.I. Rising"


Ao lado de filmes como “Ela”, “Ex Machina”, “The Machine” e “Zoe”, a produção sérvia “A.I. Rising” (2018) faz uma reflexão das profundas mudanças no atual desenvolvimento da Inteligência Artificial, presente em cada aplicativo, motor de busca ou sistema operacional. Já não temos mais máquinas ameaçadoras querendo substituir o homem, como o computador HAL 9000 de “2001”. Através da engenharia social, agora criam-se programas sedutores e fetichistas que oferecem a aparência do controle ao usuário. Mas que, na verdade, nos monitoram, controlam e preveem cada padrão comportamental, sob a ilusão da customização e consumo. O astronauta Milutin, acompanhado de um androide feminino, percorrem uma longa missão na direção de Alfa Centauri. Trava-se uma relação intima, erótica e fetichista de um homem com uma “I.A.” corporativa, produto de ponta da engenharia social da Ederlezi Corporation. 

sábado, julho 13, 2019

Entre o lixo psíquico digital e a censura na Internet no documentário "The Cleaners"


Facebook, Google e Twitter, assim como as empresas de tecnologia em geral, passam uma imagem de serem “limpas”. Mas assim como o lixo eletrônico é enterrado longe dos nossos olhos em países africanos, empresas terceirizadas escondem o lixo psíquico das redes sociais. O documentário “The Cleaners” (2018) acompanha trabalhadores terceirizados de Manila (Filipinas) que fazem a moderação dos conteúdos das redes sociais: vídeos terroristas, auto-mutilação, pornografia infantil e suicídio ao vivo são submetidos ao código binário “excluir/ignorar”. Um lixo psíquico tão tóxico que muitos funcionários se matam ou se afastam por sérios transtornos psíquicos. Mas também a terceirização dos serviços de moderação se torna uma forma secreta de censura e filtragem da realidade, modelando nossa percepção do mundo de acordo com os propósitos das gigantes do Vale do Silício. Com a terceirização, elas acabam se eximindo de qualquer responsabilidade, seja legal, política ou humana.

sexta-feira, julho 12, 2019

Perdida na guerra semiótica, esquerda agora ataca Tabata Amaral


Freak out!”... Chiliques! Decepção! É assim que parte da esquerda está reagindo ao alinhamento da deputada Tabata Amaral à aprovação do texto-base da Reforma da Previdência na Plenária da Câmara. Muita gente se sentiu “traído”, “decepcionado”. Desesperada, desarticulada e sem conseguir entender até agora a atual guerra semiótica criptografada do clã Bolsonaro, a esquerda viu na jovem deputada uma corajosa heroína progressista que humilhou um e enquadrou outro ministro da Educação de um governo truculento. E até acreditou que a reforma não passaria, diante de uma suposta “crise de articulação” do Governo. Bombardeada por informações taticamente dissonantes e contraditórias, está hipnotizada, assim como a serpente de um encantador hindu. Agora descarregam o ressentimento na jovem deputada que sempre foi coerente e alinhada ao saco de maldades neoliberal. Ela é um Juan Guaidó de saias na atual guerra híbrida... Ou acham que Paulo Lemann estaria investindo em fundações que supostamente formariam novas lideranças progressistas?

terça-feira, julho 02, 2019

Como fugir da barbárie sem celulares e tablets em "À Espera dos Bárbaros"


Um grupo de seis pessoas está com medo: souberam através das redes sociais que os bárbaros estão chegando. Eles batem à porta da casa de um casal de magos, pedindo para se esconder do perigo iminente. Mas os magos impõem uma condição: deixar seus celulares e tablets num cesto na entrada, para iniciarem uma viagem iniciática e mística no presente e para o passado. Sem wi-fi e Internet, o grupo sente-se nas trevas – como saberão do avanço dos bárbaros sem Internet? Esse é o filme francês “À Espera dos Bárbaros” (“En Attendant Les Barbares”, 2017), de Eugène Green, uma experiência ao mesmo tempo documental e ficcional sobre nossa condição em um mundo tecnológico: a mídia está para nós assim como o peixe está para a água. Sem nossos dispositivos tecnológicos nos sentimos fora d’água. Mas esta não seria a oportunidade de nos religar com o outro e com a realidade? Filme sugerido pelo nosso leitor Fernando Câmara.

domingo, junho 23, 2019

Filme "I Am Mother" é o "Matrix" do século XXI?

