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sexta-feira, junho 23, 2017

Revisitando Os Wachowskis: a Semiótica da Matrix


O filme “Matrix” (1999) dos Wachowskis  já foi dissecado e virado do avesso pela filosofia, misticisismo, esoterismo, religião, inspirando até a Física sobre a possibilidade de o Universo ser, afinal, uma gigantesca simulação computadorizada finita. Mas muito pouco ainda se falou sobre o ponto de vista da Semiótica. O que é surpreendente, já que Matrix parte de um pressuposto da ciência dos signos: não percebemos o real, mas signos mentais da realidade. “Matrix” foi muito mais do que mais uma ficção científica distópica. Na verdade os Wachowskis propuseram aos espectadores um enigma, uma “narrativa em abismo”: a emoção e empatia do público com o drama da Resistência na luta contra as máquinas é tirada da própria experiência do espectador com o seu mundo atual: já vivemos situações análogas, quando olhamos para o mundo real e o avaliamos não a partir dele mesmo, mas a partir dos signos que já foram feitos anteriormente desse próprio mundo. “Speed Racer” (2008), produção posterior à Trilogia Matrix, apenas confirmou esse propósito da dupla de diretores.

quinta-feira, maio 18, 2017

Delações da JBS deixam nu o jornalismo da Globo


Ao vivo repórteres e apresentadores nervosos, consternados, engolindo seco em uma profusão exponencial de gafes e atos falhos poucas vezes vista. Os jornalistas da Globo parece que foram pegos de surpresa: depois de diariamente martelar a narrativa da governabilidade e do “ruim com ele, pior sem ele”, de repente (como se fosse virada alguma chavinha seletora) o discurso mudou radicalmente. Tudo após a explosão nuclear das delações premiadas dos donos da JBS (terceiro maior anunciante da Globo) reveladas em suposto “furo” do jornal “O Globo”. E ainda com direito a cobertura com imagens estilo “black bloc” mostrando rolos de fumaça subindo diante do Palácio do Planalto em noite de protestos. Por que a surpresa consternada dos jornalistas globais, tidos como os mais bem informados e conhecedores dos bastidores do País,  como diz marketing da emissora? Mais do que provocar um terremoto político, as delações da JBS deixaram nu o jornalismo global: revelou profissionais alheios à realidade e que apenas repetem discursos ao sabor da mudança dos interesses corporativos da Globo. Mas isso traz um custo psíquico aos incautos jornalistas da emissora.

quarta-feira, maio 17, 2017

A obsessão pela felicidade: em defesa da melancolia


Neste momento a sociedade reúne todo um arsenal médico-terapêutico-psicológico-farmacêutico para extirpar o mal que atormenta milhares de almas: a melancolia e a depressão. O professor de literatura inglesa da Wake Forest University Erik Wilson vê na obsessão pela busca da felicidade na atual sociedade de consumo como uma desconsideração medrosa do valor da tristeza: a agitação da alma que se transforma no impulso vital de toda cultura próspera. Se o Prozac existisse desde séculos atrás, certamente não veríamos hoje muitas obras primas nos campos da literatura, pintura e ciências. Esse é o tema do recente livro de Wilson “Against Happiness: in praise of melancholy”

segunda-feira, abril 17, 2017

Propaganda e a demonização do inimigo, por Marcelo Gusmão



O filme “1984” foi exibido esse ano em 165 cidades nos EUA como forma de protesto contra o presidente Donald Trump. Ele demoniza imigrantes e a oposição também o demoniza, definindo-o como o “novo Big Brother”. Enquanto isso o Brasil está um caos, dividido, semelhante a final de um campeonato: de um lado do campo os “Coxinhas”, no outro lado os “Mortadelas”. Há quem prefira dizer “esquerda” contra “direita”, ou ainda “amarelos” (canarinhos) contra os “vermelhos”. Essa divisão não é novidade - desde que o mundo é mundo há violência e luta pelo poder. “Nós contra Eles” sempre foi um princípio de identidade entre os “Iguais” das diversas irmandades, seja times de futebol, equipes em gincanas escolares, entre bairros, cidades, países, partidos políticos e, é claro, ideologias. Demonização e a divisão do inimigo são grandes princípios de propaganda e persuasão. Como lidar com essa dualidade?  Qual a sua origem? Há como anular sua força?

sexta-feira, abril 14, 2017

"Nocturama": explodam estátuas e palácios, mas deixem os shopping centers!


