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quarta-feira, setembro 11, 2019

Ao invés de conquistar corações e mentes, Esquerda prefere ser o cão de Pavlov


O “cão de Pavlov” foi o protagonista de uma experiência que revolucionou a propaganda política e a publicidade do século XX. Há 100 anos o médico russo Ivan Pavlov descobriu o reflexo condicionado: apenas o som de uma sineta fazia o cão salivar de fome, mesmo sem ter na sua frente um prato de comida. Diante da repetição de estímulos diários através de bravatas, provocações escatológicas, chulas e autoritárias do Governo, a guerra semiótica criptografada tem jogado a esquerda e oposições num labirinto de informações desconexas, transformando-as em um cão de Pavlov pós-moderno que reage de forma reflexa aos estímulos. Saliva de ódio e reage com o fígado, ficando apenas nas trincheiras da “guerra cultural”. Enquanto o patrimônio nacional é rapidamente vendido na xepa do mercado. Em sua guerra particular, esqueceu das massas silenciosas, supostamente anestesiadas. Anestesiadas porque não conseguem ver as relações causa-efeito entre a xepa e a sobrevivência cotidiana uberizada. Sem nenhuma iniciativa de comunicação didática para esclarecer ao brasileiro comum essa relação causal e conquistar corações e mentes, prefere assumir o confortável papel de cão de Pavlov. 

domingo, setembro 01, 2019

A burrice e estupidez do futuro já estão entre nós em "Idiocracia"


O filme que originalmente era uma comédia e que se tornou um documentário. Assim é definido o filme “Idiocracia” (“Idiocracy”, 2006) do diretor e escritor Mike Judge (“Beavis e Butthead” e “O Rei do Pedaço”): um casal acorda de uma longa hibernação criogênica de 500 anos para encontrar um mundo no qual a burrice, estupidez e preguiça (e suas consequências como o machismo e a intolerância) se tornam virtudes. O presidente dos EUA é um ex ator pornô e lutador de Telecatch e a água potável foi substituída por um isotônico produzido por uma gigantesca corporação, gerando uma catástrofe ambiental. E a política se confunde com entretenimento e vídeo-game. Um filme tão profético que o próprio estúdio 20th Century Fox resolveu boicotar o lançamento da sua própria produção, escondendo “Idiocracia” das grandes redes de exibição. “Idiocracia” é visionário: como uma sociedade inteira não percebeu que emburrecia enquanto as expectativas sobre o que é ser inteligente cada vez mais diminuíam com o avanço tecnológico e da indústria do entretenimento. 

terça-feira, julho 30, 2019

Filme "Aniara": a tecnologia nos protege, menos de nós mesmos

 
A ficção-científica sueca “Aniara” (2018) é adaptação de um poema homônimo, de 1956, do prêmio Nobel Harry Martinson sobre uma nave que leva colonos para Marte, fugindo de um planeta Terra devastado. Um acidente ejeta a nave para fora do sistema solar, perdendo-se no espaço profundo. Aniara é um gigantesco shopping center espacial que leva para o espaço o mesmo “modus operandi” que destruiu econômica e ambientalmente a Terra: a cultura do supérfluo, do consumismo e, principalmente, a necessidade da simulação – parques temáticos e mundos virtuais tecnologicamente desenvolvidos para embalar os passageiros de Aniara no marketing e propaganda. “Aniara” vem do antigo grego "aniarós" e quer dizer “triste, desesperado”. Os passageiros daquele transatlântico espacial aprenderão da pior forma possível esse significado. E que a tecnologia pode nos proteger de qualquer coisa. Menos de nós mesmos. Filme sugerido pelo nosso leitor Ricardo Julio.

terça-feira, julho 23, 2019

O Fetiche e a sedução na engenharia social em "A.I. Rising"


Ao lado de filmes como “Ela”, “Ex Machina”, “The Machine” e “Zoe”, a produção sérvia “A.I. Rising” (2018) faz uma reflexão das profundas mudanças no atual desenvolvimento da Inteligência Artificial, presente em cada aplicativo, motor de busca ou sistema operacional. Já não temos mais máquinas ameaçadoras querendo substituir o homem, como o computador HAL 9000 de “2001”. Através da engenharia social, agora criam-se programas sedutores e fetichistas que oferecem a aparência do controle ao usuário. Mas que, na verdade, nos monitoram, controlam e preveem cada padrão comportamental, sob a ilusão da customização e consumo. O astronauta Milutin, acompanhado de um androide feminino, percorrem uma longa missão na direção de Alfa Centauri. Trava-se uma relação intima, erótica e fetichista de um homem com uma “I.A.” corporativa, produto de ponta da engenharia social da Ederlezi Corporation. 

