quarta-feira, julho 03, 2013

Opinião: "Filme El Método e gameficação da realidade" e "Físicos afimam que Universo é simulação computacional finita"


Dando continuidade à nossa sessão “Opinião”, vamos postar aqui os melhores comentários do artigo sobre o filme espanhol “El Método” (no Brasil, “O Que Você Faria?”, 2005) e de outro artigo sobre a notícia de que físicos norte-americanos especulam seriamente sobre a possibilidade de o Universo ser uma simulação computacional finita.

segunda-feira, julho 01, 2013

Em Observação: "Under the Dome" (2013)


Sugerido pelo nosso leitor !3runo, a série "Under The Dome" estreiou dia 24 de junho da TV CBS nos EUA. Baseado no livro homônimo do escritor Stephen King, o episódio piloto nos mostra o estranho incidente que faz uma pequena cidade ficar isolada do resto do mundo: inexplicavelmente uma redoma gigantesca e transparente cai do céu, mantendo os habitantes de Chester's Mill prisioneiros. A série tem grande potencial em desenvolver temas caros aos filmes gnósticos: personagens prisioneiros em um microcosmo, atmosfera de conspirações governamentais ou alienígenas e clima de paranoia generalizada entre os habitantes da cidade: todos parecem esconder algum estranho segredo.

sábado, junho 29, 2013

Bombas semióticas explodem na mídia


Paralela à escalada de manifestações no País, nesse momento em cada redação de um veículo de comunicação e em cada cobertura jornalística nas ruas, está sendo travada uma verdadeira guerrilha semiótica: um enorme aparato de recursos bélicos retóricos, linguísticos e semiológicos está sendo mobilizado para saturar fotografias e vídeos com significações que apontam para uma estratégia discursiva bem evidente: a imagens devem ser testemunhas da instabilidade, caos e baderna que dominaria a Nação. Encontramos duas “bombas semióticas” (uma no Portal Terra e outra na autodenominada “edição histórica” da revista Veja) e tentamos desmontá-las em um exercício de engenharia reversa. Bombas camufladas em informação, mas que explodem para criar ondas de choque de um tipo de propaganda baseada no esvaziamento de dois símbolos: a da “bandeira nacional” e o do “manifestante”.

Junto com as manifestações nas ruas de várias cidades no País, está ocorrendo uma guerrilha de um tipo muita especial: uma guerrilha semiótica nas mídias. Depois da primeira semana em que se viram perplexos diante das manifestações que saíram do script do jogo político-institucional e reponderam de uma forma reflexa (taxando os manifestantes de “criminosos” e “politicamente burros”) os meios de comunicação monopolistas encontraram uma narrativa em que podiam ser encaixados os acontecimentos: o roteiro da escalada da instabilidade, descontrole e baderna que estaria minando o governo federal.

Para tanto, nesse momento está sendo mobilizando um impressionante aparato retórico, linguístico e semiótico em fotografias e vídeos. Uma mobilização talvez somente comparável às estratégias discursivas de períodos de guerra como a propaganda política norte-americana e nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

quarta-feira, junho 26, 2013

Lâmpadas e conspirações no curta argentino "Luminaris"


O mais premiado curta de animação argentino e que chegou a ficar entre os dez finalistas para concorrer ao Oscar da categoria, “Luminaris” (2011) de Juan Pablo Zaramella apresenta em seus seis minutos uma grande riqueza simbólica a partir da colagem de estilos que vai da arte Deco e Surrealismo ao Filme Noir e Neorrealismo. O que representaria a alegoria de um universo alternativo governado por uma estranha força magnética do Sol que arrasta todos para os seus trabalhos? Apesar de Zaramella desconversar sobre o simbolismo do seu curta, podemos fazer um pequeno exercício de leitura do conteúdo da narrativa a partir de três pontos de vista: o marxista, o conspiratório e o gnóstico.

O mais premiado curta argentino, “Luminaris” em 2012 foi pré-selecionado entre os dez finalistas para concorrer ao Oscar dentro de sua categoria. Feito com uma técnica de stop-motion denominada pixilation onde atores reais interagem com objetos inanimados - veja o curta abaixo.

Dirigido por Juan Pablo Zaramella, a narrativa de seis minutos é ambientada em uma Buenos Aires que parece o resultado do cruzamento entre filme noir, realismo fantástico, neorrealismo e surrealismo. O curta conta a história de um homem (Gustavo Cornillón) que vive em um universo alternativo onde o tempo, o trabalho e o cotidiano são controlados pela luz do sol que age como espécie de força magnética, despertando a todos para depois arrastá-los ao trabalho e trazê-los ao final do expediente de volta para casa. O protagonista tem um trabalho rotineiro e repetitivo na linha de montagem em uma fábrica de lâmpadas onde são produzidas de uma forma, digamos, não muito ortodoxa...

segunda-feira, junho 24, 2013

O tempo conspira contra os algoritmos no filme "Cosmópolis"


