Entre o esgar irônico e a piada lacradora: a participação de Flávio Bolsonaro no debate da TV Globo nessa última sexta-feira expôs a fenda aberta entre a comunicação verbal e a não-verbal. Contudo, mais intrigante do que o próprio déficit comunicacional do candidato é a capacidade da grande mídia de anestesiar o público e hipernormalizar a farsa, alçando ao centro da disputa uma figura que desmoronaria sem o amparo do ecossistema midiático composto pelos cortes das redes e o imparcialismo cênico do jornalismo corporativo. Para compreender essa anestesia coletiva e a mecânica por trás do espetáculo, convém recorrer ao neurologista Oliver Sacks e fazer um experimento imaginário sobre como a mente decodifica a mentira política: extrapolar as conclusões que Sacks chegou em um hospital neurológico e aplicá-las ao debate da Globo.
sábado, outubro 24, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira


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