O cenário é a crise econômica e desemprego na França pós crise do Euro de 2008. Um grupo de jovens de diversas origens étnicas caminha pelas ruas de Paris. Silenciosos trocam olhares, pegam pacotes em cestos de lixo e descartam telefones celulares após utilizarem. Aparentemente cansados da sociedade, planejam um ousado atentado: explosões simultâneas na cidade, mandando pelos ares símbolos do poder financeiro e político. “Nocturama” (2016), do francês Bertrand Bonello, mostra como a própria energia utópica e contestadora naturais da juventude, hipnotizada pela rebeldia da cultura de consumo, é cooptada por uma irônica “rebeldia conformista”. Desafie a sociedade explodindo palácios, estátuas e torres do poder financeiro. Mas mantenha intacto os shopping centers. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

sábado, abril 01, 2017

O projeto "Lance Limpo" da Globo e os "idiotas da objetividade" no futebol


A doença crônica do tautismo (tautologia + autismo), em processo de metástase na TV Globo, assume formas cada vez mais imprevisíveis na emissora. Agora contamina seus jornalistas que começam a levar a sério a própria visão de mundo de uma TV fechada em si mesma. O apresentador do Globo Esporte, Ivan Moré, “teve uma ideia” que prontamente recebeu as bênçãos do indefectível Galvão Bueno em seu programa “Bem, Amigos!”: o projeto “Lance Limpo” no qual serão apresentados “exemplos de nobreza e honestidade” – jogadores que confessam que cavaram pênaltis, por exemplo, fazendo árbitros corrigirem seus próprios erros. Para Moré e Bueno, na situação atual de “corrupção, desonestidade e ladroagem que dominam o País”, o esporte deve dar bons exemplos para ajudar a resolver o “problema sério de formação do cidadão”. Uma espécie de “Pan-Lava Jato” histérico que agora vê em qualquer coisa a necessidade de receber o raio moralizador. Mas pode matar o maior produto global: o futebol – assim como Nelson Rodrigues alertava que os “idiotas da objetividade” queriam destruir o futebol pelo complexo de vira-latas, da mesma forma a  moralização (que não consegue moralizar a si mesma) quer limpar a natureza imaginária de todo jogo: o drama e o lúdico. Mas há também uma agenda secreta por trás do tautista projeto: o anarcocapitalismo no esporte.

segunda-feira, março 06, 2017

O Barão de Munchausen, reforma da Previdência e a lógica do refém


O material de propaganda do PMDB cujo slogan é “Se Reforma da previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam programas sociais”, mais do que desespero de um governo que corre contra o relógio (Lava Jato e Eleições 2018) revela a natureza do Estado contemporâneo: o terrorismo e a lógica do refém. Se antes o terrorismo era restrito a territórios como aeroportos e embaixadas, agora tornou-se prática de governo: todos nós somos reféns sob a estratégia da chantagem dos rombos e dívidas que se transforma na nova função do Estado. Lógica que se sustenta em um mito, assim como aquele que o Barão de Munchausen, no filme clássico de Terry Gilliam de 1988, destruiu: não existem exércitos turcos por trás dos muros que mantém a cidade submissa pelo medo e a ignorância.

domingo, dezembro 04, 2016

O "momento decisivo" na foto símbolo da aprovação da PEC 55


Nos dias recentes uma foto por câmera de telefone celular viralizou na Internet e redes sociais: no salão da Câmara dos Deputados alegres convivas entre comes e bebes, aparentemente indiferentes ao que estava acontecendo para além da ampla vidraça: do outro lado do espelho d’água a violenta repressão aos manifestantes contrários à PEC 55, em meio à fumaça das bombas de gás. Sua autora, proprietária de uma empresa de comunicação acostumada ao meio corporativo e relações com autoridades, não tinha a menor intenção de fazer uma foto de denúncia. Mas, involuntariamente, atingiu aquilo que o fotógrafo Cartier-Bresson chamava de “momento decisivo” e o semiólogo Roland Barthes de “punctum” -  produtos visuais ou audiovisuais podem, dadas certas condições, ganhar vida própria, tornarem-se autônomos e se desvencilhar das pretensões informativas ou propagandísticas dos seus emissores. E no Cinema e na Pintura também há vários exemplos disso. 