Baseado em livro homônimo de 2003, o filme “Cosmópolis” (2012) do diretor David Cronenberg ganha atualidade com os movimentos antiglobalização como Occupy Wall Street e o colapso do Euro: a bordo de uma limusine, que na verdade é uma alegoria do ciberespaço, um jovem multimilionário do mercado financeiro cruza uma Nova York caótica enquanto acompanha através das telas de computadores a falência dos seus algoritmos que não conseguem prever a sua derrocada financeira. Mais do que uma alegoria sobre uma geração que construiu uma arquitetura da informação abstrata e desconectada da humanidade, Cronenberg discute a morte dos novos deuses criados pelas tecnologias baseados na fé de que a matemática estaria por trás tanto de espirais galácticas quanto das operações financeiras. Deuses que esqueceram a principal falha cósmica: o tempo.

Eric Parker (Robert Pattinson), um multibilionário príncipe do mundo financeiro com seus vinte e poucos anos, atrás de seus óculos escuros, um rosto blasé e a bordo de uma limusine high tech, decide cruzar a cidade de Nova York para cortar o cabelo em uma antiga barbearia que remonta a sua infância.

Porém, a cidade vive o caos com a visita do presidente dos EUA. Um grupo de seguranças ao redor de Parker o alerta do perigo eminente de sofrer um atentado. Na verdade, ele e o presidente dos EUA parecem ser os alvos preferenciais em meio às ruas tomadas por protestos antiglobalização.

Todas as suas operações financeiras são monitoradas a partir da limusine através de diversas telas. Parker acompanha com ansiedade uma arriscada operação, uma aposta na queda da moeda chinesa, o Yuan. Ao longo do difícil e congestionado trajeto até o barbeiro, Parker acompanhará a valorização da moeda daquele país e a sua derrocada financeira pessoal até a falência.

quarta-feira, junho 19, 2013

Apertem os cintos... a Esquerda sumiu


A escalada de manifestações nas ruas em todo o país parece expressar um profundo mal estar dos jovens em relação não apenas à política (o jogo partidário), mas principalmente à instituição da Política como representação de qualquer demanda social. Desconfiam que por trás da Política ou do Poder não existe nada mais do que ardil, simulação, blefe. Mas a mídia tem horror ao vácuo: para manter o ardil da simulação os meios de comunicação precisam encaixar as manifestações em um script, assim como um novo roteiro de um filme publicitário que oferece mais do mesmo para o mercado.

As interpretações dos cientistas e comentaristas políticos crescem na mesma proporção que os protestos nas ruas. Em toda essa espiral interpretativa há um ponto que todos parecem concordar: a incrível flexibilidade e rapidez da logística das mobilizações nas ruas através das redes sociais contrasta com os lentos canais de comunicação representativos de partidos políticos, Executivo e organizações classistas. A UNE, por exemplo, desapareceu. Qualquer identificação partidária no meio das passeatas é vista com maus olhos e rejeitada pelos manifestantes.

Mas essa questão logística de comunicação é apenas o sintoma: os jovens na rua estão expressando um profundo mal estar em relação não apenas à política (o jogo partidário), mas principalmente à Política – o questionamento da própria ideologia política como representação de qualquer demanda social. Em outras palavras, os jovens desconfiam que por trás da Política ou da ideologia não existe nada e que tudo é um ardil, uma simulação, um blefe.

terça-feira, junho 18, 2013

OVNIs e parapolítica no filme "Wavelength"


Um prato cheio de mistérios, OVNIs, coincidências e conspirações. “Wavelength” (1983) de Mike Gray (documentarista e ativista político) e produzido por um advogado não menos ativista é um daqueles filmes estranhamente esquecidos por críticos e cinéfilos. No momento atual em que autoridades vêm a público cobrar dos governos que o fenômeno OVNI seja assumido oficialmente, “Wavelength” é relembrado como um filme supostamente baseado em um caso real ocorrido em Hunter Liggett, sul da Califórnia. Principalmente após declaração de um físico que trabalhava em laboratório de pesquisas do governo dos EUA e uma testemunha do incidente que se diz surpreendido com a precisão da narrativa do filme: “Quem fez esse filme estava lá ou conheceu alguém que esteve lá”.

O filme “Wavelength” é um prato cheio para os teóricos da conspiração especializados nas conexões entre OVNIs e governos, a chamada “parapolítica”. Tanto pelo conteúdo da narrativa do filme e, principalmente, pelos eventos e coincidências que cercaram a sua produção que pesquisadores como Christopher Knowles qualificam como “sincromísticos”.

