Por que as mulheres são as personagens
principais de “Blade Runner 2049”? Depois de os replicantes amarem a própria
vida mais do que os humanos a si mesmos, descobrem que ser inteligentes, fortes
e resistentes só os tornam ainda mais escravos dos humanos. Os replicantes Nexus 8 vão ao
encontro daquilo que é essencialmente humano, embora esquecido por todos nós:
amor, nascimento e alma. Fiel ao Gnosticismo de Philip K. Dick no livro que
inspirou a saga “Blade Runner”, Denis Villeneuve e o roteirista Hampton Fancher
constroem uma narrativa baseada na oposição central da Cosmologia Gnóstica: a
diferença entre “Criar” e “Emanar”: a Wallace Corporation cria ou fabrica
replicantes, enquanto os replicantes descobrem tudo aquilo que pode ser
“emanado” – aquilo que não se cria, mas nasce: amor e alma. Esse é o centro do
conflito de “Blade Runner 2049”, no qual o mito gnóstico do Feminino Divino
(assim como em “Mother!” de Aronofsky) é fundamental. Mulheres empoderadas,
tanto para o bem quanto para o mal.
sábado, outubro 21, 2017
Wilson Roberto Vieira Ferreira



































