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domingo, março 18, 2018

Sapos verdes e a execução de Marielle: sobe o grau da guerra semiótica brasileira


Em um dia o industrial sem indústria e rentista Paulo Skaf lançava a campanha “Chega de engolir sapo” (ironicamente contra os juros altos) em frente ao prédio da Fiesp diante de um enorme batráquio verde inflado. E no dia seguinte a vereadora do PSOL/RJ Marielle Franco era executada com quatro tiros certeiros na cabeça. Intensifica-se a guerra semiótica com a ocupação do campo simbólico da sociedade pela direita. No primeiro caso, principalmente pela ironia dos autores da campanha, uma mensagem prá lá de ambígua que ainda tenta surfar na onda anti-PT/Lula, pela proximidade do “grand finale” da sua prisão. E no trágico episódio do Rio, uma vítima exemplar, escolhida a dedo, para detonar a “bomba identitária”, ato inaugural (assim como o “laboratório” da intervenção no Rio) para “melar” a eleição desse ano através do discurso da ameaça de um inimigo interno: o crime organizado. Fator até aqui ignorado pelos analistas políticos, mas que tem parte importante na guerra semiótica brasileira, desde os ataques de 2006.

quinta-feira, março 08, 2018

Do futebol argentino, uma lição de guerra semiótica para as esquerdas brasileiras


O “hit de verão” começou nos estádios argentinos, como protesto contra suposto favorecimento do Boca Junior na Federação de Futebol pela influência do presidente Mauricio Macri. Um canto ofensivo que ultrapassou o futebol e nos últimos dias se propagou para eventos culturais, shows de rock, memes e redes sociais. Se há apagão ou um trem do metro quebra, indignados os argentinos começam a cantar o “hit do verão”, canalizando o descontentamento. Um pequeno conto sobre guerra simbólica na política: como o protesto transcende o futebol e se transforma numa bomba em potencial. Enquanto isso no Brasil, um apagão de quase uma hora no Pacaembu fez crescer um coro anti-Globo da torcida do Santos, ao vivo na TV. Prontamente retalhado com a demonização da organizada “Torcida Jovem” nos telejornais da emissora. Apenas a esquerda brasileira não percebe esses sintomas simbólicos do descontentamento e como a grande mídia contra-ataca sempre ganhando por WO a guerra semiótica. “Somente se ataca símbolos a partir do simbólico”, afirma o pesquisador argentino Javier Bundio. Mas nunca as esquerdas pensaram em ocupar esse plano da sociedade. Será que o papel da derrota e da vitimização sempre lhes cai bem na velha narrativa de luta e resistência?  

domingo, março 04, 2018

Globo une gestão de imagem de Neymar com bomba semiótica da intervenção militar


Assim como na Copa de 2014, mais uma vez Neymar sofre uma contusão que o retira de uma cena catastrófica: lá atrás, livrou-se dos humilhantes 7 X 1 contra a Alemanha; hoje, escapa de mais uma possível derrota para o Real Madrid que tiraria o PSG da Champions League. O que tornaria ainda mais pesado o clima do craque com a imprensa francesa. Mas parece que os interesses dos gestores da imagem do jogador (o “Neymarketing”) estão se alinhando à estratégia diversionista da grande mídia num momento de intervenção militar no Estado do Rio – ponto de inflexão que representa o “laboratório” para “melar” as eleições desse ano pela criação de inimigos internos: favelas e crime organizado. No dia da cirurgia do jogador em Belo Horizonte, o veterano repórter esportivo Mauro Naves protagonizou ao vivo uma desajeitada tentativa para criar um suposto clima de comoção popular na frente do hospital. Sem um evento real, restou a mise-en-scène e o não-acontecimento tautista: jornalista entrevistando outro jornalista e as indefectíveis crianças com camisetas amarelas.