segunda-feira, novembro 14, 2016

"Enter The Void", drogas e o Livro Tibetano dos Mortos


Um cineasta ateu que não crê em reencarnação faz um filme inspirado no “Livro Tibetano dos Mortos”. Essa é a principal virtude de “Viagem Alucinante” (“Enter The Void”, 2009) do diretor argentino Gaspar Noé. Dessa maneira, o diretor consegue demarcar a diferença entre filmes religiosos e doutrinários daqueles que nos desafiam a pensar. “Enter The Void” é tão extremo, sincero e desafiador como a produção anterior “Irreversível” (2002): as visões flutuantes sobre Tóquio a partir da alma do protagonista que foi mortalmente baleado sob efeito da droga DMT, acompanhando os três níveis de consciência pós-morte tais como descritas no livro tibetano. Neon e profusão de luzes de uma Tóquio que mais parece uma máquina de pinball vão acompanhar uma jornada espiritual de autoconhecimento em meio a sexo e violência.

segunda-feira, outubro 31, 2016

A Guerra Total de Donald Trump, UFOs e o hoax "Operação Firesign"


Aproveitando-se do impacto do dilúvio de e-mails liberados pelo “Wikileaks” em outubro (muitos dos quais associados ao tema UFO) e pelas declarações de Hillary Clinton de que o Governo liberaria informações sobre a questão ufológica, Donald Trump partiu para a típica estratégia Smart Power de guerra total: um documento intitulado “Programa de Salvamento” produzido por uma empresa de Inteligência e estratégia dos EUA, supostamente vazado pelos hacker ativistas “Anonymus” e viralizando na Internet,  prevê cenários de False Flag que permitiriam suspender as eleições. Um deles, seria a “Operação Firesign” criada pela NASA – por meio de hologramas 3D projetados na alta atmosfera simular uma invasão extraterrestre. Na verdade, plágio explícito de um episódio da série “Star Trek: A Nova Geração”. Tudo parece bizarro e risível, não fosse parte da tendência da “Smart Power” na Política atual – tornar crível ou ambíguo e viral estratégias políticas por meio de narrativas ficcionais da indústria do entretenimento. Por todos os lados vemos a chegada da estetização midiática da política. No Brasil, Doria Jr., Crivella, Temer etc., todos baseados em personagens e narrativas de entretenimento.

sexta-feira, outubro 28, 2016

O bizarro show da abertura do túnel suíço: sintoma da cultura do narcisismo


A bizarra e polêmica cerimônia de inauguração do Gothard Base Tunnel (o maior túnel ferroviário do mundo ligando Suíça à Alemanha) está rendendo comentários aqui no blog. O “Cinegnose” interpretou o evento pelo viés do “Sincromisticismo” e do “ecumenismo pós-moderno”. Nosso leitor Wilton Cardoso propôs mais uma interpretação, dessa vez associando a um sintoma psíquico da atual sociedade de consumo: a chamada “Cultura do Narcisismo”, tese do norte-americano Christopher Lasch – haveria uma linha de continuidade entre o pastiche religioso-mítico-ocultista da cerimônia do túnel suíço e o pastiche de produtos como “Harry Potter”, “Senhor dos Anéis” etc.

sexta-feira, outubro 21, 2016

"Computers for Everyone": houve uma falha na Matrix em 1965?


Em 1965, uma obscura revista de história em quadrinhos inglesa para crianças e jovens chamada “Eagle” publicou um artigo intitulado “Computers For Everyone”. O texto previa com assombrosa exatidão o surgimento dos motores de busca na Internet para os anos 1990 e serviços análogos aos atuais Netflix, Kindle e Skype. Isso, cinco anos antes da pré-história da moderna Internet, a Arpanet em 1969. O que espanta é que foram profecias bem diferentes daquelas famosas de escritores como Júlio Verne ou H.G. Wells: em pleno mundo analógico dos anos 1960, o artigo previa gadgets digitais como a Internet das Coisas. Apenas boa futurologia? Ou haveria uma outra narrativa para a história da ciência e tecnologia? Todas as invenções que irão estruturar o futuro já foram descobertas e patenteadas. Elas são “desovadas” aos poucos, de acordo com necessidades estratégicas de mercado, políticas ou militares. Poderiam assombrosas visões do futuro como essas publicadas em um comic book isolado ser uma falha na Matrix? Um verdadeiro déjà-vu?

sábado, setembro 17, 2016

PowerPoint nos torna estúpidos?


