Compenetrada e
em tom de grave denúncia, um dos manifestantes que invadiram a plenária da
Câmara dos Deputados na semana da passada, pedindo “intervenção militar
institucional” no País, gravou um vídeo no qual aponta para um painel dos 100
anos da imigração japonesa dizendo: “cena nojenta, a nossa bandeira com o
símbolo vermelho...”, numa alusão a um suposto complô comunista para alterar a
bandeira nacional. Na verdade a bandeira era do Japão. E o círculo vermelho, o
simbólico Sol Nascente. O vídeo da manifestante viralizou nas redes sociais
como uma insólita gafe que, no máximo, provocaria apenas vergonha alheia.
Porém, é mais do que isso: é um sintoma de um País doente, um surto
semiótico-esquizofrênico. Patologia que, recentemente, acometeu até uma emérita
professora de Semiótica que viu nas ciclofaixas pintadas de vermelho uma cilada
subliminar do Comunismo em São Paulo. Originado no próprio cotidiano esquizoide
das classes médias (submetidas a mensagens contraditórias da sociedade de
consumo), e após ser açodada pela grande mídia para apoiar o recente golpe
político, hoje a patologia espalha-se endemicamente na sociedade expondo três
sintomas principais: paranoia, hebefrenia e catatonia.
segunda-feira, novembro 21, 2016
Wilson Roberto Vieira Ferreira



































