O leitor deve conhecer a peça teatral de Ariano Suassuna “O Auto da Compadecida”, pelos menos através do filme e da minissérie. E principalmente deve lembrar do ápice final no qual os protagonistas ficam perante o acusador (Satanás) e a Compadecida (a Santa defensora dos réus), combinando religiosidade católica com a crítica social das injustiças e desigualdades econômicas. Se assistir ao filme “Limbo – Entre o Céu e o Inferno” (2019), certamente lembrará dessa obra de Suassuna: um homem desperta no Limbo para se encontrar num julgamento, preso entre um promotor amargo e uma advogada de defesa inexperiente. Deus e Lúcifer têm um estranho interesse por um caso que poderia ser mais um entre milhões de almas condenadas. O diretor/escritor Mark Young vai além de um conto moralista sobre culpa, perdão e redenção - desconstrói o conto moral através do niilismo gnóstico: e se este julgamento for uma farsa para encobrir que na verdade o homem é um mero joguete de uma guerra entre Deus, anjos celestes e anjos decaídos? Será que o Universo tem um plano divino para a humanidade ou tudo não passa de uma grande piada cósmica? Filme sugerido pelo nosso colaborador Felipe Resende.
quarta-feira, janeiro 22, 2020
Wilson Roberto Vieira Ferreira



