quinta-feira, julho 04, 2019

Onde acabam nossos sonhos em "O Homem Que Matou Dom Quixote"


Muitos críticos consideram um filme sem foco, confuso e bagunçado. Mas é uma bela bagunça. Depois de tentar realiza-lo por quase 30 anos em meio a mortes, processos e separações, finalmente Terry Gilliam conseguiu apresentar “O Homem Que Matou Dom Quixote” (2018), a mais autobiográfica produção de Gilliam. Um narcísico diretor de filmes publicitários reencontra com atores de um velho filme de conclusão de curso da faculdade sobre Dom Quixote, no interior da Espanha. Para reviver, entre delírios e realidade, a trajetória do herói de Cervantes com um velho ator que nunca mais saiu do personagem. O filme faz uma grande metáfora do destino dos nossos sonhos e fantasias nas linhas de montagem da Indústria Cultural. E como Terry Gilliam vê-se a si próprio como um Dom Quixote que usa a arte e a imaginação para tentar derrotar monstros e moinhos de vento da indústria do entretenimento.

quarta-feira, março 06, 2019

Curta da Semana: "Animals" - Smartphone e solidão nos tornam selvagens


Um dia como outro qualquer de pessoas comuns viajando em um trem. Cada um perdido em seus próprios pensamentos e preocupações. Até que surge o inesperado: a porta do vagão não abre, e o trem permanece em movimento para as próximas estações.  Aquelas nove pessoas começarão a fazer uma rápida descida para o caos, a irracionalidade e, por fim, a selvageria – tudo registrado por um smartphone de um passageiro que apenas se preocupa em postar o vídeo em redes sociais, ao invés de tomar uma atitude de ajuda. Esse é o curta-metragem “Animals”(2019), trabalho de conclusão do “Animation Workshop” do animador dinamarquês Tue Sanggaard. Seis minutos que resumem as principais teses clássicas da psicologia social sobre o comportamento do homem na multidão. Porém, no século XXI, turbinadas pelas novas tecnologias.

domingo, fevereiro 03, 2019

A arte vinga-se do capitalismo no filme "Velvet Buzzsaw"

A arte pode ser perigosa e aqueles lucram com isso estão arriscando suas próprias vidas nessa sátira misturada com horror gore na produção Netflix “Velvet Buzzsaw” (2019). Se no filme anterior “O Abutre” o diretor e escritor Dan Gilroy figurava os bastidores da competição por audiência de programas sensacionalistas de TV, em “Velvet Buzzsaw” o alvo é o mundo do mercado das artes: artistas pretensiosos, gananciosos donos de galeria, clientes milionários e, principalmente, temidos críticos de arte – uma crítica publicada pode valer milhões de dólares ou o fim de uma carreira. Até encontrarem um acervo de pinturas e desenhos hipnóticos de um obscuro artista falecido. Uma oportunidade de lucro rápido. Mas um rastro de mortes começa a acompanhar aquelas telas. A fixação fetichista que temos pelas imagens (como, por exemplo, a ilusão de que a Mona Lisa sempre nos observa) é levada ao limite do horror. Como se a arte e as imagens estivessem se vingando da sociedade mercantil que as subjugou.

quinta-feira, janeiro 03, 2019

O trabalhador precarizado vai ao Paraíso em "Sorry to Bother You"

Uma surreal comédia de humor negro com realismo fantástico e ficção científica inspirado no mundo do telemarketing. “Sorry to Bother You” (2018), filme de estreia de Boots Riley, pode ser tanto o momento atual como aquilo que nos espera em um futuro muito próximo: modernos trabalhadores precarizados que viram máquinas cognitivas de vendas sem quaisquer garantias ou direitos. Cassius Green é um jovem excluído negro que descobre a chave para a ascensão corporativa na RegView, a gigante do telemarketing: encontrar a “voz de branco” interior. Mas tal como “Fausto”, de Goethe, o Diabo vai cobrar algo de volta – algo assustador e surreal que definitivamente fará o protagonista cair “na real” e perceber o cenário entorno.