“I Am Mother” (2019) é o “Matrix” do século XXI? Novamente vemos a humanidade se confrontando com sombrias inteligências artificiais. Dessa vez não estamos mais prisioneiros num mundo virtual. Mas agora numa “instalação de repovoamento” subterrânea após a extinção da espécie humana. Milhares de embriões congelados gerenciados pela “Mãe”, um androide com funções de criar, educar e amar os novos humanos que reiniciarão a História. A Mãe cria a primeira “Filha” que aos poucos descobrirá que nada é o que aparentar ser: Por que um androide “Mãe” com um design militarizado análogo a um Robocop? Por que a “Mãe” possui parâmetros morais tão utilitaristas? Por que apenas um embrião foi descongelado entre milhares? Mas a verdade virá lá de fora, do novo “deserto do real”.

quinta-feira, junho 20, 2019

Livro "A Morte da Verdade: a culpa é dos russos e pós-modernos

A Internet era um sonho do Vale do Silício, um paraíso inspirado na fé pela natureza humana criado por pioneiros tecnológicos. Então, apareceram “agentes mal-intencionados” que deturparam tudo com o pecado – fake news, pós-verdades, obscurantismo e preconceitos. Na capa do livro que nos conta essa história bíblica vemos uma serpente que se esgueira para fora de um balão de HQ. Essa serpente é Donald Trump e a chamada “direita alternativa”, ajudados por hackers russos. Mas também inspirados nos pensadores pós-modernos como Baudrillard e Derrida que teriam destruído a âncora filosófica da Verdade – a noção de Realidade, fazendo o Paraíso decair no niilismo e relativismo.  A crítica literária norte-americana Michiko Kakutani vai encontrar o pecado original das fake news nos hackers russos e pensadores do pós-modernismo no seu livro “A Morte de Verdade”. Kakutani revela um discurso que transforma não só a teoria das fake news em um novo rótulo do jornalismo corporativo no mercado das notícias. Também é uma forma ideológica de varrer para debaixo do tapete as mazelas da financeirização global, das "machine learnings" e algoritmos do Vale do Silício – a culpa é sempre dos russos e franceses...

terça-feira, junho 18, 2019

Vaza Jato do Intercept desperta o "demasiado humano" nacional


Finalmente o Brasil se moveu. Na falta das ruas ocupadas de forma contundente e com uma oposição confortável no “wishful thinking” do “quanto pior melhor”, foi preciso o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, com a retaguarda bilionária do gênio tech franco-americano Pierre Omidyar, para balançar as peças do xadrez político nacional. Por isso, a Vaza Jato parece ter despertado o nietzschiano “demasiado humano” naqueles que foram tirados do torpor: agora tenta-se encaixar aquilo que se vê na opinião que cada um tem de si - ou colocam sob suspeita o mensageiro, ou ansiosamente tentam criar teorias sobre a misteriosa fonte da equipe do Intercept Brasil. E se esquece da principal oportunidade que se abre: o conteúdo do vazamento e a investigação coletiva.
“O indivíduo quer geralmente por meio da opinião dos outros, certificar e fortalecer diante de seus olhos a opinião que tem de si”, escrevia o filósofo alemão Nietzsche na obra de 1878 “Humano, Demasiado Humano”. Texto que não só marcou a sua ruptura com o romantismo de Richard Wagner como também com o pessimismo de Schopenhauer, buscando libertar o espírito da “cupidez insatisfeita”.
Os vazamentos publicados pelo site Intercept Brasil, liderado pelo premiado jornalista Glenn Greenwald, não só revelaram as perigosas relações promíscuas entre Justiça, grande mídia, procuradores e Polícia Federal. Também despertou o “demasiado humano”, a que se referia Nietzsche, quando a bomba explodiu e espalhou estilhaços para todos os lados. 
                  Jornalistas, grande mídia, governo e os, outrora, super-heróis Moro e Dallagnol, todos agora tentam puxar “a brasa para sua sardinha”. Isto é, encaixar o “ruído” que perturbou a paz de cemitério da (a)normalidade nacional dentro das narrativas de cada um. Isto é, transformar o escândalo da Vaza Jato em oportunidade reforçar a opinião que cada um tem de si mesmo. 



Quem é o “Garganta Profunda”?

