Em questão de
horas, de uma vez só, os direitos mínimos dos trabalhadores e seu maior líder
trabalhista, Lula, foram condenados – simultaneamente, no Senado e na Vara
Federal de Curitiba. Diante desse timing e precisão, jornalistas e intelectuais
começam a expressar a perplexidade: cadê o povão? O Congresso não foi cercado e
nem as praças ocupadas com massas sem arredar os pés. Massas manipuladas pela
Globo? Índole apática do brasileiro? Por que as lutas monumentais e resistência
em trincheiras até agora não ocorreram, limitando-se a algumas “batalhas de
Itararé”? Talvez seja o momento de revisitar um dos textos políticos mais
provocativos: “À Sombra das Maiorias Silenciosas” de Jean Baudrillard. Lá na
França um gol de Rocheteau pelas eliminatórias da Copa do Mundo foi mais
importante do que a extradição de um ativista político; como aqui Lula e seu
pequeno exército de advogados solitários, sem o apoio das ruas, segue para a
condenação em segunda instância. Para Baudrillard , não é uma questão de engano
ou mistificação – há uma astúcia das massas que o Poder mais teme: não a
“revolução”, mas seu silêncio e a indiferença. Um hiperconformismo no qual a
política se afunda.
terça-feira, julho 18, 2017
Wilson Roberto Vieira Ferreira



































