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sábado, novembro 26, 2016

Filme chinês "Kaili Blues" desafia espectador ocidental com sensibilidade budista


Numa dos mais ousados planos-sequência do cinema recente, 40 minutos acompanhando a viagem do protagonista no interior de pequenos povoados da China, o diretor Gan Bi busca uma sensibilidade budista mística sobre os pequenos eventos do cotidiano. O filme “Kaili Blues” (2015) é um desafio para um espectador ocidental: enquanto estamos acostumados com um cinema que tematiza as crises existenciais e da perda de identidade, o cinema chinês de Gan Bi busca, ao contrário, o fluxo e a superfície das águas de um rio – a crise surge quando tentamos buscar a permanência nas memórias e na própria identidade. Ilusões que escondem o fluxo contínuo (“samsara”) da vida. Fluxo tão desafiador como o plano-sequência no qual acompanhamos a viagem de um médico que retorna a sua terra natal passando por uma estranha cidade.  

sábado, outubro 29, 2016

Não há fronteiras entre vivos e mortos em "Cemetery of Splendour"


Soldados em uma pequena cidade na Tailândia sofrem de uma estranha doença do sono. Todos estão em uma enfermaria ligados a máquinas que ajudam a ter “bons sonhos” – máquinas supostamente usadas pelo exército dos EUA no Afeganistão. Voluntários e uma sensitiva tentam se comunicar com os soldados para compreender essa estranha narcolepsia. Enquanto uma empresa de cabeamento escava buracos no entorno do hospital, a sensitiva descobre que séculos atrás o local foi cenário de sangrentas batalhas que ainda não terminaram no mundo espiritual: se perpetuam e sugam a energia dos vivos. Esse é o filme “Cemetery of Splendour” (2015) do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul cuja filmografia é permeada pelos temas sobre vidas passadas, reencarnação e memórias. Passado e futuro se misturam até questionarmos as fronteiras entre os vivos e os mortos, seja no dia-a-dia, seja até na política.

terça-feira, outubro 11, 2016

Cineteratologia: a ciência dos monstros no Cinema


Assim como a Teratologia, ramo da ciência médica conhecida também como “ciência dos monstros” (o estudo de como o meio ambiente pode produzir deformações pré-natal), seria necessário um estudo sobre como as transformações dos ambientes sócio-culturais alteram as expressões da monstruosidade e a sensibilidade ao terror e o horror no cinema e audiovisual – a Cineteratologia. A partir de “A Noite dos Mortos Vivos” (1968), de George Romero, acompanhamos a quebra o paradigma da monstruosidade clássica e a criação de uma nova galeria de monstros com mudanças estéticas (não são mais “disformes”, mas agora “informes” – os chamados “monstros moles”) e éticas – o comportamento violento é inimputável de qualquer julgamento moral. São apenas manifestações virais ou predadores que lutam para sobreviver. Por que essa alteração na natureza da monstruosidade moderna?

domingo, outubro 02, 2016

A banalidade do Mal do ocultismo nazi no filme "O Cremador"


Um operador de um crematório na antiga Tchecoslováquia, às vésperas da invasão nazista, é um respeitado e aparentemente equilibrado chefe de família que recita nos jantares teses do Livro Tibetano dos Mortos, é obcecado em budismo e reencarnação. E também acredita na missão messiânica da sua profissão: acelerar o trabalho de Deus de fazer o homem retornar ao pó. Essa mistura de cristianismo e budismo na sua cabeça vai encontrar o esoterismo nazi que começa a se espalhar pelo país – a pureza da raça ariana cujas origens milenares estariam no Tibete e a sabedoria guardada pelos lamas. O filme “O Cremador” (Spalovac Mrtvol, 1969) do diretor tcheco Juraj Herz é um mergulho no psiquismo da chamada “banalizadade do Mal”, motor psicológico do nazi-fascismo: como um homem aparentemente equilibrado e sem precedentes violentos mistura cristianismo, budismo e ocultismo nazi para se auto-investir com um propósito sinistro: eliminar a dor e a impureza desse mundo através das fornalhas do seu crematório.

terça-feira, setembro 27, 2016

Coleção "Curta da Semana" do Cinegnose: o Gnóstico, o Estranho e o Surreal



No ano passado o "Cinegnose" iniciava a sessão "Curta da Semana". A ideia era celebrar a presença do Surreal, do Gnóstico, do Estranho no universo das produções em curta metragem. Esse gênero de filme vem se tornando verdadeira incubadora de novos diretores, roteiristas, e teasers para futuros filmes. Um tipo de produção que permite liberdade em experimentar novos temas, estéticas, linguagens e efeitos especiais. Visite a Coleção com, até agora, 40 curtas com atualizações semanais.



1 - "Puppets" - Eu sou aquilo que não penso? - clique aqui



2 - "Life and the Mirror" e "Goodbye" - Perdemos a fé na vida pós-morte? - clique aqui



3 - "The Horribly Slow Murderer With The Extremely Inefficient Weapon" - a colher e a gota chinesa - clique aqui



4 - "O Sanduíche" - e no final do abismo tinha um sanduíche - clique aqui



5 - "Estado de Suspensão" - o "estar entre" o sonho e a realidade - clique aqui



6 - "Getting Fat in the Healthy Way"- a Terra, a Lua e a obesidade - clique aqui



7 - "O Homem na Multidão" - Allan Poe se encontra com Física Quântica - clique aqui



8 -"Gnosis" - Monstros, bebês e Gnosticismo - clique aqui



9 - "The Black Hole" - escritórios são as Matrix atuais - clique aqui



10 - "Os Filmes Que Não Fiz" - o fascínio pelos perdedores - clique aqui


MAIS CURTAS
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sábado, outubro 22, 2011

A mitologia pop de aliens, sexo, drogas e euforia no filme "Liquid Sky"



Em meio a euforia da onda Punk e New Wave no mundo da Moda do começo dos anos 1980, turbinada pela heroína e cocaína, um pequeno disco voador pousa na cobertura de um prédio em Nova York. Aliens invisíveis estão em busca de uma substância única liberada pelo cérebro humano durante a euforia lisérgica. Mas descobriram que a mente humana também produz a mesma substância durante o orgasmo. Sexo torna-se mortal naquele pequeno mundo de artistas e modelos. Após cinco anos nos EUA, o russo Slava Tsukerman decidiu fazer um filme independente que explorasse a mitologia pop contemporânea sobre sexo, euforia, drogas e alienígenas do espaço sideral. É "Liquid Sky" (1982), um filme sobre exilados e estrangeiros, assim como ele. Um olhar sobre a condição humana contemporânea dominada pelo sentimento de desamparo e alienação em um mundo governado por novos Demiurgos: alienígenas e a indústria do entretenimento.

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