Uma mulher tenta desesperadamente ligar para
seu namorado, sentindo-se culpada por um desentendimento que poderá colocar fim
na relação. É tarde da noite, e ela desce as escadarias de uma passagem
subterrânea para, lá dentro, encontrar o Mal. Ou a si mesma. Esse é o curta
russo “The Crossing” (2016) que explora um dos temas preferidos do terror: os
subterrâneos. Porões, metrôs, garagens subterrâneas, tuneis etc., ao mesmo
tempo que nos fascinam, também nos apavoram. O medo que pode ser tanto
interpretado como um arquétipo gnóstico (a metáfora da condição humana
prisioneira nesse mundo), como compreendido pelo viés psicanalítico: nos
subterrâneos está o nosso inconsciente – culpas e traumas dos quais queremos
nos livrar. Mas o reprimido sempre retorna, transformado em monstros e pesadelos.
domingo, fevereiro 19, 2017
Wilson Roberto Vieira Ferreira



