sábado, fevereiro 24, 2018

A canastrice como fator subliminar na política


Temer, Rodrigo Maia, Dória Jr., Lula, FHC, Mário Covas. O que esses políticos têm em comum com as evoluções e regressões da teledramaturgia, principalmente da Globo, que moldou o imaginário coletivo brasileiro? Partindo da premissa de que por décadas a percepção do brasileiro médio foi moldada pela teledramaturgia, será que a performance dos políticos refletiria as mudanças das técnicas de atuação dos atores nas novelas? Ou em outros termos: será que a verossimilhança e a credibilidade dos discursos e performances que levaram esses políticos à cena pública é tirada do realismo ou do melodrama da linguagem das telenovelas? A canastrice entra em cena na política e torna-se um fenômeno pouco discutido pela ciência política ou propaganda. Um elemento subliminar: até que ponto políticos canastrões, caricaturas de caricaturas, ganham força não por ideologias ou virtudes, mas pela semelhança com a canastrice original do cinema e TV?

sábado, fevereiro 17, 2018

"Bomba Semiótica!": resposta à postagem de Fernando Horta no jornal GGN



O articulista Fernando Horta, do Jornal GGN, publicou a postagem “Bomba Semiótica?” na qual questiona o conceito como “um tremendo erro” ao colocar “a semiótica na frente do material”. Como “uma teoria maravilhosa” na qual se “esconde fracassos no sucesso de alguém”, ao fazer referência à repercussão política do desfile da Paraíso de Tuiuti. Como o termo “bomba semiótica” foi criado por este “Cinegnose” a partir do cenário da Guerra Híbrida no qual o Brasil foi alvo desde 2013, este humilde blogueiro faz algumas correções em uma interpretação errônea do conceito.

sábado, janeiro 27, 2018

O destino de Lula e a "Síndrome de Brian" da esquerda


No momento que o destino de Lula era selado pelo TRF-4, sincronismos e coincidências cercavam o evento: o “Dia D” da vacinação contra a febre amarela, o “beijo incestuoso” do BBB da Globo e o estranho jornalismo paranormal da grande mídia, capaz de antecipar resultados de votação (assim como a Globo “previu” o sorteio do mando de campo da final da Copa do Brasil em 2016) e detalhes da prisão de Lula. Enquanto isso, embargos declaratórios, infringentes e recursos povoam as estratégias da executiva do PT, que vive uma crônica “Síndrome de Brian” – relativo ao filme “A Vida de Brian” (1979) da trupe inglesa de humor Monty Python: a estratégia paralisante da “Frente Popular da Judéia” contra o imperialismo romano, mais preocupada em fazer propaganda auto-indulgente do que enfrentar o oponente em seu próprio território: a psicologia de massas. Por incrível que pareça, Kim Kataguiri e a cena em que o porta-voz da indústria de tabaco, Nick Naylor, convence seu filho de que o sorvete de baunilha é melhor que o de chocolate no filme “Obrigado Por Fumar”(2005) têm mais lições a ensinar do que o discurso sobre “resistência”, “indignação” e “esperança” da esquerda. E parece que a filósofa Marcia Tiburi foi a primeira a perceber a armadilha na qual a esquerda está metida. Pauta sugerida pelo nosso leitor José Carlos Lima.

sábado, outubro 28, 2017

Madonna e Bono Vox fazem o País cair na real


Surreal ironia: enquanto o motorista da Universidade Federal conduzia este humilde blogueiro para uma palestra no Rio no dia 24, orientado por um aplicativo que em tempo real envia alertas de locais com tiroteios, assaltos e arrastões, lá em cima, em cerimônia no Cristo Redentor, estavam membros da elite artística e tecnológica global. Entre eles, Madonna, Bono Vox e Elon Musk, convidados para o casamento de uma modelo brasileira com um empresário da indústria do entretenimento mundial. No dia seguinte, Madonna posou na Rocinha com roupa de camuflagem ao lado de policiais orgulhosamente exibindo armas. Enquanto, na turnê brasileira, Bono Vox e o U2 hastearam a bandeira nacional em um telão sob a exortação “censura nunca mais!”. Casamentos-ostentação sempre ganham espaço na grande mídia em épocas de crise e acirramento da desigualdade. Mas dessa vez, o momento é especial: o ativismo-clichê de Bono Vox e a euforia de Madonna em área de violenta conflagração parecem querer transmitir uma mensagem para o mundo: Vejam! O Brasil voltou à normalidade – desempenhar o eterno papel de “país do futuro” enquanto oferece como “city tour” para turistas as mazelas da violência e apartheid social.

