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sábado, setembro 12, 2026

'Buffet Infinity': o pesadelo cósmico no labirinto do efeito zapping na TV



Se você já sofreu de insônia nas madrugadas dos anos 80 e 90, zapeando por canais dominados por infomerciais absurdos e vendas agressivas, prepare-se para ver essa memória afetiva se transformar em um pesadelo cósmico. Essa é a premissa de Buffet Infinity (2025), uma pérola de estranheza e bizarrice do terror analógico dirigida pelo canadense Simon Glassman. Misturando comédia de humor negro, estética de fita VHS e found footage, o longa subverte a saudosa cultura do "zapping" para narrar o fim do mundo através de comerciais locais de baixo orçamento — entregando uma sátira caótica e desorientadora onde o verdadeiro monstro é o consumismo em estágio terminal.

sexta-feira, agosto 28, 2026

'The Rocky Horror Picture Show': o "Woke" deveria assistir a esse filme



A morte do ator Tim Curry nesta terça-feira, aos 80 anos, reacende o debate sobre o legado inigualável do filme “The Rocky Horror Picture Show” (1975) e de seu mais icônico — e estigmatizante — personagem: o alienígena pansexual Frank-N-Furter. Mais do que uma reverência ao talento clássico do astro britânico, a despedida convida a uma revisitação da obra que instituiu a interatividade do "cinema acontecimento". Quase meio século depois, o clássico cult serve de lente para explicar a crise do sistema de estúdios da Nova Hollywood e, principalmente, para contrastar a anarquia sexual e amoral daquela época com a atual e rígida taxonomia das políticas de identidade e gênero do movimento Woke.

quinta-feira, agosto 27, 2026

'Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte': a matança é o delírio catártico do desejo


Se os clássicos filmes de terror slasher dos anos 1980 usavam assassinos mascarados para punir o despertar sexual adolescente e impor uma moralidade conservadora, o longa Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte (2026) decide virar essa lâmina contra o próprio gênero. Vencedor da Queer Palm no Festival de Cannes, o metalinguístico e nostálgico filme de Jane Schoenbrun subverte as regras de Hollywood: a matança deixa de ser um castigo puritano para se transformar em um delírio catártico indispensável para a quebra da repressão e a verdadeira libertação dos traumas, da identidade queer e do próprio Desejo.

sexta-feira, agosto 14, 2026

'Obsessão': em tempos de algoritmos, o amor pode virar um horror claustrofóbico



Ao migrar da criação de conteúdo no YouTube para o cinema de gênero, Curry Barker trouxe na bagagem algo raro nas produções tradicionais: a fluência nativa da linguagem digital. Em “Obsessão” (Obsession,2025), o cineasta dobra a própria gramática audiovisual das redes para construir um alt-horror visceral - um espelho cirúrgico das neuroses sociológicas e afetivas da Geração Z. O que começa com o tom inocente de uma comédia romântica sobre a dor do amor não correspondido desmorona rapidamente em um horror claustrofóbico quando o protagonista recorre a um atalho sobrenatural para "programar" o afeto de sua amiga de infância. Em “Obsessão”, a maldição mística é mero pretexto: o verdadeiro horror reside na incapacidade de lidar com a imprevisibilidade do outro e na tentativa desesperada de transformar relacionamentos humanos em algoritmos previsíveis. Como num aplicativo de relacionamentos.

sexta-feira, agosto 07, 2026

O mundo moderno é mais aterrorizante do que fantasmas em 'Three... Extremes'



Esqueça as maldições do J-Horror e os espectros do folclore local: na antologia "Three... Extremes” (Saam gaang yi , 2004), os monstros têm rosto, classe social e motivações assustadoramente terrenas. Através dos olhares transgressores de Fruit Chan, Park Chan-wook e Takashi Miike, a antologia símbolo do fenômeno chamado “Extreme Asia” disseca sem anestesia a obsessão pela juventude, a inveja social e a culpa reprimida, revelando como a violência e desigualdades do mundo moderno é mais aterrorizante do que qualquer fantasma.