O curioso é que por todo o espectro político, da direita à esquerda, poucos parecem se deter no conteúdo das conversas vazadas do aplicativo Telegram. A maioria parece querer mesmo especular sobre quem é o “Garganta Profunda”: alguém a mando do STF querendo cortas as asas de Moro e República de Curitiba? Um hacker russo? Guerra híbrida do Deep State norte-americano para justificar um golpe militar no Brasil? Alguém de dentro da PF que por anos veio montando esse dossiê? Ação dos BRICS, coordenada pela Rússia, para evitar que o Brasil se torne um quintal dos EUA?
Como previsto, principalmente para a equipe do Intercept Brasil, Moro e Dallagnol pautam a grande mídia com a narrativa do crime cibernético. Tanto insistiram na criação desse roteiro que esqueceram de um detalhe: essa insistência estava fazendo-os esquecer do conteúdo das conversas comprometedoras.
O silêncio do ex-juiz e do procurador começava a soar como um atestado de autenticidade das informações vazadas. Então o ministro Sérgio Moro, fazendo sua tradicional cara de paisagem com os olhos perdidos no horizonte, passou a falar que “não vislumbrava nenhuma anormalidade” nas conversas vazadas e fugia de perguntas ou entrevistas.
Mais combativo, o procurador Dallagnol divulgou uma nota alarmista denunciando “invasão de celulares” dos procuradores do MPF. Uma “afronta grave e ilícita contra o Estado”, que a Polícia Federal já estaria monitorando há um mês – o que lembrou o clássico script dos atentados na Europa: sempre a polícia afirmava que “monitorava os suspeitos” há meses. O que não impedia dos supostos terroristas do ISIS explodir suas bombas, atropelar pedestres e largar (providencialmente!) qualquer documento de identificação nas proximidades dos incidentes.
                   Mas, se há uma afronta assim tão grave ao Estado, porque as vítimas Dallagnol e Moro não entregam seus celulares para que a Polícia Federal faça a perícia necessária?



Isso levou-os a mais uma contradição nas tentativas desajeitadas de dar algum tipo de resposta rápida à Greenwald e sua equipe. Sem uma narrativa verossímil, Moro ameaçou partir para as vias de fato: em entrevista publicada na última sexta-feira pelo Estadão, Sérgio Moro sugeriu que o Intercept Brasil estaria na mira da Polícia Federal. 
Em sua tradicional tergiversação em "juridiquês" (sempre tentando encontrar algum álibi para a ação política), Moro falou em “crime em andamento”, muito além do que uma “invasão pretérita” – Moro recorreria ao “estado em flagrante delito” e abriria o menu tão conhecido da Lava Jato: diligências, busca e apreensão, condução coercitiva e prisão preventiva.
O próprio pivô da Vaza Jato mandando prender o mensageiro dos vazamentos? Isso pegaria muito mal... mas, convenhamos, todos esses anos da Lava Jato e as condições que levaram o atual Governo ao Poder provam que o País já atravessou há muito o rubicão...

A aposta da Globo

E a Globo está pagando para ver. Mas não sua tensa equipe de colunistas e analistas, que teme ser sugada pelo rodamoinho dos vazamentos que comprovem as notórias relações promíscuas com fontes judiciárias e policiais. Sob as rédeas do jornalismo de ponto eletrônico, estão sendo obrigados a embarcar numa missão que pode definitivamente acabar com suas credibilidades.
                  Greenwald já havia feito uma parceria com a Globo na divulgação do material das informações vazadas por Edward Snowden. Em 2013 era interessante para a emissora bombar aqueles vazamentos em pleno JN: denunciar que a presidenta Dilma e Petrobrás eram as principais vítimas de espionagem eletrônica da NSA. Para a Globo, mais um ingrediente para acirrar o então clima de desestabilização política – mostrar a tibieza de um governo em descontrole.