O programa Excel produz “cabeças de planilha”. E o PowerPoint produz o quê? Uma pequena amostra foi dada na delação-show protagonizada pelo procurador Deltan Dallagnol ao dizer: “provas são fragmentos da realidade que geram convicção”. O PowerPoint invadiu a estrutura mental, de decisão e compreensão da realidade. A princípio, qualquer coisa pode ser “bullet-izabel” (“itemizável”). É a pré-formatação da realidade, uma verdadeira estrutura de decomposição do real. Tão fragmentadas e genéricas como as supostas provas contra o “general do maior esquema de corrupção da História”. O PowerPoint se expandiu a todos os setores da sociedade, das empresas ao Estado e à escola onde alunos vão deslizando o olhar por tópicos através dos quais o efeito de conhecimento se confunde com o próprio conhecimento. Cria a linguagem powerpointiana: ilusão, simplificação, distração e anestesia.

domingo, abril 24, 2016

"Isso Muda O Mundo" e as bikes metalinguísticas do Itaú


“Isso muda o mundo” estava estampado em uma bike patrocinada por um banco que parou ao meu lado em um semáforo. Por que essa necessidade de sobrecodificar (metalinguagem + fático) nossas experiências e escolhas através do Marketing? Uma pedalada deixa de ser uma experiência despretensiosa para tornar-se um gesto autoconsciente que exige comunicação. Alguns pesquisadores apontam para esse fenômeno de comunicação baseado em uma nova religião confessional (cujos novos apóstolos são os profissionais da comunicação) baseada na fé de que a soma de escolhas isoladas resultará em um mundo melhor. Um mundo onde cada pequeno gesto deve ter um significado importante para ser comunicado a “Deus”.

sexta-feira, abril 22, 2016

Como entender o impeachment com Baudrillard e Deleuze


“Grau Zero da Política” e “Micropolítica”. Esses dois conceitos, respectivamente dos pensadores Jean Baudrillard e Gilles Deleuze, podem nos ajudar a compreender o significado simbólico do atual processo de impeachment contra a presidenta Dilma. Os catorze anos de sucessões de governos petistas teriam criado uma crise simbólica no sistema político: a reversibilidade entre Esquerda e Direita no momento em que governos supostamente de esquerda implementaram  políticas neodesenvolvimentistas que ajudaram a criar condições ótimas de reprodução do capitalismo - inclusão no consumo e precarização do trabalho. A Esquerda estaria tomado para si a agenda conservadora? Então, por que derrubar Dilma? Baudrillard diria que esse é a revelação do “grau zero” por trás dos simulacros da política; e Deleuze diria: “nunca houve governo de esquerda”.

terça-feira, abril 05, 2016

Na exposição "Mondrian e o Movimento De Stijl" o irônico final das vanguardas modernas


De repente, pessoas pareciam esquecer de Mondrian e passavam a fotografar os detalhes “art noveau” do histórico prédio do Centro Cultural Banco do Brasil, Centro de São Paulo. Esse foi um comportamento recorrente observado por esse humilde blogueiro na exposição Mondrian e o Movimento De Stijl. Para além da ironia de uma exposição sobre uma radical escola de vanguarda moderna acontecer no interior de um prédio cujo estilo seria a síntese de tudo que o Manifesto De Stijl mais odiava, o comportamento de muitos visitantes pode ser o sintoma do também irônico destino da arte de Mondrian: inspirado na arte iniciática e esotérica da Teosofia, suas linhas retas e cores chapadas procuravam a paz espiritual. Mas tornou-se conservador e artisticamente estéril ao se tornar a base de toda estética da cultura de massas e publicidade. Da arte e design revolucionários que prometiam que um dia viveríamos todos no interior de um quadro de Mondrian, hoje vemos crianças em quartos cenográficos com alusões à animação “Carros” da Disney/Pixar.