sábado, julho 25, 2026

'Os Invasores de Corpos': uma refilmagem que anteviu o futuro


Consagrado como uma das raras refilmagens a superar o clássico original de 1956, “Os Invasores de Corpos” (The Invasion of the Body Snatchers, 1978) transformou o pânico alienígena em um retrato cortante da sociedade americana do final dos anos 1970. Ao trocar a paranoia anticomunista da Guerra Fria pela gentrificação e pelo individualismo de San Francisco, o diretor Philip Kaufman aliou o pavor tátil do áudio de Ben Burtt a uma poderosa metáfora política: a substituição de humanos pelo "povo-vagem" conformista e sem afeto nada mais era do que o anúncio da ascensão dos yuppies e do novo conservadorismo que dominariam as décadas seguintes.

sexta-feira, junho 26, 2026

O J-Horror de 'Pulse': fantasmas, Glitch e solidão na Internet


Mais do que uma viagem nostálgica à era da internet discada e dos disquetes de 3,5 polegadas, o clássico do J-Horror Pulse (Kairo, 2001) revelou-se uma profecia sombria sobre a nossa própria solidão digital. Ao cruzar as fronteiras entre a cibernética, a tecnomagia e o ocultismo clássico, o filme de Kiyoshi Kurosawa desafia a lógica de que o sobrenatural depende da continuidade do mundo analógico para se manifestar. Através do glitch e da entropia, a obra demonstra como o invisível coloniza as falhas do código binário, transformando o ciberespaço em um circuito eterno de isolamento existencial e antecipando, na virada do milênio, a transformação da própria humanidade em avatares espectrais.

quinta-feira, junho 04, 2026

'Backrooms - Um Não-Lugar': espaços liminares e o labirinto existencial do século XXI



Um labirinto infinito de paredes amarelas, carpetes úmidos e o zumbido incessante de luzes fluorescentes. O horror de “Backrooms – Um Não-Lugar” (Backrooms, 2026), novo thriller psicológico da A24 dirigido pelo jovem youtuber Kane Parsons, não nasce de monstros clássicos, mas sim da própria arquitetura do século XXI. Ao adaptar o fenômeno das creepypastas de espaços liminares para o cinema, o longa funciona como um sintoma do nosso zeitgeist: uma tradução gélida e perturbadora do conceito de "não-lugar" de Marc Augé, mostrando que o verdadeiro terror da hipermodernidade não é ficar preso em uma dimensão paralela, mas perceber que o mundo real já se transformou em um eterno vazio existencial. O filme transforma o isolamento, a padronização e o vazio da arquitetura hipermoderna em um labirinto de horror existencial e absoluto.

sexta-feira, maio 01, 2026

Televendas é a televisão brutalmente honesta em 'Up The Catalogue'


Se a televisão tradicional é um sanduíche onde o entretenimento é o pão e a publicidade é o recheio, o que acontece quando decidimos servir apenas o recheio, puro e sem disfarces? Ao resgatar o conceito de “Grau Zero” de Roland Barthes — uma escrita despojada de ornamentos e puramente funcional —, descobrimos que os canais de televendas não são uma degeneração do meio, mas sua verdade mais honesta. É sob essa premissa de honestidade brutal que o filme "Up The Catalogue" (2024) mergulha em uma mescla de comédia sombria e sci-fi distópico, transformando o ato de vender em uma prisão existencial onde a apresentadora Hailey Cartin se torna o combustível humano de uma engrenagem que nunca desliga. Um estúdio de TV que é, ao mesmo tempo, um labirinto infinito, uma anomalia em loop tempo-espaço, e uma sentença de prisão.

quinta-feira, abril 09, 2026

O Apocalipse será anunciado por notificações nos celulares em "Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra"