sexta-feira, outubro 26, 2018

O capitalismo é apenas mais uma forma de gerir o hospício humano em "Insanidade"



O filme checo “Insanidade” (“Silení, 2005) é para poucos pela sua alta carga de niilismo e humor negro. O diretor Jan Svankmajer volta à crítica da sociedade de consumo do filme anterior “Little Otik” (2000), mas dessa vez por um viés político e ontológico: a história humana é comparada a um problema de gestão de um manicômio no qual há duas formas de fazê-lo - ou a liberdade absoluta na qual o prazer e orgia se aproximam do crime e da morte, ou o totalitarismo da dor e castigo que também flerta com a morte. Um jovem tem recorrentes pesadelos até encontrar um milionário excêntrico que emula o próprio Marquês de Sade. Ele apresenta o médico gestor de um manicômio que apresenta uma técnica supostamente revolucionária que irá livrá-lo dos seus pesadelos. “Insanidade” é uma fábula sobre como a História até aqui não conseguiu conciliar Eros e Thanatos, prazer e morte. E como o capitalismo é mais uma forma de gerir essa loucura.

domingo, setembro 09, 2018

Em "O Futuro" o maior inimigo da geração dos "millennials" é o tempo


Numa época em que o trabalho, a cultura e a tecnologia liquefazem e precarizam nossas vidas na fluidez e instabilidade, os “millennials” tentam se agarrar nos destroços de uma suposta sabedoria do passado e nos gadgets, aplicativos e plataformas digitais do presente. Um presente que se torna eterno, pelo medo e ansiedade em relação ao futuro, porque nada parece durar por muito tempo. Mas um jovem casal decide adotar um gato, e acredita que tudo vai mudar. “O Futuro” (“The Future”, 2011) é uma fábula pós-moderna sobre tecnologia e o futuro da geração mais tecnologizada da História. Mas o medo do futuro e de compromissos, representado agora por um gato necessitando de intensivos cuidados veterinários, é tão paralisante que ameaça dissolver a vida conjugal pela mentalidade “líquida” da sua geração. Filme sugerido pelo nosso incansável leitor Felipe Resende.

sábado, setembro 01, 2018

Curta da Semana: "O Futuro Será Careca" - Por que temos horror ao vazio em nossas cabeças?


Vivemos uma sociedade de consumo que ama tudo aquilo que está cheio: sonhos, sacolas de compras, cabelos. Odeia o vazio porque cria uma “incontrolável sensação de desgosto”. E os carecas seriam a síntese de tudo isso que as pessoas temem: carregam o vazio sobre suas cabeças. Esse é o tema do surreal curta francês “O Futuro Será Careca” (“Le Futur Sera Chauve”, 2016), de Paul Cabon. Um jovem protagonista cabeludo descobre numa refeição em família o futuro que lhe espera: a calvície hereditária. E revela o sintoma de uma sociedade que criou o mito da juventude como estratégia publicitária sedutora e pervasiva – a inabilidade de crescer e envelhecer.

domingo, junho 24, 2018

Neymar + efeito Heisenberg = outro ovo da serpente chocado


Observe leitor a fotografia que abre essa postagem. Ela poderá explicar bastante o futuro que talvez esteja reservado para a Seleção brasileira nessa Copa. A imagem mostra Neymar Jr. correspondendo às câmeras em um flagrante do chamado “efeito Heisenberg” midiático – o jogador tenta criar algum tipo de empatia após desfilar, nos minutos anteriores ao achar que estava tudo perdido, arrogância e xingamentos que sobraram até mesmo para o próprio capitão do time, Thiago Silva. O mesmo efeito Heisenberg (no qual a mídia transmite nada mais do que os próprios efeitos que ela cria ao cobrir eventos) que levou o Brasil às cordas frente à Alemanha em 2014 (choros, hinos a capela, etc.), agora leva sincronicamente o dublê de técnico e pastor motivacional Tite e o astro Neymar Jr. ao chão: um tropeço e logo depois o choro como marcas publicitárias. Assim como muitos outros ovos de serpente chocados nos anos de neodesenvolvimentismo dos governos petistas, Neymar Jr. é mais um. Com a leniência da grande mídia e do mercado publicitário.

