Olhamos, mas não vemos; enxergamos, mas não entendemos. É a partir desse diagnóstico sobre o analfabetismo funcional midiático que a Escola de Professores do SinproSP inicia, nessa quinta-feira (26/03), o curso “Alfabetização Visual, Audiovisual e Letramento Midiático”, ministrado por esse humilde blogueiro, colunista do Jornal GGN e editor do Canal Cinegnose 360 do YouTube. Com aulas síncronas e assíncronas, o curso busca combater o fenômeno do analfabetismo funcional midiático (e suas consequências políticas e educacionais), discutindo desde a desinformação até os vieses algorítmicos. Antecipando-se à grande mudança global do PISA, que a partir de 2029 passará a avaliar o letramento midiático com o mesmo peso de disciplinas tradicionais da base curricular. Uma nova régua para a educação. As inscrições já estão abertas no site do sindicato, com gratuidade para professores associados.
Começa na próxima
quinta-feira, 26 de março, às 19h, online via Zoom, a primeira aula (síncrona)
do curso "Alfabetização Visual, Audiovisual e Letramento Midiático"
ministrado por Wilson Ferreira, professor universitário, colunista do GGN e editor/apresentador
do canal de Cinema, Comunicação, Semiótica e Política Cinegnose 360.
O curso é promovido
pela Escola de Professores do SinproSP – Sindicato dos Professores de São Paulo.
Para realizar a atividade é necessária inscrição prévia para fins de emissão de
certificado, além dos links de acesso à plataforma para assistir às aulas.
Professoras e
professores associados ao SinproSP não pagam e os demais têm condições
especiais. Consulte no site da Escola.
O curso aborda os fundamentos da
linguagem visual e audiovisual, capacitando o aluno a ler criticamente imagens
estáticas e em movimento. Explora o ecossistema midiático contemporâneo,
discutindo desinformação, vieses algorítmicos, ética na produção de conteúdo e
o papel da imagem na construção da realidade social.
O curso tem uma carga horária de
12 h/a, distribuída em cinco aulas assíncronas, acessadas pelos alunos após à
primeira aula síncrona.
Alguns dos temas
abordados serão: distinção entre informação, desinformação e má-informação;
bolhas digitais e contínuo midiático atmosférico; o papel da mídia na formação
da opinião pública e na democracia; diferença entre opinião e percepção -
conceito de bomba semiótica; técnicas básicas de checagem de fatos
(fact-checking).
O curso parte do
diagnóstico do fenômeno do analfabetismo funcional midiático pelo fato
de, desde o século passado, convivermos com veículos e dispositivos de
comunicação intuitivos (do cinema aos dispositivos de convergência como
smartphones, notebooks etc.), acreditamos que sabemos ler as informações
através das interfaces tecnológicas. Porém, olhamos, mas não vemos; enxergamos,
mas não entendemos – apesar de lidarmos com facilidade com gadgets tecnológico.
Lidamos com efeitos
de conhecimento, mas não com o verdadeiro conhecimento: o letramento midiático
e informacional - um conjunto de competências que permite aos cidadãos aceder,
recuperar, compreender, avaliar e utilizar, criar e partilhar informações e
conteúdos midiáticos em todos os formatos.
PISA vai avaliar Letramento Midiático
O curso acontece num
momento em que o Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA)
passa pela transformação mais ambiciosos para a próxima década: a partir de
2029, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)
introduzirá oficialmente a avaliação de Letramento Midiático e Inteligência
Artificial (MAIL - Media and Artificial Intelligence Literacy).
Pela primeira vez,
competências propostas pela UNESCO para o século XXI serão medidas em escala
global, ganhando o mesmo peso estratégico que disciplinas tradicionais como
Matemática, Ciências e Leitura.
O conceito de Media
and Information Literacy (MIL), defendido pela UNESCO, surgiu da necessidade
urgente de capacitar cidadãos em um ecossistema de informação saturado e
algorítmico. Para a OCDE, não basta mais saber ler um texto; é preciso entender
quem o escreveu, com qual intenção e se ele foi gerado por uma máquina.
De acordo com o
primeiro rascunho do framework para 2029, os estudantes de 15 anos não serão
testados em sua habilidade de "usar aplicativos", mas sim em sua capacidade
crítica.
segunda-feira, março 23, 2026
Wilson Roberto Vieira Ferreira


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