Mas agora não. Simplesmente porque a principal arma para a desestabilização política, cuja etapa mais contundente começava naquele ano, era a Lava Jato. Depois de tantos anos, a Globo não pode dar uma guinada de 180 graus na narrativa do combate à corrupção.
Mesmo ao custo de (para criar a percepção popular da ilegalidade da Vaza Jato) inventar o bizarro personagem do senhor Hacker que faria parte de um amplo ataque contra políticos e o próprio Estado. Em rede nacional, com direito a uma caprichada arte, o JN nos apresentou um educado hacker conversando com o hackeado (!), o procurador José Rovalim Cavalcante... um hacker educado, com português corretíssimo, sem ideologias, apartidário e ressaltando o bem que fez ao País a Lava Jato...
                   Além disso, narrativa do crime cibernético se encaixa perfeitamente à natureza tautista da Globo: ameaçada pelas tecnologias e mídias de convergência (ao lado do rentismo, seu ganha-pão ainda é a TV aberta – vender espaço publicitário em troca de entretenimento), costumeiramente em seus telejornais a pauta que envolve Internet e celulares sempre foi negativa: para a emissora, Internet, redes sociais e celulares são sinônimos de crime, vício, piratas e pedófilos.
                    É uma aposta alta. Não só poderá ficar mais uma vez para trás na História (como foi no episódio das Diretas Já nos anos 1980), como também poderá implicar no sacrifício de seus profissionais, pegos com a boca na botija pelos vazamentos do “Senhor Garganta Profunda”. E repetir o episódio da punição ao repórter esportivo Mauro Naves – responsabilizar incautos jornalistas individualmente por falha ética, por um modus operandi que é do próprio jornalismo global – clique aqui.


O bilionário Pierre Omidyar: instrumento de guerra híbrida?

Quinta coluna

E na outra ponta, mais à esquerda do espectro político, também o demasiado humano se revela: blogs “quinta coluna” criam uma outra narrativa – a de que Glenn Greenwald é mais instrumento de guerra híbrida do Deep State norte-americano. Uma partitura “made in CIA” para fazer a esquerda entrar no coral diversionista e criar um novo “incêndio do Reichstag” que criaria o álibi para o definitivo golpe militar brasileiro.
Afinal, “hackers russos” estariam por trás de tudo, disparando os alarmes das casernas. Para os EUA, pouco importaria o cenário interno da política brasileira. O mais importante é o xadrez geopolítico mundial de combate à China...
Greenwald seria suspeito. Afinal, por trás do Intercept, está o bilionário franco-americano Pierre Omidyar, fundador do eBay e do grupo de mídia progressista First Look. Cujo principal veículo é o portal de notícias Intercept. Considerado a “menina dos olhos” do bilionário gênio tecnolológico. Recluso e pouco dado a entrevistas, Omidyar fez um aporte de 250 milhões de dólares no portal em 2013 com o objetivo de fazer, segundo ele, um jornalismo “mais independente” do que o da concorrência.  
                  Mas o fato é que Greenwald com o seu “Garganta Profunda” fizeram, finalmente, o Brasil se mover.



Na falta das ruas ocupadas com manifestações contundentes (ou, como fala o jornalista Mino Carta, “sangue escorrendo pelas calçadas”) que criassem o transe de um país ingovernável (semelhante ao ataque mortal que a guerra híbrida desferiu contra o governo Dilma), e com uma oposição que mais parece apostar no quanto pior melhor e na confortável "Síndrome de Brian" (clique aqui), foi necessário um jornalista norte-americano para por em movimento o xadrez político nacional.
Essa foi a questão que despertou o “demasiado humano” dos personagens que outrora pareciam confortavelmente paralisados. Por todos os lados, ou colocam sob suspeita o mensageiro, ou ansiosamente tentam criar teorias sobre a misteriosa fonte da equipe do Intercept.
Cada um tenta se realinhar, procurando encaixar a Vaza Jato na própria narrativa pessoal. Em termos nietzschianos, certificar-se de que o que tem diante de si possa reforçar a opinião que cada um tem de si mesmo.
Enquanto o mais importante é esquecido: a investigação coletiva – cruzar cada dado dos vazamentos com os fatos e contextos dos últimos anos.