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Nos labirintos da Nova Idade Média com Umberto Eco


Falecido aos 84 anos nessa sexta-feira em Milão, Umberto Eco criou um projeto inédito: o encontro da Semiótica com o Medievalismo. Especialista em Idade Média, Eco  afirmava que procurava encontrar aspectos medievais no presente. O que levou a criar o seu projeto semiótico em uma simples definição: “é a disciplina que, a princípio, estuda tudo aquilo que possa ser usado para mentir”. Por isso, o frade detetive do livro/filme “O Nome da Rosa” tornou-se a síntese daquilo que Umberto Eco buscou em toda vida: leitores críticos que conseguissem escapar dos labirintos medievais das interpretações que fingem ser verdades e que apenas replicam “autorictas”. Eco testemunhou no final a criação da nova versão desse labirinto - a Internet. E alertou a necessidade de um novo leitor crítico que encontrasse uma nova saída desse labirinto: a Teoria da Filtragem.

A Idade Média sempre foi uma constante obsessão para o chamado “mago de Bolonha”. Embora Umberto Eco escrevesse com a mesma desenvoltura temas tão diversos desde tratados de estética medieval, ensaios sobre histórias em quadrinhos e cultura de massas, passando pelos fenômenos da significação na Semiótica e linguística e chegando à ficção ao se tornar romancista de sucesso mundial com livros como O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault, seus conhecimentos de medievalista sempre serviram como uma lente através da qual analisava qualquer tema.

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Editor do "Cinegnose" apresenta experiência do Cinema na sala de aula como Acontecimento


Normalmente pensamos o cinema como entretenimento ou como um meio pelo qual podemos ter informações que nos façam repensar o mundo. Mas isso é comunicação? Ou estamos confundindo comunicação com sinalização e informação? Quando o cinema de fato comunica? Esse foi o tema discutido por esse blogueiro no III Seminário Anhembi Morumbi de Estudos do Ensino Superior – um estudo de caso sobre a exibição do filme “Como Fazer Carreira em Publicidade” (1989) em sala de aula e o mapeamento de fenômenos de comunicação como “Acontecimento” durante e depois da recepção do filme. A experiência foi tentar redefinir o conceito de comunicação como Acontecimento – aquilo que provoca crise e altera a vivência. Aquela experiência que, depois, já não somos mais os mesmos.

Esse humilde blogueiro que escreve essas mal traçadas participou ontem (16/02) do III Seminário Anhembi Morumbi de Estudos do Ensino Superior apresentando o trabalho Como Fazer Carreira em Publicidade com Massumi, Shaviro e Whitehead: Cinema e Acontecimento Comunicacional na Sala de Aula.

domingo, dezembro 13, 2015

Curta da Semana: "The Box Man" - somos todos homens-caixa?



Um curta inspirado em um livro surrealista do escritor japonês Kobo Abe. “The Box Man” (2003) é uma animação em stop motion que mistura elementos do cinema “Noir” com o Fantástico: em uma chuvosa cidade sombria um homem encontra uma misteriosa caixa de papelão. Algo ou alguém o observa do interior da caixa através de uma fenda. “The Box Man” reflete a atual cultura da paranoia e do medo criada por nós mesmos e como a figura da caixa se transformou em uma estratégia para supostamente nos protegermos.

sexta-feira, janeiro 23, 2015

A Ponte Estaiada é uma bomba sincromística?

Foto: André Nunez

“Estilingão”, “X” da Xuxa”, “X” dos analfabetos foram alguns dos apelidos recebidos pela Ponte Estaiada Otávio Frias de Oliveira quando inaugurada em 2008 na cidade de São Paulo. Certamente sintomas da perplexidade de uma estrutura em “X” equivalente a um prédio de 46 andares de onde saem estais que sustentam pistas sobrepostas em curva. Para além da funcionalidade viária, a ponte nasceu para ser emblemática, midiática e símbolo global. Para atingir essas funções ideológicas do “Soft-capitalismo” (midiático-financeiro), tornou-se um evento sincromístico: além dos feixes de estais, ela representa um feixe de simbolismos herméticos, esotéricos e matemáticos como a espiral de Fibonacci e o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci. Simbolismos que transformam a ponte numa celebração ritual de um Neo-Renascimento onde o mundo do mercado e dos negócios teria descoberto a beleza e simetria em meio ao caos. Seria a ponte uma bomba semiótica sincromística para diariamente fazer a apologia da Nova Ordem?

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