O fim do mundo não será anunciado por trombetas, mas por notificações de celular. Em seu retorno triunfal ao cinema de gênero, Gore Verbinski apresenta “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” (Good Luck, Have Fun, Don't Die, 2025), uma distopia frenética que converte a velha escatologia teológica no novo pavor do século XXI: a supremacia da Inteligência Artificial. Um paranoico e maníaco homem do futuro aparece em uma lanchonete tentando recrutar voluntários para salvar a humanidade dos celulares e IA que ameaçam a obsolescência humana num Apocalipse tecnológico. O filme mergulha na ansiedade algorítmica para questionar se a tecnologia é de fato uma criatura de Frankenstein prestes a nos devorar ou apenas uma cortina de fumaça poética para as opiniões codificadas da elite do Vale do Silício.

sexta-feira, março 20, 2026

O fantasma de Mary Shelley ressignificada assombra o século XXI em "A Noiva!"

 

Se o pós-modernismo do século XX foi uma "colcha de retalhos" de referências estéticas, o século XXI inaugurou a era da ressignificação profunda: o passado agora não é apenas citado, mas recrutado para dar voz às urgências do presente. Como a figura do monstro de Frankenstein em "A Noiva!" (The Bride! 2026). A direção de Maggie Gyllenhaal abraça essa obsessão contemporânea ao transformar a icônica e silenciosa criatura de 1935 ("A Noiva de Frankenstein") em um manifesto punk e visceral sobre autonomia. Entre o fantasma de Mary Shelley e uma Chicago dominada por gângsteres, o longa abandona o papel da "noiva-recompensa" para projetar temas como o burnout da perfeição e a soberania corporal, provando que, na filmografia atual, o clássico de 1818 tornou-se a antessala definitiva para as ansiedades de gênero da nossa era.

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Da engrenagem à fermentação: o burnout e a metáfora do corpo colonizado em 'Kombucha'



Se no século XX o cinema nos alertava sobre o perigo de sermos esmagados pelas engrenagens industriais e corporativas do Capitalismo, o século XXI revela um horror muito mais íntimo e invasivo: a colonização da nossa própria biologia. O filme “Kombucha” (2025), de Jake Myers, eleva a metáfora da exploração corporativa ao limite do visceral, transformando o "bem-estar" do escritório em um pesadelo de body horror. Ao fundir a sátira ácida de “The Office” com a filosofia da "Sociedade do Cansaço" de Byung-Chul Han ao melhor estilo Cronenberguiano, o longa demonstra que, na era do desempenho, a empresa não quer apenas que você "vista a camisa" — ela quer fermentar a sua alma e transformar sua individualidade em uma cultura simbiótica a serviço do lucro.

sexta-feira, dezembro 05, 2025

Quando o menino Jesus se transforma num pesadelo de horror em 'Sombras no Deserto'



Imagine que Jesus, na infância, não era um modelo de virtude, mas sim uma divindade sombria, volátil e incontrolável. Uma criança, dotada de poderes ilimitados, mas desprovida de empatia e misericórdia, usando seus dons para punir, matar e ressuscitar colegas em acessos de raiva infantil, transformando sua família em refém. Essa é a aterrorizante premissa do Evangelho Apócrifo da Infância de Tomé, o texto herético do século II que foi intencionalmente excluído da Bíblia canônica por apresentar um Jesus radicalmente diferente — um que precisava "amadurecer" para ser bom. Agora, o filme "Sombras no Deserto” (The Carpenter’s Son,2025), baseado nesse relato proibido, resgata essa lacuna histórica. A obra transforma a crônica apócrifa em um intenso thriller de horror psicológico, precisam se esconder em um exílio desesperado, tentando, a todo custo, humanizar e "calibrar" os poderes destrutivos do filho divino. O filme expõe a natureza gnóstica e aterrorizante do poder divino quando encontra a fragilidade humana.