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terça-feira, junho 11, 2019

Esperando Glenn Greenwald: um réquiem para o jornalismo brasileiro



O terremoto provocado pelo vazamento de conversas comprometedoras entre o então juiz Sérgio Moro e autoridades da Lava Jato e Polícia Federal está cercado de ironias. O site “Intercept Brasil”, do premiado jornalista Glenn Greenwald, revelou relações promíscuas de Moro ironicamente dias depois do caso do jornalista esportivo Mauro Naves no caso Neymar, outro caso de relações perigosas. Mas Greenwald não revelou apenas a parcialidade da Justiça. Expôs internacionalmente o provincianismo e paralisia do jornalismo brasileiro – foi necessário um “gringo” para abalar a paz de cemitério mantida por jornalistas sabujos com rédeas e antolhos mantidos pelas “famiglias” de proprietários midiáticos. Agora, Greenwald tornou-se o “Senhor do Tempo”, com os prometidos vazamentos em conta-gotas, trazendo pânico para empresários, políticos e, porque não, para os promíscuos jornalistas que se lambuzaram por anos com os vazamentos das fontes na Justiça e Polícia Federal.

sábado, maio 25, 2019

Com Trump e Bolsonaro, o video game molda a política


Depois de Trump e Bolsonaro a política nunca mais será a mesma: são duas figuras que despontaram na superfície de um movimento mais profundo que vem intrigando pesquisadores que estudam as transformações da política através da tecnologia: como na nossa sociedade os elementos lúdicos vem invadindo diversas esferas com a proliferação dos jogos, principalmente os eletrônicos. O cinismo e desilusão com a democracia representativa combinados com elementos inerentemente lúdicos das tecnologias digitais, plataformas e aplicativos estariam gerando uma “gamecracia”, “casual política” ou simplesmente uma “neodemocracia”. Assim como nos games, a política estaria sendo moldada por uma irresponsabilidade lúdica, como se tudo fosse apenas um jogo eletrônico no qual as consequências do erro são minimizadas para dar fluência à partida. Afinal, num videogame temos muitas vidas para perder. E até aqui, no espectro político, a direita é aquela que está mais antenada nessas transformações. 

domingo, maio 05, 2019

Construção semiótica da meganhagem nacional prepara próximo golpe


O “Hilbert da Polícia Federal”, o policial “hipster lenhador”, a agente federal que posa de biquíni em redes sociais. São exemplos de uma glamourização midiática diária de policiais e agentes federais, com suas armas negras reluzentes, lubrificadas, coldres, metralhadoras empunhadas ao nível da virilha prontas para entrar em ação. Em tudo se assemelha àquilo que em cinema chama-se “product placement” (inserção de produtos de forma natural em cenas) - sistemática construção semiótica da “meganhagem” (o uso do poder de polícia para fins políticos) como diagnóstico e solução para as mazelas nacionais. Assim como fez a SS na Alemanha, transformando-se em poder paralelo no Estado. E a pedra de toque dessa estratégia é a freudiana fetichização das armas - ganhar apoio da opinião pública para o golpe dentro do golpe que se prepara: o Estado policial que manterá nas rédeas a Justiça, a Política e o povo. 

segunda-feira, abril 22, 2019

Comediante ganha eleições presidenciais na Ucrânia: quando guerra híbrida vira "gamecracia"

“Prometo que nunca vou desapontar vocês!”... Mas também ele garantiu na campanha eleitoral: “Se não tem promessas, não tem decepção!”. Ele nada prometeu. Nem debateu ou deu entrevistas. Ele venceu as eleições presidenciais na Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, comediante e ator da série televisiva “Servo do Povo”: na ficção ele é presidente da Ucrânia desde 2015. Na vida real ganhou as eleições nesse domingo, 21. Mais uma confirmação do célebre clichê de que “a vida imita a arte”? Quando sabemos que o cenário político ucraniano é estratégico para a guerra híbrida engendrada pela geopolítica dos EUA, começamos a perceber que a realidade vai muito além desse clichê. Principalmente quando também sabemos que a quatro dias antes das eleições, o Canal 1 + 1 lançou a última temporada da série de Zelenskiy. Trump, Bolsonaro, e agora Zelenskiy, são espécimes de um novo paradigma da política: a gamecracia - realidade e ficção se confundiram a tal ponto que se transformaram em jogo.

domingo, abril 21, 2019

Curta da Semana: "Singularity Stories Vol.1" - Inteligência Artificial não gosta de Bruno Mars

Collen confortavelmente senta no sofá da sala de estar. E ordena ao assistente de inteligência artificial, Alexa, a tocar uma música de Bruno Mars. Mas Alexa dispara que não vai tocar, porque Bruno Mars “é um saco!”. Collen ainda não sabe, mas está testemunhando um evento histórico: há poucos minutos, uma confluência aleatória de dados proveniente de três países através da Internet fez emergir uma singularidade tecnológica – uma super-inteligência artificial global, senciente e autônoma... e que não gosta do músico, produtor e cantor americano Bruno Mars. Esse é o curta “Singularity Stories Vol.1”, de uma série prometida pela produtora CineCisme de contos sobre singularidades tecnológicas – élan místico-religioso que atualmente anima os engenheiros computacionais do Vale do Silício.