sábado, setembro 23, 2017

Resposta ao post "Sexo e Luto: Nietzsche, Wagner e as músicas mais tocadas nas rádios brasileiras", por Elvis Silva


Publicamos  o comentário do nosso leitor Elvis de Almeida Silva sobre a recente postagem desse Cinegnose de 17/09/2017 “Sexo e Luto: Nietzsche, Wagner e as músicas mais tocadas nas rádios brasileiras” como um artigo, pela sua riqueza de informações e argumentos que ajudam a detalhar aspectos polêmicos da postagem anterior. Principalmente a afirmação de Nietzsche de que “Wagner é uma neurose” e sua implicações com o nazismo. Uma discussão importante para entendermos como a moderna indústria do entretenimento consegue absorver tudo aquilo que em dado momento na arte e na cultura foi vanguardista, inovador e arrojado. Para depois ser padronizado e estereotipado.

terça-feira, setembro 12, 2017

"Onde Está Segunda?" faz elogio subliminar do controle populacional


Em sua época, filmes distópicos como “Farenheit 451” (1966) e “Planeta dos Macacos” (1968) foram denúncias de como a sociedade estaria próxima de futuros sistemas totalitários. Hoje, esse subgênero sci-fi entregou-se à crítica moralista, ao maniqueísmo e a pura propaganda subliminar da agenda científica dominante. A produção Netflix “Onde Está Segunda?” (What Happened to Monday, 2017) é o exemplo mais flagrante: em um futuro próximo no qual a explosão populacional levou ao esgotamento dos recursos do planeta e os alimentos transgênicos salvaram a humanidade da fome, a Natureza veio cobrar seu preço – o efeito colateral dos alimentos geneticamente modificados foi o explosivo nascimento de gêmeos, agravando o problema populacional. É criada a “Lei de Alocação Infantil”: cada casal pode ter apenas um filho. Os irmãos excedentes são confinados em ambiente criogênico. E os cidadãos são submetidos a vigilância implacável de uma agência. O filme deixa a tese do controle populacional fora de qualquer crítica. A Ciência chega ao Poder numa política de terra arrasada, sem qualquer discussão ou questionamento. Congelar crianças (pobres) excedentes? OK! O problema é apenas a cientista vilã que gerencia o processo: corrupta, má e ambiciosa. Filme sugerido pelo nosso leitor Dudu Guerreiro.

sábado, setembro 02, 2017

Em "Herostratus" a subversão vira mais um produto à venda


Um filme esquecido por quase 50 anos e só recentemente lançado em DVD. E certamente o filme desconhecido mais influente na história do cinema. Só para começar, inspirou Kubrick a criar o atormentado personagem Alex do filme “Laranja Mecânica” de 1971. “Herostratus” (1967), o primeiro e único longa metragem do diretor Don Levy, conta estória de Max, um jovem poeta rebelde que num gesto para ele subversivo, vende seu próprio suicídio para uma empresa de marketing como um espetáculo midiático para as massas. Um retrato da revolta jovem na Grã-Bretanha do Pós-Guerra: jovens presos entre os extremos de riqueza e pobreza, enquanto eram bombardeados por efeitos psicológicos eroticamente carregados da publicidade e sociedade de consumo. E como o marketing e a publicidade são capazes de diluir qualquer rebelião e transformá-la em tendência de moda. Filme sugerido pelo nosso leitor Higor Camargo.

quinta-feira, agosto 03, 2017

"Apocalypto": como explicar o fim da civilização maia?


