O filme “Matrix” e o conto “Sobre o Rigor da Ciência” do argentino Jorge
Luís Borges ajudam bastante a entender a atual febre em torno do jogo Pokémon
GO. Não a compreender o jogo em si (de forma positiva ajuda a nos familiarizar com o ambiente urbano e nos
tira do sedentarismo, a velha crítica contra os tradicionais games de
computadores e consoles) mas a elucidar para qual futuro ele aponta. Realidade
aumentada é a união da representação com a tecnologia, do mapa com o
território, do virtual com o real. Mas se no conto de Borges pedaços do mapa
ficaram grudados ao real, no mundo Matrix é o real que vira um deserto e se
agarra na virtualidade. Por enquanto programas como Pokémon GO são metafóricos,
anedóticos e, por isso, divertidos. Mas a tecnologia da realidade aumentada vai
muito além do que ajudar a compreensão da realidade: pode desertificá-la.
terça-feira, agosto 16, 2016
Wilson Roberto Vieira Ferreira



