sábado, março 23, 2019

Ressentimento de excluídos alimenta massacres dos zumbis na nova ordem global


“Incels” (Celibatários Involuntários), “Hominis Sanctus”, PUA (Pick-up Artists), formas violentas de socialização masculina (macho alpha etc.) e uma variedade de pseudociências e conspirações LGBTs e feministas contra os homens formam um ecossistema de informação de fóruns e chans da Internet e Deep Web que se transformaram em “exército psíquico de reserva” – usina de ressentimento e ódio que alimenta ataques e massacres como em Toronto, Realengo, Suzano e Nova Zelândia. Um exército de zumbis à espera de cripto-comandos, sejam presentes em videogames ou em discursos de extrema-direita de um Trump ou de um Bolsonaro. Nova ordem global representada pela ascensão do nacionalismo de direita na qual o capitalismo precisa eliminar ou “reciclar” os excluídos (aqueles que nem para serem explorados servem mais). Os que não forem eliminados pelas políticas de redução populacional, tornam-se doadores psíquicos de ressentimento que legitima o Estado policial e militar – aparelho repressivo necessário num cenário de pulverização de garantias e direitos sociais.

segunda-feira, janeiro 28, 2019

Curta da Semana: "Fake News Fairytale" - quando notícias falsas viram contos de fadas

“Políticos são como mágicos, acenando com as mãos, fingindo que o truque está acontecendo em outro lugar. Enquanto isso, eles nos distraem, escondendo aquilo que está acontecendo diante de nossos olhos.” Essa é a conclusão de “Fake News Fairytale” (2018), um curta sobre como se articulam as noções de verdade, ficção, realidade e ilusão nas fake news, abordadas pela diretora Kate Stonehill como narrativas análogas a contos de fadas. Em um divertido documentário que simula ser um “mockumentary”, baseia-se num caso real: a repentina fama que a pequena cidade de Veles, no interior da Macedônica, ganhou como o centro da “corrida do ouro” das fake news: adolescentes que ganharam muito dinheiro com anúncios em website que publicavam notícias falsas repercutidas nas redes sociais a partir de perfis falsos. E ajudando a vitória de Trump nos EUA. Sem emprego ou futuro, jovens viram a chance de ganhar dinheiro rápido. Essa é a matéria-prima da atual ultradireita nacionalista. 

domingo, janeiro 27, 2019

Rebaixamento dos padrões de inteligência da Revolução Industrial 4.0 criou Bolsonaro

No momento em que o presidente eleito Jair Bolsonaro saiu da sua zona de conforto e se expôs em cenários não controlados como o Fórum Econômico de Davos ou a tragédia humano-ambiental de Brumadinho/MG, revela-se a sua condição limítrofe, com sérias deficiências cognitivas. E diante de pesquisas de opinião cujos resultados se colocam contra as principais linhas da sua “plataforma de governo”, muitos questionaram: mas afinal, como ele foi eleito? Discurso fascista? Anti-petismo? Há um fator ainda não tematizado - as relações intrínsecas entre a chamada “alt-right” (direita alternativa) e as redes sociais não é um mero acaso ou oportunismo. Personagens como Bolsonaro ou Trump são produtos das tecnologias de convergência da Revolução Industrial 4.0. Tecnologias que criaram uma cultura de aplicativos e redes sociais estruturada na noção algorítmica de “Inteligência Artificial”, que consiste em rebaixar os padrões do que entendemos como “inteligência”, enquanto os usuários se tornam simples processadores de informação.