Esse sci-fi independente e de baixo orçamento foi esquecido pelo público e até mesmo pelos cinéfilos ao longo dos anos. Relembrar desse obscuro filme e dos eventos em torno dele é oportuno, principalmente depois que duas autoridades que ocuparam posições-chave em governos manifestaram a necessidade de ser assumido oficialmente a existência dos OVNIs: o ex-ministro de defesa do Canadá, Paul Heyller (acusou os EUA de “acobertamento”), e o ex-presidente russo Dmitry Medvedev que falou sobre “arquivos secretos oficiais sobre o assunto” em um rede de TV daquele país.

sábado, junho 15, 2013

O oportuno "Moonrise Kingdom" em tempos de jovens protestando nas ruas


Partindo do princípio de que o mix emocional de exaltação e melancolia da adolescência representa o último grito de um espírito que nega a adaptação ao futuro, “Moonrise Kingdom” (2012) constrói uma elaborada fábula sobre a inadaptabilidade do jovem a um mundo onde os adultos dizem “somos tudo o que vocês têm”. Enquanto filmes como a da franquia “Crepúsculo” ou “Harry Potter” representam esses aspectos depressivos da adolescência de forma solipsista e platônica (a felicidade só poderia ser alcançada nos sonhos ou em mundos mágicos e sobrenaturais), “Moonrise Kingdom” constrói um elaborado simbolismo permeado de misticismo e gnosticismo que não só desconstrói as formas de “cura” da revolta adolescente como aponta para a felicidade como uma chama interior que deve ser mantida acesa no mundo adulto que o aguarda. Um filme oportuno em tempos em que jovens estão tomando as ruas em protestos.

O diretor Wes Anderson é conhecido por criar um universo bem particular: em todos os seus filmes anteriores como “Os Excêntricos Tenembauns” (2001) ou “O Fantástico Sr. Raposo (2009) ele é capaz de criar um microcosmo onde os eventos e ações começam a ocorrer dentro de suas própria regras e tudo começa a ser impulsionado por emoções e desejos tão convincentes que se tornam mágicos.

Dessa vez o novo mundo criado por Anderson é uma ilha em algum lugar na costa da Nova Inglaterra nos EUA, onde as casas, fazendas, faróis, barcos parecem ser reproduções ampliadas de pequenos modelos ou miniaturas. A composição dos enquandramentos é cheia de simetrias, o movimento da câmera calculadíssimo e os personagens propositalmente estereotipados e contidos. Por isso, Anderson é muito criticado pelo estilo dito “maneirista”. Aqui, pelo menos, esse estilo passa a ter todo sentido: em uma ilha cujo artificialismo dos personagens, paisagens urbanas e naturais lembram muito a ilha de Seahaven do filme “Show de Truman” (The Truman Show, 1998) criam uma sufocante atmosfera de ordem, disciplina e hierarquia, um casal de adolescentes se rebela e planeja cuidadosamente e executa uma fuga: ela para fugir da crise conjugal dos seus pais e ele da disciplina e mediocridade de um campo de escotismo.

quinta-feira, junho 13, 2013

Em Observação: "Mahler no Divã" (2010)



Percy Adlon é um diretor conhecido por esse blog, principalmente pela comédia “Rosalie Vai às Compras” que já foi tema de postagem. O filme “Mahler no Divã” (2010) não trata de um divã real: o compositor Gustav Mahler jamais esteve no divã de Freud, mas foi analisado por ele de uma forma bem diferente para a ortodoxia do pai da psicanálise: caminhando. Caminhar como forma de descobrir a si mesmo tem profundos significados esotéricos e filosóficos. Assim como a própria figura de Mahler na história da música, considerado como um “romântico tardio”, pela sua morte prematura e sua música misturar exaltação e depressão. O filme será exibido dia 19 em São Paulo no Ciclo de Filmes Alemães no Clube Transatlântico.

terça-feira, junho 11, 2013

Físicos afirmam que o Universo é uma simulação computacional finita


“Partindo do princípio que o Universo é finito e que, portanto, os recursos de potenciais simuladores também o são, há sempre a possibilidade de o simulado conhecer os simuladores”. Essas são as últimas linhas de um artigo publicado por físicos da Universidade de Cornell, EUA, onde criam as diretrizes iniciais para a comprovação da hipótese de que o Universo é uma gigantesca simulação computacional a partir de uma simulação numérica da chamada “grade cromodinâmica quântica”, associada às forças básicas da natureza que unem prótons e nêutrons no núcleo do átomo. Tal conclusão leva a importantes implicações filosóficas gnósticas como, por exemplo, a atualização por meio da tecnologia de uma ambição humana revelada pela Teurgia e Alquimia na Antiguidade: imitar Deus para tentar encontrá-lo. Dessa vez, por meio da simulação algorítmica.

Talvez Deus não queira ser observado. Acho que Ele não gosta de curiosos” (Einstein)

Dessa vez é um grupo de físicos da Universidade de Cornell, nos EUA, que afirma que conseguiu aperfeiçoar as diretrizes iniciais de um método que comprovará que o Universo é uma gigantesca simulação computacional. Não fosse o fato de que pesquisadores da Universidade de Washington concordaram após investigar os dados da equipe de Cornell, poderíamos dizer que tudo isso não passa de um boato.