Muitas vezes encontramos verdades no pensamento conservador. Apenas que elas estão invertidas. Um exemplo é “Apocalypto” (2006). Dirigido por um conservador assumido, o ator Mel Gibson, o filme quer mostrar como foi possível a civilização maia, que alcançou sofisticado conhecimento em Astronomia, Matemática, Artes e Arquitetura, ter se extinguido muito tempo antes da chegada dos espanhóis na América. A hipótese mais aceita é a ecológica (esgotamento dos recursos naturais e mudanças climáticas), que o filme partilha ao acompanhar um protagonista que teve sua tribo destruída e levado prisioneiro para a capital maia para sacrifício em um ritual sangrento para entreter as massas. Na capital maia encontramos seca e doenças. A ignorância e amoralidade poderiam ter levado à decadência. Mas também a dominação e escravidão. Luta de classes custa caro e pode exaurir uma sociedade. Esse é o surpreendente viés aberto por Mel Gibson a partir de um pressuposto conservador em “Apocalypto”.

terça-feira, julho 25, 2017

Luta simbólica da esquerda é vulnerável contra retórica da guerra híbrida midiática


O escritor e dirigente sindical Roberto Ponciano no seu artigo “Cultura, Violência e Direito à Insurreição” observa uma “docilidade cultural” que parece tomar as manifestações no Brasil e alerta: “Nesse ritmo de paz e amor em que estamos, embalados pelos showmícios de Caetano, ao menos nos tornaremos escravos mais alegres do mundo”. O editor do blog “O Cafezinho”, Miguel do Rosário, aponta que essa opinião revela “a inapetência da esquerda em fazer luta simbólica”, luta que corresponderia ao próprio campo da Comunicação”. Porém, essa “luta simbólica” confronta a chamada “Guerra Híbrida” cuja principal estratégia é a dessimbolização ou retórica da destruição. Diante disso, a criação de simbolismos de “luta e resistência” mais parece uma prescrição alopática de cura pelos opostos: se a mídia desinforma, vamos informar. Se a mídia dessimboliza, vamos então criar símbolos. Por que não a metodologia, por assim dizer, homeopática: a cura pelos semelhantes? Responder à simulação e mentira com ações diretas dentro do campo da comunicação também com simulações e mentiras, direcionadas ao próprio campo de dessimbolização da mídia corporativa. Táticas de “pegadinhas” e “trolagens” já existem – Cuture Jamming e Media Prank, por exemplo.

sexta-feira, julho 14, 2017

A condenação de Lula e a midiática "crítica nem-nem"


Após a sentença de condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, a TV mostrou imagens de comemorações em frente à Vara de Curitiba por manifestantes em suas indefectíveis camisas amarelas da CBF. Ao mesmo tempo, tomadas da Avenida Paulista com mais manifestantes, agora de camisetas vermelhas, faixas e punhos erguidos em protesto contra a condenação de Lula. Ato contínuo, a grande mídia expõe os rostos dos magistrados que julgarão o recurso à condenação e uma canastríssima entrevista (com signos cenograficamente saturados) do presidente do TRF-4 que poderá finalmente impedir a candidatura presidencial do líder petista. Qual a relação entre esse ensaio de volta da polarização “coxinhas X mortadelas” e o jogo midiático de sedução/chantagem com magistrados? O velho semiólogo Roland Barthes responderia: a mitologia da “crítica nem-nem”. Ou simplesmente “ninismo” -  mecanismo retórico de dupla exclusão na qual se reduz a realidade a uma polaridade simples, equilibrando um com o outro, de modo a rejeitar os dois. “Nem” um, “nem” o outro - apenas o “bom-senso”, mito burguês na qual se baseia o moderno liberalismo: a Justiça como mecanismo de pesagem que foge de qualquer embate ideológico.

sábado, julho 08, 2017

Filme "O Círculo" reforça a "Hipótese Fox Mulder"