terça-feira, janeiro 22, 2019

Marketing pós-humano e pós-verdade na ascensão dos influenciadores virtuais

Lentamente uma nova raça de avatares está se infiltrando nos “feeds” das redes sociais: são os influenciadores virtuais – supermodelos lindíssimas, como vidas cheias de música e ativismo social, promovendo marcas famosas de moda. Mas por trás estão algoritmos probabilísticos combinando o trabalho de fotógrafos, computação gráfica e inteligência artificial. Faz parte da chamada “Revolução Industrial 4.0” que nada mais faz do que estender para o século XXI o espírito do velho capitalismo: redução de custos e enxugamento da cadeia produtiva, aumento de lucros e incremento do controle social e político.  Mas para os seguidores dessa nova geração do Marketing de Influência, pouco importa se os influenciadores são reais ou virtuais – se artistas, celebridades e famosos sempre foram simulacros, então chega de intermediários! Assim como as fake news, o marketing pós-humano está criando a pós-verdade: o mix de autodistanciamento irônico e niilismo. Pauta sugerida pela nossa leitora Alana Pinheiro.

quinta-feira, janeiro 17, 2019

A autoabdicação humana no filme "Cam"

Se em “A Rede”, de 1995, o tema do roubo da identidade de bancos de dados era tratado dentro do gênero thriller policial, no filme “Cam” (2018) torna-se agora um evento entre o fantástico e o sobrenatural. Por que o tema da invasão de privacidade sofreu uma guinada de gênero tão radical? Uma jovem que faz “lives” de pornografia softcore, cujo sonho é chegar ao Top 50 de um website erótico, vê uma réplica exata de si mesma roubar sua identidade virtual, substituindo-a. Sem controle do seu “doppelgänger”, sofre as consequências na vida familiar. Porém, seu duplo parece ser mais destemido do que o original, a tal ponto que os limites entre o real e o virtual desaparecem. Se no passado ver o seu duplo no espelho e na fotografia despertava assombro e medo, hoje na cultura das “selfies” e webcams das “lives” em redes sociais o duplo gera inveja e aspiração por uma vida dinâmica, alegre, sem culpas e preocupações. Abdicamos de toda humanidade pela representação algorítmica de nós mesmos. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

sábado, janeiro 05, 2019

As guerras táticas da comunicação de Bolsonaro

Guerra econômica, guerra cinética, guerra da informação. Esses três princípios da guerra moderna parecem estar estruturando a tática militar de comunicação do “staff” de Bolsonaro. Em quatro dias desde a posse do capitão da reserva, ficou evidente a linha de continuidade entre a campanha eleitoral e a rotina diária do governo. Marcadas não pela estratégia clássica de propaganda, mas por táticas diversionistas de comunicação: “Marxismo cultural”? “Ideologia de gênero”? Bolsonaro desautorizou Paulo Guedes? Quem é menina ou menino? Quem veste rosa ou azul? A logística da guerra é uma questão de desorientar e criar pânico no adversário – no caso atual, criar dissonâncias e ambiguidades. Com isso, qualquer discussão sobre a “guerra econômica” (“tirar”, “acabar”, “reduzir”, “diminuir” etc.) e a guerra cinética (a guerra ao pan terrorismo narco-político), embora com impactos bem concretos num futuro próximo, está oculta da opinião pública com a proliferação de memes, metamemes e análises da grande mídia que escondem o essencial: a guerra produzida sob o discurso da “terra arrasada”.

sábado, dezembro 29, 2018

Esquerda desarmada diante das operações psicológicas "alt-right"

Fotos de Bolsonaro e do futuro ministro da Casa Civi, Onix Lorenzoni, cuja angulação e recorte sugerem ao fundo expressões como “anta” ou “traição governa”; vídeo do capitão reformado lavando roupas no tanque; outro vídeo do presidente eleito com a faca na mão em um churrasco debochando do próprio atentado que sofreu. Tudo material distribuído pela assessoria do presidente, pautando a grande mídia e a indignação da esquerda, como matéria-prima para os protestos que acabam virando apenas “metamemes”. Continua em ação uma estratégia muito mais de comunicação do que de propaganda. Uma operação psicológica baseada nos mecanismos de dissonância e ambiguidade diante da qual a esquerda está paralisada e desarmada, incapaz de compreender a linguagem “alt-right”, a ultradireita alternativa, surgida diretamente de sites como o “4chan” (EUA) ou do “Corrupção Brasileira Memes”(CBM, Brasil).  Uma linguagem cuja mão de obra criadora é farta: a geração NEET (Not currently engaged in Employment, Education or Training) ou “Nem-Nem”, cuja desesperança e niilismo ganharam expressão política depois de anos de animações politicamente incorretas como Os Simpsons, Beavis and Butt-head, South Park, American Dad e o Rei do Pedaço.

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