sexta-feira, outubro 24, 2025

O zumbi precarizado e explorado pelo Capitalismo Tardio em 'Nós Somos Zumbis'



Em um mundo onde os mortos-vivos já não devoram cérebros dos vivos, mas são tratados como mão de obra descartável em trabalhos  precarizados (são chamados de “deficientes vivos”), “Nós Somos Zumbis” (We Are Zombies, 2023), produção franco-canadense dirigida pelo trio canadense François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell (os mesmos de Turbo Kid), transforma o apocalipse em sátira social. Uma comédia ácida que reinventa a mitologia zumbi ao retratar uma sociedade que normalizou a presença dos “não-mortos”, expondo com humor e irreverência o zeitgeist do século XXI — da precarização do trabalho à indiferença diante da crise permanente. Um trio de geeks perdedores hackeiam os serviços da Coleman Co. – uma empresa especializada em “aposentar” zumbis, retirando-os das famílias para os colocar em asilos. Mas os planos são outros, mais perversos. O zumbi deixa de ser metáfora do apocalipse e passa a simbolizar populações descartáveis, invisíveis ou exploradas pelo capitalismo tardio.

sábado, outubro 11, 2025

Filme 'Goat' transforma protofascismo do futebol americano em conto de terror



Um jovem e promissor jogador de futebol americano enfrenta uma semana intensa de treinamentos sob a orientação de seu ídolo, um carismático quarterback que está perto de se aposentar. É possível retirar um conto de terror dessa sinopse? O filme “Goat” (Him, 2025), de Justin Tipping, consegue. Jordan Peele se interessou em produzir esse projeto pela existência de uma lacuna cinematográfica sobre a temática do terror em esportes profissionais. E Peele e Tipping compartilham de uma visão ultracrítica sobre o futebol americano. O slogan promocional de “Goat” (“A Grandeza Exige Sacrifício”) revela a ironia crítica: a conversão do esporte como entretenimento pedagógico para as massas: a celebração da educação pela dor como princípio de uma concepção fascista de vida. Apesar do filme tender para um terror gonzo e slasher que lembra “A Substância”, o filme didaticamente revela os nove traços da personalidade fascista que Theodor Adorno descreveu nos “Estudos Sobre a Personalidade Autoritária”.

quinta-feira, setembro 25, 2025

'A Longa Marcha - Caminhe ou Morra': a adaptação do profético livro de Stephen King


Toda as manhãs acordamos com os contos motivacionais dos telejornais sobre pessoas que venceram com foco e resiliência. Porém, ainda vivemos em tempos nos quais essas pílulas de otimismo resolvem. Imagine em um futuro distópico em que uma América em depressão econômica precise de algo mais do que pérolas motivacionais na TV. Mas de uma competição em que os perdedores, que por algum motivo abandonam a prova, sejam literalmente punidos com um tiro mortal. Para levantar o moral da Nação e elevar o Produto Interno Bruto. Esse é o futuro imaginado por Stephen King, e adaptado por Francis Lawrence (“Jogos Mortais”), em “A Longa Marcha – Caminhe ou Morra” (The Long Walk, 2025). Um grupo de adolescentes participa de um concurso anual transmitido ao vivo, no qual eles devem caminhar em uma velocidade constante ou levar um tiro mortal por soldados que acompanham os competidores. O timing da adaptação ao cinema da primeira obra de Stephen King é perfeito: os EUA estão à beira de uma distopia muito próxima da ficção do mestre do terror.

sexta-feira, setembro 12, 2025

O horror cósmico Lovecraftiano foi o nosso futuro no filme 'Bunker'