Em novembro do ano passado, físicos da Universidade de Bonn, Alemanha, anunciaram que procuravam uma “assinatura cósmica” a partir de uma simulação computacional por meio de minúsculos espaços cúbicos (grade de Gauge) que forneceria uma nova visão das partículas de alta energia. Dessa maneira, eles levariam à frente a hipótese do professor da Universidade de Oxford, o filósofo e matemático Nick Bostrom, que em artigo publicado em 2003 sustentava uma fórmula probabilística de que uma outra civilização poderia ter simulado o nosso Universo (veja links abaixo).

Pois em novembro do ano passado Silas Beane, Zohreh Davoudi e Martin Savage publicaram o artigo “Contraints on the Universe as a Numerical Simulation” (Cornell University Library, arXiv.org) onde observam as consequências da hipótese do Universo como simulação numérica a partir da possibilidade de que a próxima geração de computadores de alta performance possa simular a chamada “grade de cromodinâmica quântica” e, dessa forma, observar como os raios cósmico se refletem nessa estrutura.

quinta-feira, junho 06, 2013

Opinião: "Argo", "Ghost Army", "O Mágico de Oz" e "Cristo de Nag Hammadi"


Iniciamos com essa postagem uma nova sessão do blog “Cinema Secreto: Cinegnose”: “Opinião”. Estamos percebendo que nos últimos meses o nível dos comentários dos nossos leitores vem crescendo, deixando de ser muitas vezes um “comentário” (intervenções pontuais que são sempre bem vindas para esquentar o debate) para se tornar “opinião”, fundamentada em referências e informações que, acreditamos, pode ser de interesse para toda a comunidade de leitores desse blog.

Por isso, essa nova sessão dará destaque aos melhores comentários dos nossos leitores-comentaristas. Para começar, aqui estão as primeiras opiniões:

terça-feira, junho 04, 2013

O "efeito Heisenberg" na irrealidade midiática cotidiana


A transmissão televisiva da final do Novo Basquete Brasil parece confirmar aquilo que Neal Gabler chama de “efeito Heisenberg”, paradoxo quântico onde a mídia, na verdade, está cada vez mais cobrindo a si mesma e o seu impacto sobre a vida: ao mobilizar uma serie de signos que forçavam uma analogia com o show business esportivo norte-americano, a transmissão celebrou muito mais o sucesso da parceria da TV Globo com a nova liga oficial de basquete do que a transmissão de uma “jornada esportiva”. E para ficar mais evidente isso, o barulho ensurdecedor da torcida nas arquibancadas era menos pelos lances na quadra, do que pelo vai-e-vem das câmeras que comandavam as reações dos torcedores.

Neste último final de semana assisti pela TV a final do NBB (Novo Basquete Brasil, a liga oficial de Basquete brasileiro) entre Flamengo e Uberlândia na Arena da Barra no Rio de Janeiro.  Para além dos aspectos técnicos do jogo, começou a me chamar a atenção a forma como a partida se promovia para os espectadores e, além, disso, o próprio comportamento dos torcedores nas arquibancadas.

As belas imagens da arena e da quadra pareciam forçar uma semelhança com os imensos ginásios esportivos da Liga de Basquete norte-americana: o placar eletrônico onipresente suspenso sobre o centro da quadra, mascotes saltitando a cada parada técnica, notas musicais em som de órgão entoadas a cada anúncio de troca de jogadores, shows musicais com cantores nos intervalos etc. Uma atmosfera de show business, muito mais do que esporte: entretenimento.

Somado a isso o tom do comportamento da plateia parecia ser dados pelas câmeras que deslizavam por sobre as arquibancadas. Percebia-se que uma área da plateia, antes formada por torcedores sentados e concentrados no jogo, ao verem a proximidade da câmera se levantavam, pulavam e torciam de forma mais enérgica. Alguns homens mais empolgados beijavam suas companheiras ao serem surpreendidos pela proximidade da câmera...

domingo, junho 02, 2013

Sobre realidade, jardins e TVs no filme "Muito Além do Jardim"


“Muito Além do Jardim” (Being There, 1979), um clássico com Peter Sellers, teve sérios problemas para ser finalizado: o diretor Hal Ashby entrou em sério desentendimento com a produtora Lorimar Films para impor um final que seria um dos mais polêmicos da história do cinema (o final "andando sobre as águas"), um final tão cético que beira o ateísmo, isso após uma sequência onde aparecem símbolos maçônicos no mausoléu de um dos protagonistas. Mas “Muito Além do Jardim” é antes de tudo um filme sobre como a TV é capaz de moldar nossa percepção do real, assim como todos projetam suas percepções e interesses no protagonista. Uma fábula sobre a paradoxal incomunicabilidade em uma cultura moldada pelos meios de comunicação.