quinta-feira, maio 31, 2018

A "Nova Ordem" do bullying e intolerância no filme "Klass"

A princípio, o filme estoniano “Klass”(2007) é mais um filme sobre assassinatos seriais em escolas, na linha de “Elephant”, “Tiros em Columbine” ou “Precisamos Falar Sobre Kevin”. Também baseado em um incidente real, “Klass” se esforça em não ser mais um filme “sobre” violência escolar, mas procura falar “da” violência, sem estilização tradicional do tema – fetichização das armas e atiradores vestidos com trajes snipers negros. Formado por um cast de atores amadores e não-atores, “Klass” arranca performances espontâneas e brutais sobre a história de Joosep, vítima de bullying e desprezo de uma classe que cria um mundo fechado. Incompreensível para adultos preocupados com seus próprios afazeres. “Klass” vai ao fundo psicológico do nascimento do extremo desejo de vingança: uma Nova Ordem na qual família e escola pouco significam ou compreendem um movimento que está muito além da Razão: uma secreta aliança entre Id e Superego – autoritarismo aliado ao prazer sadomasoquista. Filme sugerido pelo nosso onipresente leitor Felipe Resende.

sábado, maio 26, 2018

O Capitalismo se desmancha no ar no filme "Fome de Poder"

“Tudo que era sólido se desmancha no ar”, dizia Karl Marx sobre o poder do Capitalismo revolucionar incessantemente seu modo de produção. “Fome de Poder” (The Founder, 2016) descreve como um vendedor ambulante de mixer para milk shakes chamado Ray Kroc encontrou no gênio dos irmãos McDonald muito mais do que uma revolucionária linha de montagem de hambúrgueres. Viu nos arcos de uma loja dos irmãos algo além de um mero detalhe arquitetônico: vislumbrou a máquina semiótica de produção de marcas e símbolos como uma nova força produtiva do Capitalismo que não oferece mais produtos tangíveis. Consome-se uma fé, uma ideia ao invés de um hambúrguer que se desmanchou no ar – pouco importam as suspeitas sobre a procedência das batatinhas fritas ou da carne do Big Mac. Ray Kroc fez o mundo consumir muito menos um sanduíche do que a marca e um sistema de conveniência.

domingo, abril 01, 2018

Curta da Semana: "The Kiosk" - a crítica da vida cotidiana


Um curta que é inspirado da própria experiência de vida da diretora, Anete Melece. “The Kiosk” (2013) é um curta de animação sobre a difícil busca do equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. E a ainda mais difícil busca da satisfação no trabalho. Com um raro senso de comédia estética e visual, “The Kiosk” nos mostra uma protagonista literalmente presa no seu local de um trabalho alienante, monótono e sem sentido. Um acidente força a protagonista enfrentar uma jornada que transformará sua vida. Ou será que apenas realizou um sonho dirigido pela mídia e o turismo? O curta aborda temas que envolvem a “sociologia do cotidiano” do francês Henri Lefebvre – a “cotidianidade” como um fenômeno das sociedades modernas: de um lado a rotina, tédio e monotonia dos dias de trabalho. E do outro, as fantasias e compensatórias do que foi outrora o “tempo livre”, hoje chamado “lazer”.

sábado, março 24, 2018

"La Antena", um filme sobre como o monopólio midiático nos rouba a voz e as palavras


Um filme obrigatório para estudantes de graduação em Comunicação. Influenciado pelo cinema “noir” e pelo expressionismo alemão do clássico “Metrópolis”, o diretor argentino Esteban Sapir fez o filme “La Antena” (2007): uma curiosa estética inspirada no cinema mudo e metalinguagem das histórias em quadrinhos. Um filme crítico sobre os meios de comunicação, a imaginação e as palavras. Em uma cidade escura e invernal todos ficaram sem voz. O Sr. TV, dono de um monopólio televisivo (o Canal 9) tem um malévolo plano para dominar todos os cidadãos: sequestrar A Voz, a única pessoa que conservou o dom da fala. Para transformá-la na atração principal da sua emissora enquanto ele arquiteta outro plano ainda mais sinistro: roubar as palavras, para completar o seu regime de Telecracia. “La Antena” é uma provocativa metáfora dos monopólios latino-americanos de comunicação e de como a mídia é usada como arma para sustentar regimes totalitários.