Guerras e campos de batalhas por si só já são aterrorizantes. São poucos os filmes que acrescentam o elemento sobrenatural na conflagração militar. “Bunker” (2022) narra um contexto bem particular das terríveis guerras de trincheiras da I Guerra Mundial - péssimas condições sanitárias, lama, ratos e parasitas, que resultavam em doenças e sofrimento numa batalha estagnada. um grupo de soldados se encontra preso em um pequeno e claustrofóbico bunker. Enquanto esperam pelo resgate, eles começam a vivenciar estranhos eventos sobrenaturais. Mas de um horror bem particular: o horror cósmico Lovecraftiano que dá um significado simbólico – o início da “Era dos Extremos” do séculos XX e XXI em que a moralidade, dignidade e ética dos velhos campos de batalha são substituídos pela “guerra total”, amoral e tecnológica. Somente o horror cósmico de H.P. Lovecraft para representar esse novo mundo amoral e indiferente que estava surgindo.

sábado, setembro 06, 2025

'Faça Ela Voltar': quando a empatia aos vulneráveis inspira um conto de terror



O terror dos tempos do chamado “neo-liberalismo progressista” onde nunca se viu corporações e mídia tão preocupadas com palavras como “empatia”, “vulnerabilidade” e “capacitismo” dentro de regras e comportamentos. Até que os irmãos cineastas australianos Danny e Michael Philippou transformaram esses temas em inspiração para o subgênero de terror “body insertion” com o filme "Faça Ela de Volta" (Bring Her Back, 2025): explora com maestria nossos instintos protetores em relação aos vulneráveis, nosso medo da própria vulnerabilidade, a vergonha e a culpa do abuso e o miserável senso de lealdade dos sobreviventes para com seus agressores. Numa casa isolada um casal de irmãos adotados descobre que estão prisioneiros de um ritual aterrorizante que lida com o luto e a morte de uma forma bem peculiar.

sábado, agosto 30, 2025

Morte, carma e culpa na família atual em 'Hallow Road - Caminho Sem Volta'


Dois pais entram em uma corrida contra o relógio quando recebem um telefonema angustiante de sua filha tarde da noite depois que ela causou um trágico acidente de carro. Quase todo o filme se passa no interior do carro em tempo real, com os pais desesperados tentando manter contato telefônico com a filha, enquanto a tela do Waze vai dando instruções de rota e o tempo que falta para chegar ao destino, numa angustiante contagem regressiva. Aparentemente apenas um drama familiar. Mais aos poucos vai virando outra coisa: entra um ambíguo toque sobrenatural (morte e carma). É o filme “Hallow Road – Caminho Sem Volta (2025), do diretor britânico-iraniano Babak Anvari, onde a estrada é uma alegoria da incapacidade dos pais de se reconciliar com a verdade que os condena: a “família renitente” – a ideia idílica de pais como porto de segurança e que supostamente manteria os filhos blindados das consequências dos seus próprios atos. Incapazes de lidar com dilemas morais.

sexta-feira, agosto 15, 2025

Tirem os adultos da sala porque as crianças salvarão o dia em 'A Hora do Mal'


 

Zach Gregger é um diretor/roteirista que está chamando a atenção. Principalmente, porque seus filmes de terror (“Noites Mortais”) retiram o gênero da clássica matriz edipiana (sedução da inocência, culpa etc.) para tirar o horror de alegorias contemporâneas. Como em “A Hora do Mal” (Weapons, 2025) que parte da alegoria a um evento tão recorrente nos EUA que se tornou iconicamente pop: tiroteios em escolas. Aqui representado pelo desaparecimento de todas as crianças de uma sala de aula: em estado de transe, deixaram suas casas no meio da madrugada. Para desaparecerem. Uma pequena cidade que não consegue dar uma resposta ao trauma, a não ser procurar um bode expiatório, como a caça às bruxas na História. Crianças veem o mundo adulto, que deveria protegê-las, caótico e irracional. Alargando o abismo daquilo que a sociologia chama de “perda do elo geracional”. Parece que Gregger está querendo nos dizer: “tirem os adultos da sala, porque serão as crianças que salvarão o dia!”.

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