Nunca um filme teve um título em português tão bem acertado: “Muito Além do Jardim”. O título designado para “Being There” do diretor Hal Ashby, é perfeito porque a narrativa de quase duas horas em um ritmo elegante (ou lento, de acordo com a referência cinematográfica do espectador) vai pouco a pouco aprofundando as consequências na vida de um homem que se vê de repente despejado na rua após perder o emprego de uma vida inteira (jardineiro) e como o acaso vai construindo o seu destino em uma trajetória que o faz adentrar acidentalmente em círculos cada vez poderosos até chegar ao presidente dos EUA.

Da história de um homem simples cuja percepção da realidade foi moldada pela TV, passando pela forma como inesperadamente se torna um “insider” dos altos círculos do poder de Washington até o final onde símbolos esotéricos sugerem teorias conspiratórias na política e um inesperado, ambíguo e perturbador final que potencialmente pode por em xeque tudo que acabamos de assistir.

Como veremos adiante (aviso de spoiler) a sequência final, que quase custou o emprego do diretor Hal Ashby que insistiu em colocá-la na edição final do filme mesmo sob ameaça de demissão pela produtora Lorimar, é uma das mais polêmicas da história do cinema: podemos interpretá-la ou como um final poético sobre a pureza do protagonista ou como um brutal ceticismo que confirmaria as intenções do diretor em inserir algumas simbologias esotéricas na narrativa.

quinta-feira, maio 30, 2013

"Argo" e "Ghost Army": a simulação uniu Guerra e Cinema


Os inimigos dos EUA sempre os atacaram ou com o fundamentalismo religioso-ideológico (islamismo, comunismo etc.) ou com a tática da guerra total (os nazis na Segunda Guerra Mundial). E os americanos responderam com sua principal arma: a simulação. Diferente das táticas ideológico-militares de dissimulação, os EUA encontraram uma arma ainda mais insidiosa no interior da sua própria cultura: do “Studio System” de Hollywood às mesas de pôquer de Las Vegas a arma da simulação e do blefe. Os casos históricos de “Argo” em 1979 no Irã e a inusitada tática de uma unidade militar chamada “Ghost Army” na Segunda Guerra Mundial ilustram bem essa complexa conexão entre Guerra e Cinema que explica porque a simulação conquistou o mundo.

Estamos acostumados a pensar o cinema hollywoodiano como instrumento ideológico do complexo governo-militar-diplomático dos EUA. Exemplos não faltam das evidências disso: desde os filmes patrióticos, a promoção dos novos heróis pós-depressão econômica de um país revitalizado pela vitória na Segunda Guerra Mundial e a “política de Boa Vizinhança” com Carmem Miranda e Zé Carioca para agradar e cooptar os países da América do Sul na época da Guerra Fria e a ameaça comunista; até os filmes e minisséries dos anos 1960-70 que tornaram o american way of life desejáveis para nós e os filmes de ação de Rambo e Braddock da era Reagan para levantar a imagem militar de um país derrotado no Vietnã.

Nesses casos temos a submissão da produção cinematográfica às estratégias de dissimulação dos interesses do Estado. É importante entender esse conceito de dissimulação: é a situação onde alguém afirma não possuir algo que, na verdade, está escondendo. É o campo da mentira, da manipulação e da ideologia.

Mas ao longo da história das complexas conexões entre Cinema e Estado podemos encontrar uma situação inversa onde o complexo governo-militar-diplomático se submete à lógica do sistema cinematográfico, procurando imitá-lo em uma estratégia de simulação.

quinta-feira, maio 23, 2013

O espectro do tautismo ronda a TV Globo


A linguagem da TV Globo sempre abusou das metalinguagens como exercício de demonstração do seu poder tecnológico e financeiro: passar a maior parte do tempo transmitindo a sua própria transmissão. Porém, nessa semana percebemos a recorrência de um fenômeno novo, desde a notícia da morte de turistas brasileiros na Turquia. Um fenômeno que o pesquisador francês Lucien Sfez chama de “tautismo”: um processo de comunicação sem personagens que só leva em conta a si mesmo, resultando em uma situação simultânea de autismo e tautologia. Isso seria o resultado final de todo sistema complexo que começa a fechar-se em si mesmo, tornando-se cego ao ambiente externo. Sem conseguir estabelecer a diferença entre “dentro” e “fora”, “ficção” e “realidade”, o sistema torna-se autofágico. O tautismo poderia ser o sinal decisivo do fim da hegemonia da TV Globo?    
Um fantasma ronda os corredores da TV Globo. É o espectro do tautismo. Esse neologismo criado pelo pesquisador francês Lucien Sfez através da combinação das palavras “tautologia” (do grego tauto, o mesmo) e “autismo” (autos, si mesmo) talvez nomeie uma estranha recorrência nesses últimos dias na programação da emissora.
Em um espaço de menos de uma semana em uma amostragem bem aleatória, encontrei uma repetição de eventos, sejam eles conteúdos de ficção ou não-ficção, onde sempre há um princípio de auto-referência.

quarta-feira, maio 22, 2013

Em Observação: "Muito Além do Jardim" (1979)