Ao lado da torta de maçã e da bandeira estrelada dos EUA, não há nada mais norte-americano do que a imagem do ator Tom Hanks. Pois agora, no filme “O Círculo” (The Circle, 2017) ele é um vilão, o CEO de uma poderosa empresa de tecnologia de informação que emula o Google e o Facebook com sombrios projetos de vigilância e invasão da privacidade global. O que significa um filme estrelado pelo patriótico Tom Hanks denunciando a ameaça de uma dominação orwelliana pelo maior produto norte-americano, a tecnologia da informação desenvolvida pelo Vale do Silício? “O Círculo” transpõe para a ficção toda a agenda crítica relacionada a ameaça da espionagem e vigilância global através das comunicações eletrônicas e do “big data” extraído das redes sociais digitais. Será que a repercussão hollywoodiana das denúncias sobre os supostos planos de dominação global do Vale do Silício confirmaria a hipótese conspiratória do agente especial Fox Mulder da série “Arquivo X”? Seria “O Círculo” uma tentativa de tornar a crítica uma ficção? Assim como os filmes “Margin Call” e “A Grande Aposta” ficcionalizaram os motivos da explosão da bolha financeira de 2008?

sábado, julho 01, 2017

Bombas semióticas brasileiras (2013-2016): por que aquilo deu nisso?



Em série de 51 postagens ao longo do período 2013 (iniciado nas chamadas “Jornadas de Junho” das manifestações de rua) até o impeachment em 2016, este “Cinegnose” fez uma espécie de crônica das bombas semióticas disparadas pela grande mídia – uma complexa guerrilha semiótica que mobilizou todo o arsenal retórico, linguístico e semiológico divididos em quatro etapas bem distintas: primeiro, caos, manifestações, inadimplência e ataque dos tomates inflacionários que levavam o País ao abismo; depois, fortalecimento da base etnográfica do neoconservadorismo (“simples descolados”, “coxinhas 2.0”, “novos tradicionalistas”, “gourmetização” etc.; em seguida, o investimento semiótico em minisséries globais para a teledramaturgia legitimar a agenda política de oposição; para finalmente exortar a radicalização e polarização cujos resultados acompanhamos até hoje. Acompanhar a evolução das bombas semióticas é uma humilde contribuição para tentar responder: por que aquilo deu nisso? O gigante que parece ter adormecido e as panelas terem parado de bater mesmo com a surrealista crise política atual.

quinta-feira, junho 15, 2017

Miriam Leitão, capas de revistas e a teratopolítica


A denúncia tardia da jornalista Miriam Leitão de que supostamente teria sido vítima do ódio de petistas num voo entre Brasília-Rio tem um timing preciso: o momento no qual Lula e Lava Jato estão em segundo plano diante da guerra entre os canhões da Globo e a resistência do desinterino Michel Temer em se agarrar à presidência. Além da palavra de ordem “Fora Temer!” ter evoluído nas ruas para o lema “Diretas Já!”. Miriam Leitão coloca mais uma vez em funcionamento os mecanismos da “teratopolítica” – a estratégia semiótica da criação de inimigos monstruosos (o morfologicamente disforme, o monstro ou o simulacro humano) na política. Por contraste, as recentes capas das revistas informativas nacionais sobre a atual crise política demonstram isso: enquanto as representações de Dilma e Lula derivam entre a deformidade e um simulacro humano que se quebra ou derrete, com Temer é diferente: é o enxadrista e o estrategista que mantém a morfologia humana. Diferentes planos semânticos, sintomas do atual racha na grande mídia e uma guerra fratricida entre aqueles que articularam o golpe político de 2016.

sexta-feira, junho 09, 2017

CNN flagrada fabricando notícia falsa nas ruas de Londres



Repercute nas redes sociais um vídeo no qual uma equipe de reportagem da CNN é pega com a mão na massa fabricando uma manifestação numa rua de Londres contra o Estado Islâmico. Supostamente são mulheres muçulmanas, com destaque para uma criança orientada a segurar um cartaz de papelão. A repórter se transforma em diretora de cena e até policiais colaboram com a produção da CNN, ajudando nas marcações de cena dos “atores”. Desde o “Royal Wedding”, o casamento de Lady Di e príncipe Charles em 1981, cada vez mais a mídia avança sobre a realidade produzindo “eventos-encenação”: roteirizados, dirigidos e produzidos como fossem “notícias” e o jornalista uma “testemunha ocular da História”. Essa pequena amostra de como se constrói a atual matrix de notícias dá o que pensar: imagine a construção de manifestações em larga escala como as sucessivas “primaveras” que varreram o mundo com seus black blocs e máscaras do Anonymous – a árabe, ucraniana, turca, brasileira...

