A denúncia
tardia da jornalista Miriam Leitão de que supostamente teria sido vítima do
ódio de petistas num voo entre Brasília-Rio tem um timing preciso: o momento no
qual Lula e Lava Jato estão em segundo plano diante da guerra entre os canhões
da Globo e a resistência do desinterino Michel Temer em se agarrar à presidência. Além da palavra de ordem “Fora Temer!” ter evoluído nas ruas para o lema
“Diretas Já!”. Miriam Leitão coloca mais uma vez em funcionamento os mecanismos
da “teratopolítica” – a estratégia semiótica da criação de inimigos monstruosos
(o morfologicamente disforme, o monstro ou o simulacro humano) na política. Por
contraste, as recentes capas das revistas informativas nacionais sobre a atual
crise política demonstram isso: enquanto as representações de Dilma e Lula
derivam entre a deformidade e um simulacro humano que se quebra ou derrete, com
Temer é diferente: é o enxadrista e o estrategista que mantém a morfologia
humana. Diferentes planos semânticos, sintomas do atual racha na grande mídia e
uma guerra fratricida entre aqueles que articularam o golpe político de 2016.
quinta-feira, junho 15, 2017
Wilson Roberto Vieira Ferreira



