Um filme que merece ser revisitado por esse blog. Há muito tempo assisti ao filme e, pelo que parece, passei tanto tempo sem assisti-lo de novo talvez porque a própria crítica especializada o esqueceu: raramente encontramos o filme "Muito Além do Jardim" em listas dos melhores filmes. Embora a própria crítica reconheça que seja uma das melhores críticas à sociedade e à mídia feita pelo Cinema. Peter Sellers faz essa comédia dramática tentando separá-lo da imagem do Inspetor Closeau depois do sucesso comercial da série "A Pantera Cor de Rosa" nos anos 1970. Muitos o associam ao tema do filme "Forrest Gump" (1994), porém com uma diferença: se no filme com Tom Hanks as tiradas filosóficas sobre o nada são levadas à sério, aqui Peter Sellers utiliza todo cinismo e ironia para mostrar como as pessoas começam a levar à sério alguém que unicamente repete os clichês despejados pela TV. 

terça-feira, maio 21, 2013

A lógica publicitária do "Papai Noel" no filme "Gente Louca"


Em crise criativa, um publicitário bem sucedido descobre que passou grande parte da vida mentindo para ganhar dinheiro. Começa então a fazer o que ele chamará de “Publicidade honesta”: “Linhas Aéreas United: nossos aviões caem menos que o da concorrência” ou “Cigarros Amalfi: Câncer? Talvez. Sabor? Com Certeza!” são algumas das pérolas que são vistas por todos na Agência da Madson Avenue como criações de alguém que enlouqueceu. Logo o protagonista se vê internado em um manicômio, onde fará uma nova agência de publicidade, dessa vez com os pacientes do hospital. “Gente Louca” (Crazy People, 1990) com o comediante britânico Dudley Moore é uma comédia romântica sem pretensões, mas que desenvolve um supreendente pano de fundo crítico. O filme é uma ótima oportunidade para ilustrar a irônica natureza da lógica da crença publicitária sugerida pelo pensador francês Jean Baudrillard: a “Lógica do Papai Noel”.

Um filme despretensioso, uma comédia romântica daquelas que passavam nas sessões da tarde da TV brasileira quando espectadores ociosos (e talvez desempregados) ficam preguiçosamente na frente da televisão digerindo o almoço. “Muito Loucos” (Crazy People, 1990) certamente passaria despercebido pelo blog e nem faria parte do nosso foco de interesse se ele não contivesse um brilhante insight: e se um publicitário resolvesse da noite para o dia contar apenas a verdade dos produtos que anuncia e da própria Publicidade?

Mais do que isso, e se ele começasse a mostrar ao consumidor a verdadeira motivação que o faz querer comprar determinados produtos, motivação que nada tem a ver com necessidades reais ou racionalidades? Que o consumidor adquire muita coisa pela sua própria inutilidade?

Pois essa é o argumento provocativo no interior de um filme que é obviamente estruturado pelas convenções do gênero e se perde nos clichês da comédia romântica com desencontros amorosos que têm uma reconciliação final.

domingo, maio 19, 2013

O paradoxo de um prisioneiro no curta "Room 8"


Premiado no Tribeca Film Festival desse ano, o curta “Room 8” desafia o protagonista e o espectador a um paradoxo lógico: qual a verdadeira prisão em que os personagens se encontram? Quando uma caixa é aberta no interior de uma cela, eventos surreais começam a acontecer que colocam em xeque a natureza não só da prisão como a da própria realidade. O paradoxo lógico proposto pelo curta teria solução?

Situado em uma cela de prisão russa em um momento qualquer da Guerra Fria, um prisioneiro britânico é transferido para uma nova cela (“sala 8”) onde encontra um compatriota e uma misteriosa caixa vermelha sobre a cama. Quando a caixa é aberta uma série de acontecimentos surreais e incríveis oferecem a ele a oportunidade de escapar.

A trama nos remete diretamente à atmosfera das narrativas da antiga série “Além da Imaginação”. Dirigido pelo inglês James W. Griffiths e tendo como base o roteiro do vencedor de um Oscar, Geoffrey Fletcher, a trama de sete minutos tem uma parte de thriller, uma parte de ficção científica e uma parte de horror.

sábado, maio 18, 2013

As raízes ocultas do filme "O Mágico de Oz"


Por que o filme “O Mágico de Oz” (The Wizard of Oz, 1939) teve um impacto tão duradouro na cultura e comportamento (da música, passando pela moda até chegar no movimento GLBT) após diversas gerações de crianças e adultos? A imagem de Dorothy com seus amigos em uma estrada de tijolos amarelos tornou-se uma complexa associação de simbolismos. Muito do impacto desse filme estaria nas raízes no Ocultismo no livro escrito por Frank Baum “The Wonderful Wizard of Oz” há mais de cem anos. Baum era um reconhecido membro da Sociedade Teosófica de Madame Blavatski e um profundo conhecedor das escolas herméticas e esotéricas.