terça-feira, janeiro 30, 2018

Em "Um Ponto Zero" a paranoia é a falha na matrix da realidade


Cisão esquizofrênica? Falha da racionalidade? Em geral o cinema figura a paranoia dentro dessas representações. Mas é no filme “Um Ponto Zero” (“One Point 0” aka “Paranoia 1.0”, 2004) que a paranoia evolui de simples transtorno mental para uma percepção especial: se em “Matrix” o déjà-vu era uma falha na realidade codificada, em “Um Ponto Zero” essa falha chama-se “paranoia” -  aproximando-se do insight do pensador gnóstico Valentim, lá no distante século II DC. A paranoia não só como uma “falha na racionalidade”, mas como a percepção da falha na própria sintaxe que estrutura a realidade. Um solitário programador de computador começa a receber misteriosas caixas vazias que o farão mergulhar em um universo cercado de câmeras de vigilância em um edifício residencial em ruínas, nano tecnologia, redes de computadores, e-mails infectados, um estranho vírus bio-cibernético, obscuros interesses corporativos e um estranho experimento em Neuromarketing.

sábado, dezembro 30, 2017

Mídia esvazia significado oculto do Ano Novo


Nesse momento de contagem regressiva para o Ano Novo, cada telejornal e programa de entretenimento recorre à pauta de sempre: as resoluções para o novo ano e as simpatias e crendices para o reveillon. Principalmente agora, época em que desempregados e trabalhadores temporários foram reciclados como “empreendedores” para tentar elevar o astral da patuleia. Mas tudo isso esconde um significado oculto e milenar das festividades de final de ano que envolve “Janus” -  a divindade indo-europeia ambivalente com duas caras, uma olhando para o futuro e a outra para o passado. De onde veio “Janeiro”, cujo primeiro dia do mês na Roma antiga era dedicado a rituais e sacrifícios ao deus criador das mudanças e transições, como progressão do passado para o futuro, de uma visão para a outra, de um universo para o outro. Janus olhava para o futuro, mas também para o passado para lembrar e aprender. Mas para grande mídia é apenas a comemoração do fim de uma ano velho e a celebração otimista de um ano supostamente novo. Não olhar para o passado e repetir os mesmos erros no futuro. Celebrar o esquecimento.  

terça-feira, dezembro 19, 2017

Bebês, repolhos e Papai Noel no cruel mundo adulto de "Patch Town"



Bebês, pés de repolhos e Papai Noel numa fábula sobre um mundo adulto que prepara crianças para o futuro cruel que as espera – a exploração física e psíquica pelo trabalho e sociedade de consumo. Um filme que combina a iconografia da era soviética, folclore europeu oriental, a mitologia gnóstica do demiurgo, Papai Noel e elfos. Um mundo no qual bebês são recolhidos em campos de repolhos para serem vendidos como bonecas para crianças de todo o mundo. Para depois serem recolhidas pelo “Coletor de Crianças”, a memória delas apagada e em seguida exploradas em uma fábrica que produzirá mais bonecas com bebês presos em seu interior. Tudo com pitadas de cenas musicais e dança. Este é o estranho filme canadense “Patch Town” (2014): um cruzamento da estética “dark” de Tim Burton com as atmosferas opressivas de Terry Gilliam. 

domingo, dezembro 10, 2017

Curta da Semana: "Where Are They Now?" - uma cilada destruiu Roger e Jessica Rabbit


Onde estão os ícones da animação dos anos 1980 como He-Man, Roger e Jéssica Rabbit (do filme "Uma Cilada Para Roger Rabbit"), o Esqueleto, Garfield, Popeye, Mumm-Rá, muito tempo depois do auge? Como seria a realidade das suas vidas atuais? O animador inglês Steve Cutts (conhecido por narrativas críticas sobre a vida moderna) os imagina viciados, obesos, compulsivos, desempregados ou subempregados em call-centers e caixas de supermercados. Esse é o argumento do pequeno curta “Where Are They Now?” (2014): heróis que perderam a batalha final contra inimigos mais poderosos do que vilões desse ou do outro mundo: o mundo corporativo, o trabalho precarizado e o desemprego crônico. E terminaram esquecidos porque acabaram ficando parecidos demais com os espectadores.

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