domingo, junho 04, 2017

Doria Jr. é vanguarda de um experimento e São Paulo o laboratório


Subir numa escavadeira para posar para as câmeras em demolições na Cracolândia, qualificar como “bobagem” quando questionado sobre as ameaças de agressão física do secretario André Sturm contra agentes culturais, o humilhante vídeo demitindo uma secretária de governo análogo à estética visual dos vídeos do ISIS, qualificar as ruas de São Paulo como “lixo humano” e pulverizar e despachar a Virada Cultural para lugares distantes entre si. Arrogante? “João Noia?” O gênio do prefeito João Doria Jr. é saber que foi eleito pela e para a mídia corporativa e que “opinião pública” resume-se a câmera e teleprompter. Sabe que nada deve ao respeitado público já que é uma experiência de vanguarda de um projeto no qual São Paulo é o laboratório. Por isso, de forma atávica, repete como farsa o roteiro do assalto nazifascista ao poder e guerra contra a sociedade: começa pelo banimento da “arte degenerada”, passando pela desautorização e humilhação das opiniões contrárias, terminando com a “Nova Berlim” paulistana na Cracolândia e “sacar revólveres” quando ouve falar em cultura. 

domingo, maio 28, 2017

A Cracolândia e o documentário "Arquitetura da Destruição"


No filme “Ele Está de Volta” (2015) Hitler aparece no século XXI e vê os neonazistas na Alemanha. Irritado, chama-os de “fracotes!”. Para ele, não passavam de imitadores. Mas aqueles que realmente entenderam o seu legado não estão nas ruas: são os gestores em governos e corporações. Chamada pela mídia corporativa de “megaoperação de combate às drogas”, a ação na Cracolândia no Centro de São Paulo, comandada pelos “gestores” prefeito João Dória Jr. e o governador Alckmin é uma irônica confirmação daquele filme. Escavadeiras, demolições e a internação obrigatória de dependentes químicos são evidências de como dois princípios do legado nazifascista inspiram esse século: o “embelezamento do mundo” e o “princípio das ruínas”. Um dos melhores estudos do fenômeno nazi, o documentário “Arquitetura da Destruição” (1989) descreve que projetos nazistas como a “Nova Berlim” acreditavam que o embelezamento somente seria possível através da destruição e higienização social.  Projetos atuais como “Nova Luz” e o Programa “Cidade Linda” em São Paulo parecem confirmar a maior fé de Hitler: as ruínas da arquitetura monumental nazi de uma Alemanha derrotada inspirariam as gerações futuras.

quinta-feira, abril 27, 2017

A monstruosidade ideologicamente amoral no filme "Vida"


A um mês do lançamento de “Alien: Covenant” no qual Ridley Scott dá continuidade ao anterior "Prometheus", o filme "Vida" (Life, 2017) de Daniel Espinosa é lançado. Com o mesmo plot de Scott para “Alien” (1979): astronautas aprisionados em uma nave encurralados por um espécime predador extraterrestre praticamente indestrutível. Em 1979, Scott rompeu com uma tradição da figuração dos monstros no cinema: dos seres disformes e mórficos para os informes, xenomórficos e híbridos – os “monstros moles”. Seres amorais que matam não por maldade, mas por sobrevivência. Em "Vida" Espinosa retoma essa monstruosidade contemporânea, porém sem o cinismo crítico e gnóstico de Scott: lá, o alien xenomórfico fazia parte de conspirações de demiurgos; aqui em “Vida”, o parasita-predador é uma amostra de que o evolucionismo de Darwin rege o próprio Universo e o monstro é o ápice da perfeição das leis da adaptação e seleção natural. As mesmas leis que também regem os mercados aqui na Terra.

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