Ao longo dos anos o filme “O Mágico de Oz” de 1939 transcendeu sua condição de produto cinematográfico para se firmar como um poderoso arquétipo cultural de pelo menos três gerações de crianças e adultos. Lançado simultaneamente com o filme “E o Vento Levou” (“Gone With Wind”), foram consideradas na época duas grandes produções hollywoodianas: a primeira voltada para crianças e a segunda para adultos. Mas a imagem de Dorothy e seus amigos (o Homem de Lata, o Espantalho e o Leão) caminhando em uma estrada de tijolos amarelos tornou-se muito mais complexa em associações e simbolismos do que o romantismo de “E o Vento Levou”.

Há algo de oculto e misterioso em um livro infantil escrito há mais de 100 anos, que resultou na adaptação cinematográfica definitiva em 1939 e que criou um impacto ao longo das décadas em todos os setores da cultura, moda e comportamento. Linhas de diálogo do filme como “Estou derretendo! Estou derretendo!”, “Nunca mais voltaremos para Kansas” aparecem em variados filmes e gêneros como “O Campo dos Sonhos”, “Avatar”, “Matrix” e “Depois de Horas” de Scorsese onde um personagem gritava outra linha de diálogo (“Renda-se Dorothy”) toda vez que tinha um orgasmo.

Elton John com o disco e o hit “Goodbye Yellow Brick Road” de 1971, os sapatos mágicos de cristal de Dorothy em uma óbvia referência para a moda Disco dos anos 1970 e o fato de Judy Garland ter se tornado um ícone gay em um filme repleto de simbolismos para o movimento GLBT. O enigmático filme de ficção científica “Zardoz” de John Boorman cujo título é uma contração dos termos “Wizard” e “Oz”. Isso sem falar na mãe de todos os boatos e teorias conspiratórias sobre o filme: a suposta sincronia entre o disco do Pink Floyd “The Dark Side of the Moon” de 1973 e o timing da edição do filme “O Mágico de Oz”.

quarta-feira, maio 15, 2013

O gnosticismo pop está à frente dos gnósticos?


Vinicius Aldino, instrutor gnóstico (?), fala em uma emissora de TV no Rio Branco, Acre, sobre gnosis e o workshop “Meditação e Qualidade de Vida”. Para esse blog, acostumado com as representações da gnose e do Gnosticismo nos chamados filmes gnósticos como momentos radicais de iluminação espiritual que levam ao questionamento não só do status quo mas também daquilo que entendemos como “realidade”, surpreendeu a fala de Aldino: a meditação, como ferramenta para alcançar a gnosis e, ao mesmo tempo, melhora da concentração e eficiência profissional e dos afazeres do dia-a-dia, o que contraria toda uma filosofia historicamente herética, perigosamente aproximando-se das técnicas terapêuticas de autoajuda. Será que, paradoxalmente, o gnosticismo pop está à frente da própria prática gnóstica atual? Ou será que estamos enganados e Aldino pretende, na verdade, colocar um “Cavalo de Tróia” no interior do imaginário das técnicas de autoajuda?

Para aqueles que pesquisam o renascimento atual do Gnosticismo na cultura pop, como faz esse blog particularmente com o Cinema, a gnose dos protagonistas das narrativas ficcionais e toda a mobilização de simbologias e temas do esoterismo e hermetismo em filmes são encarados como decisivos momentos de autoconsciência e iluminação espiritual que desafiam sistemas opressores e explodem com aquilo que chamamos de “realidade”. Momentos de virada e transformação não só de personagens na ficção, mas, potencialmente, com os próprios espectadores desses filmes gnósticos. Apesar de serem filmes comerciais dentro dos preceitos dos gêneros hollywoodianos, eles virtualmente podem incutir a desconfiança em relação a instituições, expressar o mal estar da nossa cultura e a crítica.

Paradoxalmente, parece que esse renascimento pop do Gnosticismo apresenta um ímpeto mais transgressivo (e por isso fiel à sua história como tradição filosófica herética) do que o dos próprios gnósticos.

Pois nesta semana recebi um link com uma entrevista dada por Vinicius Aldino para uma emissora de TV em Rio Branco, no estado do Acre - veja o vídeo abaixo. O gancho da entrevista era um workshop que Aldino daria no Sesc local sobre técnicas de relaxamento e meditação. A introdução da entrevista feita pela apresentadora era essa: “saiba como melhorar a qualidade de vida sem gastar dinheiro. Quem explica como é Vinicius Aldino, instrutor gnóstico (?)”.

domingo, maio 12, 2013

IMDB apresenta lista de 41 filmes gnósticos

O IMDB (Internet Movie Database - base de dados online sobre cinema, séries de TV e games de computador) apresenta uma lista intitulada "Filmes Gnósticos". É uma lista de 41 filmes dos mais diversos gêneros canônicos hollywoodianos (drama, thriller, terror, ficção científica etc.). 

    O IMDB os define dessa maneira: "Esses são filmes que têm um ligeiro brilho de Gnosticismo. Gnosticismo é a crença de que o mundo material é uma ilusão que foi criada por um semideus (Jeová, Javé, Yaltaboath, Demiurgo, etc.), e que os corpos humanos foram criados por "archons" (senhores do Universo). Porém, algumas almas que habitam alguns corpos humanos foram inspiradas pelo Altíssimo, e são maiores e mais poderosos do que o semideus que criou o universo e os seus Arcontes. Por esta razão, ele tem um grande ódio pela humanidade e por isso a mantém  numa completa ignorância. O "Logos", (Yeshua) que veio na forma humana enviado pelo Pai Altíssimo, que é um Deus incognoscível do lado de fora deste universo material, e a forma Crística vieram para quebrar os grilhões que aprisionam os seres humanos (a prisão do próprio corpo) e trazê-los para o mundo "verdadeiro" ("Gnostic Movies" - IMDB). 

sexta-feira, maio 10, 2013

Hollywood e o fetiche das armas no filme "God Bless America"

"God Bless America" (2011) do diretor Bobcat Goldthwait parece ser um filme que segue a linha do chamado "cinema esquizo" com personagens paranoicos, psiquicamente instáveis e marcados pela revolta e cinismo contra uma sociedade racista, medíocre e xenófoba - a "América profunda". O filme faz um diagnóstico perfeito sobre uma cultura onde reality shows e programas como "American Superstars" são o objeto do desejo de milhões. Porém, Goldthwait parece cair vítima da fetichização das armas que Hollywood promove na atualidade: se o cigarro e as bebidas alcoólicas são extirpados da tela ou colocados somente nas mãos e bocas de vilões, com as armas é o contrário. Observamos uma fila interminável de armas lubrificadas, reluzentes, coldres e metralhadoras empunhadas ao nível da virilha prontas para entrar em ação com muito sex appeal. 
Compare dois filmes clássicos com Vincent Price (O Abominável Dr. Phibes de 1971 e As Sete Máscaras da Morte – Theater of Blood, 1973) com o “God Bless America”. Nesses filmes com Vincent Price o protagonista vinga-se de pessoas medíocres, indiferentes, arrogantes com requintes cruéis, sádicos e com muito humor negro: vinga-se dos médicos que mataram sua esposa por um erro na mesa de cirurgia e um ator shakespeariano que despeja sua fúria em cima dos críticos de teatro que o atormentam.
Em “God Bless America” vemos também protagonistas que querem vingar-se de uma classe média americana racista, sexista, xenófoba e alheia a valores culturais. As situações de humor negro e as mortes com requintes cruéis são parecidas. Porém, com uma diferença fundamental: Vincente Price não usa arma de fogo uma única vez, preferindo armadilhas e ardis perversamente elaborados; enquanto em “God Bless America” as armas são a grande estrela do extermínio. Mais do que isso: no filme a arma se reveste de um valor fetichista como instrumento de justiça, ordem e sex appeal.

domingo, maio 05, 2013

A Semiótica de Che Guevara


Quando o fotógrafo Alberto Korda selecionou o fotograma de número 40 do rolo Kodak com uma série de fotos de um evento em Havana, Cuba, em 1960 e deu o nome para ele de “Guerrilheiro Heroico”, jamais imaginava o destino do personagem Ernesto Che Guevara na mitologia contemporânea. O ícone atual em alto contraste em carros, baús de motoqueiros ou bandeiras de torcida de futebol é o resultado de sucessivos sistemas linguísticos parasitários que foram se sobrepondo e se sedimentando na cultura de massas, até o simbolismo ideológico se converter em mensagem motivacional e autoajuda.

Pedalava pela rodovia Raposo Tavares voltando de mais uma manhã de aulas na Universidade Anhembi Morumbi/São Paulo quando passou por mim um desses carros estilo off road esportivo importado com o pneu estepe na traseira do veículo. Não pude deixar de perceber na capa protetora que envolvia o pneu estampada a clássica fotografia de Che Guevara como “Guerrilheiro Heroico”, estilizada em alto contraste. A subida era acentuada, mas a fadiga pelas pedaladas mais pesadas não diminuiu a minha perplexidade: o que está fazendo um ícone político-ideológico revolucionário no estepe de um carro destinado para motoristas de alto poder aquisitivo? Será que o motorista era algum “burguês esclarecido”? Alguma coisa estava fora do lugar.

Nessa mesma semana passei, então, a prestar mais atenção às versões e outros lugares inusitados onde apareceria a foto do “Guerrilheiro Heroico”. Vi em um baú de entregas de um motoqueiro, na camisa de um aluno na versão “Chê Madruga” (Seu Madruga da série cult “Chaves” travestido de boina e o mesmo olhar compenetrado) e na TV em bandeiras de uma torcida organizada de futebol do time Internacional de Porto Alegre.

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